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quinta-feira, 16 de outubro de 2025

A anistia que não deve ser

Ricardo Viveiros *

Existe a proposta de anistiar aqueles que, em 8 de janeiro de 2023, vandalizaram os prédios dos três poderes em Brasília. Tal movimento em busca de perdão para terroristas é não apenas equivocado, mas um verdadeiro atentado ao estado democrático de direito. A Constituição Federal, no artigo 5º, inciso XLIII, é clara: “[…] a prática do terrorismo não é passível de anistia.”. Essa premissa deve ser defendida com tenacidade, pois a anistia que se articula pode abrir perigoso precedente. Além do que, no “passar o pano”, está a intenção de beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro, indiciado e inelegível.

Em uma democracia, a legitimidade do poder emana do respeito às instituições e à ordem constitucional. Ao conceder perdão a baderneiros, que atacaram símbolos da nossa república, corre-se o risco de legitimar uma cultura de impunidade. A ideia de que ações violentas de golpistas podem ser relevadas afronta àqueles que lutam pela democracia. Seria um incentivo ao desrespeito às instituições, no qual a desestabilização se torna estratégia viável para aqueles que não aceitam o legítimo resultado das urnas.

A polarização política que permeia nosso país é evidente e danosa. Entretanto, o diálogo e a negociação são sempre preferíveis à violência. A anistia a atos terroristas não apenas deslegitimaria os esforços de pacificação e reconciliação, mas também incentivaria a ocorrência de novos episódios de vandalismo e desrespeito à Constituição. Afinal, se os autores de ações criminosas se sentirem seguros de que não haverá consequências, o ciclo de violência poderá gerar novos eventos, como o recente ataque com bombas ao STF.

O que se espera de um Estado democrático é a proteção de suas instituições, e isso passa pela responsabilização de quem comete crimes. A anistia, portanto, não representa um gesto de paz, mas sim uma capitulação diante de atos ao arrepio da lei. Não podemos nos esquecer de que o uso da força para derrubar a ordem estabelecida deve ser tratado com rigor, e a impunidade não pode ser a resposta.

É importante criar um ambiente em que as divergências sejam resolvidas por meio do diálogo e da política, e não pela destruição do patrimônio público em nítido recado de repúdio à democracia. Alguns argumentam que a anistia é um caminho para a reconciliação. No entanto, essa abordagem ignora a gravidade dos atos cometidos e o impacto que tiveram sobre a sociedade. A reconciliação verdadeira se baseia no reconhecimento dos erros, na busca pela justiça e na reparação das vítimas. O castigo pune, o arrependimento educa.

A sociedade brasileira precisa ser capaz de distinguir o legítimo exercício da liberdade de opinião do ódio manifestado em nome dela. A anistia a terroristas não é apenas uma questão legal; é uma questão moral. Devemos nos lembrar das lições do passado e dos riscos que corremos ao minimizar a gravidade de atos irresponsáveis.

O momento é de reafirmar nosso compromisso com a democracia e com a justiça, não apenas em palavras, mas em ações. O respeito às instituições e à lei deve ser inegociável. A anistia não é a resposta; a responsabilidade, sim. Vamos construir um futuro em que a violência não seja a solução, mas, sim e em especial, o respeito mútuo e a efetiva busca pelo desenvolvimento sob o princípio da paz.

* O autor é jornalista, professor e escritor, é doutor em Educação, Arte e História da Cultura; autor, entre outros livros, de A vila que descobriu o Brasil, Justiça seja feita e Memórias de um tempo obscuro.

 

 

 

sexta-feira, 14 de março de 2025

Sarney: a entrevista da década na GloboNews

Richard Jakubaszko 
O verdadeiro jornalismo renasce como Fênix ao assistirmos a entrevista do ex-presidente José Sarney na GloboNews hoje (14/03/2025, no seu noticioso Em Pauta, comemorando os 40 anos da redemocratização brasileira.

Sarney, hoje com 94 anos de idade, que irá completar 95 em 25 de abril próximo, demonstrou uma acuidade política,sem contar a lucidez, e uma memória extraordinária ao lembrar de nomes e situações da sua posse como presidente, em que era o vice de um presidente (Tancredo Neves) que ainda não havia tomado posse.

De forma oportuna a bancada de jornalistas da GloboNews abordou a atual situação da política no Brasil, e de como isso deveria ser conduzido para manter o Brasil em um estado democrático. Sarney destacou a reforma política como a mais importante a ser feita, dada a proliferação de mais de 30 partidos no Brasil, e de acabar com o exótico voto proporcional, que leva ao Congresso Nacional políticos sem nenhuma representatividade. Abordei recentemente esse assunto aqui no blog, ver aqui 

Por diversas opiniões e lembranças, por ser um político conservador, mas de uma habilidade extraordinária, Sarney recoloca o Brasil na linha de democracia.

 

 

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quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Redução de R$ 327 bilhões nos gastos fiscais não combina com a nova Taxa Selic de 12,25% a.a.

Richard Jakubaszko
  

Tem alguma coisa muito errada na cachola  da mídia brasileira e do chamado “mercado”, que anda muito estressado nos últimos meses.

O Governo Federal tem discutido publicamente os cortes a serem feitos para reduzir o déficit fiscal. Chegou à meta de economizar R$ 327 bilhões, entre 2025 e 2030, mas o “mercado” considera esse volume de corte insuficiente, daí que o dólar sobe em ritmo acelerado, mas as bolsas permanecem estáveis. Significa que R$ 54 bilhões por ano é pouco nessa economia de enxugamento de despesas, mesmo considerando futuro aumento do PIB e também do aumento na arrecadação de impostos. Ora, o que o ”mercado” deseja, no final das contas?


Simples, o “mercado” deseja um freio no aumento real do salário mínimo, e cortes drásticos nas despesas previdenciárias, além de outras providências.


Com isso, reduziria o déficit no orçamento. Se houvesse cortes nas aposentadorias altamente privilegiadas, diz o “mercado”, como de militares, juízes, membros do judiciário e do legislativo, que se aposentam com benefícios integrais ao que recebiam quando trabalhavam, é possível que a redução do estouro fosse maior do que o pretendido, e que já tem causado muito chororô.


O objetivo do “mercado”, em verdade, trata-se de uma lógica linear e clara. Se o Governo Federal estourar o déficit fiscal, conforme previsto pelo andar da carruagem, o Tesouro só poderá pagar, em primeiro lugar, os benefícios dos aposentados, depois os salários do funcionalismo, e a partir daí passa a pagar as demais despesas, se sobrar dinheiro, como despesas de custeio (aluguéis, por exemplo, saúde, educação), de investimentos, e dos juros pagos aos bancos e rentistas pela enorme dívida pública existente. Se não sobrar verba suficiente, depois de pagar os aposentados e funcionários ativos, o governo não paga as demais despesas, conforme está na Constituição de 1988. Ou seja, o “mercado” projeta que esse risco é real e está muito próximo de acontecer, daí o estresse.


Ocorre que o “mercado” é muito “esperto”, conforme já sabemos. Com o dólar alto, a inflação acelera. Com a alta inflação o Banco Central aumenta a Taxa Selic (hoje aumentou 1%, chegando a 12,25% de juros ao ano). É importante saber que, nos últimos 12 meses, o Tesouro pagou aos bancos e rentistas a bagatela de R$ 875 bilhões em juros para amortização da dívida, e de que cada 1% de juros na Taxa Selic representa R$ 48 bilhões por ano aos cofres públicos só em pagamento de juros, sem amortizar a dívida total. Se o Governo Federal aprovar no Congresso o corte de despesas planejado vai “sobrar” líquido no caixa do Tesouro R$ 6 bilhões por ano...


Não é uma vergonha o que faz o Banco Central? E o que dizer da chantagem do “mercado”, tão anônimo e impessoal como sempre, mas idolatrado pela mídia, que é acrítica no assunto...
 

Entre outras coisas, precisaríamos fazer uma auditoria pra valer na chamada dívida pública interna. Tem muito “gato” nesse angu. Outros países (Grécia, Turquia) já fizeram auditorias em passado recente sobre o valor real de suas dívidas e chegaram a reduções notáveis no valor real. Evidentemente que se necessita recalcular os valores dos altos benefícios pagos a funcionários públicos, como militares e membros do judiciário, e não de colocar um garrote no pescoço de quem ganha Salário Mínimo. E tem de colocar um fim na festa que o Congresso anda fazendo com as verbas públicas das emendas anônimas e secretas.


A propósito, necessita-se fazer uma reforma política no Brasil, para equilibrar a representatividade do voto do povo. Hoje, um deputado federal eleito e bem votado, com mais de 1 milhão de votos, leva no seu vácuo pelo menos 8 a 10 deputados que tiveram menos de 15 mil votos, deixando de dar posse a deputados que tiveram 80 ou 100 mil votos, o que é um descalabro. Temos mais de 30 partidos políticos, e cada um deles tem seu puxador de votos, sejam cantores, jogadores de futebol, apresentadores de TVs, além de “famosos”, e por aí vai. Essa farra tem de acabar, porque ela só incha o Centrão chantagista. Não representa o povo, isso é claríssimo.


Necessita-se também acabar com a cota de 3 senadores por estado. Cada um deles, tem 1 voto, e são 81 senadores, e estados com menos de 5 milhões de eleitores elegem também 3 senadores, o mesmo que São Paulo, Minas Gerais, Bahia ou Rio de Janeiro, que possuem de 4 a 7 vezes mais eleitores. Essa é uma das heranças malditas deixada pela ditadura, e que precisa acabar urgentemente. Particularmente tenho uma ideia ainda melhor, e que seria a de acabar com o Senado, pois não precisamos de uma segunda câmara para referendar o que a Câmara de Deputados já votou. É redundância que os ingleses inventaram, para dar status aos Lordes que votam sempre com a monarquia, que não são eleitos, e sim nomeados, e que nem o Senado Romano ousou criar, pois era uma coisa só...

Definitivamente, redução de R$ 327 bilhões nos gastos fiscais não combina com a nova Taxa Selic de 12,25% a.a.

Quem se habilita a acabar com essas barbaridades?

 

 

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segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Carrefour queria boicotar o Brasil e acabou em xeque, está boicotado aqui. Mas precisa mais boicote nosso.

Richard Jakubaszko

Acordo já está aprovado. Agora é só chororô. 
A grande mídia revelou esta semana a decisão de boicote do grupo francês Carrefour que anunciou na França que irá parar de comprar carne do Mercosul, inclusive do Brasil, por conta de supostos “descumprimentos sanitários”, o que provocou um enorme repúdio das autoridades brasileiras, a começar pelo ministro da Agricultura Carlos Fávaro, ao mesmo tempo apoiando um contra-boicote da indústria brasileira de carnes vermelhas (inclusive de frangos), à filial brasileira da rede Carrefour. Vai ser interessante acompanhar essa treta.

Pela primeira vez o agro brasileiro se mostra com coragem para contestar as “frescuras ambientais” da França e da Comunidade Europeia, que discutem com enorme hipocrisia a aprovação e regulamentação do acordo Mercosul-Mercado Europeu, que está encrencado há cerca de 30 anos, sempre atrapalhado pelos interesses, de um lado, dos ambientalistas, e, de outro, pelas indústrias europeias e pelos produtores rurais franceses. Houve a aprovação em 2019, mas ainda falta a regulamentação. O acordo vai ser regulamentado e deve sair ainda este ano, mas sem os aplausos daqueles que sempre foram contra.


A ação do Carrefour, em verdade, é uma ação política de apoio ao governo francês, e, ao mesmo tempo, uma jogada de marketing para com seus clientes na Europa e fornecedores do agro francês. No início dos anos 2000 o Carrefour prometeu em campanhas publicitárias a “rastreabilidade” de todos os produtos vendidos pela rede. Houve um sucesso enorme entre os clientes, mas o Carrefour foi obrigado a terceirizar os processos de rastreio, devido à dimensão que a promessa mercadológica alcançou, e que eles nunca conseguiriam cumprir sozinhos. Outras redes de supermercados europeias abraçaram a ideia e foram juntas na ação de marketing, conforme revelo em meu livro “CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?” Veja aqui: https://richardjakubaszko.blogspot.com/2022/05/saiu-3-edicao-do-livro-co2-aquecimento.html

No livro, demonstro como seriam as ações “diplomáticas” e “políticas” da Europa contra o agronegócio brasileiro, na verdade o foco principal do interesse no acordo: protecionismo puro, através de normas alfandegárias que inviabilizem um concorrente como o Brasil na produção de alimentos.

Em agosto de 2019 publiquei aqui no blog, uma carta aberta ao presidente da França, Emmanuel Macron, sobre as tretas francesas e europeias a respeito das queimadas na Amazônia. Pedi a ele para que intercedesse no Parlamento Europeu para exigir a proibição de importação de madeira ilegal do Brasil, pois isso resolveria 90% dos problemas de abate de árvores, e, consequentemente, das queimadas. Leia aqui: https://richardjakubaszko.blogspot.com/2019/08/carta-aberta-ao-presidente-da-franca-sr.html

No contra-boicote brasileiro, em minha opinião, outras áreas do agronegócio precisam aderir, sejam produtores de frutas, hortaliças e legumes, além de laticínios, pois a indústria de alimentos brasileira não irá tomar nenhuma iniciativa. Vejam que a Danone e o Grupo Tereos (Açúcar Guarani), investimentos franceses no Brasil, já aderiram ao boicote do Carrefour.

Como pano de fundo temos a questão ambiental, o aquecimento e as mudanças climáticas, a maior mentira do Século XXI, e atrás disso os europeus, especialmente os franceses, manipulam de forma dissimulada toda a questão. O Brasil (principalmente o agronegócio) necessita debater a fundo as intenções dos grupos de interesse do IPCC, em cujas mentiras os franceses agora se apoiam para tomar decisões.


Assim, tenhamos comprometimento, e sem medo de ser feliz.

 

 

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terça-feira, 13 de agosto de 2024

Autonomia do Banco Central: um buraco negro na economia

Arthur Pinheiro Machado *
 

O gasto do governo brasileiro com juros da dívida pública atingiu um novo recorde histórico este ano, chegando a R$ 835 bilhões nos 12 meses encerrados em julho. O valor disputa com a Previdência Social o título de maior rubrica de todo o orçamento federal. Mas ao contrário do modelo da previdência, alvo constante de debates, críticas e reformas, o modelo de gestão do Banco Central é protegido por uma poderosa operação de blindagem.

A conta do Banco Central não para por aí. A taxa de juros básica da economia, a Selic, fixada pelo BC, influencia também o custo dos empréstimos no setor privado. São R$ 6 trilhões em empréstimos a empresas e famílias a um custo médio — Indicador de Custo de Crédito (ICC) — de 21,8% ao ano. Isso dá mais R$ 1,3 trilhão de juros pagos pelo setor privado. Ou seja, por ano o Brasil paga R$ 2,1 trilhões, ou 20% do Produto Interno Bruto (PIB) em juros.

Trata-se de um verdadeiro buraco negro no centro da economia brasileira, sugando recursos de famílias, empresas e governo e impedindo o país de crescer. Os governantes, ao invés de cobrarem responsabilidade exigindo prestação de contas e providências, fazem o contrário. A reação é dar mais autonomia para o Banco Central. Resta saber autonomia em relação a quem.

São R$ 2,1 trilhões a mais no bolso de alguém todos os anos. Certamente não é no bolso do trabalhador que acorda cedo para pegar ônibus, nem do empresário que quebra a cabeça para fechar as contas do fim do mês. E nem dos governos, que apanham de todos os lados para ver a dívida pública aumentar ano a ano.

O dinheiro vai parar no bolso dos rentistas, que ganham dinheiro fácil comprando títulos remunerados a taxas estratosféricas. Essa classe de rentistas atua como um verdadeiro oligopólio globalista parasitário, que domina o debate público e impõe sua visão de mundo. Esse juros se comportam não como um aluguel por dinheiro, depois destinado a investimento e consumo. É pura transferência de riqueza entre quem mais precisa e quem mais tem.

Mas esse ganho dos rentistas é ilusório. Um país sugado por taxas de juros irrealistas e por um sistema de crédito proibitivo não produz negócios, não gera riqueza e não cresce. A longo prazo, todos ficam mais pobres. O que parece ser dinheiro fácil no bolso dos oligopólios rentistas é na verdade o custo de oportunidade de não crescer.

Desde o fim da inflação crônica, 30 anos atrás, o Brasil assumiu o posto de líder mundial das taxas de juros no planeta. Em um mundo onde é normal ter taxas de juros reais (taxa de juros descontada a inflação), negativas ou muito próximas a zero, o Brasil se transformou no paraíso dos juros altos e do dinheiro fácil.

Que o Banco Central tome decisões que influenciam a vida de todos sem ter que prestar contas a ninguém não é algo trivial. Significa que o país abriu mão e sua soberania e do projeto de desenvolvimento nacional. Pouco adianta que executivos do BC distribuam atas dizendo que tomaram tal decisão por isso e por aquilo. O papel aceita tudo.

Há anos os executivos do BC gozam de autonomia política de fato, agindo com grande desenvoltura em suas decisões. O problema jurídico começou com a Lei Complementar 179/2021, que criou mandatos fixos para cargos de diretoria e presidência do Banco Central, prevendo regras tão complexas de remoção que equivalem efetivamente à estabilidade no mandato.

A Lei Complementar 179/2021 traz outras alterações questionáveis. Ela fixa como “objetivo fundamental” do Banco Central a estabilidade de preços e deixa as demais preocupações em segundo plano. Cria uma estranha função de “suavizar as flutuações do nível de atividade” e coloca em último lugar a entre suas prioridades a promoção do pleno emprego. Aparentemente a atuação do Banco Central é independente dos desempregados.

A EC 65/2023 vai ainda mais longe e dá ao Banco Central autonomia financeira. O projeto prevê que o Banco Central poderá captar seus próprios recursos por meio dos ganhos de “senhoriagem”, a remuneração obtida pela emissão de moeda. Com receita e orçamento próprios, o Banco Central passaria a ser uma espécie de organização paralela, um Estado dentro do Estado.

Teoria da captura e portas giratórias
O perigo de se ter agências reguladoras totalmente autônomas, sem instâncias efetivas de controle externo, é debatido no Direito Administrativo pela “teoria da captura”. Segundo a teoria da captura, as agências reguladoras tendem a ser “capturadas” pelos interesses dos setores econômicos regulados, passando a viabilizar projetos e objetivos de seus oligopólios privados, não do interesse público.

No caso específico do sistema financeiro, é utilizada com frequência a tese das “portas giratórias”. O entra e sai de executivos entre cargos no mercado financeiro e na autoridade monetária tornam praticamente impossível distinguir quem é quem. Representantes do sistema financeiro passam a comandar, direta ou indiretamente, as decisões do Estado.

Quando a lei diz que a soberania popular não apita na autoridade monetária, que ciclos econômicos devem ser “suavizados” e que a geração de empregos é um objetivo de quinta categoria, é para ficarmos preocupados. Quando o Banco Central está no comando de uma operação de transferência de renda equivalente a 20% do Produto Interno Bruto do país, é para ficarmos muito preocupados.

Fantasia do tecnocrata
Para justificar a autonomia do Banco Central, seus defensores costumam apelar para a “fantasia do tecnocrata”. Essa ilusão sustenta que as decisões do Banco Central são totalmente técnicas, isentas e baseadas em dados. Fantasiada de jaleco de cientista e calculadora na mão, a autoridade monetária tenta parecer acima do bem e do mal.

Essa fantasia ignora que também o campo científico é sujeito ao conflito e à disputa. A chamada “ortodoxia monetária” é hoje uma vidraça estilhaçada por críticas técnicas e teóricas. O problema remete ao um tema fundamental da estatística, que é a diferença entre correlação e causalidade. E a um problema típico da política econômica: a adequação entre meios e fins.

Se há uma correlação entre juros e inflação, o problema é saber se há uma causalidade suficientemente forte entre a manipulação dos juros e redução da inflação que justifique o seu custo. O debate técnico sobre o papel da ortodoxia monetarista no Brasil ganhou maior projeção nacional desde 2017 com a publicação de uma série de artigos e o livro “Juros, Moeda, e Ortodoxia”, do economista André Lara Resende, um dos responsáveis pelo Plano Real.

Ortodoxia monetarista
O primeiro problema é que a tradição monetarista vem de um mundo no qual o dinheiro era impresso e o sistema financeiro usava máquinas de escrever e papel carbono. Hoje há uma infinidade de instrumentos financeiros novos aparecendo a todo momento, operados eletronicamente em escala global. Não é mais óbvio que a manipulação da taxa de juros pela autoridade monetária nacional tem impacto direto sobre a inflação.

Outro ponto é que no Brasil temos uma longa tradição de análises alternativas ao tema inflacionário, como a teoria da inflação estrutural, da inflação de custos e inflação inercial. Todas essas análises colocam em xeque a visão monetarista ortodoxa. A complexidade do fenômeno inflacionário no mundo real deixa a celebrada “elegância matemática” da ortodoxia monetária com a aparência de uma abstração sem sentido.

Nem sempre a origem do fenômeno monetário é monetário. Questões jurídicas, comerciais e regulatórias interferem, e há outros modos de lidar com o problema. A reforma mais discutida é a questão da coordenação entre políticas monetária e fiscal. Como em um barco com remadores indo um para cada lado, o governo tenta fazer o país crescer e o Banco Central tenta fazer o país parar. O resultado é um país andando em círculos.

O próprio Plano Real foi uma grande jogada heterodoxa, que criou um indexador universal, a Unidade Real de Valor (URV), para desindexar a economia, e segurou a inflação na base do câmbio fixo. Questões cambiais, gargalos produtivos, mudanças tecnológicas, demográficas e fenômenos sociais os mais variados influenciam o aumento de preços. Substituir tudo isso por uma máquina que sobe e desce dos juros é uma grande falta de imaginação.

Libertando a imaginação
Como vimos, a proposta de autonomia do Banco Central não é simplesmente uma forma de assegurar a execução da política monetária, mas uma forma de isolar a instituição da sociedade. As reformas jurídicas que ampliam a independência do Banco Central violam diversos princípios constitucionais fundamentais, a começar pela soberania e o desenvolvimento nacional.

Os mandatos fixos propostos pela Lei Complementar 179/2021 e a autonomia orçamentária proposta pela Emenda Constitucional 65/2023 aumentam o desequilíbrio e tolhem a criatividade para encontrarmos saídas mais eficazes e eficientes para o fenômeno inflacionário. O Brasil é um país continental, desigual, altamente indexado e suscetível a bolhas inflacionárias de diversas naturezas. Inovação e reformas podem ajudar.

Temos um Estado interventor de grandes proporções, com diversas agências e políticas de fomento econômico. É irrealista imaginar um Banco Central como o grande campeão da moeda, que manipula a taxa de juros como a única variável relevante da inflação. A coordenação entre políticas monetária e fiscal deve ser o primeiro passo.

Conter a inflação é importante, mas dar mais autonomia ao Banco Central não resolve nada e ainda cria novos problemas. O principal deles é alimentar o buraco negro dos juros, que suga recursos da economia, tira de quem mais precisa para dar a quem mais tem e prende o Brasil no subdesenvolvimento. A armadilha dos juros amplia a desigualdade e trava o crescimento, exatamente como a inflação fez no passado.

* O autor é especialista em direito financeiro

Publicado no Conjur, em 12 de agosto de 2024: https://www.conjur.com.br/2024-ago-12/autonomia-do-banco-central-um-buraco-negro-na-economia/

 

 

 

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Luciano, das lojas Havan, agora é lulista desde criancinha

Richard Jakubaszko  

Que delícia de guerra (política)! A boa notícia da semana é a declaração do véio da Havan, de que agora ele é fã do Lula, de que não apoia as depredações feitas pelos bolsonaristas, e que, sendo Lula o comandante do avião Brasil, e ele Hang um simples passageiro, vai fazer todo o possível para ter um bom voo.

Objetivo e pragmático? Ou mero oportunista e homem de visão como puxa-saco?

domingo, 8 de janeiro de 2023

Lula decreta intervenção federal no DF

Richard Jakubaszko    
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou intervenção federal no DF hoje (8), diante das invasões e depredações feitas por grupos bolsonaristas em Brasília., em prédios como o do STF, Palácio do Planalto e no Congresso Federal. Mais de uma centena de ônibus chegaram a Brasília entre ontem e hoje, dispostos a exigirem com seus protestos uma intervenção militar por parte das Forças Armadas.

É flagrante a ilegalidade dos protestos através das ações perpetradas pelos diversos grupos bolsonaristas, especialmente por serem antidemocráticas. além de ultrajante ao povo brasileiro. A inação da PM do DF facilitou e incentivou a depredação do patrimônio público feita pelos grupos de extrema direita como se pode observar em diversos vídeos divulgados pelas TVs. Nesse sentido, o governo federal deve urgentemente investigar e punir os responsáveis pelo apoio aos manifestantes, bem como apontar os grupos que financiaram a baderna em Brasília.

Que se cumpra a lei, que os líderes culpados sejam presos e julgados por essas barbaridades, uma ação coordenada, planejada e irresponsável, de interesses políticos inaceitáveis.

 

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domingo, 1 de janeiro de 2023

Meus desideratos (desejos) para 2023

Richard Jakubaszko 

Como faço quase tradicionalmente desde o início da existência deste blog, há 15 anos, abaixo estão alguns de meus desideratos para 2023. Pelo menos a metade deles são antigos. Se metade desses desejos se realizar estarei muito feliz e satisfeito.

Ano passado alguns dos meus desideratos se concretizaram, como (1) a eleição de alguém democrático para presidente do Brasil com preocupações sobre as necessidades do povo brasileiro. Acertei ainda (2) a saída da 3ª edição do meu livro, CO2 - aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?  Pedi, em desiderato mais antigo, aos anjos e arcanjos também (3) que o STF julgasse rápido, e com justiça, o pedido de suspeição do ex-juiz Sérgio Moro. Fiquei nisso, por isso mantive alguns desideratos e adicionei novos.

1 - Que Lula consiga atingir seus propósitos como presidente, a maioria deles em promessas feitas durante a campanha eleitoral.

2 - que o meu Internacional seja campeão de alguma coisa em 2021. O time "campeão de tudo" está devendo muitas alegrias para sua imensa torcida.

3 - que a taxa de desemprego no Brasil caia para menos de 4,0%.

4 - Que a "Revisão da vida toda" seja cumprida pelo INSS, para o bem estar de todos os aposentados que recebem benefícios muito abaixo do que os merecidos.

5 - que o Carnaval de 2023 seja cancelado, mas que o feriadão seja mantido.

6 – que as águas do rio São Francisco verdejem o Nordeste.

7 - que haja uma reforma política pra valer no Brasil, com redução dos partidos políticos, extinção do Senado, e que possam ser eleitos deputados com representatividade proporcional.

8 – que se descubra a cura dos cânceres, Alzheimer, diabetes e Parkinson.

9 - que a Covid nos deixe em paz, sem precisar usar máscaras.

10 - que o imposto sobre grandes fortunas e sobre grandes heranças seja implantado no Brasil, assim como o imposto sobre dividendos seja reiniciado.

11 - que a farsa das mudanças climáticas e do falso aquecimento planetário seja finalmente desmontada.

12 - que eu consiga concretizar a publicação da edição em inglês do meu livro "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?". A tradução já foi iniciada desde meados de dezembro último. Procuro agora uma editora ou distribuidora de livros impressos, com tráfego internacional. A edição e-book e a que prevê impressão on demand já estão asseguradas.

13 - que Bolsonaro seja julgado honestamente e com justiça pelos crimes que cometeu, especialmente o genocídio.

14 - que a imbecilidade de metade dos brasileiros seja abolida, que prevaleça o bom senso, sem revanchismos, e sem ódios.

15 - que os brasileiros leiam mais livros.

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Este blogueiro deseja a todos os amigos do blog um ano de muita paz, saúde e serenidade. 

 

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sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Chega ao fim a era Bolsonaro. Graças a Deus.

Richard Jakubaszko   
Começou o fim da era Bolsonaro hoje, pegou o avião foi-se embora para os braços de seu amor, Donald Trump. Em atitude covarde e mesquinha, além de indigna, Bolsonaro fugiu ao ato de passar formalmente a faixa presidencial ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.

Quem irá passar a faixa é o menos importante, que coloquem um estafeta, o porteiro do Palácio do Planalto, para representar o povo. Não há necessidade legal e nem formal de que seja uma autoridade pública, como o vice-presidente Hamilton Mourão, ou tampouco algum representante do Legislativo.

Para evitar prestar continência a Lula, o comandante da Marinha, Almir Garnier Santos, vai protagonizar uma quebra inédita de protocolo nas Forças Armadas. Ele não vai comparecer nem posse e tampouco à solenidade da Marinha marcada para o dia de 5 de janeiro, quando seu sucessor, Marcos Sampaio Olsen, será empossado. O ato de prestar continência, para um militar, é uma atitude de respeito dos militares para com seus superiores, e Lula, como presidente, é o chefe maior das Forças Armadas. Com essa decisão do almirante fica a certeza de que ele era um dos comparsas de Bolsonaro na tentativa de golpe para desestabilizar o país. Deveria pedir aposentadoria, para ir ao lugar que merece.

No Brasil, as instituições que defendem a democracia e o estado de direito venceram a queda de braço, e que isto seja observado por todos, queremos a liberdade, a democracia, e não o estado de exceção.

Espero que Bolsonaro jamais volte ao Brasil. Ele sabe que poderá ser preso se voltar a pisar em solo brasileiro, tamanho o número de inconstitucionalidades e crimes que cometeu. 

A esperança venceu novamente. Mas ainda há que se tomar cuidados, pois apesar de muitos bolsonaristas estarem decepcionados com o comportamento do mito, existe a possibilidade de algum ato terrorista ou a tentativa de alguma violência contra Lula.

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sábado, 3 de dezembro de 2022

A Copa de Futebol 2022 e o mundo que nos aflige

Richard Jakubaszko
Tristes e ao mesmo tempo curiosos estes momentos contemporâneos que vivemos, e isso não é saudosismo de quem já se aposentou como eu. É que as notícias, as fake news e os eventos, do jeito que chegam se vão numa rapidez estúpida, a ponto de não permitir uma reflexão sobre a importância em si do que acabamos de ver e ouvir, e que já amanhã ninguém mais vai lembrar. A profusão, o excesso de coisas sem importância que se acumulam diante de nós nas manchetes na internet nos dão a certeza desse mundo passageiro e efêmero que vivemos e sem nos dar tempo de apreciar aquilo que é mais importante.

Me pego pensando sobre o que é este mundo digital que vivenciamos. Quase tudo é manchete na web e ao mesmo tempo será deletado, seja dos “famosos” digitalmente fabricados, das personalidades reais, até ao mundo que se nos apresenta corrente ao fluxo de expectativas que respiramos, seja na copa de futebol do Catar, seja no país que habitamos.

Dito assim, de forma genérica, a questão fica clara para o nosso desejo maior de conquistar o hexa, que parece cada vez mais distante, não apenas por conta de uma derrota exótica da seleção brasileira para a fraca seleção de Camarões, mas até porque outras seleções já perderam a invencibilidade precocemente ainda na fase de grupos, como França, Espanha, Portugal, sem contar Argentina, mas as poderosas desclassificadas Alemanha e Bélgica que já tomaram avião de volta. Umas perderam por conveniência pragmática, outras porque apenas arriscaram a sorte de jogar com reservas para manter os titulares descansados, porque o mata-mata vem aí a partir de hoje, sábado. Sim, isso já se foi, Holanda e Argentina passaram...

Outras perderam por pura soberba e inconfessável incompetência, ao não perceberem as mudanças que estão ocorrendo nesse mundo cada vez mais maluco (e Japão, Marrocos, Arábia Saudita, Coreia do Sul, ou Austrália nas oitavas não é maluquice?), onde nos é possível verificar se houve ou não o gol, o impedimento, a falta, se a bola saiu ou não, através de múltiplas câmeras espalhadas por todos os ambientes. Uma delas, num instante fugaz, terá gravado a realidade, seja o gol verdadeiro, seja o imbecil impedimento do cotovelo do atacante, alguns milímetros adiante do calcanhar do zagueiro, tecnicalidades conforme registra o implacável VAR, instrumento de tortura dos torcedores e sobre o qual nenhum juiz filho da puta como sempre foram todos os juízes de futebol, terá a coragem de contrariar.

Mal comparando, precisamos de um VAR no dia a dia da nossa vida política e no país, porque a bruxa anda solta faz um tempo danado e ninguém entende mais nada. Vejam que o filho 03, o deputado federal Eduardo Bolsonaro voou para o Catar, com mulher, família e amigos, para distribuir a rodo pendrives, estranhos artefatos muito utilizados até os anos 2010, contendo informações agudas sobre o comunismo presente no Brasil e denunciando aos donos dos camelos saarianos outros arbítrios inconfessáveis aos brasileiros. Ao mesmo tempo, seu papai anda desalentado, meio distraído e abobado da vida, talvez tenha broxado depois de se autoafirmar imbroxável, o que era só uma mentirinha, mas preocupa seus amigos e correligionários, e ele já deixou claro que não irá à transmissão de posse do cargo ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, e nem irá entregar a faixa presidencial, ato que deve ser cumprido pelo vice-presidente, general Hamilton Mourão. Este, eleito senador pelo Rio Grande do Sul, já avisou que essa história não é com ele, e tirou o corpo fora. Ou seja, cadê o VAR? Tá certo que passar a faixa é um ato simbólico, mas pôrra, nem isso o Jair respeita? E o filho 03, alguém gravou ele pra conferir no VAR depois? O que é que tem nos pendrives, gente?

Vai ficar que nem a mamadeira de piroca, os estupradores da Damares, o kit gay, as rachadinhas dos filhos, a compra dos 105 imóveis com dinheiro vivo, o US$ 1 dólar por cada vacina, nada disso era jogo ou cena importante, não tinha VAR e amanhã ninguém se lembra de mais nada. 

Triste curioso mundo novo sem memória que não aprende nada de importante, porque vive de "likes", e não consegue iluminar seu próprio futuro.

 

 

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segunda-feira, 28 de novembro de 2022

O malandro e os manés

Richard Jakubaszko  
Os malandros da vida são esses Eduardos, vão assistir a Copa do Mundo, hospedados em hotéis de alto luxo, enquanto incentivam os manés brasileiros a continuar o 3º turno das eleições 2022, tumultuando a vida política, em protestos debaixo de chuva na frente de quartéis, bloqueando estradas, ou ofendendo personalidades em eventos públicos, sem contar a enxurrada de declarações disparatadas de seus adeptos, pedidos jurídicos despropositados de anulação de urnas etc. etc. 

Levam o troco, sem dúvida, como o dono de pizzaria, brasileiro em visita ao Katar, ou o vice-presidente, eleito senador pelos gaúchos, apelidado no Twitter de "paquita" do golpe, adepto do xuxonaro...

Quase esquecia de informar que o malandro aí embaixo pediu cidadania italiana, junto com seus irmãos, talvez pretenda migrar para a Itália a partir de janeiro próximo. Vai abandonar os manés brasileiros, sem dó nem piedade...



 

 

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quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Adeus a Gal Costa e Rolando Boldrin

Richard Jakubaszko 
O Brasil fica menos musical e menos alegre a partir de hoje, despediram-se de nós Gal Costa (77), a voz de cristal, e Rolando Boldrin (86), o bom humor e a música caipira de qualidade. Foi um dia muito triste para todos nós brasileiros.


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terça-feira, 1 de novembro de 2022

Aposentadorias no Brasil

Richard Jakubaszko 

A legislação previdenciária no Brasil é alterada quase que da mesma forma que trocamos de calças ou camisas, o que provoca um gigantesco volume regulatório, acarretando a necessidade de existirem advogados especializados na matéria e uma burocracia monumental que castiga de forma perversa a vida dos trabalhadores no Brasil quando chegam à idade de se aposentar.

Ora, o processo de aposentadoria, em todos os países do mundo onde existe, exceto na China, na verdade é um acordo entre os trabalhadores e o Estado. Os trabalhadores contribuem com um percentual de seus rendimentos por um tanto de anos - no Brasil é de até 35 anos - e depois podem se aposentar, tirando-se uma média de suas contribuições. Acontece que ambos os lados administram mal o acordo, e provocam reações de parte a parte. No lado do governo de plantão, que representa o Estado, gasta-se perdulariamente o fundo arrecadado do salário mensal dos trabalhadores, a começar por contratações abusivas de funcionários para o INSS, mordomias de direção, e, especialmente, por cair na responsabilidade previdenciária do INSS, o pagamento de benefícios privilegiados de altos valores a membros das Forças Armadas, do Legislativo, Executivo e Judiciário federal. Todos esses encargos especiais provocam déficits na conta do INSS, que deveriam ser cobertos pelo Tesouro Nacional, conforme o acordo original, mas na prática hoje em dia recai sobre o trabalhador de diversas formas.

A primeira de todas as manobras do governo de plantão é aumentar o percentual de desconto do trabalhador. Até uns 25 anos atrás era de 8% sobre um teto de 10 salários mínimos, hoje já chega a 11%. A outra forma é reduzir a despesa do INSS nos pagamentos de benefícios, e tome ardil malandro para atingir isso, sem nunca mexer nos benefícios privilegiados. Assim, o valor do benefício era calculado, até a reforma feita por FHC, na soma das últimas 60 contribuições (5 anos), e divididos pelos mesmo 60. O governo já saia ganhando porque o resultado nunca era corrigido pela inflação. Os pobres se resignavam, e a classe média ficava calada, porque tinha o rabo preso num artifício usado por anos e anos por profissionais autônomos (advogados, médicos, dentistas e comerciantes etc.) que consistia em contribuir por 30 anos ao INSS sobre o valor de 1 salário mínimo, e nos últimos 5 anos aumentava a contribuição para 10 salários mínimos.

O que fez o governo? Aumentou o cálculo para as últimas 180 contribuições, ou seja, 15 anos, mas soma zero salário se o contribuinte esteve desempregado em alguns meses, e divide pelos mesmos 180. Quem ficou por 3 ou 5 meses desempregado em duas ou 3 oportunidades nesse período de 15 anos chega a perder 30% do valor real do benefício, sem contar a perda da inflação. Um crédito positivo é que nessa média toda retira-se 20% das menores contribuições e corrige-se monetariamente os valores a partir de 1994 quando entrou em cena a estabilização da moeda. Antes, era mais perverso ainda, no tempo de Sarney e Collor chegamos a ter no Brasil mais de 20% de inflação ao mês...

A partir dos anos dois mil surgiu a ideia do Revisão da Vida Toda. Isso mesmo, somariam todas as contribuições no trabalho da vida inteira, traria a impossibilidade de se obter o máximo do teto legal (10 salários mínimos). Isto porque a vida de todo trabalhador começa por cargos de baixo rendimento no início da vida profissional, como assistente ou estagiário, e depois, da metade até ao final da vida adquire maiores valores. De toda forma, é uma totalização mais justa, tanto ao trabalhador como ao INSS, apesar dessa fórmula só se aplicar, ao que me consta, aos trabalhadores CLT, ou seja, continua excluindo do aperto as aposentadorias especiais de militares, membros do legislativo, judiciário e executivo, que ganham como aposentadoria valor igual ao último salário recebido. Nisso não entra a malandragem legislatória outorgada aos militares de ainda promover o sujeito, para melhor o rendimento previdenciário, tendo como exemplo maior disso o presidente que nos desgoverna, que era tenente e foi aposentado como capitão. Essa é a lei, disso pelo menos ele não tem culpa, mas podem crer que aceita o privilégio sem nunca reclamar. Dele também há o privilégio da aposentadoria acumulada, pois o presidente já tem duas, uma como militar, depois de 15 anos de trabalho no exército, e outra como ex-deputado federal, por 28 anos sem trabalhar, e agora terá uma terceira aposentadoria, como ex-presidente. Enfim, os privilégios se acumulam, há muitos brasileiros com 3, 4 e até mais aposentadorias. Muito comentado no passado recente foi sobre as 5 aposentadorias de Franco Montoro, ex-governador de São Paulo, ou as 4 de Sarney, as 3 de FHC e por aí afora. Deveria ser proibido isso, por lei, apenas uma aposentadoria poderia valer, a de maior valor, e ponto final. E sem acrescentar pensões vitalícias a filhas solteiras com mais de 25 anos, como é feito com os militares, porque oficialmente se tornam mães solteiras com filhos de paternidade desconhecida, nunca se casam para não perder a boquinha, e viva o Brasil... E tudo isso de privilégio é pago pelo INSS.

No momento o Revisão da Vida Toda encontra-se engavetado no STF, mesmo tendo sido julgado em plenário, por 6 x 5. Ocorre que o relator original foi o ministro hoje aposentado Marco Aurélio Mello, e que já votou. o processo foi com votos virtuais, por causa da pandemia, mas no dia final da reunião presencial, em que já apresentava o resultado definitivo, o ministro Nunes Marques pediu "destaque", seja lá o que isso significa, em 08.03.2022, faltando 30 minutos para encerrar a sessão. Como pedido é exótico, pois Nunes Marques nem poderia mais votar. Nem o atual relator, ministro José Mendonça, que substituiu o  ministro Marco Aurélio Mello, mas ficou em silêncio diante do pedido de "destaque". Desde então os dois ministros, sem nenhuma coincidência indicados ao STF por Jair Bolsonaro, continuam sentados em cima da caixa de papéis que abrigam o Revisão da Vida Toda. Os atuais aposentados que poderiam pedir revisão que se estropiem. Os futuros também.

Por isso é imperioso que algum bispo, quem sabe algum procurador público, faça alguma coisa, e permita que se libere esse julgamento no STF, que foi aprovado por 6 x 5, mas nada disso vale porque o VAR do ministro Nunes Marques pediu destaque... Não vai mudar merda nenhuma, mas travou o jogo.

Até quando esse disparate???!!! Faz favor, ministro Nunes Marques, cria vergonha na cara! Libera essa coisa aí. O pedido é válido também ao ministro
José Mendonça, o terrivelmente evangélico: nesse caso nem poder votar você pode, mas fica em silêncio obsequioso de cumplicidade com o ministro Nunes Marques? Põe necessidade de ter vergonha na cara, ministro. A Justiça deve ser cega! Sem partidarismos, muito menos sem ideologias.

Que Lula consiga mudar esse absurdo!


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quarta-feira, 26 de outubro de 2022

O fotógrafo e as sincronicidades perigosas

Rinaldo Arruda *
Olhando no retrovisor o caminhoneiro Vilmar viu o carro se aproximando rápido, já no topo da longa subida, quando sua velocidade diminuía.


- Maria, se prepara, segura firme, se esse cara me passar mais uma vez vou jogar a carreta em cima dele.


Vilmar resolveu trazer a mulher junto nessa viagem para Juína, no nortão matogrossense. O asfalto tinha chegado até lá, já não era tão difícil como antigamente.


Mas agora o problema era outro. Se antes a estrada, a lama, os buracos, as pontes destruídas paravam os caminhões e estabeleciam uma solidariedade entre todos naquele mundo de dificuldades, agora eram os assaltos às carretas carregadas que preocupavam e era cada um por si. O asfalto não pára ninguém, todos se movimentando de um ponto ao outro, ninguém para mais para ajudar.


Eram muitos os assaltos no trecho, por isso Vilmar só viajava de dia, assim como outros caminhoneiros.

Já ia passando Campo Novo do Parecis, lá onde Mato Grosso parece um mar, só que de soja, o verde plano se espalhando de horizonte a horizonte, só cortado pela fita de asfalto e pelos linhões de energia elétrica, torres gigantes em fila até se perder de vista, como guardiões, como sentinelas robóticas alienígenas desse mar de soja.


Então, nessa paisagem estranha, é a mulher que vê primeiro: um carro parado e um homem apontando uma máquina fotográfica para eles na carreta. Conforme foi se aproximando Vilmar percebe os sucessivos cliques da máquina. Passa por ele, vê pelo espelho que o homem entra no carro e devagar volta para o asfalto, seguindo sua carreta.


Esquisito, comenta com a mulher. Logo o carro os alcança, ultrapassa e perde-se na distância.

Continuam navegando no estranho e tedioso mar de soja, por sobre a fita cinza negra do asfalto.


Passou-se um tempo, já tinha até esquecido o fotógrafo, distraiam-se olhando o movimento de um avião pulverizando as plantações. De repente, olha de novo o carro parado ali! É o mesmo carro, o mesmo fotógrafo que lhes aponta novamente a máquina, diretamente para a frente do caminhão. Passam apreensivos, sentindo-se perseguidos...


Fala pelo rádio com a central, a mulher tinha anotado a placa do carro. Pedem para verificar. Dali a pouco chega a resposta: o numero da placa corresponde a um carro Monza, não a um Pajero.


Tiveram certeza: placa falsa, provavelmente carro roubado, bandido na certa. Por que as fotografias? Será que envia de algum modo pela internet para outros o interceptarem???


Seguiram em frente com grande apreensão, comunicaram a sua central que estavam sendo seguidos por um carro suspeito. A central diz para ficar em contato, não se arriscar, não parar para conversar, parar num posto de gasolina.


Pelo retrovisor vê novamente o carro se aproximando rápido. Fala para a mulher: se segure, dependendo se ele me passar vou jogar o caminhão para cima dele!


O fotógrafo

Durante muito tempo vinha praticamente todos os anos para o Mato Grosso. Na década de 1980, jovem antropólogo, pesquisou os Rikbaktsa, povo indígena da bacia do rio Juruena. Viu aquela região no início dessa última onda de colonização, que instalou o modelo atual de ocupação, baseado na monocultura da soja e na criação extensiva do gado. Quer dizer, conheceu aquela região quando sua mata estava em pé e os habitantes de lá viviam dela, da floresta. O avanço da agricultura industrial, da rede rodoviária, das hidrelétricas, da expulsão do homem do campo, do inchamento das cidades, da lógica e das práticas capitalistas a vinha desfigurando desde então.


Fazia cerca de 10 anos que não visitava os Rikbaktsa. Nos últimos anos alguns deles é que o visitaram em São Paulo, reacendendo a saudade dos muitos amigos e conhecidos que lá fizera e da região em que vivera alguns anos. Resolveu visitá-los nas férias de janeiro.


Chovia sem parar desde que chegara a Cuiabá, dois dias atrás. Hoje seguia para Campo Novo do Parecis e de lá iria para Brasnorte. Dormiria lá e na manhã seguinte seguiria até a aldeia do Barranco Vermelho, já dentro da terra indígena Rikbaktsa.

Parou a chuva pouco depois de Campo Novo do Parecis, quando o mar de soja se tornava absoluto, dominando os 360 graus da paisagem. Os linhões de energia elétrica de alta voltagem seguiam a perder de vista na paisagem plana. Altas torres, com braços e formas estranhas segurando fios de horizonte a horizonte por sobre um tapete verde uniforme. Paisagem quase alienígena, estranhíssima para quem havia conhecido a exuberância e a variedade das matas que a cobriam.


- Putz! Que paisagem louca! Olha essas nuvens pesadas emoldurando a cena!


Parei o carro para fazer umas fotos. Foto difícil. Difícil passar na imagem a grandiosidade depressiva dessa uniformidade. Quando a gente fotografa fica parecendo sem graça, nenhum contraste, nenhuma variedade, nada que estimule ou desafie o olhar. Mas, vamos lá.


Desci do carro bem quando na estrada vazia surgia um caminhão. Deixei-o se aproximar e quando estava perto cliquei várias vezes, aproveitando a linha cinzenta do asfalto e o caminhão se aproximando para criar um ponto de ruptura, permitindo ao olhar perceber a escala da cena.


Várias fotos depois segui viagem, de novo naquela monotonia de mais soja a perder de vista, vigiadas por fileiras de torres de aço enormes ligadas por fios de alta voltagem até além do horizonte.


Subitamente, um ponto em movimento. Um avião monomotor vermelho, bem pequeno, voava baixo, pouco acima da soja, pulverizando a plantação. Ia longe e voltava até a estrada, ultrapassava-a, fazia uma volta apertada, quase uma acrobacia e voltava pulverizando. Parei de novo para fotografar.

Bem quando o avião subia numa curva acrobática sobre a estrada estava passando um caminhão, quase estragando a cena. Cliquei várias vezes tentando fixar várias posições do avião temendo que o caminhão avançasse demais roubando a cena.


Já no entroncamento para Brasnorte avistei desde longe o gigantesco armazém de soja com o nome da família Maggi, letras enormes, ocupando toda uma lateral, ao lado de um posto de gasolina. Meio com preguiça de parar de novo, fotografei da janela, sem sair do carro, esse lugar de entesouramento de toda aquela linha de produção vegetal, do maior produtor de soja do mundo.


Segui em frente, alcancei Brasnorte, procurei uma pousada, deixei minhas coisas no quarto e de lá saí para jantar.


Vilmar

Vilmar segurava firme a direção com um sentimento meio ruim no peito, sem tirar o olho do retrovisor, enquanto seu perseguidor se aproximava rápido. Na última hora vacilou. Quando viu, o carro, bem mais veloz, já terminava a ultrapassagem distanciando-se na estrada à sua frente.


- E se ele não for assaltante? Não deu para jogar a carreta...

- Você fez bem Vilmar, acho que ele já foi embora, o apoiou Maria.


Estavam chegando no posto de gasolina, bem no entroncamento para Brasnorte quando veem o carro parado na beira da estrada; esperando por eles?


Vilmar entra no posto já falando alto, pedindo socorro. – Estamos sendo seguidos por um carro suspeito, olha ele ali, parado. Os funcionários do posto saem para olhar e o carro se afasta em direção à Brasnorte.


Ligam para a polícia da cidade e contam toda a história, pedindo proteção.


- Não saia daí, vamos já para aí. Qual é a placa do carro? Antes de sair conferem a placa e confirmam que é mesmo de um carro Monza e não de um Pajero.


Meia hora depois já encontram seu Vilmar e dona Maria, escoltando-os até Brasnorte. A polícia local procura o carro suspeito na cidade e ao redor, enquanto Vilmar e a mulher resolvem dormir em Brasnorte e seguir viagem só no outro dia, pois já anoitecia.

O professor
Eu estava na mesa esperando servir o comercial. A moça já tinha trazido a coca-cola, estavam preparando o resto da comida, quando chegaram os policiais.


Estavam parados lá fora, perto da porta, me olhando. Entraram e aproximando-se: - O pajero parado em frente é seu?

-É...

- Tem documento?

- Claro, está no carro. Levantei e fomos andando para lá.


Várias perguntas meio estranhas depois (de onde era, o que fazia, se tinha documento provando que era professor, o que estava fazendo ali, etc.) o policial dispara numa pergunta meio acusadora: - Você fotografou uma carreta hoje à tarde lá na estrada, depois de Campo Novo dos Parecis?


- Provavelmente fotografei até mais de uma carreta, fotografei plantações de soja, armazéns, silos, várias paisagens, a estrada. Como disse, estou numa viagem meio de turismo, vim parando, tirando fotos do que achei interessante. Qual o problema?


Estava mais calmo, até achando tudo meio engraçado. Com quem estavam me confundindo? Falei que era professor da PUC de São Paulo, mostrei a carteirinha de sócio da associação de professores, meus documentos, conversamos numa boa e eles foram relaxando, percebendo o equívoco.


Me disseram como explicação: “Desculpe professor, estamos apenas fazendo nosso trabalho. O motorista de uma carreta achou que o estava perseguindo, nos chamou, queria vir tirar satisfação com você. Dissemos para ele esperar que nós íamos verificar primeiro.


- Já percebemos que a mulher dele anotou uma letra errada da sua placa, como o número era de um Monza achamos que seu carro era roubado. Agora está tudo em ordem. Desculpe, pode jantar sossegado.


Voltei, refletindo sobre o absurdo da situação. Chegou meu comercial, comi com apetite e saí para pegar o carro e ir dormir no hotel. Pensava se os policiais ainda não estariam ali por perto, queria pedir a eles que me desculpassem junto ao caminhoneiro por tê-lo assustado inadvertidamente.


Os policiais não estavam à vista, mas lá fora estavam Vilmar, sua mulher e mais dois caminhoneiros como apoio, me esperando sair.


Vilmar já havia sido esclarecido pela policia, mas a desconfiança ainda teimava em botar a cabeça de fora. Chamou dois caminhoneiros conhecidos para acompanhá-lo numa conversa comigo, só como garantia de segurança.


Foi só aí que eu soube de sua angústia e das coincidências que pareciam reafirmar cada vez mais que eu o perseguia. Minha última parada para fotografar o armazém do Maggi fora a gota d’água. Teve certeza absoluta que eu tramava algo contra ele! No seu entendimento, naquele momento já sabiam que eu era bandido pois minha placa era falsa e quando me viram parado ali, bem no entroncamento, onde ele teria que parar antes de virar em direção a Brasnorte, teve certeza que seria atacado de alguma maneira.


Entrou no posto em busca de socorro, pensando: - Consegui escapar na hora H!


E eu, gelei de repente, minha adrenalina bombou meu coração quando percebi que quase fora morto. Só não jogou a carreta em cima do meu carro por um triz, vacilou, ele ia mesmo jogar, alguma coisa indefinida o conteve, um laivo de uma dúvida. E se ele matasse um inocente?


Conversamos bastante, repetimos muitas vezes a história, ele a dele e eu a minha, até que os dois descarregaram a tensão. A dele de uma tarde inteira e a minha, só da última meia hora, mas que veio forte e intensa quando percebi que por pouco não morri ali, naquele mar de soja, vitima de um equívoco, construído em cima de uma série de pequenas coincidências.


Mas, me pergunto, como fiz a ele, por que um homem parado na beira de uma estrada tirando fotografias pode ser ameaçador dessa maneira? O cara ia me matar! Ou a polícia poderia!


Que mundo é esse em que vivemos? Tá todo mundo louco?

  

* Rinaldo Arruda, na aldeia Primavera, em janeiro de 2011, onde cheguei a salvo, e olhando bem ao redor antes de fotografar qualquer outra coisa.

O autor é mestre e doutor em antropologia e professor aposentado pela PUC/SP; é autor de diversos livros, entre eles "Os Rikbaktsa: mudança e tradição". Foi presidente do Conselho Diretor da Operação Amazônia Nativa - OPAN por 3 gestões e tem dezenas de estudos e pesquisas científicas publicadas.



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