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quinta-feira, 23 de maio de 2019

O Chico é coisa nossa, viu Camões?

Richard Jakubaszko    O meme ao lado diz tudo sobre o que pensamos, nós brasileiros e patriotas. Chico é o nosso mito, mas as razões dessas sensações e sentimentos nos chegam lá da terrinha, através do maravilhoso texto do jornalista Pedro Tadeu, publicado ontem no jornal Diário de Notícias, respondendo aos "sem noção" de lá e de cá que polemizavam sobre um prêmio de tamanha importância como o "Camões" ser entregue a Chico Buarque, um compositor, mas que é também músico, cantor, dramaturgo e escritor.

Confira, é uma obra prima de texto e explica a real e íntima sociologia coletiva das emoções humanas:

Chico Buarque ensinou o quê?
Pedro Tadeu * 


Quando recebi no telemóvel o alerta "Chico Buarque ganha o Prémio Camões" senti-me no direito de comemorar uma vitória: "ganhei eu, caramba, ganhei eu!".

Fui ler a notícia. Os seis membros do júri explicavam a razão desta atribuição do galardão literário pela "contribuição para a formação cultural de diferentes gerações em todos os países onde se fala a língua portuguesa".

E o que é que este português, de 55 anos, que escreve estas linhas, aprendeu com Chico Buarque?

Aos cinco anos de idade o meu corpo saltitava sempre que no rádio grande do meu pai soava "A Banda", a música que, quando passava, diz o verso final do refrão, ia "cantando coisas de amor". Chico Buarque impulsionou-me a dança.

Aos 10 anos de idade percebi como um indivíduo sozinho nada pode contra o cerco violento da indiferença. Bastou-me ouvir a história circular do operário de "Construção", que "morreu na contramão atrapalhando o sábado". Chico Buarque ensinou-me a identificar a injustiça social.

Aos 11 anos de idade percebi a inutilidade da divindade quando o coro masculino MPB4 repetia, em Partido Alto, "Diz que Deus dará/ Não vou duvidar, ô nega/E se Deus não dá?/Como é que vai ficar, ô nega?". Chico Buarque deu-me razões para ser ateu.

Aos 12 anos de idade intui, com os versos de Fado Tropical, como a brutalidade da colonização sangrou a pele dos povos e como as cicatrizes prevalecentes demoram séculos a fechar: "E o rio Amazonas/Que corre Trás-os-montes/E numa pororoca/Desagua no Tejo/Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal/Ainda vai tornar-se um Império Colonial". Chico Buarque ofereceu-me uma identidade, um medo e uma esperança na Lusofonia.

Aos 13 anos de idade percebi, pela letra do pseudónimo Julinho da Adelaide (um autor inventado, usado para ludibriar a censura da ditadura brasileira, que até falsas entrevistas deu aos jornais...), que confiar na polícia pode ser perigoso, como constata "Acorda amor": "Tem gente já no vão de escada/Fazendo confusão, que aflição/São os homens/E eu aqui parado de pijama/Eu não gosto de passar vexame/Chame, chame, chame, chame o ladrão, chame o ladrão". Com Chico Buarque descobri que, às vezes, está tudo certo se se ficar do lado errado.

Aos 14 anos de idade conspirei o sentido da canção "O que será (à flor da pele)": "Será, que será?/O que não tem decência nem nunca terá/O que não tem censura nem nunca terá/O que não faz sentido..." Chico Buarque revelou-me o secreto significado da palavra "liberdade".

Aos 15 anos de idade compreendi, ao ouvir "Mulheres de Atenas", que a minha mãe, a minha irmã e a minha namorada viviam num mundo pior do que o meu: "Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas/Geram pro seus maridos os novos filhos de Atenas/Elas não têm gosto ou vontade/Nem defeito nem qualidade/Têm medo apenas". Chico Buarque justificou-me o feminismo.

Aos 16 anos de idade espantei-me com o atrevimento de "O Meu Amor". "Eu sou sua menina, viu?/E ele é o meu rapaz/Meu corpo é testemunha/Do bem que ele me faz". Chico Buarque fez-me entender como o sexo pode, ou não, fazer um par com a palavra afeto.

Aos 17 anos comovi-me com "Geni", a prostituta que salva a cidade mas que a cidade despreza: "Joga pedra na Geni!/Joga bosta na Geni!/Ela é feita pra apanhar!/Ela é boa de cuspir!/Ela dá pra qualquer um/Maldita Geni!". Chico Buarque confrontou-me com a dignidade dos indignos.

Aos 18 anos de idade a história de "O Malandro" exemplificou-me como é sempre o mexilhão que se lixa: um tipo que foge de um tasco sem pagar a cachaça que bebeu provoca uma crise mundial. Mas, no final das crises, há sempre um bode expiatório: "O garçom vê/Um malandro/Sai gritando/Pega ladrão/E o malandro/Autuado/É julgado e condenado culpado/Pela situação". Chico Buarque antecipou-me a globalização e fez de mim um comunista.

Aqueles anos foram os tempos do meu caminho até à chegada à idade adulta, uma época anterior aos romances que Chico Buarque escreveu e que completam, com a verdadeira poesia de muitas das suas canções, um currículo mais do que suficiente para a atribuição do mais importante prémio literário em Língua Portuguesa.

Aqueles anos foram os tempos que moldaram o meu carácter.

Aqueles foram os tempos que moldaram o carácter de tantos outros e de tantas outras que, como eu, cresceram a ouvir estas canções mas que entenderam nelas tantas coisas que eu não entendi, que compreenderam nelas tantas coisas que eu não percebi, que tiraram conclusões destes textos muito diferentes das que eu tirei.

Mas, tenho a certeza, apesar de pensarem e sentirem de maneiras tão diferentes da minha, ontem, milhões de vós, ao saberem da notícia do Prémio Camões atribuído a Chico Buarque, tiveram o mesmo impulso que eu e comemoram: "ganhei eu, caramba, ganhei eu!".


* jornalista português
Publicado no jornal Diário de Notícias, acesso em 23/5/19:
https://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/pedro-tadeu/interior/chico-buarque-ensinou-o-que-10926786.html




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domingo, 3 de fevereiro de 2019

Vende-se o Brasil

Richard Jakubaszko  
Pintura em muro brasileiro chegou lá em Portugal, em foto enviada pelo amigo lusitano Luiz Amorim, que acompanha o blog tomando um vinho verde lá de trás os montes. Nossa fama de privatizadores já chegou à ultramarina lusitana.
A verdade é que o Brasil está muito barato. E fazem piadas de nós brasileiros lá em Portugal...

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domingo, 17 de setembro de 2017

Furacão ladra, a caravana passa.

Richard Jakubaszko  
Leio num fac-símile de jornal, enviado por Luis Amorim, lá da terrinha, uma crônica saborosa sobre os furacões que andam a atormentar o Caribe e que quando chegam aos EUA afinam e tornam-se tempestades tropicais. Há 12 anos não se via um furacão naquelas paragens, e a mídia brasileira na falta de assunto dava pancadas no Tio Trump, uma espécie de cético ambientalista que eles na mídia tupiniquim abominam.

Já o jornalista português, José Diogo Quintela, na crônica que reproduzo abaixo, faz uma análise de fina sintonia, sobre a fuga dos carros de Miami, gastando gasolina para fugirem do furacão, justamente a gasolina que os ambientalistas desejam proibir o uso para evitar o aquecimento que causa furacões... Fina ironia, até porque o próprio IPCC já reconheceu que o suposto aquecimento que eles alegam que está acontecendo não é causado pelo aquecimento, e nem pelos inocentes GEE.

Mas a ironia do cronista lusitano vai mais longe, e replica um hipotético diálogo de Noé com o Criador, que lhe autorizara a construção de uma arca, e diz: "EH PÁ, SENHOR, CONSTRUIR UMA ARCA? E A DESFLORESTAÇÃO? PREFIRO APANHAR UMA CHUVINHA". Evidentemente que o jornalista lusitano não nos revela, mas Noé estaria receoso de enfrentar os biodesagradáveis, que já naquele tempo deviam existir, não tenhamos dúvida, pois gente assim sempre existiu.

Se não conseguirem ler no blog a crônica abaixo, baixem a foto, vale a pena ler o saboroso texto, estilo herdado do genial Fernando Pessoa.
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

As melhores frases dos piores alunos, from Portugal.

Richard Jakubaszko

Em Portugal não tem Enem e tampouco vestibular, mas também tem jovem burro e distraído. Algumas frases e definições, retiradas dos exames nacionais de 2008/2009, para seu deleite:
Évora, Portugal.


O Convento dos Capuchos foi construído no século 16, mas só no século 17 foi levado definitivamente para o alto do monte.

O metro é a décima milionésima parte de um quarto do meridiano terrestre e para o cálculo dar certo arredondaram a Terra!

Quando o olho vê, não sabe o que está a ver, então ele manda uma foto elétrica para o cérebro que lhe explica o que está a ver.

O nosso sangue divide-se em glóbulos brancos, vermelhos e até verdes!

Nas olimpíadas a competição é tanta que só cinco atletas chegam entre os dez primeiros.

O piloto que atravessa a barreira do som nem percebe, porque não ouve mais nada.

O teste do carbono 14 permite-nos saber se antigamente alguém morreu.

O pai de D. Pedro II era D. Pedro I e o de D. Pedro I era D. Pedro 0.

Em 2020 a caixa de previdência já não tem dinheiro para pagar aos reformados, graças à quantidade de velhos que não querem morrer.

O verme conhecido como solitária é um molusco que mora no interior, mas que está muito sozinho.

Na II Guerra Mundial toda a Europa foi vítima da barbie!

O hipopótamo comanda o sistema digestivo e o hipotálamo é um bicho muito perigoso.

A Terra vira-se nela mesma, e esse difícil movimento chama-se arrotação.

Lenini e Stalone eram grandes figuras do comunismo na Rússia.

Uma tonelada pesa pelo menos 100 kg de chumbo.

A fundação do Titanic serve para mostrar a agressividade dos icebergs.

Para fazer uma divisão basta multiplicar subtraindo.

A água tem uma cor inodora.

O telescópio é um tubo que nos permite ver televisão de muito longe.

Os rios podem escolher desembocar no mar ou na montanha.

Os escravos dos romanos eram fabricados em África, mas não eram de boa qualidade.

Ao princípio os índios eram muito atrasados, mas com o tempo foram-se sifilizando.

A Terra é um dos planetas mais conhecidos e habitados do mundo.

A Latitude é um circo que passa por o Equador, dos zero aos 90º.

Caudal de um rio é quando um rio vai andando e deixa um bocadinho para trás!

Newton foi um grande ginecologista e obstetra europeu que regulamentou a lei da gravidez e estudou os ciclos de Ogino-Knaus.

A História divide-se em 4: Antiga, Média, Momentânea e Futura, a mais estudada hoje.

Visite Portugal, tem história, belas paisagens, música, vida cultural, ótimos vinhos e uma comida excepcional, além de um povo alegre e hospitaleiro.

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sábado, 22 de dezembro de 2012

Ver o touro ganhar... Não tem preço!

Richard Jakubaszko
Definitivamente, a imbecilidade humana não tem limites!
As corridas de touros podem até ser tradicionais nos países ibéricos, mas isso não tira da situação dessa tradição a bestialidade e a violência intrínseca do que acontece. A natureza se vinga, mas convenhamos, não tem preço ver o touro ganhar dos imbecis!

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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Portugal vai mal, com certeza.

Richard Jakubaszko
Brilhante e corajoso o discurso do Dr. Marinho e Pinto, jurista português do equivalente ao nosso Supremo Tribunal Federal, por ocasião da sessão solene do início do ano judicial português, em julho último. Nas suas críticas somente a Igreja Católica salvou-se, perante a quase miséria observada do país.

Portugal é tido como a bola da vez, na próxima e futura crise europeia. Marinho e Pinto leva à exacerbação a situação atual de Portugal, relembrando tempos de riquezas, de quando dispunham de riquezas provenientes das Índias Ocidentais ou do ouro do Brasil.
Vale a pena ver e ouvir o magistrado em seu breve discurso de 8 minutos direcionado às elites políticas, econômicas e acadêmicas de Portugal, expressa a realidade pela qual passa a nação.

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