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sexta-feira, 26 de agosto de 2022

MST no Jornal Nacional

Richard Jakubaszko   
Quer saber por que existe a frase que afirma que "uma foto vale por mil palavras"? É por causa disso, mano: a Renata aderiu ao MST...
   



 

 

 

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domingo, 5 de julho de 2020

Empresa destrói lavoura do MST destinada a doação de alimentos na pandemia.


Ricardo Kotscho *
Abaixo:Tratores destroem lavoura destinada a doações para famílias carentes.


Essa notícia você não vai ler em nenhum jornal nem ver na televisão. Vem de um outro Brasil, que está fora da mídia. Aconteceu na sexta-feira, nos fundões do Brasil, lá onde a vida pulsa e a solidariedade move o trabalho de trabalhadores rurais, no acampamento Valdair Roque, de Quinta do Sol, no Paraná, que plantam hortaliças para doar a famílias carentes durante a pandemia.

Logo cedo, Victor Vicari Rezende, um dos proprietários da área, que pertencente à Usina Sabarálcool, acompanhado de 14 homens, alguns encapuzados, e de dois tratores, deu a ordem para a destruição das lavouras em fase de colheita plantadas por 50 famílias do Movimento Sem Terra (MST).

No mesmo dia, a Horta Comunitária Antonio Tavares, das comunidades Terra Livre e Mãe dos Pobres, doaram 1500 quilos de alimentos orgânicos a 35 famílias da Aldeia Indígena Alto Pinhal e ao Lar dos Idosos João Paulo II, em Clevelândia.

Desde o dia 9 de março, no início da pandemia, cerca de 100 acampamentos e assentamentos do MST no Paraná já doaram 246 toneladas de alimentos, 6.400 marmitas e 600 máscaras de tecido.

São dezenas de produtos distribuídos para centenas de famílias, em 126 municípios, onde o MST está presente: grãos, tubérculos, frutas, legumes, verduras, mel, ovos, pães, bolachas, queijos, galões de leite, uma feira completa com produtos da melhor qualidade.

Essas doações não aparecem no Jornal Nacional, mas são a salvação da lavoura para moradores das periferias, índios, idosos e desassistidos do poder público em geral.

Era para eles que estavam trabalhando os agricultores do acampamento Valdair Roque numa área da Fazenda Santa Catarina, de propriedade da Usina Sabarálcool, que responde a 964 ações trabalhistas, somente na comarca de Campo Mourão, quando os tratores chegaram para destruir tudo.

Só no final da tarde, a polícia foi até a comunidade, houve uma negociação e os tratores e capangas saíram da área. Mas as famílias seguem com medo de sofrer um novo ataque.

Há uma recomendação do Ministério Público Federal ao Incra, desde 2018, para que intervenha junto a esse conjunto de ações e execuções trabalhistas e compre a área para destiná-la à reforma agrária em benefício dos trabalhadores acampados.

O advogado das famílias, Humberto Boaventura, chama a atenção para a gravidade do ataque, diante do contexto da pandemia e do aumento acelerado de óbitos e casos de Covid-19 no Paraná.

"Essa ação feita hoje, que atinge diretamente a paz social das famílias na região, também é uma afronta às medidas de combate à pandemia que está instalada em nosso estado. Há um decreto do Tribunal de Justiça do Paraná suspendendo os despejos por tempo indeterminado, enquanto durar a pandemia”.

Em maio, na inauguração da horta comunitária na comunidade de Quinta do Sol, que existe desde 2015, o coordenador do acampamento, Paulo Antonio Fagundes, reforçou o compromisso em avançar na produção para ajudar outras famílias.

"Tem muita gente desempregada e está fazendo falta a comida. Então vamos contribuir com eles, estender a mão pra que eles também tenham o alimento do dia a dia".

As famílias que seriam beneficiadas com a distribuição destes alimentos agora vão ter que esperar mais um pouco, para que nova horta seja semeada e possa ser colhida sem a ameaça dos tratores da usina.

A denúncia da destruição das lavouras foi apresentada nesta mesma sexta-feira em reunião virtual do Fórum por Direitos contra a Violência no Campo, que reúne 50 representantes de organizações da sociedade civil e do Poder Público, e será protocolada no Ministério Público Federal.

A Usina Sabarálcool não quis se manifestar.

Em tempo: agradeço à jornalista Ednubia Ghisi, competente assessora de imprensa do MST do Paraná, que me enviou as informações para esta matéria.

Vida que segue.

* o autor é jornalista, 72, paulistano e são-paulino, é jornalista desde 1964, tem duas filhas e 19 livros publicados. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos de mídia impressa e eletrônica. Foi Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (2003-2004). Entre outras premiações, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Direitos Humanos da ONU, em 2008, ano em que começou a publicar o blog Balaio do Kotscho, onde escreve sobre a cena política, esportes, cultura e histórias do cotidiano.

Publicado em https://noticias.uol.com.br/colunas/balaio-do-kotscho/2020/07/04/fazendeiro-destroi-lavoura-do-mst-destinada-a-doacao-de-alimentos.htm


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quinta-feira, 26 de março de 2015

Políticos em TPM, o povo na histeria.

Richard Jakubaszko
Esquerda e direita no Brasil andam com os ânimos exacerbados, conforme comprovam as passeatas em profusão em defesa da Petrobras e do Governo de Dilma Rousseff de um lado, e de outro os que pedem impeachment e o fim da corrupção. Fica claro que os políticos andam com os espíritos exaltados e em plena TPM. É ação e reação. Os coxinhas praticando seus panelaços me fazem rir (e não posso rir neste momento, pois ando com problemas na arcada dentária, e só dói quando rio...).

Mal sabem eles os significados dos panelaços das hermanas, esposas e mães que batiam panelas em frente à Casa Rosada quando pediam trabalho e emprego para poder comprar comida, enquanto que a classe média alta de São Paulo bate panelas nos terraços e sacadas de seus prédios de luxo em bairros como o do Jardins e de Higienópolis, em São Paulo, onde, com certeza, não falta comida. Santa Ignorância! Depois, os hermanos nos chamam de macaquitos, e há quem reclame...

Como réplica, as esquerdas radicais são infladas, é ação e reação, e o MST invadiu um centro de pesquisas (em 5 de março último) de melhoramento genético da empresa Suzano FuturaGene, em Itapetininga (SP), e destruíram milhares de mudas de eucalipto que faziam parte de pesquisas que vinham sendo realizadas há 14 anos. Trabalho científico perdido, culpa de um ato político simbólico e violento, mais do que isso, imbecil. Ato desproposital, puro vandalismo, e que agrediu a quem nada tem a ver com a polêmica política, o que demonstra que os políticos e as lideranças de seus movimentos perderam o controle da situação.

O vídeo abaixo mostra a histeria coletiva de 500 mulheres do MST em ataque, depredando, nos colocando em atraso tecnológico, sob desculpas esfarrapadas de que seria prejudicial o uso do eucalipto transgênico, que iria acabar com a água e "contaminar" as nossas abelhas...

A visão obscurantista contra os transgênicos por parte do MST repete ataques semelhantes contra centros de pesquisa de biotecnologia, tanto privados como de empresas públicas, em passado recente. O ato em si comprova uma visão de mundo fundamentalista, sociopata, desprovida de qualquer bom senso, com absoluto desprezo pela opinião da maioria esmagadora das pessoas civilizadas e da própria ciência. O MST, mais uma vez, fez má política, e mereceria represálias policiais.

A desastrada ação fez parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Camponesas. Elas exigiam a retirada de qualquer pedido de liberação comercial do eucalipto transgênico protocolada na CTNBio. Ou seja, é uma ação política, com alta infiltração de elementos histéricos, tentando influenciar uma decisão científica.

O MST acha que está fazendo política com esses atos? Ora, mais uma vez, não me façam rir. Ponham a mão na consciência: com esses ataques o MST põe o movimento na berlinda, atrai antipatias da sociedade urbana. Há maneiras muito mais eficientes de se reivindicar e trabalhar pela Reforma Agrária. Escrevi aqui no blog, dias atrás, sobre a Agricultura Familiar, vejam lá: http://richardjakubaszko.blogspot.com.br/2015/03/agricultura-familiar.html 

Os coxinhas, por sua vez, nas passeatas e, sobretudo, na blogosfera, com os seus ataques raivosos, pedem intervenção militar. Enlouqueceram? É um desatino isso! Será que, por acaso, acreditam que vão mudar a centenária aptidão dos brasileiros para a corrupção e o tradicional jeitinho da esperteza tupiniquim de se apropriar dos direitos de outros? Também não me façam rir... É vital que esses ignorantes tenham consciência de que numa ditadura é possível conversar com generais, e de que devemos temer não os generais, mas os cabos e sargentos nas esquinas, são eles que descem o cacete naqueles que ousarem levantar a voz em defesa do que acham certo.

A mediocridade política, das esquerdas e direitas, onde impera a vaidade mal disfarçada dos políticos, onde a luta é só pela conquista do poder, mesmo desrespeitando a Constituição, avança a passos largos, sob descontrole geral, e indica para o caminho da bestialidade. A mídia, em vez de debater, no lugar de informar com neutralidade, toma partido, insufla, e estimula o ódio. Definitivamente, os políticos estão em TPM, e o povo na histeria.

Espero que parem, enquanto há tempo! Pelo bem do Brasil!
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quarta-feira, 11 de março de 2015

Agricultura Familiar

Richard Jakubaszko 
Equívocos centenários são cometidos tanto pela "esquerda" como pela "direita", no Brasil especialmente, na luta pela hegemonia política do poder. Como no amor, declamam os céticos, e na política, não há jogo limpo, vale qualquer estratégia.

A agricultura familiar nunca foi "alternativa" ao agronegócio, porque ela é o próprio agronegócio, constituído por mais de 150 mil produtores rurais no Brasil, que tocam seu negócio, a fazenda de lavoura ou de criação, com a família e meia dúzia de empregados, se tanto. No Brasil confunde-se o "agronegócio", de forma pejorativa, aos chamados produtores gigantes que são menos de 2 mil produtores rurais de grande porte (em áreas superiores a 5 mil hectares e de até acima de 100 mil hectares), nos quais se incluem cerca de 500 usinas de cana-de-açúcar.

Esses gigantes do agronegócio são conhecidos de todos, estão na mídia, como empreendedores, na política, são empresários, industriais, grupos financeiros, banqueiros, profissionais liberais, até mesmo figuras conhecidas do meio televisivo, e não representam, por suas posturas políticas e comerciais, o agronegócio como um todo.

No documentário abaixo, dirigido por Silvio Tendler, afirma-se, mais uma vez, que o Brasil contabiliza 4.367.902 estabelecimentos rurais. São dados do IBGE. Mas são um viés da pesquisa... O IBGE contabiliza como se fosse propriedade rural, em cálculos e projeções de minha autoria, cerca de 3,5 milhões de sítios e chácaras de lazer de fim de semana. São pedaços de terras improdutivas, de todos os tamanhos, mas estão registrados como propriedade rural para pagar ITR (Imposto Territorial Rural), muito mais barato do que IPTU. Somente algumas poucas e aprazíveis cidades (Ibiúna, São Roque, em SP, por exemplo), e próximas a grandes centros urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro, conseguem desqualificar os sítios de lazer na área rural e enquadrá-los como urbanos, quando urbanizam as áreas do entorno como estradas vicinais, água/esgoto, luz elétrica, telefonia, coleta de lixo etc. Apenas um desses serviços acaba por levar o sítio para a condição de imóvel urbano, e ao IPTU.

As esquerdas, à frente o MST - Movimento dos Sem Terra, e agora a Contag, Confederação dos Trabalhadores da Agricultura, uma das patrocinadoras do documentário abaixo, atribui crendices populares e pintam um ar de "santidade" aos "agricultores familiares", e mostram apenas o pequeno produtor, de menos de 4 ou 5 hectares, por vezes com meio hectare, e o defendem pelo não uso de agrotóxicos, ou por não empregar sementes transgênicas, e que, talvez  justamente por causa disso não conseguem produzir excedentes para vender fora da porteira da fazenda.

Esses micro-produtores têm hoje políticas públicas aprovadas e em execução pelo Governo Federal, para dar apoio a eles, em termos de crédito agropecuário, mas falta-lhes ainda o maior apoio, o da assistência técnica do sistema Emater, desconstruído no governo Collor. Sem saber como melhorar a produção, através do aumento da produtividade, porque não usam tecnologias apropriadas, quebram em duas safras frustradas, ou, pior, quando os preços caem justamente porque houve uma supersafra, fator que é bom aos urbanos, mas ruim aos produtores, em especial os pequenos, que não têm como se defender do inimigo "mercado", aspecto que é mais perverso aos produtores do que as próprias pragas e doenças que atacam as lavouras e criações.

Vídeos como o que exibo abaixo, distorcem a realidade, apesar de bem intencionados, mesmo apresentando alguns exemplos bem sucedidos de trabalhadores rurais (que nunca foram produtores rurais). Distorcem, porque mostram uma visão urbana dos problemas, e politizam uma questão social que há décadas deixou de ser discutida nos países desenvolvidos, como a reforma agrária. A luta pela reforma agrária, evidentemente, não é fácil, mas poderia ter outros encaminhamentos políticos, muito mais inteligentes.

Em minha opinião, conforme destaquei em vários capítulos no livro Marketing da Terra (ver capa e sinopse na aba lateral direita deste blog), o produtor rural, grande ou pequeno, ou mesmo de agricultura familiar, não faz o preço daquilo que produz, quem faz esse preço é o consumidor, e a praga dos intermediários. O agronegócio (pequenos, médios, e grandes) minimiza o problema filiando-se às cooperativas, e é competente dentro da porteira, mas não participa de entidades associativas, que poderiam agregar valor à atividade.

Em outro livro de minha autoria, "Meu filho, um dia tudo isso será teu", registro que a grande maioria dos jovens filhos de produtores rurais querem a herança e a terra, mas não pretendem trabalhar com a terra, por falta de vocação, aptidão e amor, ou afinidade, digamos assim, com as lides rurais.

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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Vai haver confronto ou querem a guerra civil?

Richard Jakubaszko 
O caos vem sendo apregoado. 
Não se sabe por quem, eles usam máscaras. Isso pode, hoje em dia. Até algum tempo era proibido.
Os defensores dos direitos humanos e de expressão, avalizam os black blocs. A mídia aplaude os defensores, mas critica as ações. Um comportamento dúbio, cínico e dissimulado. A verdade é que temos um morto no asfalto. Pior, é jornalista, estava trabalhando para ganhar seu pão de cada dia. Foi assassinado brutalmente.
Prenderam 2, acusados de ação dolosa.
Aparece um advogado esperto, não se sabe de onde, joga lenha na fogueira, diz que seu cliente foi contratado por R$ 150,00 pra fazer bagunça. É louco esse cara! Jogou o cliente na rua da amargura. Para os telespectadores o black bloc preso aparece como um coitado, mas para a justiça ele será julgado como um pistoleiro de aluguel. Diferença ridícula na pena a ser condenado, ao invés de 30 anos pode pegar só 20 anos. O advogado, ainda esperto, manda investigar quem contratou...

Quem seriam os contratantes? Não deve ser o Governo Federal, sem dúvida é quem mais perde com toda essa história de passeatas, protestos e black blocs.
Quem ganha com isso? Como dizem os americanos, "follow de money", e você descobrirá as fontes de interesses difusos por trás da bagunça que se está armando Brasil adentro e afora. O que se deseja é o "quanto pior, melhor", e isso em ano de eleições pune o governo de plantão.

Estranhamente (será estranho?) isso vem sendo arquitetado e planejado desde o ano passado, e a partir de agora, daqui até a Copa do Mundo, e depois dela até as eleições, o Brasil vai ferver, de Norte a Sul. Por enquanto temos um cadáver no asfalto. Vai render muita audiência.

A grande mídia estimula os diversos movimentos. Entusiasma os manifestantes.
Quem se sente atacado procura fórmulas de garantir seu patrimônio, seja ele um bar, uma banca de jornais ou um produtor rural. Abaixo, no vídeo, um deputado federal, cidadão que deveria respeitar as leis, mas estimula publicamente o confronto, apregoa o combate.


Em outro vídeo, que anda bem assistido no Youtube, ao qual não mostro neste blog, porque é de uma desfaçatez absurda, e de nítido conteúdo de viés político partidário, aparece uma moçoila da alta classe média falando em inglês, dizendo-se a favor do movimento "Não vai ter Copa". Apregoa mais verbas para saúde, educação, segurança, combate à pobreza, como se isso nunca tivesse existido no Brasil. E diz não para a Copa no Brasil, como se isso fosse possível. Claro, asfalta a avenida e justifica as ações dos black blocs futuros, que vão quebrar tudo até lá, sem serem criminalizados ou punidos.

Devia se cumprir a lei: botou máscara na rua, é porque boas intenções não tem, devia ser preso e prestar depoimento na delegacia, explicar porque se esconde, pois se não é proibido fazer manifestação, é proibido quebrar patrimônio alheio, ou matar.

Nem precisa descer o cacete nos black blocs, prende e leva pra delegacia, porque é proibido andar mascarado. Em outros tempos, só os heróis das revistas em quadrinhos podiam andar mascarados, porque eram "defensores da lei e da justiça". Mas vivemos tempos histriônicos, malucos, grupos podem andar armados, mascarados, e até podem depredar. Felizmente ainda não podem matar. Teremos essa liberdade no futuro? Difícil dizer, da mesma forma que é complicado afirmar que "dessa água não bebo", no futuro, quem sabe, talvez seja justificável. Foi assim, com essas justificativas, que nasceu o nazifascismo.

Fico na expectativa de que o número de cadáveres aumente, fiquem espalhados pelo asfalto. Nessa marcha, de confronto em confronto, podemos até chegar à uma guerra civil, afinal, o judiciário supremo do país já tem legisladores disfarçados de juízes, ou seria o contrário? Sem contar que agora perseguem presos, e desautorizam até mesmo seus próprios pares. Mas suspendem uma seção de plenário se tiver movimento do MST na Esplanada dos Ministérios.

O país, em nome da política partidária, assiste a fatos ridículos proporcionados por autoridades públicas, todos politicamente corretos, que tentam engabelar a população. Por enquanto, já convenceram alguns coxinhas, a assim chamada juventude conservadora, mas ainda precisam contratar black blocs por R$ 150,00 a cabeça. Estão preparando confrontos, ameaçando uma guerra civil, talvez depor o governo, quem sabe.

Lamentavelmente o clima não é bom, e não estou falando do calor, não. Falo da política suja de uma oposição inepta e incompetente, e de um governo que se acovarda, acuado.  
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domingo, 20 de outubro de 2013

Ruralista: você não nos alimenta e não nos representa!

Richard Jakubaszko   
Adeptos da egolatria e de modismos.
Algum filho de uma cadela sarnenta, e que não tem coragem de se identificar, criou, produziu e publicou de forma anônima um vídeo no Youtube, e que, contrariado, indico o link abaixo para que possa ser assistido. Divulgo para que as pessoas fiquem indignadas, assim como eu fiquei. Ao vídeo foi atribuído o abominável título deste post: "Ruralista: você não nos alimenta e não nos representa".

Assistir a esse vídeo é repugnante, pelas mentiras ideológicas equívocas, cheias de falsidades e distorções em seus 7 minutos de raciocínios escrotos. Vídeo que não tem autoria de postagem e nem assinatura ao seu final. A propósito, por que o Youtube permite isso? O vídeo demonstra um comportamento covarde, panfletário, é maniqueísmo da pior espécie, e por isso mesmo necessita de respostas e atitudes.

Precisa-se de um procurador público que cumpra suas funções como defensor da sociedade e que determine pela Justiça a retirada desse vídeo do Youtube. E que processe criminalmente seus autores. Defendo a democracia até a última instância, mas há limites para a liberdade de expressão, porque se ataca covardemente a honra e a dignidade de milhares de produtores rurais nesse vídeo. Vilipendiar sobre a honra das pessoas, tal como previsto no Código Criminal, é passível de ação processual na Justiça. Que seja tomada de imediato essa atitude pelas autoridades competentes, sob o risco de se jogar no lixo a integridade e credibilidade da democracia que os brasileiros desfrutam.

Essa palhaçada ideológica me lembra da urgente necessidade de os produtores rurais constituírem uma associação nacional que seja representativa de seus direitos. Que os produtores não sejam mais representados como estão hoje em dia, seja por uma bancada ruralista no Congresso Federal, onde apenas três ou quatro legisladores trabalham de fato, ou por entidades sindicais politizadas (autênticos pelegos de interesses políticos e econômicos inconfessos), e que não são de fato representativas dos verdadeiros produtores rurais, mas de apenas alguns latifundiários, rastaqueras dos cofres da viúva.

O discurso apresentado no vídeo usa argumentos falaciosos dos indigenistas; recorre, especialmente, a argumentos funestos e distorcidos do MST (Movimento dos Sem Terra), usa críticas e ignomínias de vários segmentos ambientalistas, e ainda de ONGs internacionais que manipulam jovens urbanos que ignoram completamente o que seja a atividade de produzir alimentos. Com certeza nenhum desses imbecis mentecaptos bebe leite, ou come arroz e feijão com carne, salada, nem toma suco de laranja ou cafezinho com açúcar. E ainda pensam, se é que possuem essa característica cerebral, que frangos e porcos se alimentam de milho caipira. Pelos neurônios descalibrados e mal informados dos autores desse vídeo, quem sabe 
eles imaginam, como já afirmei neste espaço em passado remoto, que comida nasce na gôndola dos supermercados. É só ir até lá e comprar, o agricultor nada tem a ver com isso...

O vídeo abaixo é coisa de gente que não dá para xingar nem de filho de mulher de "utilidade pública", pois é gente sem mãe, sem caráter e mal intencionada, é gente que cospe no prato em que come.
Dá nojo e me revolta ver brasileiros agindo dessa maneira, atuando contra o país. Contra todos os brasileiros, instigando até mesmo guerrilhas. E ainda falam na tal da sustentabilidade... Acho que o mundo seria sustentável, sim, sem a existência desses biscates parasitas, que trabalham a serviço dos capitais internacionais e de ideologias exóticas. É necessário explicar: não sou de esquerda e muito menos de direita, não tenho filiação partidária alguma, sou humanista, e não aceito essas mentiras.

Reitero, portanto, como tenho feito há anos na revista Agro DBO e neste blog, que os líderes conscientes do agro tomem providências de estabelecer respostas convincentes a esses párias sem apetite, que provavelmente não se alimentam, e andam fracos das ideias.

Com certeza essas respostas não devem e não podem ser através da propaganda e publicidade na TV, porque isso custa muito caro e já vimos que não funciona. Se precisarem estou à disposição.

Mais importante que tudo, é tempo dos produtores rurais brasileiros se indignarem, e de mostrarem isso à sociedade e ao governo.
Estou revoltado, pessoas assim abalam minha fé e a crença na humanidade.

O vídeo acima me foi enviado por Paulo Miguel Nedel.
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segunda-feira, 11 de julho de 2011

A ANVISA, a quem serve?

Richard Jakubaszko 

A julgar pelo cartaz aqui exposto, a ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária serve aos propósitos do MST - Movimento dos Sem Terra e da Via Campesina. Pelo menos no cartaz está afixado, em destaque, e em primeiro lugar, o nome de uma gerente da ANVISA.
O que é que a ANVISA tem a ver com o MST e a Via Campesina? Em princípio,  nada em comum. Nem na política, nem nos interesses, nem nos objetivos de sua criação. A ANVISA é uma agência reguladora e fiscalizadora da saúde dos brasileiros, subordinada ao Ministério da Saúde, mas extrapola suas funções.

É necessário, entretanto, entender um pouco o que se passa nos bastidores, pois tudo parece ter um fundo ideológico.

Primeiro, analisemos o MST (e a própria Via Campesina). Inegavelmente, é um movimento político. Deixou de ser movimento social. Quem possui um mínimo de informação e bom senso, sabe disso. Não coloco em debate se é movimento legal, armado, guerrilheiro, justo ou injusto, nada disso. É apenas a minha opinião como cidadão e como jornalista. Eles têm seus métodos, através da invasão de propriedades rurais, sempre com grande quantidade de pessoas, armadas de foices e facões. Os conflitos ocorrem, o que é natural, algumas dessas invasões têm sido severamente criticadas pela sociedade e pela mídia, por causa da violência. 

O MST (e também a Via Campesina) extravasou, até porque já invadiram também estações experimentais (Monsanto, Syngenta, Aracruz), destruindo tudo o que estava à vista, e por isso mesmo foram criticados. Esqueceram da invasão da Cutrale, quando passaram tratores em cima de pés de laranja? Passou até na TV. Não é vital no assunto, mas é importante como detalhe na colocação de meu raciocínio, o fato de que um dos dirigentes do MST, José Rainha, foi acusado, depois preso e solto, e novamente preso, e agora definitivamente condenado como assassino, e é, inclusive, acusado de corrupção e malversação dos bens do MST.

O MST adotou, então, nos últimos anos, uma forma "politicamente correta" de se mostrar à sociedade, pois os argumentos em favor de uma reforma agrária com uso social da terra deixavam de ser relevantes em decorrência da violência praticada nas invasões. Nada justifica o destruir para reconstruir, aos olhos da sociedade.
A partir daí o MST (e, claro, a Via Campesina, movimento tipo cópia carbono do MST) adotou a postura paralela de criticar o modelo produtivo da moderna agricultura que se faz no Brasil, que garante 1/3 do PIB  brasileiro, que gera empregos e impostos, e que ainda exporta, gerando divisas.

No julgamento do MST está em destaque acusar que o agronegócio brasileiro é "criminoso ambiental", pois usa agrotóxicos para produzir alimentos, e que com isso “intoxica” todos os consumidores. Com esse discurso tem apoio de pessoas desinformadas nas grandes cidades, além dos ambientalistas. Pegam carona na propaganda sem ética dos produtores de orgânicos, que usa como mote o não uso de agroquímicos e fertilizantes, e que não informa que "criam bactérias exclusivas e letais" para consumo urbano, como vimos acontecer neste mês de junho de 2011, lá na Alemanha, mas é um fato que tem se tornado comum de acontecer mundo afora.

Assim, escondido atrás de um discurso "politicamente correto", o MST exerce pressão política no governo, na sociedade e na mídia, para prometer que a Reforma Agrária vai dar uma solução no que considera um problema, a toxicidade agregada aos alimentos via agrotóxicos. Mas não informa que os consumidores podem vir a ter de pagar muito mais caro pelos futuros alimentos produzidos sem agrotóxicos, porque a produtividade dos orgânicos é muito menor, e, claro, que iria faltar comida na mesa dos brasileiros.

Ora, se o discurso do MST (e da Via Campesina) é político e ideológico, o que é que a ANVISA vai fazer em reuniões "festivas" de doutrinação quando a Via Campesina reúne seus correligionários, seja em Cuiabá ou em Curitiba, como ocorreram em maio último?

A ANVISA é a agência Nacional de Vigilância Sanitária, subordinada ao Ministério da Saúde. Tem por função principal regular e fiscalizar tudo o que diga respeito à saúde humana, e isso implica, entre outras coisas, regular e fiscalizar fabricação de remédios e agrotóxicos, produção de alimentos in natura ou industrializados, inclusive importação.

Uma regulação proposta recentemente, e em uso no Brasil, é uma ideia da ANVISA de somente se vender antibióticos através de receita emitida por médicos. Como quase tudo o que se faz no Brasil, tínhamos "nada de regulação" num dia, e no dia seguinte havia o pecado pelo exagero da regulação, pois a determinação da receita incluiu até mesmo pomadas. No mesmo pacote, outras exigências exageradas: as receitas têm de ser em duas vias, valem por prazo de 10 dias, e devem ser nominais, com colocação na mesma de nome, sexo, idade do(a) usuário(a), o que deixou médicos e pacientes em polvorosa pela complexidade de regras. Criou-se uma dificuldade enorme, tudo para se tentar evitar o uso indiscriminado dos antibióticos que seria a causa do aparecimento de bactérias resistentes, e que hoje enlouquecem os médicos e pacientes.

Não sei se vão evitar novos casos de resistências, acho que até pode criar novas dificuldades e problemas, mas já estabeleceu um mercado paralelo de "fornecimento rápido" de receitas, feitas por médicos inescrupulosos, que aviam essas receitas por valores entre R$ 5,00 a até R$ 10,00 reais.

Na área de alimentos a ANVISA também peca pelo exagero de suas regulações e autuações na fiscalização.


Já a partir da sua criação no final dos anos noventa a ANVISA passou também a ser uma das três reguladoras e fiscalizadoras de agrotóxicos, juntamente com o IBAMA - Inst. Brasileiro do Meio Ambiente, e ainda com o Ministério da Agricultura, que, até então, fazia isso sozinho, como é no mundo inteiro. O registro de agrotóxicos no Brasil tornou-se um processo lento, burocrático, caríssimo e ineficiente. Por todos estes problemas, no final das contas, quem paga é o consumidor brasileiro (neste caso também os agricultores), e a isso se chama de custo Brasil. Mas a ANVISA se arvora no direito de não apenas "apitar" o jogo, mas de influir no resultado do jogo, impondo regras morais através da mídia mal informada.

Ou seja, primeiro divulgam notícias alarmistas de que vários alimentos estão contaminados excessivamente por agrotóxicos letais, dão entrevistas divulgando resultados apurados em pesquisas com metodologias mal explicadas, e chegaram a induzir o ex-ministro da Saúde, José Gomes Temporão, a afirmar que não comeria mais pimentão por causa dos níveis de contaminação encontrados no saboroso legume. Ninguém explicou, lá na ANVISA, que o agrotóxico encontrado não tinha registro para pimentão, apesar de ter o respectivo registro para tomate, alface e outras especiarias da nossa pujante agricultura das hortaliças. Não se justifica, o fato de que um registro de um produto para cada cultura custe milhares de reais e demore de 24 a 38 meses para sair. De novo, o custo Brasil.

Feito o dever, divulgado o mal feito, empurra-se goela abaixo dos consumidores a imagem e a fama de “agricultores irresponsáveis”, e de fabricantes de agrotóxicos inescrupulosos, só porque são multinacionais. Convenientemente esquecem-se das brasileiras e das chinesas, todas reguladas pela ANVISA, IBAMA e MAPA. Alarma-se a população com pesquisas mal feitas e mal divulgadas, política e estatisticamente manipuladas, por mera sede midiática de um agente público que deseja apenas mostrar poder. Uma mera vaidade, ou arremedo de exibição de autoridade, incompatível com os tempos contemporâneos. Não há como se consertar problemas endêmicos criados na burocracia governamental. E tampouco nas idiossincrasias humanas.

A ANVISA, não contente com sua burocrática, mas exigente atuação regulatória e de fiscalização nos alimentos, remédios e agrotóxicos, passa a atuar como agente preventivo, insuflando os filiados ao MST a "produzirem alimentos sem agrotóxicos", porque acha que isso é melhor para os cidadãos. É que o pessoal da ANVISA ainda não sabe que esses filiados do MST ainda não produzem alimentos, pois a reforma agrária, para eles, ainda não aconteceu, e então fica tudo na questão do desejo, ou melhor, do desiderato, com meu pedido de perdão ao leitor pela prática da tautologia.

Tive acesso a um vídeo de uma apresentação feita em Cuiabá, da Dra. Letícia Silva, gerente de regulação da ANVISA, em reunião da Via Campesina, onde a representante do governo “denuncia” o Modelo Tecnocrático de Decisão sobre o uso de agrotóxicos, em que apenas Governo, Empresas e Academia participam do processo, enquanto a “Sociedade” estaria, na opinião dela, fora do debate e das decisões. Ora, e o que é o governo nesse processo, não representa a sociedade? 

A Dra. Letícia, provavelmente, acha que participa desse processo por algum dever missionário? Ou ela é a representante do governo, e, portanto, defensora da sociedade? Ou, deliberada e premeditadamente a Dra. Letícia e a ANVISA, tergiversam ideologicamente nessa questão? Ou, ainda, quem sabe, desejariam a posição da sociedade através de plebiscitos a cada impasse gerado pelas suas intransigências? Ou é só um discurso vazio para insuflar ânimos exaltados e revoltados?

No Simpósio Internacional Crop World, da UBM, dias 4 e 5 julho último, em São Paulo, onde fui um dos conferencistas, encontrei-me com a Dra. Letícia, da ANVISA, a quem não conhecia, ela também conferencista convidada da UBM. Foi no break do café que eu a "atropelei". Perguntei, depois de me identificar, por que a ANVISA tem de fazer campanha junto com o MST e Via Campesina contra o uso de agrotóxicos, pois já regulam, normatizam e fiscalizam. 

Ela respondeu-me, politicamente correta, que, como agente do governo, deve “interagir com todos os tipos de públicos”. Desafiei a agente do governo, informando-a que sou jornalista, mas antes disso sou cidadão e, pior, um alérgico, e em vista dessa característica humana não tão rara, tenho de ser visto com prioridade na questão dos testes de toxicidade para registros de produtos, e que possam me fazer mal, tendo por pressuposto que também farão mal a pessoas normais, que não sejam alérgicas. Enfatizei que no meu caso uma encrenca de alergia pode matar, enquanto nas pessoas normais dá só uma coceira. Ela apenas referenciou que tem um filho alérgico, e que esse é realmente um problema. Falou mais como mãe do que como agente de governo. Pensei, com os meus botões, que a causa humana, pelo andar da carruagem, dessa maneira vai atolar definitivamente...

A única explicação que posso dar é que este país é de fato abençoado por Deus, está dando certo e vai melhorar ainda mais, apesar de muita gente jogar contra simplesmente porque, em termos pessoais, põe fé em crendices. É gente com discurso e prática fundamentada na ideologia, isto sim, onde a razão não tem espaço, onde o argumento e o debate não encontram oportunidades.

Registrei ainda, na conversa com a Dra. Letícia, que algo de muito errado acontece nessa campanha da ANVISA contra o uso dos agrotóxicos, parecendo campanha pessoal e não uma atuação profissional do governo, como representante da sociedade. Se há algo que deva ser proibido, acentuei, que proíba. Se há algo errado que deva ser corrigido, que corrija, mas que pare de espalhar o pânico e o medo entre a população, pois é uma campanha sórdida. Criticar a falta de decisões da sociedade e do próprio governo, de forma vaga e leviana, prova, para mim, que há incompetência da própria ANVISA, pois ela é a agência governamental constituída exatamente para esse fim. Se a ANVISA não faz sua atribuição e ainda exige isso de outros, a quem devemos nos queixar? Aos bispos? Pelo amor de Deus, esse tempo já passou!

Achando que pode fazer do jeito que quer tudo aquilo que deseja, a ANVISA participou em maio último, de uma reunião em Bruxelas, em que se discutiram as regras do futuro acordo MERCOSUL-UNIÃO EUROPEIA, e lá pelas tantas abusou de suas prerrogativas, informou aos delegados europeus que “todos os alimentos brasileiros estão contaminados com agrotóxicos”. Ponto para os Espanhóis, que lutam contra o acordo, pois temem a concorrência brasileira, notadamente em frutas. A representante da ANVISA, da qual até hoje não descobri o nome, mentiu, apoiou-se nas suas “pesquisas”, feitas no Brasil, aquelas em que o ex-ministro Temporão acreditou e midiaticamente prometeu jejuar. E o jogo para a mídia continua. A presidente Dilma, assim como fez Lula, viaja mundo afora divulgando os produtos brasileiros para exportar, e a ANVISA vai atrás, desfazendo o trabalho...

Durante a Agrishow, em Ribeirão Preto, em maio último, numa coletiva de imprensa, relatei ao ministro Rossi, da Agricultura, esse fato de Bruxelas. Ele me pediu mais informações, não sem antes desabafar, em alto e bom som, que a ANVISA, para ele, é uma incógnita, um problema sério e tão misterioso como o Triângulo das Bermudas... Pois o problema continua, ministro, agora até os franceses e italianos estão aderindo aos espanhóis...

Presumo que essas impropriedades relatadas tornem obrigatória a participação de um juiz de instância superior nesse imbróglio em que funcionários públicos pagos para exercer uma função e tarefa, extrapolam suas atividades para outras áreas. E que seja esse juiz um ministro, ou até mesmo a nossa presidente Dilma Rousseff, eis que isso seria de bom tamanho, já que nossa máxima mandatária anda reposicionando as agências de regulamentação. Que tal regular a ANVISA também, presidente Dilma? A gente aqui embaixo tá precisando de coisas mais sérias e competentes nessa área.
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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A agricultura que o Brasil almeja

Richard Jakubaszko
Pela relevância do assunto e pertinência da argumentação, reproduzo aqui no blog artigo publicado hoje no jornal Folha de São Paulo, assinado pelo meu amigo Eduardo Daher.
Por ser um profissional, diretor-executivo da Andef, que representa as empresas do segmento de agroquímicos, todas multinacionais, Daher se mostra objetivo e restrito ao tema, sem entrar na discussão do mérito de questões políticas e ideológicas, que permeiam o artigo anterior de Stédile na mesma FSPaulo.

Publiquei no blog http://richardjakubaszko.blogspot.com/2007/12/agricultura-poluio.html o artigo "Agricultura é poluição", em dezembro de 2007, mas pessoas como Stédile não são afeitas à leitura de artigos que contradigam as suas opiniões, até porque possuem interesses inconfessáveis. De tudo isso me resta um consolo, de que Daher, eu, e muitos outros, não estamos sozinhos nesta luta insana para defender a agricultura brasileira de ataques interesseiros, de gente que cospe no próprio prato em que come suas três refeições diárias.

seção Tendências e Debates

A agricultura que o Brasil almeja
Eduardo Daher
As tecnologias genéticas e químicas estão ligadas à competitividade agrícola, por mais que isso tire o humor de seus adversários.

"O feijão colocado à venda nesta manhã acabou rápido nas feiras livres de São Paulo. Com preço tabelado a Cr$ 38,00 pela Coap, Comissão de Abastecimentos e Preços, a venda do produto foi limitada a 2 kg por pessoa. A falta de feijão, e o conseqüente aumento de preços no último mês, obrigaram o governo a expropriar os estoques do produto na Ceagesp e nos armazéns da Companhia Santos-Jundiaí. Instituições de caridade e hospitalares solicitaram prioridade na aquisição do produto."

A notícia acima, publicada em 21 de agosto de 1959, na 'Folha da Noite', remete a um passado sombrio na vida dos brasileiros, mas é apropriada para que se reflita sobre um equívoco que vem se exacerbando: o de certas lideranças tratarem a agricultura competitiva como se fosse 'inimiga' do país. É isso o que sugerem discursos como o de João Pedro Stedile, da direção nacional do MST ('Tendências/Debates', 28/5). Tal visão coloca em xeque o papel do setor estratégico para a economia nacional.

A atividade agropecuária é provedora da extensa cadeia de alimentos que temos em nossas mesas; fornece, ainda, a infinidade de bens imprescindíveis no nosso dia a dia e de bilhões de pessoas em todo o mundo -do papel deste jornal que lemos à roupa que nos veste. Responde por 23,7% do PIB nacional; movimenta 38,5% das exportações e emprega cerca de 40 milhões de pessoas. A pesquisa e a adoção de tecnologias de base genética (sementes) e química (fertilizantes e defensivos) estão diretamente associadas à competitividade agrícola brasileira. Por mais que esse fato tire o humor dos seus adversários.


Na luta contra a ciência genética, que antes já revolucionara a medicina e hoje aprimora os cultivos, tais lideranças renegam até o sucesso dos pequenos produtores que dizem defender. Foi o que narrou a Folha de S. Paulo, em 23/1/2009, em reportagem sobre o assentamento gaúcho Novo Sarandi: agricultores que adotaram a soja geneticamente modificada foram ameaçados de expulsão da área por dirigentes do movimento. 'Não é um assentamento modelo por causa da contradição da soja transgênica', afirmou um líder.

Perdida a batalha contra os organismos geneticamente modificados (OGMs) junto à opinião pública, que, superado o receio inicial, se mostra mais compreensiva em relação aos transgênicos, aqueles líderes se voltam contra os defensivos agrícolas, ou agrotóxicos. Uma luta insensata, já que a defesa fitossanitária é imprescindível no combate às pragas que devoram cerca de 40% dos alimentos nas plantações no Brasil. 'As alterações do clima acarretam modificações na incidência de pragas agrícolas, com sérias consequências econômicas, sociais e ambientais', explica o engenheiro agrônomo Décio Gazzoni, pesquisador da Embrapa.

Na agricultura tropical, como no Brasil, as pragas são ainda muito mais danosas do que nos países de climas frio e temperado. Agricultores que têm suas lavouras dizimadas em poucos dias sabem o drama que isso significa.
A lavoura arcaica, tão apregoada por tais lideranças, não beneficia a agricultura, muito menos o país.

Diferentemente, com o olhar num futuro de paz, o que milhões de produtores rurais e, afinal, toda a sociedade almejam é um novo tempo no campo, que vem já se realizando, aqui e agora, mas capaz de impulsionar ainda mais um virtuoso ciclo de prosperidade para todos os brasileiros.

Eduardo Daher , 60, é economista pela FEA-USP, pós-graduado em administração de empresas pela FGV-SP e diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef).