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quinta-feira, 10 de julho de 2025

Trump, o chantagista

Richard Jakubaszko
A iniciativa trumpista de taxar em 50% os produtos brasileiros exportados para os EUA vai dar com os burros n'água. Nenhuma das anunciadas taxações das importações americanas contra países como China, Índia, Rússia ou Europeus se concretizaram até o momento, estão todas em negociação, canceladas por acordos bilaterais ou proteladas pela Justiça americana.

Ontem e hoje a mídia brasileira fez um estardalhaço sobre o tema, abordando questões econômicas, políticas, jurídicas, diplomáticas, ideológicas e comerciais sobre a ameaça de Trump, com asneiras a granel. E raras inserções de brilhantismo.


Vejamos algumas das questões do problema:

1 - A carta de Trump para Lula é um pacote de acusações disparatadas e com abordagens e citações de cunho impreciso, além de algumas serem distorcidas ou mentirosas. Não é verdade que a balanças comercial Brasil-EUA seja favorável ao Brasil, pelo contrário, o Brasil tem déficit nesse fluxo, de centenas de milhões de dólares. Trump está muito mal informado pela sua assessoria. Ou distorce fatos de acordo com sua conveniência.

2 - Trump cita na carta a "falta de democracia" brasileira, onde se faz censura, segundo ele, especialmente por parte da Justiça do STF, ao proibir e mandar retirar das plataformas de algumas redes sociais de origem americana conteúdos mentirosos, as chamadas fakenews, como responsável pela taxação dos produtos brasileiros. Pode isso? Não, não pode, mas Trump age como garoto mimado e birrento, e recorre a outra faceta, a de acusar o Brasil de "caça às bruxas" com o desenrolar do processo que o STF move contra Jair Bolsonaro, na opinião dele "um líder internacional" (pausa para gargalhadas...). Com certeza Trump se espelha na situação de Bolsonaro, pois foi também acusado na Justiça americana pelos mesmos atos, ação que foi protelada para prosseguir depois que terminar o mandato dele, pois um Presidente dos EUA não pode ter ações na Justiça enquanto exerce o cargo.

3 - Trump ameaça o Brasil de atribuir novas (e iguais) taxas aos produtos brasileiros se o Brasil usar da clássica e tradicional reciprocidade de taxar produtos americanos importados. Uma simples questão de chantagem comercial que a OMC (Organização Mundial do Comércio) pode arbitrar se o Brasil efetuar uma queixa formal. Apesar de lembrarmos que esses julgamentos demoram meses ou anos. O comportamento de Trump não se sustenta, seria interessante alguém desvendar qual o objetivo real de Trump nessa patacoada.

4 - Na mídia o foco tem sido o de apontar agronegócio como o setor mais prejudicado. Não é verdade. O agro será prejudicado, sem dúvida, mas não esqueçam que o Brasil é exportador de petróleo bruto para os EUA, o item maior de nossas exportações e importa diesel e gasolina, pagando por serviços de refinaria, e as taxas do Trump impactariam o preço desses produtos no Brasil, a partir de agosto, a não ser que a Petrobras desenvolva nesse meio tempo um novo prestador de serviços de refino de petróleo em outro país, no curto prazo. Quem diria, a danada da Dilma teve a visão de fazer a Petrobras comprar uma refinaria em Pasadena, mas deu no deu, e agora podemos ficar com a calça nas mãos...

5 - Dentro do agro brasileiro o produto mais exportado são as madeiras (US$ 7,4 bilhões por ano) e seus subprodutos, como celulose, por exemplo. Isso é boa notícia para os ambientalistas, pois reduziria a pressão por mais desmatamento na Amazônia. Madeira é mais do que o dobro do segundo lugar, que é o café, com US$ 2,3 bilhões dólares anuais. O   terceiro lugar da nossa pauta é o suco de laranja, do qual o Brasil é o maior produtor e exportador do mundo. Trump vai ter de obrigar os americanos a mudar o breakfast deles, ao retirar café e suco de laranja com uma canetada só, afora os ovos brasileiros que têm sido exportados para lá por causa da gripe aviária que grassa nos EUA há uma década. Ou seja, sem café, suco de laranja e (quase) sem ovos, como será que vai ficar o desjejum dos gringos? Só vai ter umas fatias de bacon, cereais e pão torrado... Não esqueçamos das carnes brasileiras exportadas, principalmente dianteiros, que proporcionam o hambúrguer americano. Isso é uma perda de ativo político de Trump com seus eleitores, mas acho que ele não atentou para isso quando decidiu de forma imperial taxar os produtos brasileiros. Vai acelerar a inflação dos EUA.

6 - O que não aparece na carta de Trump são os objetivos anunciados pelo BRICS, de criar uma moeda forte para substituir o dólar nas transações comercias internacionais que não envolvam os EUA. E o BRICS não está longe disso. No início, uns 16 anos atrás, quando era apenas a sigla inicial (de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), tornar viável esse sonho era distante, mas o BRICS cresceu e incorporou Arábia Saudita, Indonésia, Uruguai, Irã, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos, um total provisório de 12 membros que representam quase 40% do PIB do planeta. Reparem que não há nenhum país europeu nessa história. Se entrar, entra o bloco inteiro, e chegam a mais de 65% do PIB internacional. Trump, evidentemente, sabe disso, e os EUA têm brigado feio e violentamente contra vários membros do BRICS, agora chegou a vez do Brasil.

7 - A questão das big techs é periférica no contexto comercial, mas Trump tem interesse pessoal nisso, pois uma de suas empresas (Trump Mídia) está com problemas na Justiça brasileira por publicar conteúdos falsos e difamatórios, e por não ter um representante legal no Brasil para responder judicialmente. Além de ficar proibida de publicar conteúdo no Brasil vem aí uma multa salgada que Trump não tem nenhum interesse em pagar.

8 - Para comprovar que tudo é uma farsa, hoje apareceu na mídia um entrevista de Steve Bannon, um ex-assessor de marketeiro de Trump, dizendo que se o Brasil derrubar o processo contra Jair Bolsonaro os EUA também anulam as taxas de nossas exportações. Chantagem na cara dura, mais uma, como se isso fosse importante, ou pior, como se isso fosse possível, de o Executivo ou Legislativo chegarem ao STF e dizerem, "ei, Xandão, cancela o Jair pra salvar o Brasil". Uma piada, né não?

9 - No mundo inteiro, de líderes europeus, até mesmo o americano Paul Krugman, Nobel de Economia, caíram a pauladas em cima de Donald Trump, por causa da desatinada decisão.

10 - Lula sai forte dessa briga (aconteça o que acontecer) toda para enfrentar a reeleição em 2026, se é que ele vai querer mesmo isso. O bolsonarismo perde, porque será acusado de irresponsável por aplaudir essa inaudita palhaçada de Trump.

ET: Resta saber se, ao citar Bolsonaro na referida carta, Trump abre as portas da Embaixada americana em Brasília para um pedido de asilo diplomático por perseguição política...

Em todo caso, o Xandão já colocou tornozeleiras no Jair Bolsonaro, para tentar impedir um pedido de asilo de tal ordem. Ficou no ar uma polêmica de mártir e injustiçado, mas o celular do Jair foi confiscado, e pode ter novidade pela frente... O Eduardo, coitado, agora tá enrolado até os cabelos, e o cancelamento dos vistos de entrada nos EUA do Xandão e de outros 7 ministros do STF, além do Gonet, Procurador Geral, vai provocar muita fervura no caldeirão.

Nunca vi na minha longa vida desaforos dessa natureza proporcionados por um país como os EUA, que deveria ter um certo decoro diplomático. Mas o mundo moderno anda maluco mesmo...



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quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Plymouth Rock simbolizava uma coisa, hoje também é simbolo de outra coisa

Richard Jakubaszko  

Monumento histórico que marca a chegada dos ingleses à América foi danificado com spray em 2020.
A jornalista americana Alana Sousa publicou em 18 de fevereiro de 2020 que o
monumento histórico Plymouth Rock foi alvo de vandalismo na semana anterior. A pedra, localizada no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos, simboliza a chegada de William Bradford e dos Peregrinos de Mayflower, responsáveis por fundar a Colônia de Plymouth, em 1620.

As autoridades não obtiveram pistas dos suspeitos pelo crime. Os infratores invadiram o local onde a rocha está em exibição pública, no Memorial Park Pilgrim.
  “O Departamento das equipes de Conservação e Recreação estão lavando o Plymouth Rock”, informou uma jornalista que estava cobrindo o caso. Será necessário um trabalho minucioso para recuperar a pedra sem causar estragos maiores.

A Plymouth Rock (acima) foi grafitada com uma tinta vermelha, podem-se observar palavras e números, que ainda não foram decifrados.
   
Plymouth Rock (acima) antes do vandalismo, onde é possível ver a data da chegada dos colonos 

Curiosidade e história à parte, perceba o leitor que a Plymouth Rock passa a simbolizar uma questão importante em nossos dias. Como ela está à beira mar, em Massachusetts, hoje cercada por um muro e grade de proteção, mas ao alcance das marés alta e baixa, ela comprova que os ambientalistas mentem ao afirmar que o nível dos mares subiu 50 cm nos últimos 80 anos. A Plymouth Rock é a prova cabal de que isso não aconteceu.

Para você, que não entende como essa história de elevação do nível dos mares é um assunto pra lá de importante, recomendo a leitura de meu livro, o "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?", onde analiso, critico e desnudo essa história do aquecimento, que classifico como a maior mentira do século XXI, caminhando para ser a maior mentira de todos os tempos.

O livro custa R$ 50,00 inclusas as taxas de correios. Escreva para o e-mail co2clima@gmail.com que a gente explica como fazer o depósito, para vc receber o livro em casa, autografado pelo autor.

 

 

segunda-feira, 28 de março de 2022

Oscar com tapa na bochecha

Richard Jakubaszko  
Quando dois brigam, nenhum deles tem razão, e ambos são culpados. Ou seja, deu barraco na festa, com ti-ti-ti pra ninguém botar defeito e olha que era festa black tie, cheia de grã-fino metido a besta. Entretanto, a polêmica permanece, pois os apoiadores de Will Smith aplaudem o tapa na cara que ele deu em Chris Rock, e afirmam que fariam a mesma coisa se estivessem no lugar de Will. De outro lado, que Chris demonstrou ser um panaca juramentado ninguém tem dúvidas, merecia ter levado a cacetada, o problema é que o ato em si é de fato altamente politicamente incorreto. 

Tá certo que Will poderia simplesmente ter levantado e ido embora. Mas perderia a festa, logo ele indicado e ganhador do troféu de melhor ator do ano, um dos quatro mais importantes da premiação do Oscar, junto com o de melhor filme, melhor diretor e melhor atriz. Ou Will poderia simplesmente ter dito em alto e bom som ao Chris Rock que ele era um péssimo apresentador, humorista horroroso e ser humano desprezível, e com isso acabaria com a carreira do deselegante, sem nenhum piedade e com o aplauso de toda a galera.

Como herança, fica a lição de que nunca se diga impropriedades como fez Chris com a alopécia de Jada Pinkett Smith, a mulher de Will, porque um tabefe bem dado na bochecha pode estar a caminho...

Evidentemente que estou com Will Smith, eu faria a mesma coisa, mesmo sendo um ato politicamente incorreto.

Definição de politicamente correto: "Pegar um pedacinho de merda pela parte mais limpinha da coisa".

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domingo, 27 de fevereiro de 2022

As guerras mentem, por Eduardo Galeano

Richard Jakubaszko  
Vivemos neste momento uma abominável guerra de conquistas de espaços geopolíticos, tanto por parte da Rússia, ao invadir a Ucrânia, como por parte da OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte, comandada pelos EUA. Já estamos no século XXI e guerras desse tipo já deveriam ter sido compactuadas de que não seriam aceitas pela ONU. Mas não, o jogo político e a farsa continuam, a hipocrisia prevalece, com amplo apoio da mídia internacional. A falta de lideranças reais no mundo contemporâneo acentua esse vazio, prevalecendo as fake news.

Ora, a OTAN foi criada nos anos 1940, ao final da II Grande Guerra, pelos países europeus, mas com a liderança dos EUA, para conter o avanço da então União Soviética, que era liderada pela Rússia comunista e com os países da chamada cortina de ferro, no Leste europeu, como Polônia, Ucrânia, Hungria, Geórgia, Checoslováquia, Croácia, Afeganistão, Iugoslávia, e muitos outros. Em 
1989 o papa polonês João Paulo II, apoiado pelo mundo ocidental, entenda-se os EUA e Europa, negociou o fim da União Soviética e do socialismo na região. A grande maioria dos países citados, a partir de então, optou por ser democracia, com eleições regulares, a começar pela própria Rússia. Esses fatos, com o passar do tempo, justificariam a eliminação da OTAN, mas esta já tinha "nova direção" e começava a conquistar aliados entre os antigos países da União Soviética, o que provocou enormes conflitos entre a Rússia e a OTAN, sendo que a Ucrânia é a última novidade. Contrariedades postas e discutidas, ninguém deu passo para trás e a guerra começou.
 
As imbecilidades estão postas, especialmente a guerra, do ponto de vista humano de Eduardo Galeano, que afirma que as guerras mentem.
 

terça-feira, 18 de maio de 2021

O Tio Sam não é mais aquele

Ricardo Viveiros *

Os Estados Unidos, nação que sempre pretendeu dominar o Mundo, está diferente. O que mudou na terra do Tio Sam?

Tudo na vida é cíclico. Até mesmo uma democracia estável, como a norte-americana, surpreende ao ser abalada como aconteceu nos últimos dias do Governo Trump. Ele próprio um exemplo das intempéries políticas daquilo que pode sofrer um país.

Interessante observar, no caso dos EUA, que por quase 50 anos, de Roosevelt a Reagan, o estilo de governo foi um Estado forte, corajoso, produtivo. Ora com um republicano, como "Ike" Eisenhower, ora com um democrata, como Lyndon Johnson, tudo estava equilibrado, dentro da mesma cartilha.

Nas últimas quatro décadas, entretanto, o que se viu foi um período tranquilo, sob um jeito modesto de ser. "Bill" Clinton comentou: "A era do governo grande terminou". Agora, com "Joe" Biden no manche do airbus, tem início um processo de mudanças. E não é apenas o estilo de gestão. O novo presidente norte-americano não é um burocrata, como o russo Putin; nem um financista como o francês Macron; tampouco um fanfarrão como o norte-coreano Kim Jong-un.

Biden é do tipo menos "eu", mais "vocês". Ele não cria inimigos para legitimar políticas de Estado, opta por buscar parceiros e mudar a narrativa histórica dos que governaram antes dele. Não entra no discurso vazio da não globalização.

Distante do populismo crescente, longe do imaginário de que há uma conspiração de esquerda contra o Mundo, Biden é um equilibrado e discreto governante. O que não o impede de ser astuto político, conciliador que não deixa de exercer o poder com a ambição de realizar. Prova disso: com muito pouco tempo na Casa Branca - sem alaridos - já aprovou três pacotes envolvendo quatro trilhões de dólares.

Joe Biden completou os primeiros 100 dias de governo mudando o rumo de quase todas as políticas do seu antecessor, Donald Trump. Covid-19, meio ambiente, segurança, imigração, saúde, direitos humanos, relações internacionais. Biden iniciou seu mandato com 44% de aprovação do público norte-americano, segundo pesquisa da NBC News. A taxa cresceu para 50% agora em abril passado, considerando sua gestão como boa e ótima.

O presidente norte-americano já sinalizou que vai crescer tributos sobre as grandes corporações, para distribuir melhor a renda diminuindo desigualdades sociais. Sonhando grande para alcançar o mais perto possível, promete investir em modernas tecnologias. Menos bélico, mais empreendedor. Consegue de maneira muito especial agir em duas pontas distintas, ficando no centro e evitando polêmicas.

O que mudou nos EUA está em quem é o seu principal competidor. Sai Rússia, entra China. Ao invés de guerra armamentista, agora a disputa é comercial. E isso, claro, sem abrir mão da imagem de defensor internacional da democracia. Novo tempo, nova visão desenvolvimentista respeitando direitos humanos e sustentabilidade.

Biden, além da crise econômica enfrenta também a sanitária. Promovendo virada histórica, acaba de anunciar apoio à suspensão das patentes de vacinas contra a Covid-19 para acelerar a produção de imunizantes em países em desenvolvimento. E, ainda por cima, reage à fragilidade democrática herdada do desastroso Governo Trump. Enfim, transformações em curso geram expectativa em todo o planeta. Inclusive aqui no Brasil, histórico parceiro norte-americano nos princípios liberais e nos negócios. Só que, ultimamente, o Governo Bolsonaro - que segue fiel ao estilo Trump - anda interessado em obter recursos dos EUA para, supostamente, proteger a Amazônia. Biden abrirá o cofre?

* o autor é jornalista, professor e escritor. Doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, membro honorário da Academia Paulista de Educação (APE) e autor, entre outros, dos livros "Justiça Seja Feita", "A Vila que Descobriu o Brasil" e "Educação S/A".

 

 

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segunda-feira, 9 de novembro de 2020

O que o agronegócio deve esperar de Joe Biden?

Marcos Sawaya Jank *

Impacto do governo Biden no comércio agrícola, China, Amazônia e políticas climáticas.

Joe Biden venceu as eleições dos EUA e esse é o tema do 1º artigo da nova coluna AGRO GLOBAL do site de VEJA. Vamos analisar o impacto do novo governo sobre agronegócio, comércio, clima e Amazônia, mostrando porque Biden é a melhor escolha para o agro brasileiro.

A primeira grande mudança da gestão Biden nas relações internacionais será o resgate da liderança que os Estados Unidos sempre exerceram na coordenação multilateral do mundo, que se inicia já na independência dos EUA com a ação diplomática de Benjamin Franklin e os demais Founding Fathers contra o colonialismo europeu.

Para entender o papel histórico dos EUA no mundo, vale ler um livro magnífico que acaba de ser lançado: America in the World: A History of U.S. Diplomacy and Foreign Policy, de Robert Zoellick, que foi representante de comércio dos EUA (USTR) de 2001 a 2005 e depois Presidente do Banco Mundial. O livro analisa o papel que Franklin, Hamilton, Jefferson, Adams, Lincoln, os Roosevelts, Woodrow Wilson, Cordell Hull, Kennedy, Reagan, Bush e outros “líderes pragmáticos” tiveram na construção da diplomacia e da política externa dos EUA. A obra merece ser lida nesse momento crucial e conflitivo da democracia americana.

No final da 2ª guerra, o mundo pedia maior coordenação multilateral em temas como garantia da paz, comércio, finanças, desenvolvimento e outros. Os Estados Unidos assumiram posição central na criação de diversas organizações internacionais para promover paz, direitos humanos e solução de conflitos (ONU), finanças e desenvolvimento (FMI e Banco Mundial), comércio (o acordo do GATT, que depois virou a OMC - Organização Mundial de Comércio), saúde pública (OMS - Organização Mundial de Saúde) e muitas outras.

O momento turbulento e polarizado que vivemos hoje exige o aprimoramento da capacidade de coordenação dos países em novos temas como meio ambiente, mudança do clima, segurança biológica (contenção de pandemias), saúde pública, segurança cibernética, migração, anticorrupção, transparência e outros.

Com o America First, Trump deu as costas para o mundo e abandonou o papel histórico de concertação dos EUA. Em comércio, para agradar o seu público interno Trump propôs medidas enérgicas para “zerar” os principais déficits comerciais que os EUA mantinham no mundo, iniciando negociações país a país como se o comércio fosse um jogo de soma zero, que não é.

Pouco a pouco, Trump retirou os EUA da Parceria Transpacífico (TPP), um extraordinário acordo comercial ligando 12 países americanos e asiáticos do Pacífico. A seguir, repaginou o NAFTA à sua maneira, enfraqueceu a OMC ao se recusar a nomear juízes para o órgão de solução de controvérsias e retirou os EUA da Convenção do Clima. Trump se voltou para dentro do país, confrontando não apenas os novos inimigos do Oriente, como a China, mas também os seus vizinhos e aliados mais tradicionais do Ocidente. Na minha opinião, não deu certo.

Não há dúvida que Joe Biden vai seguir priorizando os interesses domésticos americanos acima de tudo, começando pela recuperação econômica do país. Mas, ao contrário de Trump, ele construirá a sua política externa a partir das medidas internas que serão adotadas, reduzindo o tensionamento e aumentando a concertação internacional.

É neste contexto que enxergo a possibilidade de novas formas de diálogo entre os EUA e a China. Com certeza a rivalidade EUA-China veio para ficar e não vai terminar com a eleição de Biden, até porque a China continuará crescendo rápido e ameaçando a hegemonia americana. Ao final de 2021, a economia chinesa estará 10% maior do que logo antes da pandemia. Os EUA estarão menores.

No agronegócio, não há dúvida que o Brasil se beneficiou da guerra comercial EUA-China, que começou logo após as eleições de Trump em 2017, e pode ser prejudicado por um acordo tácito entre as duas maiores potências do planeta. Mas comemorar guerras e disputas hegemônicas nunca foi uma boa ideia para quem só atua em campos laterais. Prefiro acreditar que a construção de regras multilaterais que valem para todos continua sendo a melhor opção do planeta. Podemos perfeitamente incrementar nossas parcerias estratégicas com os EUA e com a China, rejeitando a política de “comércio administrado” proposta por Trump que, espero, não será seguida por Biden.

Dentre as políticas de Biden, a que mais deve impactar o Brasil é uma nova postura dos EUA em relação ao tema da mudança do clima, radicalmente diferente da linha seguida por Trump. Meio ambiente, mudança do clima, promoção de fontes renováveis de energia e taxação de carbono estarão no centro da agenda de Biden. Os EUA vão retornar ao Acordo de Paris, colocando o tema da mudança do clima no centro da sua política externa, comercial e de segurança nacional, o que certamente incluirá uma forte pressão para reduzir o desmatamento no Brasil.

Muitos dirão que essa é uma agenda negativa para o Brasil. Eu prefiro acreditar que, na toada das pressões comerciais que o agro já vem sofrendo na região Norte, a eleição de Biden apenas reforça a necessidade de completarmos a “lição de casa” que estamos devendo para o mundo há décadas.

Estima-se que 95% do desmatamento brasileiro seja ilegal e, portanto, associado ao descumprimento da legislação brasileira. É nossa obrigação resolver esse problema, que começa com a necessidade de regularização fundiária das regiões norte e nordeste do país, que já dura décadas. Segue-se o problema da regularização ambiental, que ainda não foi efetivada, a despeito de o Código Florestal já ter completado o seu 8º ano de vida.

A verdade é que a agricultura brasileira é ao mesmo tempo vilã, vítima e solução no tema da mudança do clima. “Vilã” por estar associada ao desmatamento ilegal, que já atinge mais de 10 mil km2 por ano no Brasil. “Vítima” porque a agricultura vem sofrendo com eventos extremos e grandes instabilidades climáticas, como vimos esse ano no país. “Solução” porque acumulamos grandes ganhos de produtividade e dispomos de uma matriz energética limpa e diversificada - composta por diversos tipos de biocombustíveis e energias renováveis - fazemos 2 a 3 safras por ano e muitas outras conquistas qualificam a nossa agricultura como de “baixo carbono”.

A pecuária de corte será o setor mais pressionado pela eleição de Biden, pelo fato de que a cria de bezerros é a primeira ocupação agropecuária em áreas recém desmatadas do bioma Amazônico. Mas os biocombustíveis brasileiros como o etanol de cana-de-açúcar e o biodiesel de oleaginosas, podem ganhar bastante espaço na agenda internacional com a adesão dos EUA ao Acordo de Paris e a renovada pressão pela substituição de energias fósseis por energias renováveis, tema amplamente vocalizado por Biden durante a campanha. Vale lembrar que 73% das emissões de gases de efeito estufa responsáveis pela mudança do clima vem do setor de energia e transportes, e menos de 7% de desmatamentos e mudanças no uso da terra.

Em suma, creio que a eleição de Biden levará o governo brasileiro a abrir novos canais de interlocução com o governo americano. Deveria, também, buscar uma equidistância mais prudente da sua política comercial com os EUA e com a China, fortalecendo as nossas duas maiores parcerias estratégias. Apesar de os EUA serem os nossos principais concorrentes no agronegócio global, há muito espaço para ampliar a cooperação com aquele país em temas como segurança alimentar global, inovação, bioenergia e no reforço da coordenação multilateral.

Creio que a principal lição que deveríamos aprender com o retorno dos Democratas ao poder nos EUA é parar de insistir em ver o mundo como “cruzadas maniqueístas”, de uma luta permanente do bem contra o mal entre supostos poderes opostos e incompatíveis. Em vez de louvar amigos e atacar inimigos imaginários, melhor faríamos em identificar claramente os nossos interesses externos e desafios imediatos. Se fizermos isso, veremos que o nosso maior desafio é simplesmente fazer direito a “lição de casa”. Isso vale para as reformas internas prometidas, e ainda não realizadas. Vale também para os problemas ambientais e fundiários do bioma Amazônia, que agora terão de ser resolvidos, para o bem ou para o mal.

* o autor é professor de agronegócio global do Insper.

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quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Trump perdeu 2020 e agora vai...

Richard Jakubaszko  

O mais arrogante e temerário de todos os ex-presidentes americanos não conseguiu a reeleição, fato raro na história dos EUA. Agora, além de judicializar a disputa eleitoral, imaginem o que ele vai fazer:



 

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quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Steve Bannon, ex-assessor de Trump, é preso por fraude nos EUA


Richard Jakubaszko

Guru da extrema direita nos EUA e no mundo, Bannon foi também assessor de Bolsonaro na campanha presidencial de 2018

Bannon e outros 3 assessores seus foram presos hoje (quinta, 20/agosto) em Nova York, acusados de desviar fundos de US$ 25 milhões de dólares arrecadados para a construção do famoso e polêmico muro que isolaria o México dos EUA, que iria impedir a entrada de “cucarachas” em território americano.

Os desdobramentos da prisão de Steve Bannon atingem Trump na reta final das eleições americanas, a se realizarem em novembro próximo. Ao mesmo tempo essa prisão impacta Bolsonaro, pois Bannon foi o principal influenciador de sua campanha, com a construção das famosas fake news, até hoje apontadas pela oposição brasileira como a principal responsável pela derrota para Bolsonaro. Bannon exercia inegável influência como estrategista do governo Bolsonaro, através do filho Eduardo e do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Ainda vai rolar muita discussão sobre o que de fato Steve Bannon andou aprontando, tanto nos EUA como no mundo. Exemplo típico de sua atuação foi a saída da Inglaterra do mercado comum Europeu, como estrategista do brexit.

A extrema-direita perde agora o seu maior intelectual e seu mais expressivo influenciador.



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sexta-feira, 24 de abril de 2020

O que os EUA realmente sabiam sobre o vírus 'chinês'?

Pepe Escobar,
para o Shaker Blog ( cruzada com a Strategic Culture Foundation )


A Hybrid War 2.0 na China, uma operação bipartidária dos EUA, já está atingindo o pico da febre. Seu braço infowar de espectro completo 24 horas por dia, 7 dias por semana, culpa a China por tudo o que está relacionado ao coronavírus - dobrando como uma tática diversionista contra qualquer crítica informada da triste despreparação americana.

A histeria previsivelmente reina. E este é apenas o começo.


Um dilúvio de processos é iminente - como o do Distrito Sul da Flórida, inscrito pelo Berman Law Group (vinculado aos democratas) e Lucas-Compton (vinculado aos republicanos). Em poucas palavras: a China precisa desembolsar toneladas de dinheiro. No valor de pelo menos US$ 1,2 trilhão, o que passa a ser - por ironia surrealista - a quantidade de letras do Tesouro dos EUA mantidas por Pequim, até US$ 20 trilhões, reivindicadas por uma ação no Texas.


O caso da promotoria, como Scott Ritter nos lembrou de forma memorável, é direto de Monty Python. Funciona exatamente assim:

“Se ela pesa o mesmo que um pato...”
...ela é de madeira!
"E, portanto..."
"Uma bruxa!!!!!"


Nos termos da Guerra Híbrida 2.0, a narrativa atual no estilo da CIA se traduz como China má, que nunca nos revelou, ao Ocidente civilizado, que havia um novo vírus terrível por aí. Se o fizessem, teríamos tempo de nos preparar.


E, no entanto, eles mentiram e trapacearam - a propósito, características registradas da CIA, de acordo com o próprio Pompeo, Mike “Nós mentimos, enganamos, roubamos”. E eles esconderam tudo. E eles censuraram a verdade. Então eles queriam infectar todos nós. Agora eles têm que pagar por todo o dano econômico e financeiro que estamos sofrendo e por todos os nossos mortos. A culpa é da China.


Todo esse barulho e fúria nos obriga a voltar ao final de 2019 para verificar o que a inteligência americana realmente sabia sobre o que mais tarde seria identificado como Sars-Cov-2.


"Esse produto não existe"

O padrão ouro continua sendo o relatório da ABC News , segundo o qual as informações coletadas em novembro de 2019 pelo Centro Nacional de Inteligência Médica (NCMI), uma subsidiária da Agência de Inteligência de Defesa do Pentágono (DIA), já estavam alertando sobre um novo contágio virulento, em Wuhan, com base em "análise detalhada de comunicações interceptadas e imagens de satélite".

Uma fonte não identificada disse à ABC: "Os analistas concluíram que poderia ser um evento cataclísmico", acrescentando que a informação foi "instruída várias vezes" ao DIA, aos Chefes de Estado-Maior Conjunto do Pentágono e até à Casa Branca.

Não é de admirar que o Pentágono tenha sido forçado a emitir a proverbial negação - em pentagonês, por meio de um coronel R. Shane Day, diretor da NCMI do DIA: “No interesse da transparência durante a atual crise de saúde pública, podemos confirmar que as reportagens da mídia sobre a existência / liberação de um produto / avaliação relacionado ao Coronavírus do National Center for Medical Intelligence, em novembro de 2019, não está correto. Esse produto NCMI não existe.”


Bem, se esse "produto" existisse, o chefe do Pentágono e o ex-lobista da Raytheon, Mark Esper, estariam muito envolvidos. Ele foi devidamente interrogado por George Stephanopoulos, da ABC.


Pergunta: “O Pentágono recebeu uma avaliação de inteligência sobre COVID na China em novembro passado do Centro Nacional de Inteligência Médica do DIA?”

Esper: “Ah, não me lembro, George” (…) “Mas temos muitas pessoas que observam isso de perto.”


Pergunta: “Essa avaliação foi feita em novembro e foi enviada ao NSC no início de dezembro para avaliar o impacto na prontidão militar, o que, é claro, tornaria importante para você e a possível disseminação nos Estados Unidos. Então, você saberia se houvesse um resumo para o Conselho de Segurança Nacional em dezembro, não é?”

Esper: "Sim (...), Eu não estou ciente disso."


Então "não existe esse produto"? Isso é falso? É uma mistura do Deep State / CIA para prender Trump? Ou os suspeitos de sempre estão mentindo, conforme o estilo da CIA?


Vamos revisar alguns antecedentes essenciais. Em 12 de novembro, um casal da Mongólia Interior foi internado em um hospital de Pequim, buscando tratamento para a peste pneumônica.

O CDC chinês, no Weibo - o Twitter chinês - disse à opinião pública que as chances de ser uma nova praga eram "extremamente baixas". O casal estava em quarentena.


Quatro dias depois, um terceiro caso de peste pneumônica foi identificado: um homem também da Mongólia Interior, não relacionado ao casal. Vinte e oito pessoas que estavam em contato próximo com o homem foram colocadas em quarentena. Nenhum apresentou sintomas da peste. A peste pneumônica apresenta sintomas de insuficiência respiratória semelhantes à pneumonia.


Embora o CDC tenha repetido: "não há necessidade de se preocupar com o risco de infecção", é claro que havia muito ceticismo. O CDC pode ter confirmado publicamente em 12 de novembro esses casos de peste pneumônica. Mas então Li Jifeng, médico do Hospital Chaoyang, onde o trio da Mongólia Interior estava recebendo tratamento, publicou em particular no WeChat que eles foram transportados pela primeira vez a Pequim no dia 3 de novembro.


O ponto-chave do post de Li Jinfeng - mais tarde removido pelos censores - foi quando ela escreveu: “Estou muito familiarizada com o diagnóstico e tratamento da maioria das doenças respiratórias (…). Mas, desta vez, continuei procurando, mas não consegui descobrir qual patógeno causou a pneumonia. Eu só pensei que era uma condição rara e não recebi muita informação além da história dos pacientes.”


Mesmo se esse fosse o caso, o ponto principal é que os três casos da Mongólia Interior parecem ter sido causados por uma bactéria detectável. O Covid-19 é causado pelo vírus Sars-Cov-2, não por uma bactéria. O primeiro caso Sars-Covid-2 só foi detectado em Wuhan em meados do final de dezembro. E foi apenas no mês passado que os cientistas chineses conseguiram rastrear positivamente o primeiro caso real de Sars-Cov-2 até 17 de novembro - alguns dias após o trio da Mongólia Interior.


Saber exatamente onde procurar
Está fora de questão que a inteligência dos EUA, neste caso a NCMI, não tenha conhecimento desses desenvolvimentos na China, considerando a espionagem da CIA e o fato de essas discussões estarem abertas ao Weibo e WeChat. Portanto, se o “produto” da NCMI não é falso e realmente existe, ele só encontrou evidências, ainda em novembro, de alguns casos vagos de peste pneumônica.


Assim, o aviso - ao DIA, ao Pentágono, ao Conselho de Segurança Nacional e até à Casa Branca - era sobre isso. Não poderia ter sido sobre coronavírus.

A questão incontornável é inevitável: como o NCMI poderia saber tudo sobre uma pandemia viral, ainda em novembro, quando médicos chineses identificaram positivamente os primeiros casos de um novo tipo de pneumonia somente em 26 de dezembro?


Acrescente a isso a intrigante pergunta de por que o NCMI estava tão interessado nessa temporada de gripe na China em primeiro lugar - desde casos de peste tratados em Pequim até os primeiros sinais de um "misterioso surto de pneumonia" em Wuhan.


Pode ter havido indícios sutis de atividade levemente aumentada nas clínicas de Wuhan no final de novembro e início de dezembro. Mas na época ninguém - médicos chineses, o governo, para não mencionar as informações americanas - poderia saber o que realmente estava acontecendo.


A China não pôde "encobrir" o que foi identificado como uma nova doença em 30 de dezembro, devidamente comunicado à OMS. Então, em 3 de janeiro, o chefe do CDC americano, Robert Redfield, chamou o principal funcionário chinês do CDC. Médicos chineses sequenciaram o vírus. E somente em 8 de janeiro foi determinado que era o Sars-Cov-2 - que provoca o Covid-19.


Essa cadeia de eventos reabre, mais uma vez, uma poderosa caixa de Pandora. Temos o evento 201 bastante oportuno; o relacionamento acolhedor entre a Fundação Bill e Melinda Gates e a OMS, bem como o Fórum Econômico do Word e a galáxia Johns Hopkins em Baltimore, incluindo a Escola de Saúde Pública Bloomberg; a combinação digital de identificação / vacina ID2020 ; Dark Winter - que simulou um bio-ataque de varíola nos EUA, antes que o ataque de antraz de 2001 fosse atribuído ao Iraque; Senadores dos EUA despejando estoques após um briefing do CDC; mais de 1.300 CEOs abandonando seus polos confortáveis em 2019, “prevendo” o colapso total do mercado; o Fed está despejando dinheiro de helicóptero já em setembro de 2019 - como parte do QE4.

E então, validando o relatório da ABC News, Israel intervém. A inteligência israelense confirma que a inteligência dos EUA os alertou em novembro sobre uma pandemia potencialmente catastrófica em Wuhan (mais uma vez: como eles poderiam saber isso na segunda semana de novembro, então no início do jogo?). E os aliados da OTAN também foram avisados - em novembro -.


A linha de fundo é explosiva: o governo Trump e o CDC tinham um aviso prévio de não menos de quatro meses - de novembro a março - para estar adequadamente preparado para que o Covid-19 atingisse os EUA. E eles não fizeram nada. Toda a "China é uma bruxa!", o caso é desmascarado.


Além disso, a divulgação israelense apoia o que é nada menos que extraordinário: a inteligência dos EUA já sabia sobre o Sars-Cov-2 aproximadamente um mês antes dos primeiros casos confirmados detectados pelos médicos em um hospital de Wuhan. Fala-se sobre intervenção divina.


Isso só poderia ter acontecido se a inteligência americana soubesse, com certeza, sobre uma cadeia de eventos anteriores que necessariamente levariam ao "surto misterioso" em Wuhan. E não é só isso: eles sabiam exatamente onde procurar. Não na Mongólia Interior, nem em Pequim, nem na província de Guangdong.


Nunca basta repetir a pergunta na íntegra: como a inteligência americana poderia saber sobre um contágio um mês antes dos médicos chineses detectarem um vírus desconhecido?


Mike “Nós mentimos, enganamos, roubamos” Pompeo, pode ter desistido do jogo quando disse, no registro, que o Covid-19 era um “exercício ao vivo”. Além dos relatórios da ABC News e de Israel, a única conclusão lógica possível é que o Pentágono e a CIA sabiam com antecedência que uma pandemia seria inevitável.


Essa é a arma de fumaça. E agora todo o peso do governo dos Estados Unidos está cobrindo todas as bases, culpando a China de forma proativa e retroativa.



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