Fernando Brito *
Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, soltou uma dura nota em resposta à veiculação de um vídeo na conta de Twitter de Jair Bolsonaro – ao que tudo indica pelo filho Carlos – onde, numa montagem tosca, o presidente é comparado a um leão atacado por hienas, uma delas o STF.
Leia, com o que grifei, e comento a seguir:
A ser verdadeira a postagem feita pelo Senhor Presidente da República em sua conta pessoal no “Twitter”, torna-se evidente que o atrevimento presidencial parece não encontrar limites na compostura que um Chefe de Estado deve demonstrar no exercício de suas altas funções, pois o vídeo que equipara, ofensivamente, o Supremo Tribunal Federal a uma “hiena” culmina, de modo absurdo e grosseiro, por falsamente identificar a Suprema Corte como um de seus opositores.
Esse comportamento revelado no vídeo em questão, além de caracterizar absoluta falta de “gravitas” e de apropriada estatura presidencial, também constitui a expressão odiosa (e profundamente lamentável) de quem desconhece o dogma da separação de poderes e, o que é mais grave, de quem teme um Poder Judiciário independente e consciente de que ninguém, nem mesmo o Presidente da República, está acima da autoridade da Constituição e das leis da República.
É imperioso que o Senhor Presidente da República — que não é um “monarca presidencial”, como se o nosso país absurdamente fosse uma selva na qual o Leão imperasse com poderes absolutos e ilimitados — saiba que, em uma sociedade civilizada e de perfil democrático, jamais haverá cidadãos livres sem um Poder Judiciário independente, como o é a Magistratura do Brasil.
O ministro Celso tem absoluta razão, mas é impossível deixar de ver que, neste processo, também há uma imensa responsabilidade de uma Corte Suprema que acovardou-se diante de todo o processo de judicialização da política que levou a anomalia a chegar ao poder.
E que, ironicamente, a corte suprema brasileira talvez tenha sido o leão que se deixou acovardar pelo alarido das hienas, inclusive as que envergonham a farda do Exército Brasileiro e que docilmente permitiram a deformidade que são as estruturas de poder no país.
Vai custar muito aos senhores reafirmar sua autoridade, não apenas diante do clã presidencial, mas diante da Nação.
Ainda que tarde, que comecem a fazer isso.
* o autor é jornalista, editor do blog Tijolaço,
Publicado em http://www.tijolaco.net/blog/celso-de-mello-diz-que-bolsonaro-nao-tem-estatura-para-ser-presidente/
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terça-feira, 29 de outubro de 2019
sexta-feira, 27 de setembro de 2019
‘Minions’ em modo “chacina” sobre o STF. E Janot, de pistola, pronto a matar Gilmar
Fernando Brito *
Com robôs e humanos quase mecânicos, os minions entraram em desespero nas redes sociais.
Transformaram o Twitter numa fogueira inquisitorial com a hashtag #StfVergonhaNacional
É provável que haja novas convocações para manifestações, cada vez mais ralas, do fundamentalismo morista.
A insanidade chegou ao ponto de que Rodrigo Janot, no meio dos entreveros com Gilmar Mendes, revelou hoje que “chegou a ir armado para uma sessão do Supremo Tribunal Federal com a intenção de matar a tiros o ministro Gilmar Mendes.”
-Não ia ser ameaça não. Ia ser assassinato mesmo. Ia matar ele (Gilmar) e depois me suicidar, afirmou Janot.
Ele, recorde-se, era o procurador geral da República, o fiscal da lei, a ‘esperança do Brasil’ e o chefe da Lava jato…
Não existe paralelo a isso no mundo civilizado.
E não há melhor retrato da insânia de que esta gente foi tomada.
Hoje, a seita lavajatista perdeu o ímpeto.
A derrota sofrida hoje é infinitamente menor do que a que pode acontecer, adiante, quando se julgar a suspeição de Sérgio Moro.
Nenhum cuidado é pouco.
Trata-se de uma gente está mentalmente tomada pela ambição autoritária.
* o autor é jornalista, editor do blog Tijolaço.
Publicado em http://www.tijolaco.net/blog/minions-em-modo-chacina-sobre-o-stf-e-janot-de-pistola-pronto-a-matar-gilmar/
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Com robôs e humanos quase mecânicos, os minions entraram em desespero nas redes sociais.
Transformaram o Twitter numa fogueira inquisitorial com a hashtag #StfVergonhaNacional
É provável que haja novas convocações para manifestações, cada vez mais ralas, do fundamentalismo morista.
A insanidade chegou ao ponto de que Rodrigo Janot, no meio dos entreveros com Gilmar Mendes, revelou hoje que “chegou a ir armado para uma sessão do Supremo Tribunal Federal com a intenção de matar a tiros o ministro Gilmar Mendes.”
-Não ia ser ameaça não. Ia ser assassinato mesmo. Ia matar ele (Gilmar) e depois me suicidar, afirmou Janot.
Ele, recorde-se, era o procurador geral da República, o fiscal da lei, a ‘esperança do Brasil’ e o chefe da Lava jato…
Não existe paralelo a isso no mundo civilizado.
E não há melhor retrato da insânia de que esta gente foi tomada.
Hoje, a seita lavajatista perdeu o ímpeto.
A derrota sofrida hoje é infinitamente menor do que a que pode acontecer, adiante, quando se julgar a suspeição de Sérgio Moro.
Nenhum cuidado é pouco.
Trata-se de uma gente está mentalmente tomada pela ambição autoritária.
* o autor é jornalista, editor do blog Tijolaço.
Publicado em http://www.tijolaco.net/blog/minions-em-modo-chacina-sobre-o-stf-e-janot-de-pistola-pronto-a-matar-gilmar/
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quarta-feira, 21 de março de 2018
STF: há ministros que envergonham o Brasil e o STF
Richard Jakubaszko
Mais uma patacoada no STF. Gilmar Mendes dava seu voto em plenário sobre uma ADI, tergiversou sobre outros assuntos, desvirtuou da conversa, indiretamente atacou Luís Roberto Barroso, sem citá-lo, e teve o troco, na lata, e este afirmou que o ministro Gilmar envergonha seus pares no STF, só destila ódio em sua bílis.
Ato contínuo, a ministra Cármen Lúcia encerrou a sessão do plenário.
Vergonhoso.
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Mais uma patacoada no STF. Gilmar Mendes dava seu voto em plenário sobre uma ADI, tergiversou sobre outros assuntos, desvirtuou da conversa, indiretamente atacou Luís Roberto Barroso, sem citá-lo, e teve o troco, na lata, e este afirmou que o ministro Gilmar envergonha seus pares no STF, só destila ódio em sua bílis.
Ato contínuo, a ministra Cármen Lúcia encerrou a sessão do plenário.
Vergonhoso.
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segunda-feira, 11 de setembro de 2017
Projeto de lei quer proibir que ejaculadores usem transporte público em São Paulo
Richard Jakubaszko
A notícia abaixo, divulgada pela assessoria de imprensa da Câmara dos Vereadores da cidade de São Paulo, é mais uma prova da imbecilidade de nossos legisladores. A partir de agora corremos o risco de sermos obrigados a apresentar "atestado de boa conduta" aos cobradores no transporte público paulistano, provando que não somos abusadores ou ejaculadores.
Não seria mais fácil prender e processar esses malucos? Tirá-los do convívio com a sociedade, não é esse o caminho? Ou então que se interne os vereadores e os abusadores no mesmo hospício. Nenhum dos dois vai fazer falta à sociedade.
Projeto de lei quer proibir que abusadores usem transporte público em São Paulo
Está em tramitação na Câmara Municipal, o Projeto de Lei nº 606/2017, que prevê o cancelamento, proibição da venda e emissão do Bilhete Único para cidadãos flagrados cometendo crimes de caráter sexual dentro dos ônibus.
As pessoas que forem flagradas cometendo crimes de caráter sexual dentro dos ônibus da capital paulista terão o acesso restringido no transporte público de São Paulo. Pelo menos é o que prevê o Projeto de Lei nº 606/2017, que tramita na Câmara Municipal e propõe o cancelamento imediato, proibição da venda e emissão do Bilhete Único para cidadãos que forem detidos por condutas previstas em cinco artigos do Código Penal Brasileiro e um da Lei de Contravenções Penais relacionados a crimes sexuais.
De autoria do vereador Rinaldi Digilio (PRB/SP), que é pastor evangélico, o projeto tem como objetivo proteger as mulheres e servir como legislação de apoio das ações criminais desse tipo de caso, que são de responsabilidade federal. O texto prevê ainda que, assim que registrado o fato, caberá ao motorista, cobrador ou representante legal da empresa concessionária comunicar a São Paulo Transporte (SPTrans) para que o cartão do abusador seja cancelado e que a emissão de novos seja bloqueada. As empresas poderão ter contrato de concessão cancelado, no caso de não comunicarem ao órgão competente sobre o ocorrido. A vítima também poderá notificar a SPTrans, caso tenha vontade.
Pois é, imbecilidade parece ser doença contagiosa, pois agora até a Marta Suplicy faz projeto de lei do 'molestamento sexual'. É que ela é sexóloga, e esse negócio não sai da cabeça dela. Só pensa naquilo... A proposta da senadora traz punição específica para casos como o do homem que ejaculou em passageira, e com isso eleva a categoria da imbecilidade do municipal para o nível federal, e de imbecilidade em imbecilidade se vai deteriorando a cidadania, a civilidade e a capacidade de os urbanos conviverem em harmonia. Evidentemente que há coisas piores no convívio humano, como a violência urbana, assaltos, corrupção generalizada, mas isso já virou feijão com arroz, agora a sociedade vai declarar guerra total aos ejaculadores. Estejamos preparados, vão nos exigir nos ônibus atestados de boa conduta, pois a burocracia é a ferramenta de trabalho dos imbecis...
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| Millôr |
Não seria mais fácil prender e processar esses malucos? Tirá-los do convívio com a sociedade, não é esse o caminho? Ou então que se interne os vereadores e os abusadores no mesmo hospício. Nenhum dos dois vai fazer falta à sociedade.
Projeto de lei quer proibir que abusadores usem transporte público em São Paulo
Está em tramitação na Câmara Municipal, o Projeto de Lei nº 606/2017, que prevê o cancelamento, proibição da venda e emissão do Bilhete Único para cidadãos flagrados cometendo crimes de caráter sexual dentro dos ônibus.
As pessoas que forem flagradas cometendo crimes de caráter sexual dentro dos ônibus da capital paulista terão o acesso restringido no transporte público de São Paulo. Pelo menos é o que prevê o Projeto de Lei nº 606/2017, que tramita na Câmara Municipal e propõe o cancelamento imediato, proibição da venda e emissão do Bilhete Único para cidadãos que forem detidos por condutas previstas em cinco artigos do Código Penal Brasileiro e um da Lei de Contravenções Penais relacionados a crimes sexuais.
De autoria do vereador Rinaldi Digilio (PRB/SP), que é pastor evangélico, o projeto tem como objetivo proteger as mulheres e servir como legislação de apoio das ações criminais desse tipo de caso, que são de responsabilidade federal. O texto prevê ainda que, assim que registrado o fato, caberá ao motorista, cobrador ou representante legal da empresa concessionária comunicar a São Paulo Transporte (SPTrans) para que o cartão do abusador seja cancelado e que a emissão de novos seja bloqueada. As empresas poderão ter contrato de concessão cancelado, no caso de não comunicarem ao órgão competente sobre o ocorrido. A vítima também poderá notificar a SPTrans, caso tenha vontade.
Pois é, imbecilidade parece ser doença contagiosa, pois agora até a Marta Suplicy faz projeto de lei do 'molestamento sexual'. É que ela é sexóloga, e esse negócio não sai da cabeça dela. Só pensa naquilo... A proposta da senadora traz punição específica para casos como o do homem que ejaculou em passageira, e com isso eleva a categoria da imbecilidade do municipal para o nível federal, e de imbecilidade em imbecilidade se vai deteriorando a cidadania, a civilidade e a capacidade de os urbanos conviverem em harmonia. Evidentemente que há coisas piores no convívio humano, como a violência urbana, assaltos, corrupção generalizada, mas isso já virou feijão com arroz, agora a sociedade vai declarar guerra total aos ejaculadores. Estejamos preparados, vão nos exigir nos ônibus atestados de boa conduta, pois a burocracia é a ferramenta de trabalho dos imbecis...
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quinta-feira, 24 de agosto de 2017
Brasileiro é malabarista?
Richard Jakubaszko
Sim, somos malabaristas, e dos bons. Na avenida Paulista, centro financeiro de São Paulo, um cadeirante mostra como é fazer malabarismo para faturar uns trocados, em foto de Nacho Doce / Reuters, publicada no Estadão.
Enquanto isso, o Brasil está sendo fatiado, entregue para o mercado financeiro, o brasileiro e o internacional, e tem aplausos da grande mídia por essa "gestão" de desconstruir o país.
O judiciário anda confabulando, em briga entre eles, em disputas com várias instâncias na procuradoria da república, polícia federal, e nas altas esferas do STF. É a luta pelo poder. No legislativo prepara-se o Brasil de amanhã, um país inteiramente neocapitalista. E nos palácios jaburianos do planalto privatizam o que for possível, a ordem é vender tudo. Como disse um alto ex-funcionário público federal, que foi ministro, "se você tem certezas sobre o que está acontecendo, é porque está mal informado".
Ao ler alguns jornais dos gringos a gente fica sabendo melhor o que se passa no Brasil. Em nosso país a mídia faz jornalismo engajado, tem interesses próprios.
O povo tem mais é que fazer malabarismo, nas ruas, avenidas, em casa e no trabalho. Somos um povo omisso. Sempre encurralado.
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Sim, somos malabaristas, e dos bons. Na avenida Paulista, centro financeiro de São Paulo, um cadeirante mostra como é fazer malabarismo para faturar uns trocados, em foto de Nacho Doce / Reuters, publicada no Estadão.
Enquanto isso, o Brasil está sendo fatiado, entregue para o mercado financeiro, o brasileiro e o internacional, e tem aplausos da grande mídia por essa "gestão" de desconstruir o país.
O judiciário anda confabulando, em briga entre eles, em disputas com várias instâncias na procuradoria da república, polícia federal, e nas altas esferas do STF. É a luta pelo poder. No legislativo prepara-se o Brasil de amanhã, um país inteiramente neocapitalista. E nos palácios jaburianos do planalto privatizam o que for possível, a ordem é vender tudo. Como disse um alto ex-funcionário público federal, que foi ministro, "se você tem certezas sobre o que está acontecendo, é porque está mal informado".
Ao ler alguns jornais dos gringos a gente fica sabendo melhor o que se passa no Brasil. Em nosso país a mídia faz jornalismo engajado, tem interesses próprios.
O povo tem mais é que fazer malabarismo, nas ruas, avenidas, em casa e no trabalho. Somos um povo omisso. Sempre encurralado.
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sexta-feira, 28 de abril de 2017
GREVE GERAL
Richard Jakubaszko
Tudo parado. Em São Paulo parece que só as TVs trabalham... Ontem (quinta), negaram as notícias sobre a greve nesta sexta, especialmente Globo e Record. Nem parecia que hoje teríamos greve geral... Devem ter esquecido, né?
Os grevistas protestam contra o desmonte da CLT e contra a "reforma" da previdência. Mas hoje, dia da greve, a mídia acha que eles não deveriam fazer isso com o país... O prefeito-gari (ou seria gari-prefeito?) chegou a afirmar o disparate de que "greve pode, mas não em dia útil". Diz que são vândalos, pequenos grupos que querem desestabilizar o país, e foi parar na mídia televisiva... Na verdade, acho que o povo devia era parar de assistir TV, essa caixinha imbeciliza!
Na mídia online lemos que o STF aprovou ontem ganhos acima do teto para "funcionários públicos" que exercem atividade pública em duplicidade (e pode isso?, ter dois empregos públicos???). Com isso, gente de fina estampa como o ministro (sic) Gilmar Mendes pode ter dois empregos, no STF e no TSE. O ministro (sic) Fux também, e assim eles ganham mais do que R$ 33 mil por mês, acima do teto, e agora são aplaudidos - e formalmente legalizados - pelo plenário do STF (foi 10 x 1 = goleada de seleção jurídica, só o ministro Fachin votou contra), que autorizou uma inconstitucionalidade... Será que não estão legislando em causa própria? Tenho essa impressão... Se Temer pediu revisão da Previdência, que tinha rombo de R$ 170 bilhões (uma enorme mentira...), por que os ministros podem aumentar as despesas em R$ 59 bilhões com os seus supersalários?)
Definitivamente, tem algo errado com o país... E não querem greve de protesto?
Legal isso, então tomem a vitamina do Doria, o kit DoriaVit de A a Z vai ser distribuído gratuitamente em todo o Brasil, em breve...
Dá vergonha de assistir o Brasil pela TV, ou o que se lê nos jornais...Sabem por quê? É que Temer jogou (em 10 meses) uma verbinha de publicidade nas TVs em volume equivalente ao que eles receberam nos últimos 12 anos...Só para receber a simpatia desse pessoal simpático. É network, né Temer? Ou será goodwill?
Tudo parado. Em São Paulo parece que só as TVs trabalham... Ontem (quinta), negaram as notícias sobre a greve nesta sexta, especialmente Globo e Record. Nem parecia que hoje teríamos greve geral... Devem ter esquecido, né?
Os grevistas protestam contra o desmonte da CLT e contra a "reforma" da previdência. Mas hoje, dia da greve, a mídia acha que eles não deveriam fazer isso com o país... O prefeito-gari (ou seria gari-prefeito?) chegou a afirmar o disparate de que "greve pode, mas não em dia útil". Diz que são vândalos, pequenos grupos que querem desestabilizar o país, e foi parar na mídia televisiva... Na verdade, acho que o povo devia era parar de assistir TV, essa caixinha imbeciliza!
Na mídia online lemos que o STF aprovou ontem ganhos acima do teto para "funcionários públicos" que exercem atividade pública em duplicidade (e pode isso?, ter dois empregos públicos???). Com isso, gente de fina estampa como o ministro (sic) Gilmar Mendes pode ter dois empregos, no STF e no TSE. O ministro (sic) Fux também, e assim eles ganham mais do que R$ 33 mil por mês, acima do teto, e agora são aplaudidos - e formalmente legalizados - pelo plenário do STF (foi 10 x 1 = goleada de seleção jurídica, só o ministro Fachin votou contra), que autorizou uma inconstitucionalidade... Será que não estão legislando em causa própria? Tenho essa impressão... Se Temer pediu revisão da Previdência, que tinha rombo de R$ 170 bilhões (uma enorme mentira...), por que os ministros podem aumentar as despesas em R$ 59 bilhões com os seus supersalários?)
Definitivamente, tem algo errado com o país... E não querem greve de protesto?
Legal isso, então tomem a vitamina do Doria, o kit DoriaVit de A a Z vai ser distribuído gratuitamente em todo o Brasil, em breve...
Dá vergonha de assistir o Brasil pela TV, ou o que se lê nos jornais...Sabem por quê? É que Temer jogou (em 10 meses) uma verbinha de publicidade nas TVs em volume equivalente ao que eles receberam nos últimos 12 anos...Só para receber a simpatia desse pessoal simpático. É network, né Temer? Ou será goodwill?
sexta-feira, 20 de maio de 2016
O olhar do estrupício IV
Richard Jakubaszko
Três vezes ao dia fumo meu palheiro, hábito adquirido faz muitos anos, e que me tornou mais afeito a reflexões do que já era quando jovem. Curto o momento das longas pitadas, e vou pensando sobre os desafios do cotidiano, resolvo problemas e conflitos mundiais, esclareço entreveros econômicos, desentendimentos sociais, disputas políticas, até mesmo mistérios de ordem religiosa.
Hoje pela manhã saí de casa já com o lambido aceso e fumegante. De casa ao metrô são uns 15 minutos de caminhada normal. Como passei rápido pela travessia da avenida, antes de chegar à estação do metrô, pois o sinal estava aberto aos pedestres, a caminhada foi mais curta do que o normal, e quando cheguei na entrada da estação havia ainda metade do palheiro para queimar. Fiquei em pé junto ao meio fio da calçada, de costas para a entrada da estação, e fui pitando as derradeiras tragadas.
Um sujeito, de uns 30 anos, me olhou do outro lado da rua e foi chegando devagar. Ao chegar me olhou firme nos olhos, depois disse, enquanto mexia ligeiramente com os olhos e a cabeça, como que tentando me fazer olhar para trás dele: o cara ali falou que vai me dar um tiro.
Olhei pensativo para o ameaçado, que não aparentava estar com medo. Enquanto não vinha a minha resposta os olhos do sujeito continuavam a se movimentar, empurrando levemente a cabeça dele para o mesmo lado. A solução me veio rápida, antes que ele me pedisse dinheiro para ir para longe dali, ou qualquer coisa nesse sentido. Respondi então que eu tinha duas coisas a fazer diante da inusitada ameaça. Primeiro, recomendar que ele fosse até a viatura policial que estava estacionada sobre a calçada, uns 50 metros de onde estávamos, e onde havia cerca de 4 policiais militares.
Em segundo, que eu ficara repentinamente apressado naquele exato instante, pois fui acometido de algum receio de que o sujeito da ameaça tivesse má pontaria e seria perigoso ficar ali ao lado dele.
Fui, sem esperar resposta.
Nessas horas não dá para ser solidário. Vai que era verdade...
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Três vezes ao dia fumo meu palheiro, hábito adquirido faz muitos anos, e que me tornou mais afeito a reflexões do que já era quando jovem. Curto o momento das longas pitadas, e vou pensando sobre os desafios do cotidiano, resolvo problemas e conflitos mundiais, esclareço entreveros econômicos, desentendimentos sociais, disputas políticas, até mesmo mistérios de ordem religiosa.
Hoje pela manhã saí de casa já com o lambido aceso e fumegante. De casa ao metrô são uns 15 minutos de caminhada normal. Como passei rápido pela travessia da avenida, antes de chegar à estação do metrô, pois o sinal estava aberto aos pedestres, a caminhada foi mais curta do que o normal, e quando cheguei na entrada da estação havia ainda metade do palheiro para queimar. Fiquei em pé junto ao meio fio da calçada, de costas para a entrada da estação, e fui pitando as derradeiras tragadas.
Um sujeito, de uns 30 anos, me olhou do outro lado da rua e foi chegando devagar. Ao chegar me olhou firme nos olhos, depois disse, enquanto mexia ligeiramente com os olhos e a cabeça, como que tentando me fazer olhar para trás dele: o cara ali falou que vai me dar um tiro.
Olhei pensativo para o ameaçado, que não aparentava estar com medo. Enquanto não vinha a minha resposta os olhos do sujeito continuavam a se movimentar, empurrando levemente a cabeça dele para o mesmo lado. A solução me veio rápida, antes que ele me pedisse dinheiro para ir para longe dali, ou qualquer coisa nesse sentido. Respondi então que eu tinha duas coisas a fazer diante da inusitada ameaça. Primeiro, recomendar que ele fosse até a viatura policial que estava estacionada sobre a calçada, uns 50 metros de onde estávamos, e onde havia cerca de 4 policiais militares.
Em segundo, que eu ficara repentinamente apressado naquele exato instante, pois fui acometido de algum receio de que o sujeito da ameaça tivesse má pontaria e seria perigoso ficar ali ao lado dele.
Fui, sem esperar resposta.
Nessas horas não dá para ser solidário. Vai que era verdade...
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sábado, 6 de fevereiro de 2016
Cadê a Paz, Gilberto Gil?
Richard Jakubaszko
O mundo está em guerra, literalmente. Na economia e na política.
O Brasil também está em guerra, na política e na judicialização desmedida.
Cadê a Paz que você anunciou, Gilberto Gil?
Ou era apenas uma licença poética?
Quem sabe, um ajuste entre os podres poderes caetanísticos?
Segundo os chineses, começou ontem o ano do macaco...
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O mundo está em guerra, literalmente. Na economia e na política.
O Brasil também está em guerra, na política e na judicialização desmedida.
Cadê a Paz que você anunciou, Gilberto Gil?
Ou era apenas uma licença poética?
Quem sabe, um ajuste entre os podres poderes caetanísticos?
Segundo os chineses, começou ontem o ano do macaco...
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sexta-feira, 17 de julho de 2015
O olhar do estrupício II
Richard Jakubaszko
Corria o ano de 2014, época de eleições presidenciais, eu estava andando na passarela suspensa que atravessa serpenteando a praça das Bandeiras, no centro de São Paulo. Embaixo, dezenas de ônibus e muita gente em fila aguardando o busão da sua linha. Em cima, muita gente indo prá lá e adiante, ninguém dava bola aos passantes, aos raros camelôs, e nem aos desamparados sem teto, esparramados como lixo pelos bancos de concreto.
Um deles me chamou a atenção, 5 metros à minha frente, pois falava ao celular. Achei estranho, afinal, como é que um sem teto arruma dinheiro para ter um celular? Ele falava relativamente alto, incisivo, quase autoritário, e gesticulava com o braço livre, mas em gestos coerentes com suas próprias falas. Quando estava me aproximando, ouvi:
- Diga ao Mantega que ele está cometendo um enorme equívoco. Isso, diz prá ele que foi eu que falei...
Dois passos depois, e já estava quase ao lado do sem teto, quando ele deu meia volta para o outro lado, ia e vinha, como se estivesse numa sala. Continuava a falar:
- Com esse tipo de decisão a inflação vai explodir, o Mantega não pode tomar decisões assim, isso é contra o povo...
Olhei melhor e me dei conta de que ele não falava ao celular. Estava com uma fita de vídeo K7, preta, que segurava encostada na orelha, e falava para quem ouvisse:
- Acho que é melhor alguém reportar esse assunto para a presidente Dilma, caso contrário ela nem consegue se reeleger...
Não sei de onde veio aquele sem teto, ou se ele tem como leituras muitos jornais pendurados nas bancas de jornais, mas que foi engraçada e exótica a cena, inegavelmente foi, por conta do inusitado drama da situação do sujeito. Já caiu no mais baixo degrau da sociedade humana, mas continua querendo aparentar que é alguém importante.
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Corria o ano de 2014, época de eleições presidenciais, eu estava andando na passarela suspensa que atravessa serpenteando a praça das Bandeiras, no centro de São Paulo. Embaixo, dezenas de ônibus e muita gente em fila aguardando o busão da sua linha. Em cima, muita gente indo prá lá e adiante, ninguém dava bola aos passantes, aos raros camelôs, e nem aos desamparados sem teto, esparramados como lixo pelos bancos de concreto.
Um deles me chamou a atenção, 5 metros à minha frente, pois falava ao celular. Achei estranho, afinal, como é que um sem teto arruma dinheiro para ter um celular? Ele falava relativamente alto, incisivo, quase autoritário, e gesticulava com o braço livre, mas em gestos coerentes com suas próprias falas. Quando estava me aproximando, ouvi:
- Diga ao Mantega que ele está cometendo um enorme equívoco. Isso, diz prá ele que foi eu que falei...
Dois passos depois, e já estava quase ao lado do sem teto, quando ele deu meia volta para o outro lado, ia e vinha, como se estivesse numa sala. Continuava a falar:
- Com esse tipo de decisão a inflação vai explodir, o Mantega não pode tomar decisões assim, isso é contra o povo...
Olhei melhor e me dei conta de que ele não falava ao celular. Estava com uma fita de vídeo K7, preta, que segurava encostada na orelha, e falava para quem ouvisse:
- Acho que é melhor alguém reportar esse assunto para a presidente Dilma, caso contrário ela nem consegue se reeleger...
Não sei de onde veio aquele sem teto, ou se ele tem como leituras muitos jornais pendurados nas bancas de jornais, mas que foi engraçada e exótica a cena, inegavelmente foi, por conta do inusitado drama da situação do sujeito. Já caiu no mais baixo degrau da sociedade humana, mas continua querendo aparentar que é alguém importante.
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segunda-feira, 29 de junho de 2015
O olhar do estrupício I
Richard Jakubaszko
Como faço todo santo dia, nublado ou com muito sol, depois
do horário do almoço vou pitar meu cigarrinho de palha na calçada frontal à
casa da DBO Editores.
A casa integra o enorme quarteirão do parque da Água Branca,
hoje um espaço verde para caminhadas de moradores da região. Nos prédios e
casas espalhados pelo parque há escritórios da Secretaria da Agricultura, e agora também da Secretaria do Meio Ambiente, e uma
quantidade expressiva de sedes de associações de criadores de gado e cavalos,
gente da agricultura orgânica, pessoal que volta e meia realiza festas e
feirinhas, cheias de barracas com guloseimas, mas também existe um espaço maior, que eu ainda não sei exatamente onde é, onde gente da
terceira idade frequenta três vezes por semana, no período da tarde, para participar
de um baileco à moda antiga.
Deve ser animado o tal do arrasta-pé da turma, a julgar pelo
entusiasmo que a maioria demonstra ao chegar às proximidades do convescote.
Fico olhando a turma passar, enquanto vou pitando meu palheiro. Nas terças e
quintas-feiras tem baile, no domingo também, e gente da terceira idade que passa feliz, todos
arrumadinhos, lépidos e faceiros, vindos de todas as direções.
Esta semana meus ouvidos capturaram um diálogo supimpa,
digno de se registrar numa crônica como esta. Não havia como não ouvir. Pois um casalzinho vinha andando
ligeirinho, e conversavam, mas a senhorinha, uma mulher de seus sessenta e muitos
anos, não sei precisar, parecia contrariada com algo, enquanto ele, baixinho
como ela, tinha sotaque nordestino carregado. Olhei para o outro lado, mas não
foi possível deixar de ouvir o diálogo:
Ele: - na próxima eu levo você...
Ela: - mas não sei se eu vou querer, não tô gostando muito...
Ele: - a gente gosta, sim...
Ela: - mas você não funciona mais...
Foram andando, lado a lado, mas calados, o argumento dela
deve ter sido um petardo devastador. Pararam na esquina, ao lado de um poste, uns 40 metros
de onde eu me encontrava observando a tragicomédia. Bem, tragédia para ele, e
comédia pra mim. Lembre-se: no dos outros não é pimenta...
Ela ameaçou ir em direção ao parque, e ele foi atrás, deram dois
ou três passos cada um, mas ela voltou-se e dizia algo, colocando a mão no ar,
como quem diz “pode parar, você não vai, não”. Conversaram mais uns minutos. Na sequência, ela pegou o baixinho
pela mão, e atravessaram a rua em sentido contrário ao baileco.
Não sei se voltaram, nem para onde foram, ou como se
resolveram, mas foram quatro frases curtas, reveladoras do cotidiano, um retrato
da vida, estrupício que meus ouvidos não tinham como perceber e capturou-se um instante
fugaz da vida de pessoas simples e anônimas.
Há muitas dessas histórias, a que os amigos estimulam que
eu revele aqui na blogosfera.
Volto em breve, com novos estrupícios...
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