quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Andanças 70 – Chuva em São Paulo.

Carlão, da Publique. *

Andanças 70 – Chuva em São Paulo.

Chove a cântaros aqui na capital. Quando você acorda cedo e dá de cara com uma chuvarada medonha é preciso muita respiração para aguentar o tranco.
Saio de casa apressado pra uma reunião. Atravesso a cidade. Quando já estou na porta do cliente, sou informado pelo telefone que meu interlocutor está engarrafado em algum alagamento próximo das marginais. Respiro fundo novamente. Preciso escolher entre explodir ou pensar. Escolho respirar e refletir.

Nossa vida aqui nesta cidade anda uma loucura. Em meio aos milhões e milhões de paulistanos, em meio aos milhões e milhões de automóveis, em meio aos milhões e milhões de apelos, em meio aos milhões e milhões de caminhos a escolher, vamos levando nossos dias sem muito questionamento, sem muita pergunta, sem procura por uma resposta que diga se isso tudo faz sentido. Às vezes, fico até com medo de perguntar muito. Com medo de encontrar verdades inconvenientes, verdades que possam descarrilar o jeito que aprendemos a viver. Ou a conviver, que talvez, seria o verbo mais adequado.

Transporto-me para a semana passada em Salvador e me pego numa discussão filosófica com um amigo criador de Gir Leiteiro sobre o prazer da atividade rural, que também exercemos. Falamos do quanto é gostoso acariciar uma bezerra gir e quantas pessoas novas e interessantes conhecemos por conta disso. Falamos da sensação boa que é esperar uma matriz parir e ver se a aposta que fizemos deu certo. Mas concluo, para meu gasto, que na medida em que essa atividade vai se tornando cada dia mais profissional, vai se tornando também cada dia mais cheia de problemas, e vai, aos poucos, nos causando um estresse novo, um novo alagamento a resolver.

De Salvador pra Porangaba, SP, já vou pensando no jeito que vou fazer pra levar a vida por aqui enfrentando o trânsito tranquilo da rua 4 de junho e também a maneira razoável dos que ainda têm a sorte de trabalhar na calma, parar pra ir almoçar em casa com a família e voltar depois de duas horas pra tocar o dia até as seis da tarde. E ter tempo e disposição para uma caminhada no fim da tarde com o pôr do sol do horário de verão por testemunha.

A tranquilidade e a paz de espírito, concluo minha reflexão, está muito mais em nossa capacidade de diálogo com o silêncio de nossas almas e mentes. E esse é um tema que apenas engatinho.

* Carlos Alberto da Silva é empresário, publicitário, jornalista, técnico agrícola, escritor e criador de Gir Leiteiro em Porangaba.
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