segunda-feira, 25 de julho de 2011

Sem usinas nucleares, por 30 anos?

Richard Jakubaszko
A construção de usinas nucleares pode ser suspensa por 30 anos. Na justificação do PLS 405, que terá decisão terminativa na Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI), no Senado, Cristovam Buarque afirma que a suspensão preventiva contribuirá para afastar do país o clima de incerteza sobre a energia nuclear e não restringirá as pesquisas científicas no setor.

IMPACTO
Caso o Brasil opte pela moratória na energia nuclear, o impacto será muito pequeno. No primeiro semestre de 2011, a central nuclear de Angra dos Reis respondeu por 3,19% do mercado de energia elétrica nacional, produzindo 1.793 megawatts médios. Na Alemanha, as usinas termonucleares são responsáveis por 26,12% da energia gerada no país.

Os reatores respondem atualmente por 14% da produção de energia elétrica no mundo, de acordo com relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Isso os coloca como a terceira maior fonte, atrás do carvão e do gás natural. Os países mais dependentes de energia atômica são Lituânia (76,22%), França (75,17%) e Eslováquia (53,5%).

PLANOS
Uma eventual moratória choca-se contra os planos do governo federal, cujos estudos prevêem a construção de pelo menos mais 4 usinas nucleares até 2030. Segundo os estudos do executivo, em 2015, com a entrada em operação de Angra 3, o parque nuclear geraria 3.300 megawatts. Com mais quatro usinas, a capacidade de geração de energia nuclear, em 2030, chegaria a 7.300 megawatts.

O cronograma prevê para 2019 e 2021, respectivamente, o início da operação da primeira e da segunda usinas do Nordeste. Em 2023 e 2025, deveriam entrar em operação a primeira e a segunda usinas do Sudeste.

JAPÃO
As recentes decisões da Itália e da Alemanha contra o uso da energia nuclear foram influenciadas pelo desastre nuclear de Fukushima, no Japão, em 11 de março deste ano, depois de um terremoto seguido de tsunami que destruiu as instalações do complexo.

Mesmo uma usina não afetada pelo desastre, a de Hamaoka, no sudoeste de Tóquio, aceitou pedido do governo japonês de suspender as operações dos reatores pelo risco sísmico na região onde está localizada.
 
Queira Deus que o Senado receba uma luz divina e aprove a proposta do Senador Cristóvão Buarque. No Brasil dispomos em abundância da energia hidrelétrica, barata, permanente e renovável. Somos felizes e não sabemos.
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Um comentário:

  1. Confesso que não consigo fechar uma posição sobre esse assunto.
    Já fui adepto incondicional das hidrelétricas, mas depois mudei minha opinião, em virtude do alto custo ecológico das barragens e dos grandes lagos.
    Passei a admirar e defender o uso de hidrelétricas de menor porte, sem barragem, apenas com o desvio do rio para um canal. Parecia tudo muito bom, tudo muito bem, até que andei vendo algumas durante a seca. Ora, a promessa de manter um volume mínimo no leito original... Não passou de promessa.
    Desencanei, como diz a rapaziada.
    Termelétricas nem pensar.
    Nucleares...
    Há muito estão no meu radar, ora com mais força, ora com menos.
    Sou adepto delas, por serem seguras, por ser o Brasil, no geral, geologicamente bastante estável.
    Dois problemas, porém, me atormentam: o risco de falha humana.
    E o outro...
    O outro é muito brabo: jamais iria querer uma usina nuclear na esquina de casa ou, agora, na vizinhança do meu sítio e das minhas vacas.
    Entonces, continuo sem posição fechada, até porque a energia solar ainda deixa a desejar, embora, em determinadas regiões, já seja uma realidade, ainda que cara.
    Ao fim e ao cabo, o jeito é continuar convivendo com os monstrengos que fazem a alegria das grandes empreiteiras e de miríade de políticos.

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