domingo, 29 de janeiro de 2012

Filme "A separação".

Richard Jakubaszko
A apresentação do filme, nas cenas iniciais, já é criativa e um belo exemplo do que virá em sequência, durante 110 minutos de um drama humano, revelando, de um lado, o vigor do cinema iraniano, e, de outro lado, a simplicidade de uma história que prende o espectador grudado na poltrona por todo o tempo.
A cena de abertura é uma máquina xerox, mostrada pela câmara em seu lado interno, tirando cópias das identidades dos atores e principais técnicos dirigentes do filme.

O diretor, roteirista e produtor do filme, Asghar Farhadi, recebeu o Globo de Ouro, semana passada, em Los Angeles. "A separação" já havia recebido o Urso de Ouro, no Festival de Berlim, e os Ursos de Prata para Melhor Atriz e Melhor Ator, e agora está entre os indicados ao Oscar 2012 para concorrer a "melhor filme estrangeiro" e também "melhor roteiro original". Não é pouca coisa, o filme merece mais. O problema é a política internacional, mais as idiossincrasias hipócritas, sionistas e cristâs, que insistem em satanizar o mundo muçulmano.

Lamentavelmente o cenário político permeia e contamina o sucesso que o filme vem conquistando por méritos próprios. Ao receber o Globo de Ouro, Farhadi disse, em um discurso de agradecimento, "eu prefiro dizer algo sobre meu povo. Acho que eles são verdadeiros amantes da paz", e ressaltou que não teve nenhuma mensagem abertamente política.

Evitando o constrangimento do cineasta iraniano Abbas Kiarostami, que foi beijado por Catherine Deneuve quando aceitou a Palma de Ouro em Cannes em 1997, Farhadi não chegou nem mesmo a apertar a mão de Madonna, de quem recebeu o prêmio, em conformidade com a lei iraniana que proíbe contato físico entre homens e mulheres que não sejam casados.

Recomendo o filme, já o assisti, é um roteiro brilhante, desempenho interpretativo excepcional dos principais atores, e uma amostra grátis do comportamento humano dos iranianos, onde a religião está presente em quase todas as atividades, moldando o caráter das pessoas, deixando as suspeitas, espero, de que os iranianos não são o que há de mais ruim no planeta, como pinta a grande mídia e o governo americano.

Abaixo um trailer do filme:

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