terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Cadê a prova contra Lula?

Richard Jakubaszko  
Até a torcida do Corinthians pergunta: Cadê a prova?

Faixa exibida no estádio Pacaembu, durante jogo entre Corinthians e São Paulo, dia 25 de janeiro de 2018.

Desconfianças e convicções, estas foram as “evidências” transformadas em “provas” contra Lula, tanto no julgamento de Moro quanto no TRF-4 em Porto Alegre.

Todos os petistas, é claro, mas também juristas de importância e envergadura, reclamam que não há provas nas acusações apresentadas, e ainda afirmam que as “convicções” que condenaram Lula estão baseadas apenas em algumas “delações comprometedoras” e ainda em depoimentos prestados por corretores da OAS, zelador, síndico do prédio, vizinhos e visitantes do prédio, onde supostamente a família de Lula teria recebido o tal triplex como propina indevida por serviços prestados à corretora.

Ora, dúzias de argumentos factuais desmentem as acusações e as ilações feitas pelos promotores públicos, aceitas pelos juízes como “evidências e provas”. Vejamos algumas das hipocrisias apresentadas:

Acusação – Lula é o proprietário do triplex.
Defesa – Se Lula é o dono, cadê a prova? O triplex continua em nome da OAS no cartório de imóveis, foi confiscado pelo juiz Moro, e consta como patrimônio da OAS registrado na Caixa Econômica Federal. Depois, foi penhorado por uma juíza de Brasília, reconhecendo que o aptº pertence à OAS. A penhora, no caso, beneficia uma empresa que é credora da OAS e que tenta receber dívidas da OAS, pelo fato desta estar com pedido de Recuperação Judicial. 

Agora, Moro mandou o aptº à venda em leilão, para apagar a indelicadeza da juíza, mas escreveu que, depois de o caso ter transitado em julgado, a grana da venda poderá ir para a OAS ou para o ex-presidente...

Acusação – Lula teria recebido o triplex a partir de 2014, quando visitou as obras de melhorias que estavam sendo feitas no aptº para adequar o mesmo às necessidades do casal Lula da Silva.
Defesa – Ora, que acusação mais estapafúrdia! Alguém se perguntou aí, no decorrer desse imbróglio, se o casal foi lá para conhecer o aptº que a OAS tentava vender para a família Lula, em substituição ao aptº que dona Marisa tinha comprado e pago à Bancoob? Pois, para quem não sabe, dona Marisa, contra a opinião de Lula, quando ele era presidente, em 2006, comprou uma cota de um aptº simples naquele prédio, pagou durante vários anos, e nada recebeu. Nem o aptº e nem o dinheiro de volta quando a Bancoob (Cooperativa dos Bancários), quebrou, tendo sido anos depois assumida pela OAS, em um caso administrativo conduzido por procuradores do estado de São Paulo. Como a OAS queria vender o triplex para dona Marisa, a família foi conhecer a novidade, e não aceitou a oferta. Simples assim, tanto que o triplex continuou em nome da OAS, e continua até hoje. Não devolveram o dinheiro da dona Marisa, nem entregaram o aptº que ela comprou.

Outra coisa, referente a 2014, ano dessa visita, é que Lula já tinha deixado a Presidência da República há 4 anos. Nesse caso, a propina estava sendo “paga” com 4 anos de atraso? Isso é inédito! A gente conhece casos de propina onde o servidor público recebe a propina, mas antes de realizar o “serviço”, nunca isso é feito depois. Se o servidor público fizer o serviço sujo, para cobrar depois, não vai receber nunca, sabem por quê? É que ele não pode reclamar, muito menos na justiça, do serviço feito e não pago...

É essa regra elementar que regula as maracutaias que geram propinas…

A acusação do triplex, que seria propriedade e "promessa" para Lula, não leva em conta que tudo aconteceu em 2014, e esquece que ele não era mais presidente, já era um cidadão comum. De forma hipócrita, como procederam os juízes e promotores, sem contar os desembargadores,pode-se por hipótese argumentar: e daí que Lula teria supostamente "recebido" em 2014 um triplex da OAS? Onde estaria o malfeito? Por que isso seria propina indevida? Propina a favor de que, se ele não era mais presidente?

Essa história, como sabemos, está fedendo. A mídia internacional não publicou nada em desfavor de Lula, isso só aconteceu na mídia nacional, uma mídia que é canalha e parcial, assim como os promotores que acusaram Lula, e também os juízes, com o intuito de tirar Lula das eleições para presidente em outubro 2018. Agora, raivosos, perguntam diariamente quando Lula será preso.



O STF nem vai discutir mais a questão da inconstitucionalidade da prisão de Lula após o TRF-4, conforme declaração da ministra Cármen Lúcia, porque iria se apequenar. Ora, ministra, o STF está muito pequeno desde que foi conivente com o impeachment. Desde que ministros do STF deram habeas corpus a torto e a direito para diversos criminosos condenados. O STF está apequenado, ministra, desde antes de tudo isso, no tal do julgamento do mensalão. Ou de quando o STF "legislou" inconstitucionalissimamente na questão das algemas ou no "auxílio Moradia" para juízes e promotores, para quem já ganha mais do que o presidente da República.

Antigamente, o povo falava que "decisão do STF não se comenta, se cumpre". Hoje, ministra, a gente pensa e fala que "foi mais uma merda do STF". Foi isso que apequenou o STF, ministra. De fato, ministra, o povo não suporta mais a judicialização corporativa de todos vocês, antes de tudo vocês são advogados de causas próprias

Não vai demorar muito para que a verdade apareça. 

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4 comentários:

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