Richard Jakubaszko
O cientista Carlos Nobre, pesquisador do INPE, publicou mais um artigo no UOL com sua costumeira lenga-lenga ambientalista, desta feita com o título que encima este post, e faz a ameaça apocalíptica de que a Amazônia corre o risco de virar uma savana degradada por causa dos desmatamentos. O articulista não prova nada, apenas aponta a causa e efeito, apesar de admitir que os desmatamentos reduziram de 12.474 km² em 2022, a área desmatada caiu para 7.806 km² em 2023, 6.071 km² em 2024 e 5.111 km² em 2025. Em apenas três anos, houve uma redução de aproximadamente 59% em relação ao pico de 2022. Mais importante, a queda ocorreu de forma contínua, ano após ano. Mesmo assim, Carlos Nobre mantém o aviso sobre o "ponto de não retorno" como a ameaça que se tornou tradição nas narrativas dos biodesagradáveis.
Conforme vários capítulos publicados em meu livro "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?" não existem duas verdades, e ao leitor cabe analisar as versões do céticos, como eu, e as ameaças feitas pelos ambientalistas. A obra pode ser adquirida no Amazon, e em livrarias como a Martins Fontes, está em sua quarta edição (dezembro 2025), com 416 páginas, onde diversos cientistas brasileiros e internacionais contestam e criticam o show apocalíptico dos cientistas verdes e engajados, que não cansam de seus exageros.
A Amazônia pode virar uma Savana? Menos, Nobre, menos, argumentos que extrapolam a verdade, como esse que você reutiliza, prejudicam a causa ambientalista.
Para quem deseja ler a lenga-lenga do Nobre, republico abaixo, na íntegra, o artigo citado.
Amazônia corre risco de virar savana degradada
Carlos Nobre - Colunista de Ecoa e do UOL
O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) apresentou dados positivos para a agenda ambiental brasileira. Os dados mais recentes mostram uma redução dos alertas de desmatamento na Amazônia. A redução do desmatamento é uma notícia que deve ser celebrada e refletida.
Neste artigo, discutirei, primeiro, os efeitos do desmatamento para a Amazônia e, em seguida, por que zerar o desmatamento até 2030 deve ser consolidado como um compromisso de Estado de acordo com a política do governo federal atual.
Os efeitos do desmatamento da Amazônia
O desmatamento da Amazônia produz efeitos que vão muito além da perda direta de cobertura florestal. A remoção da floresta reduz a biodiversidade, altera o ciclo hidrológico, compromete a capacidade dos ecossistemas de armazenar carbono e contribui significativamente para as emissões brasileiras de gases de efeito estufa.
A perda e a fragmentação das florestas também reduzem a capacidade dos ecossistemas de manter seus serviços ambientais e podem afetar atividades econômicas que dependem da biodiversidade e da estabilidade climática regional. Por isso, reduzir o desmatamento não é apenas uma medida de conservação ambiental, mas uma condição necessária para o desenvolvimento sustentável na região.
As populações amazônicas que dependem dos produtos da biodiversidade também são afetadas pelo desmatamento. Desde a década de 1950, estudos têm mostrado que, à medida que o desmatamento aumenta, a produção de frutos e sementes da biodiversidade amazônica é reduzida. Isso pode diminuir o acesso e o consumo de gorduras, carboidratos e proteínas provenientes de espécies nativas, como a castanha-da-Amazônia e o açaí. Em muitas comunidades amazônicas, os frutos dessas espécies representam uma parcela importante dos macro e micronutrientes consumidos anualmente.
O avanço do desmatamento também pode reduzir a resiliência da floresta e aproximá-la de um possível ponto de não retorno. A Amazônia depende de um complexo sistema de reciclagem de água, no qual a própria floresta contribui para a manutenção das chuvas. A eficiente reciclagem da água pela floresta também gera uma grande quantidade de vapor d'água que é exportada para biomas ao sul da Amazônia (Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica), os chamados "rios voadores", que explicam grande parte das chuvas desses biomas.
À medida que a cobertura florestal é perdida, esse sistema de reciclagem de água pode ser enfraquecido, aumentando a exposição da floresta a secas, incêndios florestais, períodos prolongados de estiagem. Isso aumenta o risco de uma transição em grande escala para uma vegetação aberta e de baixo porte, como uma savana degradada, conhecida como ponto de não retorno.
Zerar o desmatamento é uma política de Estado
Os dados recentes mostram uma notícia importante que precisa ser reconhecida: o desmatamento da Amazônia brasileira está caindo. Depois de atingir 12.474 km² em 2022, a área desmatada caiu para 7.806 km² em 2023, 6.071 km² em 2024 e 5.111 km² em 2025. Em apenas três anos, houve uma redução de aproximadamente 59% em relação ao pico de 2022. Mais importante, a queda ocorreu de forma contínua, ano após ano.
A série histórica da plataforma Terrabrasilis mostra como as taxas de desmatamento podem variar significativamente entre diferentes períodos de governo. Conforme dados consolidados do sistema Prodes, entre 2019 e 2022, durante o governo Jair Bolsonaro, foram desmatados 45.703 km² na Amazônia, uma média de 11.426 km² por ano. Em 2019, foram 10.701 km², e a taxa chegou a 12.474 km² em 2022. Já entre 2023 e 2025, no governo Luiz Inácio Lula da Silva, foram desmatados 18.988 km², uma média de 6.329 km² por ano. A média anual do período mais recente foi, portanto, cerca de 45% menor que a média observada entre 2019 e 2022.
Os dados do sistema Deter lançados em agosto de 2026 reforçam essa trajetória de queda. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, foram registrados 2.874 km² de desmatamento na Amazônia. Isso representa uma redução de 36% em relação ao período anterior. Embora os sistemas Prodes e Deter tenham metodologias e finalidades diferentes, os resultados reforçam a evidência de que o desmatamento está em trajetória de queda. Provavelmente, esse número será o menor desmatamento desde os anos 1970, quando a ditadura militar iniciou os grandes desmatamentos.
Essa diferença mostra a importância das políticas públicas de combate e controle do desmatamento, mas também revela um problema estrutural: zerar os desmatamentos, além de ser uma meta do Governo Federal, também precisa ser uma meta de todos os estados. Mudanças na orientação política não podem significar mudanças na proteção da maior floresta tropical do planeta.
A queda observada da taxa de desmatamentos da Amazônia brasileira nos últimos três anos e, possivelmente, a tendência indicada pelos dados mais recentes de 2026 estão em linha com o objetivo de zerar o desmatamento até 2030. Para isso, será necessário manter a fiscalização eficiente e as políticas de conservação nos quatro anos do próximo governo federal. Adicionalmente, restaurar áreas desmatadas e degradadas e investir na bioindustrialização dos produtos nativos da Amazônia são estratégias que podem gerar emprego e renda sem destruir a floresta.
A Amazônia precisa ser permanentemente submetida a ciclos de redução do desmatamento, degradação e fogo. O Brasil precisa aproveitar a atual trajetória de queda do uso destrutivo da floresta e mantê-la distante do risco de atingir um ponto de não retorno.
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