quinta-feira, 12 de novembro de 2015

BRASIL-EUA: a submissão, a "cooperação" e a soberania.

Mauro Santayana *
A vocação para submissão de parcelas do Judiciário e da área de segurança
brasileiras às autoridades norte-americanas é impressionante.

Como exemplo, temos a “colaboração” prestada pelo Ministério Público e pela Operação Lava-a-jato a procuradores norte-americanos que estão recolhendo provas contra a Petrobras e oferecendo acordos de delação premiada a presos brasileiros submetendo-se colonizada, e alegremente - nas barbas do Ministério da Justiça – às autoridades de um país estrangeiro, como se elas tivessem jurisdição em território nacional, em uma causa que envolve uma empresa de controle estatal que pertence não apenas aos seus “investidores” diretos, mas a todos os cidadãos brasileiros.

Depois, temos a romaria de procuradores e juízes aos EUA, para receber “homenagens” relacionadas a assuntos internos nacionais, e a recente presença de ministros da Suprema Corte em reuniões do Diálogo Interamericano - uma espécie de Foro de São Paulo às avessas - nos EUA. Já imaginaram um procurador norte-americano se deslocando para o Brasil para ser premiado por sua atuação, na investigação, digamos, de corrupção na General Motors, ou na AMTRAK, uma das maiores empresas estatais dos EUA - tradicionalmente deficitária - com mais de 20.000 funcionários, e presente nos 48 estados da Federação?

Como se não bastasse, agora, chega a vez do Rio de Janeiro tomar a iniciativa de anunciar a próxima abertura de um escritório da agência norte-americana de controle de drogas no Estado, a pretexto de prestar, às autoridades fluminenses, "consultoria" no combate ao tráfico e ao contrabando de armas.

Perguntar não ofende
Considerando-se que as áreas de defesa e de relações internacionais são prerrogativa da União, e o fato de a agência norte-americana ser federal e não estadual, não seria o caso desses convênios e acordos passarem antes pelo crivo e aprovação do Itamaraty, do Ministério da Defesa, do Ministério da Justiça e da Comissão de Defesa e Relações Externas da Câmara dos Deputados?

Quando é que o Brasil vai começar a impedir ou a controlar as atividades de agentes norte-americanos de inteligência - espiões, leia-se, porque de outra coisa não se trata - em nosso território?

Essas áreas, tão solícitas em implorar o prestimoso “auxílio” norte-americano, e em aparecer nos Estados Unidos, em eventos mais "sociais" do que outra coisa, já ouviram ou conhecem o significado do termo reciprocidade, aplicado à relação entre estados soberanos?

Já se imaginou a Polícia Federal brasileira abrindo um escritório nos EUA, para prestar "consultoria" à polícia nova-iorquina no combate ao tráfico de armas?

Isso nunca ocorreria, pelo simples fato de que a população, a imprensa, o Judiciário e o Congresso dos EUA não o aceitariam, porque, ao menos nesse aspecto, eles têm vergonha na cara.

Vergonha, em nosso lugar, com esse tipo de atitude, não é outra coisa que países latino-americanos - com exceção do México, cada vez mais um estado norte-americano - vão sentir ao saber dessa notícia.

Vergonha, em nosso lugar e não outro sentimento, é o que vão ter nossos parceiros do BRICS, ao saber dessa notícia, já que todo o mundo sabe como os EUA agem: primeiro abrem um escritório em uma determinada área, depois um monte de escritórios de "cooperação" em várias outras áreas, e, depois, dificilmente dão o fora, sem criar problemas, a não ser que sejam derrotados e escorraçados, como ocorreu ao fim da guerra do Vietnam.

Ou alguém aqui imagina a Rússia, a Índia e a China convidando a polícia e os órgãos de inteligência norte-americanos a instalar escritórios e operar em seus respectivos territórios?

Não
Eles não fazem isso, assim como não admitem que imbecis, em seus comentários de internet, em portais russos, indianos ou chineses, preguem a entrega de suas empresas ou de seu país aos EUA, ou encaminhem petições de intervenção à Casa Branca, como comumente ocorre, nestes tempos vergonhosos que vivemos, em portais e sites brasileiros.

Talvez por isso, a Rússia, a China e a Índia, sejam potências espaciais, militares e atômicas, enquanto nós estamos nos transformando, cada vez mais, em um ridículo simulacro de província norte-americana, apesar de sermos, com mais de 250 bilhões de dólares emprestados, o terceiro maior credor individual externo dos EUA.
 

Em tempo: em sua comunicação com a imprensa, o governo do Rio de Janeiro conclui dizendo que não pode dizer quando vai começar a operar o escritório norte-americano em território fluminense.

O anúncio oficial da instalação não será feito por nenhuma autoridade brasileira.

Ele será feito – incrível e absurdamente - como se estivesse ocorrendo em território norte-americano, pelo próprio governo dos EUA.

Nesta toada, conviria começar a pensar, com urgência, na realização de um plebiscito para a entrega do Brasil aos Estados Unidos.

Com isso, os bajuladores poderiam exercer seu amor aos gringos sem precisar de visto, ou de se deslocar para Miami ou Nova Iorque.

Aprenderíamos o inglês como primeira língua, sem necessidade de pagar as mensalidades do curso de idiomas.

E todos nós receberíamos em dólares, trabalhando e descansando quando Deus nos permitisse, já que nos EUA não existe sequer a obrigação de pagar férias remuneradas, por exemplo.

A questão é saber, se, juntamente com as riquezas e o território brasileiros, os EUA, tão ciosos de sua nacionalidade - aceitariam receber, sob sua bandeira, a "estirpe" de invertebrados morais, hipócritas, entreguistas, submissos e antipatrióticos em que estamos nos transformando.

* O autor é jornalista
Republicado do site do autor: http://www.maurosantayana.com/2015/11/brasil-eua-submissao-cooperacao-e.html

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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Ponte para o Futuro é a ponte para o inferno


Roberto Requião
Senador (PMDB-PR) e ex-governador do Paraná

No último dia 29 de outubro, a Fundação Ulysses Guimarães, vinculada ao PMDB, lançou um documento intitulado “Uma ponte para o futuro”. O escrito faz um amplo diagnóstico da atual situação política, econômica, social e fiscal do Brasil, para então elencar supostas soluções que, infelizmente, estão distantes de contemplar os interesses da população.

Baseado numa retórica moderada e superficialmente sensata, faz uma análise aparentemente consequente, somente aceitável para aqueles que já se contaminaram pelo terrorismo econômico contra o Estado. Mas o meu Velho PMDB de guerra não se reconhece no documento que, na realidade, tenta marcar uma total ruptura do partido com as propostas voltadas para o âmbito social.

A aderência ao mofado ideário do Consenso de Washington se materializa com vigor, refletindo o alinhamento incondicional ao domínio das finanças, que se apresenta como tábua de salvação, mas que na realidade constituiria a liquidação das bases produtivas nacionais e captura dos rumos do governo pela Banca.

A análise de conjuntura incluída no documento dá importância fundamental a dois postulados bastante discutíveis patrocinados pelo mercado financeiro. Primeiramente desconhecem o ajuste fiscal como promotor da recessão, elegendo o déficit como vilão. Por mais absurda que seja, essa é interpretação querida dos monetaristas da Escola de Chicago, os mesmos que comandavam muitos dos grandes bancos responsáveis pela crise de 2008, que agora atinge as economias em desenvolvimento. A partir disto, como que por desdobramento natural, “constatam” que a Constituição de 88, “não cabe no orçamento”, que teria “excesso de direitos”, especialmente os sociais e trabalhistas. Da mesma forma, excomunga-a, pelo “absurdo” de vincular recursos para Saúde e Educação. Esbarram na óbvia conclusão de que temos, segundo o verdadeiro Ulysses Guimarães, uma “Constituição Cidadã”, que busca a construção do Estado de bem-estar social, hoje tão demonizado. Assim, concluem que ela deve ser exorcizada, desdemonizada, estirpando dela todas essas “irresponsáveis” preocupações sociais.

O que me deixa mais estupefato é que o documento, sem autores, busca sua credibilidade apenas no nome da Fundação Ulysses Guimarães. Ora, o documento defende acabar com a Constituição Cidadã, construída sob a batuta e liderança do verdadeiro Dr. Ulysses. Ela é reconhecidamente a maior realização da sua vida.

Mas o documento vai além de propor uma grande borracha para apagar os fundamentos da Constituição de 88. Em mais uma amostra de adesão ao pensamento único, toma os índices de competitividade como argumento a fim de preconizar o Estado mínimo e ataque aos direitos trabalhistas.

Ignoram que a produtividade, fator de alta influência na competitividade, é tanto maior quanto mais desenvolvida e complexa for a estrutura da economia. Isso não é alcançável pelo receituário neoliberal, mas sim por um projeto nacional de reindustrialização e desenvolvimento tecnológico.

O documento ataca frontalmente a capacidade do Estado de intervir na atividade econômica e seus inerentes ciclos, e no compromisso constitucional de combate a ainda enorme desigualdade social quando propõe: (1) limites para a dívida pública, medida draconiana e paralisante de efetividade jamais comprovada, (2) a possibilidade de pagar menos de um salário mínimo aos aposentados, expondo nossa população idosa ao empobrecimento e (3) a criação de um comitê independente de avaliação dos programas governamentais como Bolsa Família e Ciências sem Fronteiras, pondo-os em xeque, uma vez que se verão constantemente acossados pelas críticas do mercado, que vê como essencial somente o pagamento dos juros e amortização da dívida pública.

O ataque tecnocrata vai além, ressuscitando proposta já rejeitada no senado, a saber, a criação de uma Autoridade Orçamentária, que na prática serviria como ponta de lança dos credores, solapando a soberania e a própria democracia a partir do momento que impõe a ortodoxia econômica independentemente da decisão das urnas e das propostas dos políticos vencedores das eleições. A retórica da neutralidade na gestão financeira estatal serve ao propósito de capturar o processo decisório, privatizando-o na prática, sempre em favor da banca.

Prossegue no entreguismo típico de nossa elite associada ao capital transnacional, quando sustenta a continuidade da privatização da infraestrutura pública e até mesmo o cancelamento do mais ambicioso ensaio de desenvolvimento tecnológico e investimento social representado pela Lei da Partilha do pré-sal, que prevê a Petrobras como única operadora de seus campos, a política de conteúdo nacional e os fundos de investimento em educação e saúde. Retornar ao regime de concessão de FHC significa abrir mão de uma lei similar ao modelo norueguês, este que foi responsável pela ascensão do país nórdico ao mais alto patamar de desenvolvimento humano e bem-estar social.

Faz crítica correta, todavia, pontual, à enorme taxa de juros e às operações compromissadas do Banco Central – os dois maiores representantes da apropriação do orçamento público pelos bancos privados – para, em seguida, voltar atrás dizendo que qualquer “voluntarismo” no combate aos mais altos juros do mundo seria “o caminho certo para o desastre”.

Em demonstração de subserviência, insinua que devemos sustar o projeto do BRICS, submetendo o país às parcerias transatlânticas e transpacíficas lideradas pelos EUA, as quais dão privilégio aos investidores estrangeiros, agredindo a soberania, a proteção socioambiental brasileira e, mais uma vez, a “Velha” Constituição do verdadeiro Dr. Ulysses.

E para enterrar de vez qualquer pretensão de justiça social, defende o fim da CLT por meio da antiga ideia de permitir que o acordado prevaleça sobre o legislado, configurando retirada de direitos dos nossos milhões de trabalhadores.

É com pesar que assisto à arena política institucional oferecer cada vez menos possibilidades reais ao povo brasileiro. Com o governo imerso no “austericídio” de Levy, o PSDB há muito submisso aos ditames das finanças e o PMDB defendendo as maléficas iniciativas aqui expostas, temos a quase completa cegueira ideológica assumindo perigosa hegemonia e bloqueando a ascensão e desenvolvimento do Brasil, e usando o nome do Dr. Ulysses, à sua revelia.

Ulysses morreu. Querem agora enterrar suas ideias.

Reproduzido do site MSIa: http://msiainforma.org/ponte-para-o-futuro-e-a-ponte-para-o-inferno/


COMENTÁRIOS DO BLOGUEIRO:
O simples fato de reproduzir o artigo do senador Roberto Requião aqui no blog, demonstra meu apoio quase irrestrito às denúncias feitas por ele.

Adicionalmente, sobre a questão dos juros da Taxa Selic, mostro o gráfico sobre as despesas do Orçamento da União de 2014, em que fica demonstrado de forma inequívoca o descalabro provocado pelo pagamento dos juros ao mercado financeiro, que correspondem a 45,11% do total, e isto quando os juros da Selic eram inferiores a 10% a.a., imagine-se agora com 14,25%. 

Quer o lado oposicionista do PMDB acabar com programas sociais, reduzir o salário mínimo dos aposentados, entregar o Pré-Sal, reduzir investimentos em educação e saúde, alterar a CLT, e manter o tal ajustamento do déficit público, mas não pode mexer nos juros.
Ora, isso é um descalabro, o povo tem de aprender a votar! Que eleja em 2018 qualquer um para presidente, mas que não se vote nos candidatos do PMDB para o Congresso Federal, exceto no Requião, é claro, apesar de, ao que tudo indica - e que assim seja - que ele deva sair do PMDB. Depois dessa! Fico na torcida, qualquer partido é melhor que o PMDB...

Vejam o Orçamento da União, e me digam se estou enganado:

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terça-feira, 10 de novembro de 2015

“Governo mundial” mobiliza Avaaz para aprovar “Corredor Triplo A”

Richard Jakubaszko 
conforme já informei aqui neste blog, em postagem recente ( http://richardjakubaszko.blogspot.com.br/2015/10/a-cop21-vem-ai-e-com-ela-agencia.html ), avançam as intenções dos ambientalistas em estabelecer um "Corredor Ecológico" na nossa Amazônia, fruto das "boas intenções" econômicas e de poder dos países do chamado "mundo desenvolvido".

 

“Governo mundial” mobiliza Avaaz para aprovar “Corredor Triplo A”
A ONG virtual Avaaz está plenamente engajada em mais uma campanha do aparato ambientalista internacional para engessar o desenvolvimento da Região Amazônica. Com o intuito de mobilizar a opinião pública internacional para pressionar o governo brasileiro e, evidentemente, aumentar a sua receita de doações pela internet, a ONG iniciou um apelo pela criação do chamado “Corredor Triplo A”, esdrúxula proposta para a criação de um corredor ecológico de 1,35 milhão de quilômetros quadrados dos territórios amazônicos da Colômbia, Venezuela e Brasil.

A proposta foi originalmente concebida pelo antropólogo colombiano-estadunidense Martín von Hildebrand, fundador e presidente da Fundación Gaia Amazonas, e endossada pelo presidente colombiano Juan Manuel Santos, que pretende apresentá-la na conferência climática de Paris (COP-21), em dezembro, como parte dos esforços sul-americanos contra as mudanças climáticas. A intenção de Santos era convencer os governos do Brasil e da Venezuela a apoiar a proposta, mas os recentes atritos fronteiriços com o governo de Nicolás Maduro podem prejudicá-la. Por outro lado, a atual fragilidade política da presidente Dilma Rousseff deixa o Brasil ainda mais enfraquecido do que costuma ser diante de semelhante tipo de pressões motivadas por insidiosas iniciativas de “proteção” do meio ambiente e de povos indígenas.

Sempre pronto para faturar com tais causas, enquanto cumpre o seu papel de linha auxiliar da estrutura de “governo mundial” que controla o movimento ambientalista-indigenista internacional, o fundador e diretor-executivo da Avaaz, Ricken Patel, assina o texto que está sendo enviado por e-mail a milhões de brasileiros, com o pretensioso título “A melhor ideia do mundo”. A intenção, além de pedir o endosso dos destinatários, é assegurar doações em dinheiro a mais essa “causa nobre” defendida pela ONG, que, oficialmente, se sustenta com elas (em 2013, segundo informações do seu próprio sítio, a sua receita foi de 14,647 milhões de dólares).

O texto de Patel é apelativo, mentiroso e verdadeiramente ultrajante para qualquer cidadão brasileiro que preze a sua inteligência, integridade moral e sentido de patriotismo. Ele mistura informações falsas, como a surrada tese de que a Amazônia seria o “pulmão do mundo”, produzindo 20% do oxigênio do planeta, com uma cínica descrição da oportunidade que ele e seus mentores do “governo mundial” veem como um momento propício para pressionar o governo brasileiro. Como nenhum resumo faria jus ao descaramento do líder da Avaaz, os leitores são convidados a tirar as suas próprias conclusões, com a advertência de que a as narinas mais sensíveis devem ser protegidas (os grifos são nossos - uma versão reduzida se encontra neste link): https://secure.avaaz.org/po/save_the_amazon_fr_loc/?cl=8467484712&v=64098&OtherAmount 


Vejam os absurdos:
  •  Esta é a melhor ideia do mundo
  •  Sabia que a Amazônia, muitas vezes chamada de “pulmão do mundo”, fornece 20% do oxigênio do planeta, abriga 10% da biodiversidade global e, além de ser nossa melhor defesa contra as mudanças climáticas, é o lar de muitos povos indígenas nativos?
  • Mas, mesmo assim, a floresta está sendo devastada a uma taxa de mais de 16 campos de futebol no tempo que se leva para ler este e-mail.
  • Estou falando sério.
  • Como parar um desastre como esses? Bom, a ideia é a seguinte: formar a primeira reserva ecológica transnacional do mundo, ou seja, um gigante parque florestal totalmente protegido! Essa ideia já tem o apoio de um milhão de membros da Avaaz, que assinaram a petição, e até do governo da Colômbia, que faz parte da Amazônia. Agora, só precisamos convencer o Brasil. No momento, a popularidade da presidenta Dilma Rousseff está no ralo e ela precisa de algo para agradar o povo. Os brasileiros amam a Amazônia. E, de acordo com contatos da Avaaz, isso leva a crer que as chances dessa ideia ter apoio popular e se tornar realidade são altas!
  • A reserva teria o dobro do tamanho da França. Parece sonho, mas falta bem pouco para se concretizar — e seria uma das melhores coisas que já fizemos! Entretanto, assim que a vitória estiver a nosso alcance, as indústrias da pecuária e mineração baterão de frente, usando seus recursos milionários para nos calar. Precisamos fazer barulho e conduzir uma campanha publicitária impecável para convencer a presidenta Dilma a apoiar nosso projeto. Temos que agir agora. Se 50 mil pessoas doarem um valor equivalente a um refrigerante, café ou a uma refeição nas próximas 24 horas, nós conseguiremos arrecadar o suficiente.
  • Faça uma doação para ajudar a transformar a Amazônia na maior área florestal protegida do mundo!
Depois de pedir as doações, com valores a partir de R$ 8,00, Paten descreve o modus operandi da campanha (os grifos são do original): 

  • A comunidade da Avaaz no Brasil tem 7 milhões de membros e já estamos trabalhando junto com líderes indígenas neste projeto. Não há ninguém mais bem posicionado do que a comunidade da Avaaz para conduzir uma campanha popular como essa. Mas para garantir que os poderosos ouçam nossas vozes em alto e bom som, silenciando os lobistas, precisamos de fundos para aumentar o volume das nossas vozes usando táticas como:
  • Propagandas e anúncios publicitários, com apelos emocionantes feito por artistas famosos.
  • Visitas de líderes indígenas para promover o projeto e encontrar os principais políticos em Brasília e outros locais.
  • Levar os veículos de imprensa nacionais e internacionais para a Amazônia, a fim de divulgar a reserva ecológica e aumentar a pressão da mídia para aprovarmos este projeto.
  • Ações e manifestações para engajar mais pessoas e dar o tom da mobilização.
  • Apelos pessoais direcionados à Dilma da parte de autores e artistas que ela admira.
  • Uma equipe para acompanhar o processo no Palácio do Planalto e responder rapidamente a cada reviravolta.
  • Restam apenas três grandes florestas milenares no planeta, a mais importante delas no Brasil. Precisamos da Amazônia para sobreviver, tanto quanto os povos indígenas que vivem lá. Parece bom demais para ser verdade, mas falta pouco para a decisão que pode vir a ser um divisor de águas histórico na longa luta para salvar a Amazônia.
No momento em que escrevemos, mais de 51 mil pessoas já haviam feito doações à “campanha” de Patel (sobre elas, talvez seja oportuno recordar o dito do velho mestre circense Peter T. Barnum – “A cada minuto nasce um otário no mundo”).

Quem é Ricken Patel
Ricken Patel, cidadão de nacionalidade canadense, é um típico operativo do aparato de ONGs do Establishment anglo-americano, que constitui o núcleo do “governo mundial”. De acordo com o seu currículo, ele é mestre em Políticas Públicas pela Escola de Governo John F. Kennedy da Universidade de Harvard, tem um bacharelado pela Universidade de Oxford e passagens pelo International Crisis Group, Fundação Rockefeller, Fundação Gates, CARE International e International Center for Transitional Justice – todas, instituições diretamente vinculadas aos interesses da oligarquia anglo-americana.

Antes de fundar a Avaaz, em 2006, ele criou as ONGs virtuais MoveOn.org, Res Publica e FaithInPublicLife.org, baseadas na mesma estratégia: mobilizar pessoas de todo o mundo para fazer doações, por meio de campanhas e petições sobre assuntos em destaque.

O cv informa, também, que ele foi o primeiro de uma turma de 350 alunos em Oxford. Talvez, por se considerar um diferenciado, Patel tenha decidido iniciar uma carreira solo no mundo da militância internacionalista nas causas determinadas pelo Establishment oligárquico. Como presidente da Avaaz, no segundo semestre de 2008, Patel se atribuiu vencimentos de 126 mil dólares, equivalentes a um salário mensal de R$ 40 mil. Nada mal para um trabalho que consiste em enviar e-mails para os quatro cantos do planeta, para o que não parece precisar de muita ajuda, pois a ONG funciona com um reduzido quadro de funcionários (apenas cinco, até 2010, segundo a prestação de contas daquele ano). O site Avaaz.org está registrado em Paris, em nome de Matt Holland, embora a organização esteja sediada em Nova York. Curiosamente, o nome de Holland sequer consta dentre os membros listados nas prestações de contas da ONG.

No Brasil, a Avaaz já realizou campanhas de assinaturas eletrônicas contra o Código Florestal, a construção de Belo Monte, a remoção da comunidade quilombola Rio dos Macacos nas proximidades da Base Naval de Aratu (BA) e outras iniciativas, com frequência – e não por coincidência – vinculadas a temas de interesse da agenda intervencionista do Establishment.

A Avaaz parece ser uma inovação no mundo das ONGs internacionalistas, combinando o ativismo engajado com um claro propósito de obtenção de polpudos ganhos pessoais por seu criador, Patel. Cabe aos brasileiros colocá-lo no seu devido lugar.

Publicado originalmente no site da MSIa: http://msiainforma.org/governo-mundial-mobiliza-avaaz-para-aprovar-corredor-triplo-a/

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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Safra 2015/16: mais ou menos milho?

Richard Jakubaszko 
Circulando a Agro DBO de novembro, com matéria de capa abordando safra e safrinha, considerando-se o questionamento da chamada de capa.

Como destaco no vídeo abaixo, muitas matérias de interesse dos agricultores, como questões do tráfego de caminhões, agora com pedágios nas estradas do Brasil Central, e da ferrugem do café, que retorna com força depois de alguns anos sob controle. 
A nova soja transgênica, tolerante ao estresse hídrico, e que foi desenvolvida na Argentina, é outro ponto alto da edição, bem como o plantio de arroz de terras altas no Brasil Central, eis que esse arroz ajuda a controlar nematoides, melhora as condições dos solos, e ainda dá um lucrinho.


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sábado, 7 de novembro de 2015

Condenação de mentira

Guilherme Cardoso 
Ou a Justiça acha que a gente é bobo, ou a gente é bobo mesmo!

Dá para entender o julgamento e a condenação dos mandantes da Chacina de Unaí?

Depois de 12 anos do crime, a Justiça condena os autores, eles recebem 96 e 100 anos de punição, mas não vão para a cadeia.

Lamentável é que a mídia contribui para manter o povo ignorante, acreditando que realmente foi feita justiça, que demorou, mas os réus foram exemplarmente condenados prisões pelo resto da vida.

Nesta hora, os órgãos de imprensa deveriam sim, acrescentar uma nota de rodapé nas notícias sobre a condenação, informando que embora os réus tenham sido condenados a 96 e 100 anos, as leis brasileiras não permitem mais de 30 anos, e que descontadas as regalias, e se o condenado for primário, ele não fica mais de seis anos na cadeia.


A Justiça permite que os advogados dos réus, recebendo fortunas de honorários, consigam fazer com que os condenados permaneçam em liberdade, enquanto novos recursos vão sendo impetrados.


Se, depois de 12 anos, com tantas provas, um julgamento, com júri condenando, por que não existe um Juiz ousado, corajoso e ético, que depois desse resultado obrigasse os condenados a esperar os recursos na cadeia?

Agindo assim, cada dia mais, o povo desacredita nas autoridades constituídas e na nossa Justiça.

Publicado no blog: http://guilhermecardoso.com.br/condenacao-de-mentira?lang=pt

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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Congresso americano investiga manipulação de dados para "provar" o aquecimento global

Richard Jakubaszko
Volta e meia aparece na mídia uma notícia denunciando trapaças dos cientistas aquecimentistas. Mas é raro, e tem de ser coisa "oficial", como essa notícia abaixo, publicada no site da Veja.
Já notícias de cientistas céticos é mais raro ainda na grande mídia. No meu caso, por exemplo, informo que estou sendo censurado na divulgação do meu livro, "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?".

Vejam esta notícia que saiu na revista Veja, mas só na versão eletrônica (os negritos abaixo são meus):



Congresso americano investiga manipulação de dados para "provar" o aquecimento global
A agência federal americana teria omitido informações e escolhido estações de medição para chegar à conclusão de que temperaturas seguem em alta. O Comitê de Ciência e Tecnologia do Congresso dos Estados Unidos abriu um painel para investigar se pesquisadores da agência oficial encarregada dos estudos sobre o clima manipularam dados para chegar à conclusão de que a temperatura da atmosfera continua subindo, contrariando outras pesquisas recentes nas quais foi identificada uma estabilização no chamado aquecimento global.

Lamar Smith, congressista republicano e chefe do comitê, quer averiguar se os técnicos da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) omitiram informações e escolheram dados de maneira deliberada, em vez de trabalhar com isenção científica absoluta.

Outros estudos climáticos realizados nos últimos quinze anos, citados inclusive pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), apontam para uma pausa no fenômeno de aquecimento do planeta. Tais estudos são frequentemente usados por Smith para criticar as políticas de Barack Obama para reduzir a emissão de gás de estufa.

A controvérsia diz respeito a um artigo produzido por um time do NOAA e publicado em junho pela revista Science ( http://www.sciencemag.org/content/348/6242/1469.abstract  ). Nele, os autores argumentam que o aquecimento prosseguiu nos últimos quinze anos de maneira tão intensa quanto à observada no século passado. Mas existe a suspeita de que algumas estimativas foram aplicadas sem a consideração da margem de erro. Além disso, as boias de coleta de dados teriam sido criteriosamente escolhidas para fabricar o resultado esperado.

Além da contestação científica dos dados, a investigação do Congresso pretende questionar a politização da discussão técnica sobre o clima. Estudos recentes, feitos com a ajuda inclusive de psicólogos, indicam que, frequentemente, as conclusões de pesquisas alarmistas sobre o clima são diretamente influenciadas pelo próprio alarmismo de leigos vocalizado diariamente pela imprensa mundial. É como querer comprovar o que se deseja, no lugar de concluir cientificamente a partir de dados colhidos da maneira o mais isenta possível.

Se confirmada, a suposta manipulação de dados pela NOAA seria uma das mais graves da história da climatologia. A última, de 2009, foi descoberta depois do vazamento de e-mails de pesquisadores do IPCC. Phil Jones, então um respeitado cientista da entidade, dizia que havia aplicado um modelo de cálculo que "escondia o declínio" das temperaturas globais. Os estudos produzidos pelo IPCC apontavam também para o aumento do aquecimento global e faziam uma relação direta do fenômeno com as ações do homem. Na época, Jones foi a público para se retratar e reconheceu que não havia nenhum indicador concreto de que o globo estava esquentando de forma relevante desde 1995.

Não se pode ignorar que as emissões de dióxido de carbono aumentaram por causa da queima dos combustíveis fósseis, nem que a ação humana afeta o ambiente. No entanto, não é possível ainda ter certeza sobre quais são as reais dimensões das consequências desse fenômeno nas temperaturas do planeta. O papel fundamental de órgãos como o IPCC e a NOAA é estudar os dados técnicos e tratar as considerações de maneira isolada à da opinião pública ou das correntes ideológicas já existentes para dar respostas contundentes a essas incertezas.

Publicado originalmente em: http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/congresso-americano-investiga-manipulacao-de-dados-para-provar-o-aquecimento-global/
Enviado a este blog por William Rocha, de São Paulo.
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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Fogos de artifício, no Japão: um espetáculo belíssimo!

Richard Jakubaszko 
Os chineses inventaram a pólvora (e os fogos de artifício), são mestres no assunto, mas os japoneses não ficam atrás e mostram muito talento e competência, vejam no vídeo:

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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Proteger o planeta

Richard Jakubaszko
Sim, devemos proteger o planeta da poluição, da perversa poluição ambiental, dos processos de degradação do solo, como a desertificação e aridização. Lutar contra as mudanças climáticas é um equívoco humano, não temos o poder de mudar o que já é mutável por definição e princípio. Não provocamos as mudanças climáticas, e nem poderemos alterar as mudanças.


O vídeo abaixo, mais um curta-metragem produzido e divulgado pela ONU, deixa a entender que é possível mudar ou mitigar as mudanças climáticas. Mais uma utopia humana.
Lamentavelmente os adeptos desse combate não se reconhecem como inocentes úteis a serviços de interesses escusos e inconfessáveis, tanto políticos como econômicos. 

Depois da COP21, a iniciar-se neste final de mês em Paris, se acontecer algum "acordo", o que vem sendo tentado desde a RIO92, teremos a AIA - Agência Internacional Ambiental, cujos propósitos são o de fazer a humanidade regredir ao tempo das cavernas, ou algo assim.

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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A multiplicidade da Ásia


Marcos Sawaya Jank *
Esse é o título do quinto capítulo do excelente livro "Ordem Mundial", que Henry Kissinger, uma das cabeças mais lúcidas e brilhantes do nosso tempo, publicou em 2014, aos 91 anos de idade.

Ao contrário dos continentes europeu e americano, onde os grandes impérios convergiram para uma certa similaridade étnica, linguística, social, cultural e religiosa, a palavra que melhor sintetiza a Ásia é "multiplicidade".

Para começar, Ásia é apenas um conceito geográfico que reúne cerca de 50 Estados soberanos situados a leste do planeta, na chamada porção oriental. Só que esses Estados abrigam civilizações milenares que, ao contrário do Ocidente, seguiram rumos históricos e geopolíticos bem distintos. Países muito ricos posicionam-se ao lado de outros extremamente pobres, variando de nações continentais a arquipélagos e cidades-nação. Ditaduras convivem com democracias. Pelo menos quatro grandes religiões dividem o espaço asiático: budismo, hinduísmo, islamismo e cristianismo.

Nos últimos quatro séculos, europeus e americanos ocuparam o Oriente redesenhando fronteiras e forçando a sua "missão civilizatória" sobre culturas muito mais antigas e solidificadas que a sua.

A emancipação da região ao longo do século 20 não foi nada tranquila, após uma dezena de guerras que desembocaram nos países de hoje – a guerra civil chinesa, as guerras da Coreia e do Vietnã, as guerrilhas do Sudeste Asiático, as disputas entre Índia e Paquistão e o genocídio de Khmer Vermelho, no Camboja. Espaços e fronteiras continuam sendo disputados, a exemplo dos conflitos nos mares do Nordeste e do Sul da China.

O trauma das épocas colonial e pós-colonial obrigou os países asiáticos a aceitar as suas respectivas soberanias e a se comprometer com a não interferência nos assuntos domésticos. Isso obviamente sem deixar de buscar o interesse nacional, sempre com muita energia e convicção.

Hoje essas culturas retomam o seu poder e a vitalidade do passado, após terem assimilado os melhores valores do Ocidente. No esplêndido livro "Civilização: Ocidente x Oriente", o historiador inglês Niall Ferguson, que aliás acaba de publicar o primeiro volume da biografia de Kissinger, descreve as seis instituições propulsoras do poder que o Oriente aprendeu com o Ocidente e que explicam a sua reemergência: o método científico, os direitos de propriedade, a medicina moderna, a sociedade de consumo, a ética protestante do trabalho e a competição capitalista, mesmo dentro de países teoricamente comunistas.

Kissinger afirma que na Ásia a diplomacia se faz de forma lenta e gradual, respeitando a soberania e a diversidade. A Ásia nunca embarcou nas posições tutelares e universalistas que marcaram a diplomacia da Europa e dos Estados Unidos. Porém, apesar do respeito à soberania e à diversidade, o sistema organizacional asiático não foi pautado pela busca da igualdade, mas sim por mecanismos de hierarquia e controle claramente colocados.

No Brasil, sabemos muito pouco e certamente temos muito a aprender com a experiência asiática, em termos de sociedade, organização e pensamento. Um pouco mais de observação, com menos fala e mais ouvidos, nos fariam bem neste momento.

* o autor é especialista em questões globais do agronegócio; vive em Cingapura.

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domingo, 1 de novembro de 2015

Papa Francisco, em fotos inéditas

Richard Jakubaszko  
O Papa Francisco, nato argentino em 18 de dezembro de 1936, denominado Jorge Mário Bergoglio, é uma das personalidades mais fotografadas em qualquer lugar por onde passa. Já publiquei algumas fotos dele aqui no blog, na cantina dos funcionários, almoçando, e falando de futebol, evidentemente.
A seguir algumas dessas fotos, inéditas na mídia, em sua maioria.

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