quinta-feira, 7 de maio de 2009

Antigamente era assim... (Agrale)

Richard Jakubaszko
No tempo em que telefone era preto e geladeira era branca, lá pelos anos 60 e 70, conquistar um novo cliente para a agência já era uma tarefa para especialistas. 

Naquela época agências tinham de correr atrás dos novos clientes, eles não entravam toda hora na recepção da agência como candidatos a cliente, e nem telefonavam. Ainda tinha muita empresa, pelo menos no RS, com os famosos cartazes afixados na recepção: “Não atendemos agenciadores de propaganda e não damos esmolas. Não insista, por favor. A Diretoria”.

Vejam essa história para saber como era: corriam os anos 80, eu estava no atendimento da Standard, Ogilvy & Mather em São Paulo, hoje apenas Ogilvy, mas dava suporte na agência para prospectar. Faveco, um especialista em ganhar contas, presidia a Standard na época. 

Um dia encontrei casualmente num restaurante um amigo que era diretor da Agrale Tratores. Conversa vai, conversa vem, sugeriu-me uma apresentação da agência lá em Caxias do Sul – RS, sede da empresa, para toda a diretoria. De certa forma eu era um "diferencial" da agência, pois já era "acusado" e "carimbado" como "especialista em comunicação no agronegócio". 

Dias depois, na véspera de embarcar de SP para Porto Alegre para fazer a apresentação, recebi um memorando (correspondência via malote, a internet ainda não existia... êta, que tempos malucos!!) do Carlos Schneider, então Vice-Presidente da agência lá em Porto Alegre, que me relatava o seguinte fato:
Richard, tudo certo com relação à apresentação para a Agrale. Acho que temos muito a oferecer para eles, de qualidade bem superior à que eles vêm recebendo da atual agência. O fato deles terem sido procurados por 3 agências neste curso espaço de tempo é mais uma prova de que o mercado está sabendo das coisas que só eles não notaram. Por último: esta concorrência a que o teu amigo Carlos Costamilan (então Diretor da Agrale) se referiu deve ter sido feita antes de 77, pois desde que retornei à Standard nunca fomos convidados a nos apresentar para eles. A última vez que o fizemos foi em 1966 ou 67, ainda na Denison de Porto Alegre, quando, junto com o Faveco, fomos à Caxias para solicitar a conta e como tínhamos que levar muita tralha de projetores e telas, o que não cabia nem no meu Fusca e nem no DKW do Faveco, pedi o Galaxie “zero” do meu sogro por empréstimo. 
A apresentação foi ótima, mas não levamos a conta. Soubemos, depois, que o Francisco Stédile tinha dito a amigos em Caxias que a agência era ideal, mas que ele tinha ficado com medo de dar a sua conta para jovens rapazes de Porto Alegre que já tinham um Galaxie do ano, enquanto ele, fundador da Agrale, tinha um Chevrolet 1964. Foi assim“.

Uma pérola, como vimos. A Denison, nos anos 60, onde também trabalhei com o Faveco e o Schneider, não ganhou a conta, e a Standard na minha época, 20 anos depois, também não ganhou a conta, daquela feita porque o rolo de filmes apresentado mostrava “muita sofisticação”, ou seja, comerciais para TV que “deviam ser muito caros”, e ainda “com clientes muito grandes”, e eles queriam uma agência mais pé no chão, como eles. 

O fundador, Francisco Stédile, não mais atuava como Presidente da Agrale, mas deixara ensinamentos aos seus seguidores. O que acabei de contar mostra que a história se repete, com muito mais frequência do que podemos imaginar.
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