sábado, 18 de outubro de 2014

Minas Gerais conhece Aécio, e não vota nele!


Richard Jakubaszko 
- Aécio fala em meritocracia, mas foi nomeado Diretor da Caixa Econômica Federal, aos 25 anos, recém-formado, por indicação política de seu primo que era Ministro da Fazenda, Francisco Dornelles, e o então presidente José Sarney (documento comprova isso, abaixo).

Aécio teve cargo em Brasília aos 17 anos, recebendo salário dos cofres públicos da Câmara dos Deputados, quando morava e estudava no Rio de Janeiro.

 -  Aécio ganhou concessão de rádios do então presidente José Sarney, em um toma-lá-dá-cá por apoio ao governo da época.

- Francisco Dornelles, o primo de Aécio que o nomeou junto com Sarney para diretoria da Caixa, foi presidente do PP, no período em que o partido é acusado pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa de o ter "apadrinhado" na Petrobras em troca de propinas em contratos com empreiteiras.

- O Brasil ainda aguarda explicações sobre o aécioporto, o aeroporto que Aécio Neves mandou construir na fazenda do “titio”, ao lado de sua fazenda, em Claudio, MG.

- O Brasil aguarda os resultados das investigações sobre o helicoca dos Perrela, propriedade do deputado estadual Perrela e do senador Perrela (o pai), amigos e correligionários de Aécio Neves.

- Será que Minas Gerais não vota em Aécio Neves, justamente porque ele é bem conhecido por lá? Parece ser esta a boa explicação às desculpas do marqueteiro de Aécio, de que ele não foi bem votado no Sul e no Nordeste, durante o 1º turno, porque não é bem conhecido nessas regiões.

Então vamos tornar Aécio bem conhecido em outras regiões, porque onde ele é bem conhecido ele não ganha, como lá em MG...
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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

PT x PSDB e o Salário Mínimo, isso não foi ao debate!

Richard Jakubaszko
Aquela mania dos tucanos de falar mal dos brasileiros mais pobres e nordestinos que votam em Dilma, voltou com toda força, com a vitória dos tucanos em São Paulo.

FHC subiu no salto alto e chamou os eleitores mais pobres de ignorantes por não votarem no Aécio.

O ex-presidente disse ao colunista Josias de Souza, do portal Uol, "O PT está fincado nos menos informados, que coincide de ser os mais pobres. Não é porque são pobres que apoiam o PT, é porque são menos informados".

Em primeiro lugar essa é uma mentira, vinda do preconceito.

O eleitor mais pobre que vota em Dilma é o mais consciente e melhor informado que existe, por que ele não precisa de jornal, nem de tv para saber quando um governo funciona para ele ou não. Ele sente a informação chegar na própria pele.

Quem era muito pobre mesmo, na época do FHC, sentia a informação chegar no ronco da barriga vazia. Depois de Lula e com Dilma, fome esse cidadão não passa mais.

Quem era desempregado na época do FHC, sentia na própria pele a falta que faz ter seu salário no fim do mês. E mesmo quem era empregado sentia o arrocho nos salários e o medo de perder o emprego. Aposentado também sofria com o arrocho. E escola técnica boa e faculdade era coisa de rico. Com Dilma pobre também entra.

No governo do PSDB o pobre era invisível para o governo. Só era considerado como número para estatística e para "masturbação sociológica", como falou um próprio ex-ministro tucano na época. Na hora de fazer o orçamento da União, o pobre ficava de fora.

O cidadão mais pobre sabe como ninguém a diferença de viver no Brasil governado pelo PSDB ou pelo PT.

Outra mentira deslavada é não reconhecer que quem é mal informado é justamente quem lê a Veja, a Folha, o Estadão e se informa pelos telejornais da TV Globo ou pelos "especialistas" da Globonews. Esses têm uma visão completamente deformada do Brasil. Esses são justamente os desinformados (e muitos porque querem ser) que votam no Aécio.


O financista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central ao tempo de FHC, e que tem dupla cidadania (EUA e Brasil), e que é um dos consultores do especulador George Soros, faz uma análise sobre o salário mínimo e diz que hoje os salários estão muito altos no Brasil, indicando que, se for ministro da Fazenda do Brasil, num hipotético governo de Aécio Neves (PSDB/MG), se terá de estabilizar essa "excrescência" construída por Lula e mantida por Dilma (PT/SP), sob risco de se "engessar" a economia.





Sintomática análise do que os tucanos vão fazer com o Brasil, de novo. Primeiro, venderiam a Petrobras (aliás, Petrobrax), quem sabe também o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, e provocariam um pouquinho de recessão, só pra gerar "instabilidade" empregatícia, e, com o desemprego, permitir que os salários, especialmente o salário mínimo, caiam a um nível que eles consideram viável pagar. Ai, ai, ai...
Essa é a minha percepção do discurso do Armínio Fraga no vídeo acima.
Ou ele disse algo diferente???


Se alguém tiver alguma contestação aos argumentos colocados acima, comente, mas identifique-se, não publico comentários de anônimos.

Um outro detalhezinho que a mídia não informa, ao contrário, desinforma: o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto da Costa, foi demitido do cargo em abril de 2012 pela presidência da empresa, Graça Foster, porque foi apontado pela Polícia Federal como envolvido em negociatas mal explicadas, e a partir dai correram as investigações, culminando com a prisão dele e do doleiro Youssef, enquanto correm os trâmites na Justiça.
A mídia noticia as "denúncias" da "delação premiada", como se o ex-diretor da Petrobras fosse um escoteiro ínclito e honesto, cercado de políticos corruptos. A situação, como se vê, é de uma hipocrisia repugnante".
O que não da pra entender é o PT, antes um partido combativo, e que agora mais parece uma senhora gorda e burguesa, não defender o governo Dilma, que foi a responsável pela demissão do corrupto.

Afora isso, que a classe mérdia paulistana vote em Aécio, é porque terceirizaram o raciocínio, pois não têm opinião, são idiotas autossuficientes que chegaram aonde chegaram pela sua hiper-inteligência e competência. Queria ver se isso funciona num possível governo Aécio, quando os juros vão subir, os investimentos cairão, os salários vão desabar, e os empregos vão minguar.

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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

A elite mal informada: réplica às fabulações de Monica de Bolle

Eduardo Fagnani (1)
Os aplausos são do blogueiro
Este artigo é uma réplica ao texto de Monica Baumgarten de Bolle (“Mentira tem perna curta”), recentemente publicado na página 3 da Folha de São Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/189886-mentira-tem-perna-curta.shtml).

Acreditando nos “princípios, valores e missão” que orientam a redação deste jornal – onde se lê, por exemplo, “defesa da liberdade de expressão, independência, espírito crítico, pluralismo e apartidarismo” –, submeti esta réplica aos crivos da Coordenação de Artigos e Eventos da Folha de São Paulo. “infelizmente, não nos será possível publicá-lo, diante da nossa disponibilidade limitada de espaço”, foi a resposta recebida.

Para não privar os leitores desta modesta contribuição ao debate democrático de ideias, num momento crucial em que dois projetos antagônicos para o país estão em disputa, resolvi publica-lo neste espaço.

As fabulações da diretora da Casa das Garças, em seu contorcionismo para defender a indefensável política econômica e social do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), inicia-se com a afirmação: “há quem ache que mentira repetida à exaustão torna-se verdade absoluta”.

De forma correta, afirma que nos anos 1990, o país fez o Plano Real, que levou a inflação de “inacreditáveis 900% ao ano para um dígito”. Mas, essa é apenas uma das faces da verdade. A outra, omitida, são os abissais custos econômicos e sociais implícitos no referido programa de estabilização.

Na época, a opção passiva pelo modelo liberal era justificada pela convicção de que “There Is no Alternative”. O Estado nacional foi demolido em consequência das privatizações e do endividamento crescente. A abertura comercial e a valorização do câmbio destruíram a indústria e desequilibraram as contas externas. A saída foi privatizar o patrimônio público e atrair o capital financeiro especulativo e volátil para acumular reservas cambiais. Para isso também elevaram os juros básicos da economia para patamares obscenos (superior a 40% ao ano em alguns momentos), ampliando o regozijo dos donos da riqueza que detêm os títulos públicos indexados à taxa Selic.

Os gastos com juros chegaram a patamares superiores a 8% do PIB (hoje está em torno de 4,5%) em alguns anos. Para o leitor ter uma ideia da inviabilidade de qualquer política social, observe-se, por exemplo, que isso representa quase 10 vezes mais que os gastos federais realizados pelo governo federal em saneamento ao longo dos oito anos dos governos de FHC.

Entre 1996 e 2003, a participação do gasto social federal na despesa total do governo central declinou dez pontos percentuais (de 60 para 50%), enquanto a participação das despesas financeiras cresceu 16 pontos (de 17 para 33%).

A dívida pública líquida dobrou em oito anos (de 30 para 60% do PIB). O aumento das despesas com juros motivou elevação da carga tributária (de 27% para 32% do PIB, entre 1995 e 2002). Sim, a carga tributária sobe significativamente na gestão FHC e não na gestão do PT, como se quer fazer crer.

Políticas econômicas e sociais são faces da mesma moeda. É fabulação pretender que “nos anos 1990, o Brasil instituiu os programas sociais que, junto da estabilização macroeconômica, começaram a tirar milhões de pessoas da miséria”. É verdade que com a estabilização monetária, entre 1994 e 1995, a pobreza extrema caiu de 13,6% para 9,3% da população total. Mas o contorcionismo tucano não informa que a taxa de pobreza permaneceu próximo desse patamar até 2002. Em 2013 chegou a 3,6%, quase três vezes menor que a herança da “social democracia” democrata-tucana.

Para a doutrina neoliberal, a “política social” se restringe aos programas focalizados nos “pobres”, pois são baratos (0,5% do PIB) e, portanto, funcionais para o ajuste macroeconômico. A busca do “bem-estar” social prescinde da geração de emprego, valorização do salário mínimo e políticas sociais que assegurem direitos na direção de uma sociedade homogênea.

Adepta desta visão, a diretora da Casa das Garças não menciona a destruição de 1,2 milhões de empregos formais entre 1995 e 1999. Ou ainda que, durante os governos de FHC, a taxa de desemprego subiu de 8,4 para 12,3%; a participação dos salários no PIB declinou de 35,2 para 31,4%; e a renda domiciliar per capita, a desigualdade social e o PIB real per capita ficaram estagnados.

Também não há menção aos retrocessos impostos nos direitos trabalhistas, sindicais e previdenciários, para citar dois exemplos. Nesse último caso, para abater os ditos “vagabundos”, o Brasil passou a ser o campeão mundial no quesito severidade das regras de acesso da previdência social.

“E a história de o país ter quebrado três vezes?” Sua leitura é dissimulada e maledicente. Em 2001, quando a campanha eleitoral apenas engatinhava, culpa o “efeito Lula” pela quebradeira. Mas mentira tem perna curta. Basta ver que o chamado “Risco Brasil” durante os governos FHC foi sempre superior a 523 pontos, atingindo 1248 e 1445 pontos em 1998 e 2001. Em 2003 caiu para 468 e hoje está em torno de 201. Fica a pergunta: quando um país pede socorro ao FMI, o que significa? Que navega em céu de brigadeiro ou que quebrou? O leitor que julgue.

Finalmente, a autora afirma haver “quem subestime a capacidade de reflexão das pessoas” e faz “troça da inteligência alheia”. E sentencia: “o Brasil verdadeiro sabe pensar por si”. Embora não seja ponto pacífico dentre as lideranças do PSDB, nesse ponto concordamos. E foi o que fez o Brasil nos últimos anos.

(1) – Professor do Instituto de Economia da Unicamp, pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e do Trabalho (CESIT/IE-UNICAMP).

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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Debate Armínio x Mantega: revelador de intenções.

Richard Jakubaszko 
O debate entre os dois economistas, um ministro do governo, e outro da oposição, mostra em minha modesta opinião que:

1º - o Brasil não está à beira da bancarrota, como o candidato do PSDB apregoa, com irrestrito apoio da mídia.

2º - existem problemas pontuais, como a inflação, mas controlável.

3º - a polêmica entre os economistas no debate me pareceu mais de filosofia e fórmulas de como conduzir a economia, eis que Armínio apregoa de forma dissimulada um arrocho na economia, como aumento dos juros, aumento de impostos, para reduzir a inflação, que iriam segurar os investimentos empresariais, e com isto aumentar o desemprego, além de reduzir salários.

4º - Mantega mostrou que o Brasil reduziu a dívida externa, derrubou os juros, e baixou a inflação, ao mesmo tempo em que implantou políticas sociais, aumentou o emprego e a renda dos trabalhadores, apesar da crise externa que Armínio insistiu em dizer que ela acabou desde 2009. A Europa que o diga, se essa crise acabou. Os EUA também. O desemprego por lá anda absurdamente alto.

5º . Não estou sozinho nessa posição, Antônio Prata, em sua crônica, logo após o vídeo, fez uma divertida análise sobre esse debate entre os dois economistas.


O chapeiro e o dono da padaria
Antonio Prata *
Não precisa ser marxista para concordar que as necessidades do chapeiro e do dono são diferentes. 
As vitórias da Dilma, no Nordeste, do Aécio, no Sudeste e a mesma divisão mostrada pelo Datafolha para o segundo turno ressuscitaram o velho preconceito de que pobre não sabe votar. Os mais ricos e escolarizados escolheriam racionalmente e votariam no PSDB, enquanto os mais pobres e com menos anos de estudo, iludidos pelas "esmolas" e falsas promessas do governo, fechariam com o PT.

Essa ideia equivocada deriva de uma falsa premissa: a de que existiria o voto certo e o errado. Candidaturas não representariam interesses distintos de diferentes camadas da sociedade, mas sim a verdade ou a mentira. Uma eleição não seria, portanto, uma escolha entre múltiplas propostas, mas se assemelharia àquele golpe em que, sobre um tabuleiro, uma pessoa vai rolando uma bolinha e a escondendo cada hora sob um de três copos; no fim, você tem que descobrir qual copo esconde a bola, quais estão vazios; qual candidatura é a certa, boa para todos, quais são as vazias, querendo nos enganar.

Ora, bolas, o Nordeste não deu 60% dos votos à Dilma porque foi enganado por ela. Deu porque, sob o PT, as condições de vida daqueles milhões de eleitores melhoraram. E o mensalão? E o escândalo da Petrobras? E a inflação? Nada disso conta? Não a ponto de escolherem outro candidato. É um voto racional.

A mesma coisa vale para os 39,45% do Aécio no Sudeste. O sudeste é mais rico, vê seus interesses representados pelo candidato, não precisa tanto de programas sociais --só quer menos Estado, evidentemente, quem não depende dele. E o mensalão mineiro? E o escândalo do metrô? E a compra de votos pra reeleição? Nada disso conta? Não a ponto de escolherem outro candidato. É um voto racional.

Na boa: você não precisa ser marxista-leninista pra concordar que as necessidades do chapeiro são diferentes das do dono da padaria, vai?


Na quinta, Armínio Fraga e Guido Mantega foram entrevistados por Miriam Leitão, na GloboNews. O que Armínio dizia era, numa livre tradução, que o PT está quebrando a padaria e, caso isso aconteça, quem mais se estrepará será o chapeiro. Mantega se defendia afirmando que a padaria não está quebrando, só está com pouco movimento por conta da crise mundial. E lembrava que, mesmo nesse período difícil, o Brasil manteve contínuos aumentos de salário e seguiu contratando chapeiros. Armínio rebatia que a crise já tinha passado e as outras padarias estão melhores que a nossa e acusava o governo de só manter o emprego e o salário nesses níveis na base da gambiarra. As planilhas estariam cheias de araminho e fita isolante. É a crise!, se defendia Mantega, alegando que na hora do dilúvio é mais importante botar a bacia embaixo da goteira que consertar o buraco no teto. Uma hora o teto vai cair, vaticinava Armínio. Com a gente, nunca caiu, se orgulhava Mantega, com vocês, caiu três vezes! Era a crise, se defendia Armínio. O que importa é que as pessoas estão bem, sorria Mantega. O que importa é que o balancete vai mal, sorria Armínio.

E eu, que não sou chapeiro nem dono de padaria, fiquei com a sensação de que os dois tinham razão e estavam errados, alternadamente.
 

* escritor e colunista de "Cotidiano", escreve aos domingos neste espaço.

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terça-feira, 14 de outubro de 2014

Aécioporto, a bossa nova está de volta...

Richard Jakubaszko 
A Bossa Nova está de volta, mais criativa e talentosa do que nunca, renasce por obra e graça de Aécio Never, candidato tucano... Assistam antes que o aécim mande censurar...

Aqui, outro vídeo-reportagem, que explica o aécioporto, cujo uso ainda precisa ser autorizado pelo "titio", mas que a Anac não regularizou, portanto, culpa desse governo que está aí...

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domingo, 12 de outubro de 2014

1ª Universidade das Ciências Gastronômicas (slow food)

Richard Jakubaszko 
Só poderia ser na Itália uma iniciativa dessas como o slow food, ideia fantástica, em vista do valor que os italianos dão à comida.

Não é à toa, portanto, que a Unisg, University of Gastronomic Sciences tenha sido idealizada na Itália, mais precisamente na cittá de Pollenzo, um sítio romano antigo, próximo a Turim. Estive visitando a Unisg, a convite da CNH - Cia. New Holland (Grupo Fiat), uma das empresas parceiras e patrocinadoras da Unisg, na primeira semana deste mês de outubro.

Fiquei muito impressionado com a estrutura e os registros históricos da jovem Unisg, fundada há menos de 10 anos. Assim, divulgo alguns detalhes da ideia e mostro imagens daquilo que vi e que me entusiasmaram muito, especialmente pela alta competência do trabalho que realizam por lá.

Em Pollenzo (e também em Trento) nasceu o conceito de slow food, fundado pelo sociólogo e jornalista italiano Carlo Petrini, que se propagou mundo afora, em oposição (em todos os sentidos) ao contemporâneo e leviano fast food. Lá está também a Banca del Vino. Redundante dizer que o almoço oferecido pela diretoria da Unisg ao nosso grupo visitante, regado a vinhos (todos nacionais...), foi um manjar inesquecível, digno dos deuses.

Petrini não estava presente, lamentavelmente, mas pesquisei e li que ele afirmou que "A política mais importante passa pela comida". Foi assim que alimento virou uma questão política. Petrini diz que quando começou o movimento do Slow Food, não sabia disto, era apenas um protesto indignado contra o McDonalds que instalara uma loja no centro de Roma.
Petrini revela que a política mais importante neste momento no mundo passa pela produção de comida. Não a comida espetacular e criativa dos chefs, mas a comida dos camponeses, dos cidadãos, das crianças, dos doentes. Petrini percebe a comida como instrumento de justiça social. Aliás, é sob este prisma que se realizará de maio a outubro do próximo, em Milão, Itália, a Expo Milão 2015, cujo tema é "a sustentabilidade pelo alimento", hoje indiscutivelmente o maior problema a ser resolvido para viabilizar o futuro da humanidade.

A questão é uma variável do que venho debatendo neste blog desde o início, em dezembro de 2007: o crescimento populacional vai trazer problemas de abastecimento alimentar, a produção de alimentos não vem crescendo de forma suficiente a dar segurança alimentar. Onde há terra para se fazer agricultura não existe água ou sol, e agricultura precisa dos três para se consumar. Nos países ricos os alimentos já são commodities e o mercado financeiro especula sobre essa necessidade humana.

Na Unisg, alimento não é commodity, faz parte do todo, do sabor e do prazer, da saúde (inclusive na cura de doenças), da relação com o meio ambiente, interage com os produtores rurais, aliás, produtores de alimentos, com o consumidor e sua saúde, e também seu equilíbrio físico e mental, é um movimento até mesmo ideológico, portanto, multidimensional, conceito ao qual aderiram personalidades internacionais como o Papa Francisco e Barack Obama, e até mesmo Eric Smith, presidente da Google. Michelle Obama, por exemplo, instalou uma horta na Casa Branca por indicação do slow food.

Brasileiros como Alex Atala e Regina Tchelly já proferiram palestras em Pollenzo, na Unisg, bem como outros famosos e respeitados chefs de cozinha de todo o mundo. Enfim, a Unisg é uma injeção na veia de adrenalina otimista, ideia que deveria ser copiada e repetida mundo afora, inclusive no Brasil.
Decoração da sala de recepção, no estilo italiano, de bom gosto.
Área externa frontal.
Pollenzo, sítio Romano, dos séculos I e II.


Estilo sóbrio, e belo. Aqui estuda-se o "slow food", um conceito genial.


Ambientes em harmonia arquitetônica. Ao fundo a torre do castelo.


Patrimônio Mundial da Humanidade, Unesco.



O arado, homenagem a um dos maiores inventos da humanidade.



Ricardo Sauvaigne, do corpo de diretores da Unisg.


Slide da apresentação da Unisg, sobre o que é a inovação em alimentos.


Propostas da Unisg: alimento não é commodity, é muito mais que isso.

Nascente preservada, passa por baixo do castelo.
Michele Fino, professor da Unisg, brilhante e instigante apresentação.
Pollenzo, sítio Romano, a Itália é um museu a céu aberto.
Preservação da história e da cultura.
Arquitetura e meio ambiente em equilíbrio.

sábado, 11 de outubro de 2014

A palavra escrita é sagrada - a mídia também!

Daniel Strutenskey Macedo

Devemos ter cuidados com jornais
A expressão é antiga, de um tempo em que somente o poder escrevia: a igreja, os generais, a aristocracia. Os primeiros textos são códigos religiosos, ordens de reis, de chefes de nações. A palavra escrita tinha poder. Quanto poder ela ainda tem? A que escrevemos uns pros outros, pouco, quase nada. A escrita no Diário Oficial tem, pois nomeia, estabelece normas. A publicada na mídia miúda vale alguma coisa. A publicada pela grande mídia faz estragos. As pessoas defendem a liberdade de imprensa, mas é uma defesa que ainda leva em conta o abuso praticado em nome da liberdade. A internet permite a veiculação popular, começa a trazer à tona opiniões que antes não tinham onde trafegar.

Foi com enorme e decisiva participação da mídia que aconteceu a maior tragédia brasileira: A “Guerra de Canudos”. Coloco entre as aspas porque não foi uma guerra entre um país e outro, mas o martírio de sertanejos pobres acusados de subverterem a ordem. Euclides da Cunha, além de narrar os episódios, fez questão de esclarecer a falsidade da terrível campanha movida pelos jornais da época (em São Paulo, pelo jornal O Estado de São Paulo), os quais, durante dois anos, incitaram a população e conclamaram as forças armadas a intervir para “salvar” a pátria e a república. O original traz a análise do autor a respeito da farsa montada. Nas edições posteriores, os trechos que apontavam os malfeitores foram retirados. Ainda hoje o Estadão posa como paladino em defesa da liberdade e da democracia. Que desonra!

Regina Abreu, antropóloga, estudiosa do assunto, assim retrata a posição do autor: segundo o escritor, em vez de soldados, o governo republicano deveria ter enviado "mestres escolas" para educar a população de Canudos no caminho do progresso e da civilização, ou seja, as autoridades militares e civis erraram e abusaram do poder ao reprimir pela força uma população que deveria, pelo contrário, ser integrada ao Estado-nação. Euclides da Cunha chamou a atenção para o desconhecimento total em que viviam as elites com relação às populações dispersas pelo território. Os sertões eram mundos desconhecidos que precisavam ser desvendados. Euclides da Cunha fornecia uma interpretação que potencializava o aspecto positivo dos habitantes dos sertões do Norte, que ele chamava "nossos rudes patrícios". 0 principal argumento do escritor era de que essa população que vivia à margem da nação constituía o cerne da nacionalidade. Os "Sertanejos" de Canudos, mártires dos desvios e dos abusos do poder do governo republicano, passaram a representar, metaforicamente, o povo brasileiro. Resgatá-los, nem que fosse procedendo a uma revisão histórica dos erros de Canudos, significava resgatar o projeto da nação brasileira”. Vale a pena ler a Regina Abreu na íntegra.

Há alguns anos atrás, tivemos o episódio da Escola de Base. Falsamente acusada, foi fulminada pela mídia e fechou, pois os pais retiraram seus filhos da escola. Professores e diretores ficaram difamados, marcados para sempre. Soube-se depois que tinha sido uma farsa, mais já era tarde, o mal já estava feito, não era possível voltar atrás.

Recentemente, vivemos a Farsa do “caso” Celso Daniel. Durante dez anos, sempre próximo das eleições, repetiam-se intensamente as análises dos mesmos acusadores para desmoralizar o PT em Santo André e na mídia de massa. Todas as pessoas que conheço e com as quais conversei sobre o assunto, até as “sensatas”, acreditaram no que foi divulgado, ficaram convictas de que tudo o que foi publicado era verdade. Acompanharam o caso como se acompanhassem uma novela. Atualmente, ao invés do Manoel Carlos, são os repórteres que trazem as narrativas dos acusadores, dos advogados e das testemunhas. A mídia é novelesca, mas não traz os dois lados como fazem os autores de ficção. Elegem alguém culpado, urdem uma trama e vão acrescentando detalhes que ratificam as evidências por eles apontadas.

O jornalista Daniel Lima, de Santo André, que pode ser lido no “capitalsocial.com.br” cobriu, virou e revirou o caso Celso Daniel do avesso. Suas matérias forneceram laudos integrais da perícia, cópias dos depoimentos e uma porção de informações que contradizem a novela montada pela grande mídia. No entanto, ninguém se interessou pelo outro lado, o revelado pelo Daniel Lima, pessoa séria, culta, que conhece os políticos, os empresários, os artistas e todas as pessoas minimamente relevantes do ABC, particularmente de Santo André.

Confesso que escrevo isto desiludido, pois além de conhecer Daniel Lima, conheci e trabalhei com o professor Celso Daniel, conheci seus amigos, seus interesses. No entanto, ninguém deu crédito às informações. Preferiram ficar com a versão da mídia. Culpa da mídia? Não, da cultura. E não se trata de cultura aprendida nas escolas.


Dou um exemplo: ajudei a fundar a Instituição Lar Bom Repouso, da qual fui diretor por quinze anos, voltada às pessoas de rua, doentes e velhos, tudo gratuito, nem os diretores recebem remuneração, são voluntários. Nos primeiros quinze anos, recebemos e demos guarida a 18.845 adultos. Um número expressivo, maior que o de uma pequena cidade e composto por gente vinda de todos os lugares do Brasil.

Por ser da área de marketing e pesquisador, por querer conhecer as razões e os números (o que não é medido não é gerenciado), fiquei bem informado, quase especialista no problema. Pois bem, ao trocar informações com um antropólogo, professor de duas faculdades, ele me disse que "o centro de São Paulo tinha três milhões de moradores de rua". Contestei, pois a estimativa era de 800 mil pessoas migrando, indo de um lado pro outro no Brasil todo, nas capitais e cidade regionais. Expliquei que o centro de São Paulo é delimitado pelo Bom Retiro de um lado e a avenida Paulista do outro, que tem baixa ocupação populacional, nele mal cabe um quarto dos três milhões mencionados. E que nossos estudos estimavam em vinte e cinco mil os moradores de rua na cidade toda (naquela época, esse número caiu), que é muita gente e que causa muitos problemas para a cidade.

Ele retrucou da seguinte forma: então a Folha de São Paulo está mentindo? Respondi: você acredita em mim ou no jornal? Ele confirmou: acho que o jornal sabe o que diz, e ficou com a informação absurda (e furada) do jornal. Depois disso, vê-se que precisamos trabalhar muito para que a palavra da grande mídia não permaneça sagrada!
Ela ainda é. Mas não merece mais essa honraria.

A verdade sempre prevalece?
"Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta, formará um público tão vil como ela mesma."

Joseph Pulitzer
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