segunda-feira, 12 de junho de 2017

O que escrever em sua lápide se você é...



Hélio Casale *

AÉCIO
Enfim, pó!
 
ESPÍRITA
Volto já.

INTERNAUTA
Travou tudo

ARQUEÓLOGO
Enfim, fóssil.


ASSISTENTE SOCIAL
Alguém aí, me ajude!

BROTHER
Fui.

DELEGADO
Tá olhando o quê? Circulando, circulando...

DILMA
Foi golpe!!!

LULA
O túmulo é de um amigo meu.

ECOLOGISTA
Entrei em extinção.

ENÓLOGO
Cadáver envelhecido em caixão de carvalho, aroma formol e after tasting que denota presença de microorganismos diversos.

FUNCIONÁRIO PÚBLICO
É no túmulo ao lado.

HIPOCONDRÍACO
Eu não disse que estava doente?

HUMORISTA
Isto não tem a menor graça.

JUDEU
Quem está tomando conta do lojinha?

PESSIMISTA
Aposto que está fazendo o maior frio no inferno.

PSICANALISTA
A eternidade não passa de um complexo de superioridade mal resolvido.

FUNCIONÁRIO DA CAIXA
Vem pra Caixa você também, vem!

O ADVOGADO
Disseram que morri... Mas ainda cabe recurso... Vou recorrer!!!

* o autor é engenheiro agrônomo, cafeicultor nas Minas Gerais, e um grande gozador.
.

sábado, 10 de junho de 2017

Se político fosse boi...

Richard Jakubaszko   
Tenho alguns políticos como amigos, alguns são honestíssimos, outros nem tanto, mas se fossem como bois, conforme o mineiro aí embaixo, a gente arresolvia, fácil, fácil... É que não adianta mais vacinar...

 

sexta-feira, 9 de junho de 2017

O micróbio macróbio ou a sobrevida de um morto

Fernando Brito *

Os portais de notícias antecipam que a conclusão do festival de vaidades e propagandismo do julgamento do TSE será, por 4 votos a três, pela improcedência da ação de cassação da chapa.

Talvez seja, como se dizia antigamente, a “visita da saúde” de Michel Temer, nome que se dava a uma inexplicável melhora do paciente que, em poucos dias, “bateria as botas”. Ou, como se diz na piedosa linguagem dos que andam pela minha idade, “evoluiria a óbito”.

Por maior que seja o controle e a influência de Temer, sob as asas de Gilmar Mendes, num tribunal que, pudesse condenar Dilma Rousseff e inocentá-lo, teria um resultado de “100” a zero, porque imolar um eleito nada é, pra eles, perto do destituir um poderoso da sua própria grei.

Vai durar pouco, se é que está durando, com esta história torpe do jatinho de Joesley, a alegria do ocupante do Planalto.

De início, alguns de boa-vontade achavam apenas que tinham elevado à Presidência um macróbio, que, embora desajustado dos novos tempos e demandas da sociedade, faria apenas a política convencional do conservadorismo. As suas pompas, mesóclises e fogosos apetites sobre a juventude e beleza entravam apenas no figurino comum de inaceitação do outono.

Rapidamente, desde que começaram as revelações sobre a quadrilha que o contornou e acompanhou ao Planalto, e agora completamente com o comportamento de gangster exibido no caso JBS, conclui-se que o macróbio era, apenas, um micróbio, que não tem estatura para ser mais do que um dos muitos deputados fisiológicos que abundam em nosso parlamento, um pequeno verme destes que caruncham os negócios da política.

A bactéria moral que nos preside, porém, não sobrevive à luz por muito tempo. Pior, porque está servindo de razão para o violento ataque de parasitas policiais-judiciais, que se servem da baixa imunológica da democracia e das liberdades para se adonarem do organismo da nação.

Temer, que todos sabiam pequeno, mas que se imaginava imenso, revelou-se minúsculo, microscópico.

O Brasil, que ele disse que uniria, está inapelavelmente dividido, unido, quase todo, apenas no desejo de livrar-se dele.

* o autor é jornalista, editor do blog Tijolaço,

Publicado originalmente no Tijolaço: http://www.tijolaco.com.br/blog/o-microbio-macrobio-ou-sobrevida-de-um-morto/

.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Inventamos o presidencialismo sem presidente. E sob ele navegamos à deriva

Luís Costa Pinto *
Poucas vezes fora da excepcionalidade da Assembleia Nacional Constituinte de 1987 a 1988 assistimos ao Congresso Nacional trabalhar tão intensamente como na semana passada. Raras vezes os parlamentares brasileiros impuseram às Mesas Diretoras das duas Casas Legislativas o ritmo frenético de fazê-las aprovar seis, sete medidas provisórias num único dia em que as comissões temáticas e especiais também funcionaram. Esta semana não será diferente. É provável que os presidentes da Câmara e do Senado, em meio a rol inédito de legislações mais e menos relevantes, aprovem até um novo rito de tramitação de medidas provisórias destinado a impor limites ao Poder Executivo na facilidade com que ocupantes do Palácio do Planalto acionam o dispositivo que deveria ser extraordinário. De quebra, dificultariam a subida de jabutis ao topo das MPs. Dá-se o nome de jabutis a artigos e temas estranhos ao assunto original das medidas, introduzidos por legisladores no curso da tramitação.

Poder não conhece vácuo. Se conhecesse, seu nome seria desordem. Em razão disso, a explicação para o furor legisferante por que passa a Capital da República desde que a divulgação das gravações de Michel Temer com Joesley Batista, dia 17 de maio, promoveu o sequestro da autoridade governamental tornando o chefe de governo refém de fatos que não domina: o poder real se deslocou, em Brasília, para os prédios do Congresso, do Supremo Tribunal Federal, do Tribunal Superior Eleitoral e da Procuradoria Geral da República.

Não há mais agenda de reformas “do governo”. Há reformas constitucionais que foram enviadas pela equipe de governo ao Parlamento, como a trabalhista e a da Previdência Social, que a essa altura já foram tão dramaticamente esquadrinhadas e reescritas que não são mais propriedade intelectual de ninguém na Esplanada nem no Palácio do Planalto. Além dessas duas, Câmara e Senado impuseram a Reforma Política e um arremedo de Reforma Tributária. Contra a vontade do Planalto, os presidentes da Câmara e do Senado abriram interlocução direta com governadores e renegociam dívidas estaduais. Esta semana os senadores devem iniciar discussão em torno de um novo modelo de ISS.

Quem selou a sorte do ex-ministro da Justiça, Osmar Serraglio, trocado pelo advogado Torquato Jardim, não foi nenhuma ideia inspiradora do chefe de governo. Ao menos dois parlamentares procuraram Temer entre a noite de sexta-feira, dia 26/5, e a manhã do domingo, dia 28/5, para exigir dele a demissão de Serraglio. O motivo: inapetência para o cargo e incompetência ante os subordinados. Esses mesmos conselheiros, contudo, coraram ao saber da surpreendente decisão de remover o ex-ministro da Justiça para o “ministério da Transparência”, nome pomposo dado à velha Corregedoria Geral da União que sempre funcionou a contento. Informados da troca, resignaram-se a fazer leve advertência de que daria marola. Está dando.

Encurralado pelas denúncias que se avolumam contra si e contra sua equipe, Michel Temer não tem muito tempo para cuidar dos assuntos de governo. A Reforma da Previdência, antes vendida como pedra de toque do redirecionamento da economia, saiu do controle do Executivo. É hoje, muito mais, uma agenda imposta pelo deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, ao seu colegiado do que prioridade palaciana. A Reforma Política tem sido tema tratado com maior denodo pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira, do que pelo demitido do ministério da Justiça – a quem cabia a condução dos debates iniciais sobre o tema.

Se ao Congresso tem caído bem o protagonismo das ações de governo real, ao Judiciário reserva-se o papel de ator central nos fatos que podem emparedar de vez a gestão de Temer – transformando-o, ou não, em nota ou verbete de enciclopédia de História.

A partir do dia 6 de junho o TSE será dono do cronômetro que demarcará o prazo desse governo. Já nos próximos dias o plenário do Supremo Tribunal Federal decide sobre a manutenção ou a interrupção dos inquéritos contra o chefe de governo. E o Ministério Público tem em mãos um arsenal completo de variados calibres para seguir bombardeando ou estancar o fogo contra o Planalto. Cavada a trincheira na aresta norte da Praça dos Três Poderes, os palacianos só se defendem. Não conseguem ter proatividade nem no flanco judicial, nem no flanco legislativo.

Nação peculiar que contempla um obelisco espetar a paisagem de sua maior metrópole, São Paulo, sabendo-o dedicado a uma derrota – a dos rebeldes constitucionalistas de 1932 –, caso único no mundo em que se ergue tal monumento para celebrar uma revolução perdida, o Brasil tratou de consignar novas bizarrices em sua biografia de Estado singular.

Já tivemos um imperador, Dom Pedro 2º, celebrado no New York Times, ao ser derrubado, como “um monarca democrata” e “o mais republicano dos chefes de Estado da América do Sul” (o Brasil era, como se sabe, a única monarquia do subcontinente). Agora, Osmar Serraglio, investigado na Operação Carne Fraca e gravado pela Polícia Federal que comandava, vira “ministro da Transparência” a fim de segurar no mandato parlamentar (e com o foro privilegiado) o deputado Rodrigo Rocha Loures, flagrado em corrida desabalada com mala contendo R$ 500 mil – depois devolvida à PF com apenas R$ 465 mil. Os fatos mantiveram Serraglio na equipe de governo: na lógica dos palacianos, demiti-lo seria um desastre não para o país, mas para a estratégia de defesa da intrépida trupe.

Se um governante já não expressa suas vontades por meio do governo, se a Nação caminha à revelia daquilo que emana do Palácio, urge concluir que inventamos o Presidencialismo sem presidente e sob ele navegamos à deriva.

* o autor é jornalista.

Publicado originalmente no Poder360: http://www.poder360.com.br/opiniao/opiniao/inventamos-o-presidencialismo-sem-presidente-e-sob-ele-navegamos-a-deriva/
. 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Agro DBO: o futuro chegou no campo

Richard Jakubaszko   
A conectividade é realidade nas fazendas brasileiras, para apoiar a produção agrícola.
A edição de junho da revista Agro DBO está mais tecnológica que nunca. Mostra que a agricultura “digital” já é realidade no Brasil, e traz um amplo levantamento das ferramentas cibernéticas que os agricultores estão usando para aumentar a produtividade nas fazendas. Não bastasse, traz também um caderno totalmente dedicado à última edição da Agrishow, com as máquinas e implementos que vão entrar em campo na próxima safra.
Confira todos os destaques com o editor José Augusto Bezerra.
.

domingo, 4 de junho de 2017

Mudanças climáticas: o que dizem os cientistas mais importantes?

Richard Jakubaszko  
Recebi o vídeo abaixo, enviado pelo amigo Carlos Viacava, um pecuarista que aparentemente está se tornando um cético da questão ambiental. Não deve ter sido através da leitura de meu livro, o "CO2 - aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?", que Viacava se tornou um cético, pois cada vez mais tenho a convicção de que ele fez uma "leitura transversal" da obra.

De toda forma, ainda tenho o desiderato de ouvir, quem sabe algum dia, publicamente, palavras de Viacava e outros líderes do agronegócio desmentindo essa questão climática, e que denomino como a grande mentira do século XXI.
No vídeo abaixo podemos assistir o climatologista Richard Lindzen, professor emérito do respeitadíssimo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts - em inglês: Massachusetts Institute of Technology), desconstruir mais uma vez a mentira do aquecimento e das mudanças climáticas. Ser professor emérito do MIT não é pouca coisa, não...

Vale a pena assistir, tem apenas 5 minutos, e está legendado. Depois disso, você entenderá melhor o que Lindzen escreveu em seu capítulo publicado no meu livro, a partir da página 108. E também vai entender as razões de Donald Trump ter dado o chocolate que deu nos biodesagradáveis.

O vídeo, editado recentemente, e publicado em abril último, já tem mais de 1 milhão de cliques.

.

sábado, 3 de junho de 2017

Ecologistas preocupados: a terra tem 467 milhões de hectares a mais do que se dizia

Luis Dufaur *
Uma equipe internacional de pesquisadores revelou na prestigiosa revista Science que a superfície da Terra coberta por florestas é 10 % mais extensa do que se supunha, noticiou o jornal parisiense “Le Monde”.
 
Floresta de baobá em região considerada árida no Senegal

A deficiente medição anterior não considerou as florestas das zonas áridas, distorcendo o cômputo global.
As florestas ocupam 4 bilhões de hectares ou 30% da superfície das terras acima do nível dos mares.

Normalmente se imaginam luxuriantes florestas tropicais, rústicas florestas boreais ou penteados bosques de regiões temperadas.

Tinha-se passado por cima dos bosques existentes em zonas áridas — onde a evaporação é maior que a precipitação anual. Essas zonas representam algo superior a 40% da superfície continental e não estão desprovidas de florestas.

Elas se encontram em contextos climáticos muito diversos no Sudão, na América do Sul, nas estepes da Europa Oriental e no sul da Sibéria, bem como no Canadá.

Uma trintena de cientistas de treze países analisou imagens satelitais fornecidas pelo Google Earth. Elas abarcavam mais de 210.000 parcelas de meio hectare repartidas pelo globo.

As estimativas antigas repousavam em métodos que tinham um grau de incerteza entre 30 e 250 metros.
 
Floresta de eucaliptus na região de Pilbara, Austrália ocidental

Em consequência, não permitiam diferenciar claramente a vegetação no solo, explicou o primeiro autor do estudo, Jean-François Bastin, pesquisador associado à Universidade Libre de Bruxelas e consultor na Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

“Acresce — prosseguiu — que as zonas áridas abrigam uma vegetação especifica que se adapta com frequência à seca, perdendo suas folhas durante grande parte do ano para reduzir a evapotranspiração”. Nessa fase elas são mal detectadas.

Agora sua equipe pode utilizar imagens de alta resolução com um grau de precisão inferior a um metro, do que resultou o cálculo de cerca de 1,1 bilhão de hectares de florestas de regiões áridas.

Essa é uma extensão comparável à das florestas úmidas tropicais, como a amazônica. Dois terços dessa enorme área estão recobertos de formações vegetais densas — florestas “fechadas” —, onde a frondescência cobre pelo menos 40% do solo.

Essas florestas aparecem em todos os continentes, inclusive no oeste da América Latina, no leste do Brasil e no norte da Venezuela e da Colômbia, por exemplo.

O cálculo mais exato acrescentou 467 milhões de hectares de florestas da terra, elevando o total a mais de 4,3 bilhões de hectares.

A preocupação da confraria verde-vermelha era de afastar a ideia de um planeta mais verdejante do que parecia, pois isso poderia desmoralizar suas campanhas demagógicas contra o desmatamento.

Mas Jean-François Bastin falou de um fato conhecido, mas muito pouco falado porque pouco rentável para os pânicos verdes.

Os cientistas estavam diante do “mistério de poços de carbono (CO2) em falta”. Isso quer dizer que eles tinham constatado que parte do CO2 emitido pelas atividades humanas desaparecia de seus cálculos. Então achavam que era assimilado em “poços de carbono terrestre não identificados”.

O problema estava na falha da medição e no desconhecimento da verdadeira dimensão das florestas.

Agora se pode constatar que as florestas das regiões áridas absorviam – como o fazem todos os vegetais – o CO2 desaparecido nos cálculos.

Segundo a FAO, perto de 2 bilhões de pessoas vivem nesses territórios florestais até agora desconsiderados.

Neles as árvores fornecem frutos e folhas para a alimentação dos homens e engorda dos animais, além de madeira para cozinhar e aquecer, como se dá com os bosques de acácias e eucaliptos na Austrália e de baobás na África.

Quando os cientistas sérios se aplicam ao seu trabalho, trazem dados sensatos. Mas a agitação verde-vermelha não gosta nada disso e não toma iniciativas para esclarecer o fundo da realidade.

* o autor é escritor, jornalista, conferencista de política internacional, sócio do IPCO, webmaster de diversos blogs.

Publicado no https://ecologia-clima-aquecimento.blogspot.com.br/2017/05/ecologistas-preocupados-terra-tem-467.html

.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Moon river, por Louis Armstrong

Richard Jakubaszko  
Em minha opinião, Louis Armstrong apresenta no vídeo abaixo uma das melhores performances do clássico Moon River (Henry Mancini), do filme Bonequinha de luxo, com a inesquecível Audrey Hepburn.

.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Consumo e produção em mudança

Maurício Antônio Lopes *



Onde quer que estejamos nós adquirimos e usamos os mais variados tipos de bens durante toda a vida, o que faz do consumo parte integral da nossa existência. Padrões de consumo podem variar a depender das nossas necessidades, estilo de vida, ambiente em que vivemos e dos estímulos que recebemos, em especial via propaganda, tão habilmente utilizada pela indústria. Um aspecto marcante do consumo nos tempos modernos é a acentuada assimetria entre países ricos e pobres. Os chamados países desenvolvidos consomem uma parcela desproporcional dos bens e serviços hoje produzidos, e contribuem em igual magnitude com os impactos negativos do consumo, como a exaustão dos recursos naturais e a poluição. Diante dessa realidade, o mundo vive um drama, na medida em que países mais pobres avançam na sua industrialização incorporando o mesmo modelo insustentável de desenvolvimento dos países ricos.

Nos últimos 20 anos a humanidade adicionou 1,6 bilhão de pessoas ao planeta. Até 2050, outros 2 bilhões de pessoas serão acrescidos à população mundial, acentuando a preocupação com o uso dos recursos naturais e a estabilidade dos ecossistemas que sustentam a vida na terra. O avanço social das últimas décadas também aponta para a necessidade de atenção ao crescimento e sofisticação na demanda por bens e serviços no futuro. Desde 1990 o número de pessoas que vivem em extrema pobreza − com menos de US$ 1,25 por dia − caiu 33%. O número de pessoas com acesso à água potável aumentou em 15%, a mortalidade infantil foi reduzida em mais da metade e a mortalidade materna caiu 45%. Desde o ano 2000 as taxas de matrícula na escola primária aumentaram de 83% para 91%. E mais, projeções populacionais da ONU mostram que a expectativa de vida média ao nascer, hoje em 68 anos, irá saltar para 81 anos até o final deste século.

Mudanças demográficas e sociais, ocorrendo com grande rapidez, farão emergir muitos desafios. As cidades têm recebido anualmente, em âmbito global, uma média de 65 milhões de pessoas, egressos da zona rural. Isso equivale ao acréscimo de quase seis cidades de São Paulo, a cada ano. Até 2030, espera-se que cerca de 60% da população mundial esteja vivendo em zonas urbanas. E o futuro nos promete, além de cidades mais populosas, pessoas mais idosas, mais educadas e mais exigentes. Em duas décadas a região da Ásia-Pacífico concentrará cerca de 60% da classe média mundial, produzindo enorme pressão sobre a demanda de bens. A tendência, então, é de que a intensificação dos fluxos de capital, informações e pessoas gere imensas pressões sobre os padrões de consumo e de produção em todos os cantos do planeta.

Por reconhecerem os desafios postos por uma urbanização acelerada, pelo aumento na frequência de eventos climáticos extremos e pelas necessidades de uma população global cada vez mais numerosa e exigente, é que os líderes de 193 nações acordaram com a ONU, em 2015, 17 objetivos de desenvolvimento fortemente centrados na sustentabilidade. A busca da sustentabilidade, nas dimensões econômica, social e ambiental, em âmbito global, é uma maneira de responder aos desafios do desenvolvimento e de forçar a superação das perigosas assimetrias que ameaçam o futuro. E o acordo contido nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável é ousado: até 2030 pretende-se acabar com a pobreza e a fome em todos os lugares; combater as desigualdades dentro e entre países; construir sociedades pacíficas, justas e inclusivas; proteger os direitos humanos e a igualdade de gênero; assegurar a proteção duradoura do planeta e seus recursos naturais, criando condições para a prosperidade compartilhada no futuro.

Esta audaciosa agenda tem alcance e significado sem precedentes. Ela é aceita por todos e é aplicável a todos os países, desenvolvidos e em desenvolvimento. Ela terá impactos marcantes na forma como as sociedades produzem e consomem bens e serviços. Governos, organizações internacionais, setor empresarial e indivíduos estão sendo chamados a contribuir para a mudança de padrões de consumo e de produção não sustentáveis. Indústrias e negócios acostumados a produzir e vender com o único objetivo de auferir lucros se tornarão progressivamente obsoletos, na medida em que cresça a pressão da sociedade por eficiência no uso dos recursos globais e por crescimento econômico dissociado da degradação ambiental. Um novo padrão de produção deverá emergir, focado em entrega de valor, em oposição à simples venda de mercadorias à sociedade.

O Brasil poderá se destacar nesta missão exatamente no setor econômico que melhor representa a sua competência tecnológica e capacidade competitiva em âmbito global: o agronegócio. Agricultura e alimentação já são impactadas de forma profunda pelas mudanças nos padrões de consumo e produção. O futuro exigirá produção de maior diversidade de alimentos, com maior densidade nutricional e atributos funcionais, a partir de tecnologias de baixo impacto, poupadoras de recursos naturais. O Brasil tem experiência, capacidade e base inigualável de recursos naturais para responder a essas expectativas, tornando nossas safras essenciais para a segurança alimentar e nutricional no futuro. A infraestrutura de pesquisa e inovação, o ambiente regulatório, os investimentos privados e o incentivo público precisam ser estimulados para que o agronegócio brasileiro alcance papel de grande destaque na implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. O Brasil deve almejar esta posição e não há tempo a perder!



* o autor é engenheiro agrônomo e presidente da Embrapa.
,

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Gelo combustível, a promissora fonte de energia que a China extraiu do fundo do mar

Richard Jakubaszko
De vez em quando aparecem algumas notícias na mídia que deixam a gente meio embasbacado, né não? Pois olhem só essa notícia aí embaixo, em despacho da BBC e publicada em O Globo, 4 horas atrás:
  
Imensa reserva energética de hidratos de metano poderia substituir o petróleo e o gás natural; país asiático deu grande passo ao extrair grandes quantidades do composto.

A China anunciou ter extraído do fundo do Mar da China Meridional uma quantidade considerável de hidrato de metano, também conhecido como gelo combustível, que é tido por muitos como o futuro do abastecimento de energia.

Num comunicado emitido na semana passada, autoridades do país asiático comemoraram o feito. Isso porque a tarefa é considerada altamente complexa, e já tinha sido alvo de tentativas pelo Japão e pelos Estados Unidos, sem muito sucesso.

Mas o que é exatamente esse composto e por que ele é considerado chave como uma promissora fonte de energia no mundo?


Reservas imensas
O gelo combustível ou gelo inflamável é uma mistura gelada de água e gás.

“Parecem cristais de gelo, mas quando se olha mais de perto, a nível molecular, veem-se as moléculas de metano dentro das moléculas de água”, explica à BBC Praven Linga, professor do Departamento de Engenharia Química e Biomolecular da Universidade Nacional de Cingapura.

Conhecidos como hidratos de metano, formam-se a temperaturas muito baixas, em condições de pressão elevada. São encontrados em sedimentos do fundo do mar e ou abaixo do permafrost, a camada de solo congelada dos polos.

O gás encapsulado dentro do gelo torna os hidratos inflamáveis, mesmo a baixíssimas temperaturas. Essa combinação rendeu-lhe o apelido de “gelo de fogo”.

Quando se reduz a pressão ou se eleva a temperatura, os hidratos se decompõem em água e metano. Um metro cúbico dessa substância libera cerca de 160 metros cúbicos de gás – ou seja, trata-se de um combustível de grande potencial energético.

O problema, no entanto, é que extrair esse gás é um processo que, por si só, consome muita energia.


Países pioneiros
Os hidratos de metano foram descobertos no norte da Rússia nos anos 1960, mas foi há apenas dez ou 15 anos que começou a pesquisa sobre como extrai-lo dos sedimentos marinhos.

O Japão foi pioneiro na exploração devido à sua carência de fontes de energia natural. Outros países líderes na prospecção de gelo combustível são Índia e Coreia do Sul, que tampouco têm reservas próprias de petróleo.

Americanos e canadenses também são bastante atuantes neste sentido - o foco de suas explorações tem sido nos hidratos de metano abaixo do permafrost do norte do Alasca e Canadá.


Por que importa?
Pesquisadores acreditam que os hidratos de metano têm o potencial de se tornar uma fonte de energia revolucionária que poderia ser fundamental para suprir necessidades energéticas no futuro.

Existem grandes depósitos abaixo dos oceanos do globo, sobretudo nas extremidades dos continentes. Atualmente, vários países estão buscando maneiras de extraí-lo de forma segura e rentável.

A China descreveu a extração feita na semana passada como “um feito importante”.

Praven Linga compartilha dessa visão: “Em comparação com os resultados que temos visto na pesquisa japonesa, os cientistas chineses conseguiram extrair uma quantidade muito maior de gás”.

"É certamente um passo importante em tornar viável a extração de gás dos hidratos de metano", acrescentou.

Estima-se que sejam encontradas dez vezes mais gás nos hidratos de metano do que no xisto, do qual pode ser extraído gás natural e óleo e também tem servido como alternativa energética.

“E essa é uma estimativa conservadora”, ressalva Linga.

A China descobriu o gelo combustível no Mar da China Meridional em 2007 – uma área cuja soberania tem sido disputada entre o país, o Vietnã e as Filipinas.

Pequim reclama domínio sobre a área, alegando ter o direito de exploração de todas as potenciais reservas naturais escondidas abaixo da superfície.


Futuro
Embora o êxito da China seja um avanço importante, esse é apenas um passo de um longo caminho.

"É a primeira vez que os índices de produção são realmente promissores", disse Linga. “Mas acreditamos que só em 2025, na melhor das hipóteses, poderemos considerar realistas as opções comerciais”, acrescenta.

Segundo a imprensa chinesa, eles conseguiram extrair, da região de Shenhu, uma média de 16 mil metros cúbicos de gás de elevada pureza por dia.

Linga ainda ressalta que as empresas que potencialmente operem na exploração do material devem seguir condutas bastante rígidas de controle para se evitar danos ambientais.

O perigo é que o metano escape, e isso teria consequências graves para o aquecimento global, já que se trata de um gás com um potencial de impacto sobre as mudanças climáticas muito maior do que o dióxido de carbono.

Embora pareça com gelo, o hidrato de metano é inflamável (Foto: USGS)

Publicado hoje em O Globo: http://g1.globo.com/natureza/noticia/gelo-combustivel-a-promissora-fonte-de-energia-que-a-china-extraiu-do-fundo-do-mar.ghtml

.

domingo, 28 de maio de 2017

“Recebeu e jogou mil no bolso”. Aldir Blanc, cortante

Fernando Brito *

A crônica de Aldir Blanc, mais carioca que a estátua do Cristo Redentor, hoje, n’O Globo:

Recebeu e jogou mil no bolso

Para caracterizar o samarcal do desgoverno Temeroso, vou citar o guerreiro do Império, Winston Churchill, em suas “Memórias da Segunda Guerra Mundial”. O trecho está na página 112 do primeiro volume, na edição da Nova Fronteira, e refere-se a Mr. Baldwin, uma espécie de Treme-Temer inglês: “E assim vai ele num estranho paradoxo, decidido só a não decidir, resolvido só a não resolver, firme na deriva, sólido na fluidez, onipotente na impotência”.


É ou não é a cara do presigárgula? Imaginem aquele sorriso falso de Mono Esburacado, ajeitando o nó da gravata deformada pelo barrigão. Ele desliza feito réptil em direção à tribuna para não falar a verdade e, seguindo Churchill, ser coerente na incoerência, forte na tibieza, sólido na flatulência… Em suma: o cara passará à História como “ele recebeu a propina, separou mil e jogou no bolso”.


Homem da Zona Norte, conheci malandros de palavra, que tinham elevado sentido de honra, como o saudoso Maneca, cuja promessa era sagrada. Pensem na figura patética de Dá-o-pé-Loures, mais um caso de “jogou no bolso”. Devolveu a tal mochila faltando 35 mil. Depois, “achou” a grana e devolveu. Outro descalabro: precisamos de alguém para nos defender do minidef, membro caído do PPS (Partido Paleolítico Senil), aquela agremiação cujo dono é Robertov, que já abandonou o navio. A presença do vomitivo político na Defesa não faz o menor sentido. A casa também caiu sobre Mineirinho. Entregou o passaporte e aguarda a prisão. Já a irmã, usada e abusada, está presa. É preciso ressaltar que Mineirinho continua impune em espancamento de mulheres e blindado no tenebroso escândalo de Furnas (e aí, juízes do Supremo? Não vão abrir esse cofre de Pandora?). É preciso investigar também o helicoca, a Samarco (19 homicídios culposos, um rio morto, a maior catástrofe ambiental do Brasil, estragos que chegam ao litoral da Bahia). Dá nojo a forma como homens (?) vis exploram irmãs que os idolatram.


O desespero Temeroso pode ser avaliado pelo grito de help às Forças Armadas, uma estupidez, com, é claro, a cumplicidade do minidef.


A ONG Alerta Brasil e o Projeto #Colabora denunciam que, desde que Temeroso abundou-se no trono presidencial, um direito foi perdido por dia! Esse é o líder “jogou mil no bolso”.


Como cravou a jornalista Dorrit Harazim, o presipodre poderia ter dito aos animais proteicos “Fora daqui”.


Vi no canal Bloomberg a seguinte pérola: “O mercado exige a continuação das reformas”. Qual mercado? Aquele que quebrou o mundo em Wall Street na megafraude de 07/08, ninguém preso? O da Fiesp? O de Pedro Parente Deles, onde o Brasil paga caro para explorar suas próprias riquezas?! O da “reconstrução” da Halliburton no Iraque? Vão se fifar!


Toda solidariedade ao repórter fotográfico André Coelho, chutado por um PM em Brasília. Quando se homenageia o Capitão Sampaio por esfacelar o rosto de um jovem, o resultado é esse.


Não se derruba um governo sujo com rosas.


* o autor é jornalista, editor do Tijolaço.

. 

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Faroeste caboclo

Richard Jakubaszko 
Faz enorme sucesso na blogosfera o vídeo abaixo, que mostra a história da JBS, musicada por cantor sertanejo. O povo leva chibatada no lombo, mas não perde a piada.

.