sexta-feira, 23 de agosto de 2019
Carta aberta ao presidente da França, sr. Emmanuel Macron:
Se o leitor destas mal traçadas linhas conhece algum francês, encaminhe a ele esta carta aberta dirigida ao presidente Emmanuel Macron, da França. Estou fazendo o mesmo com umas duas dezenas de franceses que conheço, no Brasil e mundo afora. Se seguirmos a teoria de que a distância entre um homem simples ao mais poderoso de seu país tem no máximo 5 elos (5 pessoas), como se fosse uma corrente, hoje mesmo o presidente Macron toma conhecimento da carta aberta abaixo e soluciona o problema dos desmatamentos e das queimadas na Amazônia.
Sr Presidente Emmanuel Macron:
Leio na mídia brasileira que o senhor escreveu em sua página no Twitter críticas ao presidente brasileiro e ainda convocou reunião com o G7 para discutir a questão ambiental da Amazônia, suas queimadas e desmatamentos: "Nossa casa está queimando. Literalmente. A floresta amazônica - os pulmões que produzem 20% do oxigênio do nosso planeta - está em chamas. É uma crise internacional". Está claro que o senhor deseja discutir o que classificou como "emergência internacional".
É fácil e muito simples resolver as queimadas e os desmatamentos, presidente Macron: determine que a França pare de importar madeira da América Latina, especialmente do Brasil. Depois, influencie os países membros do Mercado Comum Europeu para que façam o mesmo, especialmente a Inglaterra, cujos pubs, todos eles, usam madeira para forrar as suas paredes, tudo madeira da Amazônia, sabia? Se a França não fizer isto ficará oficializada a hipocrisia ambiental. Discursos de manter a floresta em pé, mas incentivos para o abate de árvores são incoerentes, senhor presidente.
Garanto-lhe, como brasileiro, jornalista, escritor, e cético da questão ambiental, mas sou ambientalista, que os desmatamentos cairão em mais de 90%, e na mesma proporção as queimadas, pois os madeireiros não vão mais abater árvores na Amazônia, porque não terão a quem vender...
Saiba que não existe imbecil na Amazônia, presidente Macron, ninguém queima árvores quando faz queimadas. A madeira vale muito dinheiro, dinheiro francês, dinheiro europeu, e que vale muito para as madeireiras.
Assim, o senhor não precisaria castigar injustamente o Brasil e seus agricultores e pecuaristas, produtores de soja e carne, que não têm culpa desse descalabro ambiental que acontece na Amazônia, só porque algumas madeireiras, mais uns pecuaristas da região, e mineradores, fazem estripulias na grande floresta.
Simples, não é mesmo, senhor presidente? Garanto que a sua reeleição pode ser alavancada com essa simples medida. A França pode salvar o mundo!
Até o Brasil vai aplaudir.
Saudações do Brasil
Richard Jakubaszko
Jornalista, escritor e blogueiro
ET. - Presidente Emmanuel Macron, a Amazônia é do Brasil, peça aos europeus que abandonem essa ideia maluca de desapropriá-la, como indica o mapa abaixo, com o corredor ecológico da Anaconda.
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sábado, 28 de março de 2020
Por que a França está escondendo uma cura barata e testada para o vírus?
Por Pepe Escobar *, para o Asia Times
É possível que o governo francês esteja ajudando a Grande Farma a lucrar com a pandemia de Covid-19
(Nota do blogueiro: assista o vídeo da conversa entre Pepe Escobar e Leonardo Atuch, do Brasil247, com outros detalhes dessa trama sórdida. O vídeo foi postado na sequência deste post).
É bem possível que o que vem acontecendo na quinta maior economia do mundo aponte para um complô escandaloso e de grandes proporções: o governo francês estaria ajudando a grande indústria farmacêutica - a Grande Farma - a lucrar com a expansão do Covid-19. Os cidadãos franceses informados estão absolutamente furiosos.
Minha primeira pergunta a uma fonte parisiense séria e acima de qualquer suspeita, a jurista Valérie Bugault, foi sobre as ligações perigosas entre o macronismo e a Grande Farma e, especialmente, sobre o misterioso "desaparecimento"- mais provavelmente roubo, mesmo - de todos os estoques de cloroquina em mãos do governo francês.
O respeitado professor Christian Perrone falou sobre esse roubo em uma live em um dos canais franceses de informação 24/7: "A central de medicamentos dos hospitais anunciou hoje que estavam enfrentando o total colapso dos estoques, que haviam sido furtados".
Com as informações dadas por uma outra fonte, esta anônima, é possível agora estabelecer uma linha cronológica que coloca em perspectiva muito necessária as ações recentes do governo francês.
Comecemos com Yves Levy, que foi diretor da INSERM – o Instituto Nacional Francês de Saúde e Pesquisa Médica – de 2014 a 2018, quando foi nomeado conselheiro extraordinário de estado do governo Macron. Apenas doze pessoas em toda a França chegaram a alcançar esse status.
Levy é casado com Agnes Buzy, que até recentemente foi a ministra da saúde de Macron. Resumindo, o partido de Macron ofereceu a Buzy uma "oferta impossível de recusar", para que ela deixasse o ministério - em meio da crise do coronavírus - para concorrer ao cargo de Prefeita de Paris, eleição na qual ela foi impiedosamente massacrada no primeiro turno, em 16 de março.
Levy tem uma feroz e histórica inimizade com o Professor Didier Raoult – um prolífico e frequentemente citado especialista em doenças contagiosas de Marselha. Levy recusou-se a conceder o selo INSERM ao IHU, o Instituto Hospital-Universidade de renome mundial dirigido por Raoult.
Na prática, em outubro de 2019, Levy revogou o status de "fundação" dos diversos IHUs, a fim de assumir suas pesquisas.
Raoult participou de um experimento clínico no qual a hidroxicloroquina e a azitromicina curaram 90% dos casos de Covid-19 identificados em fases muito iniciais (testes precoces e em massa foram o elemento central da bem-sucedida estratégia sul-coreana).
Raoult é contrário ao isolamento de pessoas sadias e de possíveis portadores - que ele considera "medieval", no sentido de anacrônico. Ele é favorável a testes em massa (que, além da Coreia do Sul tiveram êxito em Cingapura, em Taiwan e no Vietnã) e de um tratamento precoce com hidroxicloroquina. Apenas os indivíduos contaminados deveriam ser confinados.
A cloroquina custa um euro cada 10 cápsulas. E aí é que reside o problema: A Grande Farma - que é grande financiadora do INSERM e inclui a "campeã nacional" Sanofi – preferiria uma solução muito mais lucrativa. A Sanofi, no momento, diz que está "se preparando ativamente" para produzir a cloroquina, mas que isso pode demorar "semanas", e a questão de preços não é mencionada.
Uma ministra fugindo de um tsunami
Aqui vai a cronologia dos fatos:
Em 13 de janeiro, Agnes Buzyn, ainda Ministra da Saúde da França, classificou a cloroquina como uma "substância venenosa" e a partir de então acessível apenas mediante receita médica. Uma atitude estarrecedora, tendo em vista que o medicamento vem sendo vendido sem receita há meio século.
Em 16 de março, o governo Macron decretou um confinamento apenas parcial. Não se ouviu um pio sobre a cloroquina. A princípio, não se exigiu que a polícia usasse máscaras; a maioria delas foi roubada e não há máscaras suficientes nem mesmo para o pessoal da saúde. Em 2011, a França possuía cerca de 1,5 bilhão de máscaras: 800 milhões de máscaras cirúrgicas e 600 milhões de máscaras para profissionais de saúde em geral.
Mas então, ao longo dos anos, os estoques estratégicos não foram renovados, para agradar à União Europeia e aplicar os critérios de Maastricht, que determinavam que só países cujos déficits orçamentários não excedessem 3% do PIB poderiam ser membros do Pacto para Crescimento e Estabilidade. Um dos responsáveis, à época, era Jerome Salomon, hoje conselheiro científico do governo Macron.
Em 17 de março, Agnes Buzyn diz ter tido conhecimento de que a disseminação do Covid-19 seria um tsunami de grandes proporções, para o qual o sistema de saúde francês não tinha solução. Ela afirmou também ser de opinião que a eleição para a Prefeitura de Paris "não se realizaria", e que, em última análise, não passava de "uma pantomima".
O que ela não diz é que ela não comunicou isso publicamente à época em que concorria à Prefeitura porque toda a máquina política de Macron estava focada em ganhar a "pantomima". O primeiro turno da eleição não significou nada, porque o Covid-19 estava avançando. O segundo turno foi adiado indefinidamente. Ela tinha que saber sobre a iminência do desastre para o sistema de saúde. Mas, como candidata da máquina Macron, ela não tornou públicos os fatos em tempo hábil.
Em sucessão rápida:
O governo Macron se recusa a aplicar testes em massa, tal como praticado com sucesso na Coreia do Sul e na Alemanha.
O Le Monde e a agência estatal de saúde francesa caracterizaram a pesquisa de Raoult como fake news, antes de publicar uma retratação.
O Professor Perrone revela no canal de notícias 24/7 que o estoque de cloroquina da central de medicamentos francesa foi roubado.
Baseando-se em um tuíte de Elon Musk, o Presidente Trump diz que a cloroquina deveria estar disponível a todos os americanos. Pacientes sofrendo de lupus e artrite reumatoide, que já têm problemas de abastecimento com o único medicamento que lhes oferece alívio, incendiaram as redes sociais com seu pânico.
Médicos e outros profissionais de saúde dos Estados Unidos deram para estocar o medicamento para seu próprio uso e o de pessoas próximas, falsificando receitas para dar a entender que se tratava de pacientes com lupus e artrite reumatoide.
Marrocos compra o estoque de cloroquina da Sanofi, em Casablanca. O Paquistão decide aumentar sua produção de cloroquina para ser enviada à China.
A Suíça descarta o confinamento total de sua população, opta por testes em massa e tratamento rápido e acusa a França de praticar "política do espetáculo".
Christian Estrosi, prefeito de Nice, tratado ele próprio com cloroquina sem qualquer participação do governo, liga diretamente para a Sanofi para que seja providenciada a entrega de cloroquina aos hospitais de Nice. Em razão da pesquisa de Raoult, começa por fim na França um teste em larga escala da cloroquina, sob a - previsível - direção do INSERM, que quer "refazer os experimentos em outros centros médicos independentes". Isso levará pelo menos mais seis semanas – ao mesmo tempo em que o conselho científico do Palácio Elysée agora pensa na hipótese da extensão do confinamento total na França para… seis semanas.
Se o uso conjunto da hidroxicloroquina e da azitromicina se mostrar definitivamente eficaz para os casos mais graves, as quarentenas poderão ser reduzidas a nichos selecionados.
A única empresa francesa que ainda fabrica a cloroquina encontra-se sob intervenção judicial. Esse fato coloca na perspectiva correta a estocagem e o roubo da cloroquina. Levará tempo para que esses estoques sejam renovados, dando assim margem de manobra à Grande Farma para que ela consiga o que quer: uma solução cara.
Parece que os perpetradores do roubo de cloroquina estavam muito bem informados.
Enfermeiras ensacadas
Essa cadeia de acontecimentos, estarrecedora para um país altamente desenvolvido do G-7 e orgulhoso de seu sistema de saúde, é parte de um longo e doloroso processo incrustado no dogma neoliberal. A austeridade adotada pela União Europeia somada à motivação dos lucros resultou em uma atitude muito frouxa com relação ao sistema de saúde.
Pelo que me disse Bugault, "os kits de testes - escassos em número - sempre estiveram disponíveis, mas principalmente para um pequeno grupo ligado ao governo francês (antigos dirigentes do Ministério das Finanças, CEOs de grandes empresas, oligarcas, magnatas da mídia e da indústria do entretenimento). O mesmo vale para a cloroquina, que o governo fez todo o possível para manter inacessível à população.
Eles não facilitaram a vida do Professor Raoult – que recebeu ameaças de morte e intimidação por parte de "jornalistas".
E eles não protegeram os estoques vitais. Ainda no governo de Hollande, ocorreu o esgotamento proposital do estoque de máscaras - que antes existiam em grandes quantidades em todos os hospitais. Para não falar que a eliminação de leitos e recursos hospitalares foi acelerada no governo Sarkozy.
Isso bate com relatos angustiados de cidadãos franceses sobre enfermeiras terem que usar sacos de lixo devido à falta de equipamento médico correto.
Ao mesmo tempo, em um outro desdobramento estarrecedor, o estado francês se recusa a requisitar hospitais e clínicas privadas - que estão praticamente vazios neste estágio - apesar de o presidente daquela associação, Lamine Garbi, ter implorado que essa iniciativa pública fosse tomada: "Eu solenemente exijo que sejamos convocados a ajudar os hospitais públicos. Nossas instalações estão preparadas. A onda que surpreendeu o leste da França tem uma lição a nos ensinar".
Bugault reconfirmou que a situação da saúde na França é "muito grave e irá piorar ainda mais em razão dessas decisões políticas: a falta de máscaras, a recusa a adotar testes maciços e a permitir o livre acesso à cloroquina - em um contexto de suprema desordem nos hospitais. Essa situação será de longa duração e a penúria será a norma".
Professor versus presidente
Em um desdobramento explosivo ocorrido na terça-feira, Raoult disse que já não participa mais do conselho científico de Macron, embora não esteja se afastando de todo. Raoult, mais uma vez, insiste em testes em massa e em larga escala para detectar casos suspeitos e só então isolar e tratar os pacientes que obtiverem resultado positivo. Em poucas palavras: o modelo sul-coreano.
É exatamente isso que se espera do IHU de Marselha, onde centenas de moradores continuam na fila para os testes. E isso bate com as conclusões de um importante especialista chinês em Covid-19, Zhang Nanshan, que afirma que o tratamento com fosfato de cloroquina teve um "impacto positivo", e que os pacientes testaram negativo após cerca de quatro dias.
O ponto principal foi ressaltado por Raoult: a cloroquina deve ser usada em circunstâncias muito especiais, em pessoas que tenham sido testadas em estágios muito iniciais, quando a doença ainda não estava muito avançada, e apenas nesses casos. Isso foi exatamente o que os chineses fizeram, associado ao uso do interferon.
Há anos Raoult vem pedindo uma revisão drástica dos modelos econômicos de saúde, para que os tratamentos, as curas e as terapias criadas principalmente no século XX sejam declaradas patrimônio a serviço de toda a humanidade. "Não é isso que acontece", diz ele, "porque abandonamos medicamentos que não são lucrativos, mesmo quando são eficazes. É por isso que praticamente nenhum antibiótico é fabricado no Ocidente.“
Na terça-feira, o Ministério da Saúde francês proibiu oficialmente a utilização do tratamento com base na cloroquina recomendado por Raoult. Na verdade, o tratamento só é permitido para pacientes terminais de Covid-19, sem qualquer outra possibilidade de cura. Essa decisão só faz expor o governo Macron a novas acusações, no mínimo de ineficiência – somada à falta de máscaras, testes, rastreamento de contatos e ventiladores.
Na quarta-feira, comentando sobre as novas diretrizes do governo, Raoult disse: "Quando o dano pulmonar é muito grave, e os pacientes chegam para reanimação, eles praticamente não abrigam mais o vírus em seus corpos. É tarde demais para tratá-los com cloroquina. Esses - os casos muito graves - serão os únicos a serem tratados com cloroquina nos termos das novas diretrizes de Veran (o novo ministro da saúde da França)? Se assim for, acrescentou ele com ironia, "eles então poderão afirmar com convicção científica que a cloroquina não funciona".
Raoult não estava acessível para comentar sobre os artigos da mídia ocidental que citavam resultados de testes chineses que sugerem que ele talvez esteja enganado quanto à eficácia da cloroquina no tratamento de casos leves de Covid-19.
Membros de sua equipe citaram seus comentários no boletim do IHU, no qual Raoult afirma que é "insultuoso" perguntar se podemos confiar nos chineses quanto ao uso da cloroquina. "Se esta fosse uma doença americana, e o Presidente dos Estados Unidos dissesse que 'Temos que tratar os pacientes com isso', ninguém discutiria".
Na China, acrescenta ele, houve "elementos suficientes para permitir que o governo chinês e os especialistas chineses que conhecem o coronavírus adotassem a posição oficial de que 'temos que tratar com cloroquina'. Entre o momento em que obtivemos os primeiros resultados e sua publicação em um periódico internacional reconhecido, não há alternativa verossímil para as pessoas que mais conhecem o assunto em todo o mundo. Elas tomaram essas medidas em prol da saúde pública".
O ponto crucial: Raoult diz que, caso contraísse o coronavírus, ele tomaria cloroquina. Como Raoult é tido por seus pares como o maior especialista de todo o mundo em doenças contagiosas, muito acima do Dr. Anthony Fauci, dos Estados Unidos, eu diria que os novos relatos representam os interesses da Grande Farma.
Raoult vem sendo impiedosamente massacrado e demonizado pela mídia empresarial francesa, controlada por uns poucos oligarcas estreitamente ligados ao macronismo. Não foi por acaso que essa demonização atingiu o nível dos gilets jaunes (coletes amarelos), muito especialmente em razão do popularíssimo hashtag #IlsSavaient ("eles sabiam"), no qual os coletes amarelos afirmam que as elites francesas "administraram" a crise do Covid-19, protegendo a si próprias e deixando a população indefesa contra o vírus.
Isso bate também com a controvertida análise do brilhante filósofo Giorgio Agamben, em uma coluna publicada há um mês, na qual ele já dizia que Covid-19 mostra claramente que o estado de exceção – semelhante ao estado de emergência, mas com diferenças que os filósofos veem como importantes - tornou-se plenamente normalizado no Ocidente.
Agamben falava não como médico ou virólogo, mas como um mestre pensador que segue os passos de Foucault, Walter Benjamin e Hannah Arendt. Observando que um estado latente de medo se metastizou em um estado de pânico coletivo, para o qual o Covid-19 "mais uma vez oferece o pretexto ideal", ele descreveu a forma pela qual, "em um círculo vicioso perverso, a limitação da liberdade imposta pelos governos é aceita em nome de um desejo de segurança que foi induzido por esses mesmos governos que agora intervêm para satisfazê-lo".
Não houve estado de pânico coletivo na Coreia do Sul, em Cingapura, em Taiwan, nem no Vietnã - para mencionar quatro exemplos asiáticos externos à China. Uma obstinada combinação de testes em massa e rastreamento de contatos foi empregada com imenso profissionalismo. Funcionou. No caso chinês, com a ajuda da cloroquina. E, em todos os casos asiáticos, sem a sombria motivação de lucros que só beneficia a Grande Farma.
Ainda não surgiu o "revólver fumegante", a prova conclusiva de que o sistema Macron não apenas é incompetente para lidar com o Covid-19, mas também de que eles veem postergando o processo para que a Grande Farma tenha tempo para, o quanto antes, produzir uma vacina milagrosa. Mas o procedimento de desestimular a cloroquina foi mais que explicado acima - em paralelo com a demonização de Raoult.
Publicado no Brasil 247: https://www.brasil247.com/blog/por-que-a-franca-esta-escondendo-uma-cura-barata-e-testada-para-o-virus
Tradução de Patricia Zimbres, para o 247
* Pepe Escobar é jornalista e correspondente de várias publicações internacionais
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quarta-feira, 14 de outubro de 2020
Monsieur Macron, presta atenção...
Richard Jakubaszko
Flagrante da vida real mostra o quanto os políticos não percebem o que acontece à volta deles, tão preocupados que estão em se fazer notar e em serem o centro das atenções... Allez Monsieur Macron, proíba a França e a Europa de importarem madeira do Brasil que os desmatamentos e queimadas vão cair mais de 90%, veja só aqui.
terça-feira, 18 de maio de 2021
O Tio Sam não é mais aquele
Ricardo Viveiros *
Tudo na vida é cíclico. Até mesmo uma democracia estável, como a norte-americana, surpreende ao ser abalada como aconteceu nos últimos dias do Governo Trump. Ele próprio um exemplo das intempéries políticas daquilo que pode sofrer um país.
Interessante observar, no caso dos EUA, que por quase 50 anos, de Roosevelt a Reagan, o estilo de governo foi um Estado forte, corajoso, produtivo. Ora com um republicano, como "Ike" Eisenhower, ora com um democrata, como Lyndon Johnson, tudo estava equilibrado, dentro da mesma cartilha.
Nas últimas quatro décadas, entretanto, o que se viu foi um período tranquilo, sob um jeito modesto de ser. "Bill" Clinton comentou: "A era do governo grande terminou". Agora, com "Joe" Biden no manche do airbus, tem início um processo de mudanças. E não é apenas o estilo de gestão. O novo presidente norte-americano não é um burocrata, como o russo Putin; nem um financista como o francês Macron; tampouco um fanfarrão como o norte-coreano Kim Jong-un.
Biden é do tipo menos "eu", mais "vocês". Ele não cria inimigos para legitimar políticas de Estado, opta por buscar parceiros e mudar a narrativa histórica dos que governaram antes dele. Não entra no discurso vazio da não globalização.
Distante do populismo crescente, longe do imaginário de que há uma conspiração de esquerda contra o Mundo, Biden é um equilibrado e discreto governante. O que não o impede de ser astuto político, conciliador que não deixa de exercer o poder com a ambição de realizar. Prova disso: com muito pouco tempo na Casa Branca - sem alaridos - já aprovou três pacotes envolvendo quatro trilhões de dólares.
Joe Biden completou os primeiros 100 dias de governo mudando o rumo de quase todas as políticas do seu antecessor, Donald Trump. Covid-19, meio ambiente, segurança, imigração, saúde, direitos humanos, relações internacionais. Biden iniciou seu mandato com 44% de aprovação do público norte-americano, segundo pesquisa da NBC News. A taxa cresceu para 50% agora em abril passado, considerando sua gestão como boa e ótima.
O presidente norte-americano já sinalizou que vai crescer tributos sobre as grandes corporações, para distribuir melhor a renda diminuindo desigualdades sociais. Sonhando grande para alcançar o mais perto possível, promete investir em modernas tecnologias. Menos bélico, mais empreendedor. Consegue de maneira muito especial agir em duas pontas distintas, ficando no centro e evitando polêmicas.
O que mudou nos EUA está em quem é o seu principal competidor. Sai Rússia, entra China. Ao invés de guerra armamentista, agora a disputa é comercial. E isso, claro, sem abrir mão da imagem de defensor internacional da democracia. Novo tempo, nova visão desenvolvimentista respeitando direitos humanos e sustentabilidade.
Biden, além da crise econômica enfrenta também a sanitária. Promovendo virada histórica, acaba de anunciar apoio à suspensão das patentes de vacinas contra a Covid-19 para acelerar a produção de imunizantes em países em desenvolvimento. E, ainda por cima, reage à fragilidade democrática herdada do desastroso Governo Trump. Enfim, transformações em curso geram expectativa em todo o planeta. Inclusive aqui no Brasil, histórico parceiro norte-americano nos princípios liberais e nos negócios. Só que, ultimamente, o Governo Bolsonaro - que segue fiel ao estilo Trump - anda interessado em obter recursos dos EUA para, supostamente, proteger a Amazônia. Biden abrirá o cofre?
* o autor é jornalista, professor e escritor. Doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, membro honorário da Academia Paulista de Educação (APE) e autor, entre outros, dos livros "Justiça Seja Feita", "A Vila que Descobriu o Brasil" e "Educação S/A".
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sábado, 26 de setembro de 2020
Aprosoja pede desligamento da Abag
Richard Jakubaszko
Rompimento ocorreu por divergências das ações necessárias para combater o desmatamento *
A Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja Brasil) enviou nesta sexta-feira (25/9), uma carta à Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), pedindo desligamento da entidade. Com o rompimento, o presidente da Aprosoja Brasil, Bartolomeu Braz Pereira, participante do Conselho Diretor da Abag, renuncia ao cargo.
A fervura entre as duas entidades ganhou escala depois que a Abag decidiu compor o grupo de entidades e empresas que, junto à Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, listou um conjunto de sugestões para diminuir o desmatamento na Amazônia Legal. O manifesto foi entregue ao presidente Bolsonaro. Braz tem posicionado essa ação como “politicagem”.
A decisão do rompimento ocorreu em uma assembleia extraordinária, realizada nesta quarta-feira (23/9), e foi por unanimidade das 16 entidades estaduais que formam a Aprosoja. De acordo com a nota divulgada, a “decisão se deu em razão de entendimento de não mais serem convergentes os interesses da Aprosoja Brasil e esta entidade [Abag]”.
* Publicado originalmente no Portal DBO: https://www.portaldbo.com.br/aprosoja-pede-desligamento-da-associacao-brasileira-do-agronegocio/
NOTA DO BLOGUEIRO:
Entendo que seria uma questão de tempo, até mesmo inevitável, esse desenlace entre entidades associativas representativas dos produtores rurais, como a Aprosoja, e a entidade que representa os interesses das indústrias de insumos, como a Abag, que sanciona as sugestões da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura ao governo de Jair Bolsonaro, em razão do conflito. Acompanho com minúcias os conflitos desses interesses desde a questão da moratória da soja, lançada em 2006, e sempre me posicionei contrário à ela. Nunca entendi e tampouco aceitei a posição inicial da Aprosoja de aderir à moratória, pois os prejuízos dos produtores rurais estabelecidos na chamada região da Amazônia Legal eram evidentes, mesmo que estivessem com áreas de plantio e criação no bioma do Cerrado, como ocorre no leste, no sul e sudeste do Mato Grosso.
Registrei essa posição de meu entendimento no livro "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?". A moratória da soja, uma decisão política posicionada pelo "politicamente correto", liderada pela Abiove, tinha como coautores a Abag e a própria Aprosoja. Os desmatamentos, e as queimadas, que se processam em áreas do bioma amazônico, entretanto, revelaram o conflito de interesses entre os associados da Aprosoja e da Abag, diante da evidente incompatibilidade das objetivas ações propostas pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, da qual a Abag é signatária. Diante disso ocorre o desenlace associativo, e os produtores rurais agora ficam sem o apoio dos seus parceiros fornecedores de insumos. Os dois lados perdem, porque se subdividem e tornam-se ainda mais minoritários.
Há males que vêm para o bem. Espero que a problemática dos desmatamentos e das queimadas seja discutida com objetividade e clareza a partir desse novo cenário. Continuar com posicionamentos suicidas, como tem sido feito pelos produtores rurais e pelas indústrias de insumos é perverso para todos, pois a mídia comanda o espetáculo com maestria, aplaudida por ONGs e interesses diversos inconfessáveis de governos estrangeiros, sejam de natureza política, econômica ou geopolítica, além da ambiental, monitorada pelo IPCC, na sórdida e criminosa campanha ambientalista, ancorada nas mudanças climáticas que antecedem o aquecimento definitivo do planeta, pré status do início do fim do mundo.
Como já me posicionei anteriormente, em diversas oportunidades (https://richardjakubaszko.blogspot.com/search?q=carta+aberta+a+macron ), aqui neste blog, e no livro, para acabar - ou reduzir substancialmente - com os desmatamentos ilegais bastaria exercer rígida fiscalização nas exportações de madeiras originárias da Amazônia, ou até mesmo a sua quase total proibição. As queimadas cairiam na mesma proporção. Porque ninguém queima árvores nos incêndios, chamados ironicamente pela mídia como queimadas. As queimadas ocorrem em áreas desmatadas, ilegais ou legais. Mas a emoção e o calor das discussões são levadas a um clímax emocional digno de uma prosopopeia grega, que antevê o fim da Amazônia.
Que fique claro que não sou a favor da motosserra, pois sou ambientalista, apenas não uso carteirinha. Todos os participantes desse imbróglio, ONGs, Aprosoja, Abag, Abiove, governo brasileiro, Ibama, ONU/IPCC, governos estrangeiros, ambientalistas, cometem erros grosseiros nas suas ações e propostas, posicionamentos que nunca levarão a um consenso e, especialmente, não trarão soluções para os problemas existentes.
A Amazônia não vai sumir do mapa, os desmatamentos e queimadas são consequências de processos evidentes diante da população de mais de 20 milhões de pessoas que a habitam e que lá sobrevivem com imensas dificuldades, especialmente indígenas e ribeirinhos. Refletem, sobretudo, os resultados perversos das atividades da superpopulação planetária, hoje com cerca de 7,5 bilhões de bocas que precisam de alimentos baratos. Não há mais como conter essa caminhada rumo ao precipício derradeiro da humanidade. Entendamos, em definitivo, que a superpopulação humana é a causa principal de todos os conflitos ambientais, políticos, sociais e econômicos, a que assistimos. Sem discutir e resolver essa questão básica, todos os demais problemas somente vão crescer e se agravar.
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quinta-feira, 20 de junho de 2019
Novos impostos na África do Sul, EUA e no mundo
A Lei do Imposto sobre o Carbono e o Ato de Emenda à Alfândega e Impostos Especiais foram oficialmente emitidos na África do Sul em 23 de maio último e entraram em vigor a partir de 1º de junho de 2019.
Os dois atos funcionam em conjunto entre si, com a Lei de Aduanas e Taxas de Impostos que tratam principalmente de questões que envolvem a implementação do novo imposto sobre o carbono.
De acordo com a advogada ambiental da Norton Rose Fulbright, Tina Costas, o Carbon Tax Act tem como objetivo reduzir as emissões nocivas, introduzindo o "princípio do poluidor-pagador".
“Esse princípio incorpora os custos dos danos causados pelos gases de efeito estufa ao preço de bens e serviços com alta emissão de carbono”, disse ela.
"Isso deve mudar o comportamento do consumidor e incentivar os investidores a mudar para opções de baixo carbono."
Costas disse que empresas, indivíduos e entidades públicas estarão sujeitos ao pagamento do imposto sobre o carbono se conduzirem uma atividade que resulte na emissão de GEEs acima dos limites de emissões prescritos.
Os gases de efeito estufa agora taxados incluem dióxido de carbono, metano, óxido nitroso, perfluorcarbonos, hidrofluorcarbonetos e hexafluoreto de enxofre.
Impacto
A introdução do Carbon Tax Act será imediatamente sentida pelos motoristas sul-africanos com um aumento direto do combustível de 9 cents / l na gasolina e de 10 cents / l no diesel a partir de junho de 2019.
Isso inclui a taxação “trickle-down” das emissões fugitivas nas cadeias de valor da gasolina e do diesel provenientes da produção, transporte e ventilação de petróleo, que serão repassadas aos consumidores.
https://businesstech.co.za/news/finance/318956/new-tax-bills-signed-into-law-by-ramaphosa-heres-what-they-mean-for-you/
Califórnia quer cobrar taxa de AGA em restaurantes
Uma nova iniciativa para combater as mudanças climáticas foi lançada na Califórnia (EUA), impulsionada por uma coalizão de entidades públicas e privadas que esperam transferir carbono do ar para o solo.
Com a finalidade de conseguir recursos para pagar o plano destinado a criar “um sistema alimentar sustentável”, os idealizadores estão pedindo aos restaurantes do estado para começarem a cobrar uma taxa adicional de 1% aos seus clientes.
A Perennial Farming Initiative quer que os donos de restaurantes se inscrevam para cobrarem a sobretaxa “opcional” junto aos seus clientes, para que os fundos possam ser canalizados para a Califórnia Air Resource Board e “gastos na implementação de planos de carbono em fazendas e ranchos em toda a Califórnia”.
De acordo com um relatório da KOVR-TV, a ideia está sendo recebida com críticas diversas.
A iniciativa está programada para ser lançada no outono (setembro/2019), e os defensores dizem que ela pode arrecadar muito dinheiro para ser usada nos esforços de redução de carbono.
https://conexaopolitica.com.br/eua/california-quer-que-restaurantes-cobrem-uma-taxa-de-1-para-combater-mudancas-climaticas/
Greta Thunberg e seus efeitos na Europa
Na Suécia está se popularizando o movimento "com vergonha de voar" por causa dos danos que aviões provocam ao meio ambiente. 'Flygskam', a 'vergonha de voar' que já preocupa a indústria da aviação na Suécia, cujo faturamento começou a cair. Greta Thunberg, a garota que gazeteia aulas para protestar contra o que ela acredita que sejam as inações governamentais sobre as mudanças climáticas e o aquecimento global, agora só viaja de trem para evitar emissões.
Para quem não sabe, Greta é autista, filha de pais ricos e famosos (a mãe é cantora de ópera), está lançando um livro (A nossa Casa está a arder - Portugal), que com certeza não foi escrito por ela, e a mídia faz pressão para que ela seja distinguida com o Prêmio Nobel da Paz.
Na França, os coletes amarelos continuam protestando, desde o final de 2018. Eles querem a revogação da taxa de impostos criada pelo presidente Macron, que impõe custos adicionais aos motoristas proprietários de automóveis.
Brasil
Aguardemos a tentativa de imposto do churrasco aqui no Brasil. Vai ter espetos e facas voando. O ex-prefeito Kassab bem que tentou o imposto da pizza, que seria cobrado das pizzarias com forno a lenha. Não foi adiante, mas outras “ideias brilhantes” vão aparecer aí pela frente. Afinal, o Código Florestal está em vigor, pois confiscou terras de produtores rurais ao tornar obrigatória a Reserva Ambiental, que é de 20% no Sul e Sudeste do Brasil, 30% no Centro-Oeste e 80% na Amazônia. A lei florestal brasileira é considerada por especialistas internacionais como a mais severa de todas as leis ambientais. Quando faltar terras para produzir alimentos teremos que rever essa lei, e não vai demorar muito.
Aos poucos, gradativamente, as sociedades vão imbecilizando, com o inefável apoio midiático, um fenômeno planetário.
Até julho próximo pretendo sair com a 2ª edição, ampliada, revista e atualizada do livro CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?
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