sexta-feira, 23 de agosto de 2019
Carta aberta ao presidente da França, sr. Emmanuel Macron:
Se o leitor destas mal traçadas linhas conhece algum francês, encaminhe a ele esta carta aberta dirigida ao presidente Emmanuel Macron, da França. Estou fazendo o mesmo com umas duas dezenas de franceses que conheço, no Brasil e mundo afora. Se seguirmos a teoria de que a distância entre um homem simples ao mais poderoso de seu país tem no máximo 5 elos (5 pessoas), como se fosse uma corrente, hoje mesmo o presidente Macron toma conhecimento da carta aberta abaixo e soluciona o problema dos desmatamentos e das queimadas na Amazônia.
Sr Presidente Emmanuel Macron:
Leio na mídia brasileira que o senhor escreveu em sua página no Twitter críticas ao presidente brasileiro e ainda convocou reunião com o G7 para discutir a questão ambiental da Amazônia, suas queimadas e desmatamentos: "Nossa casa está queimando. Literalmente. A floresta amazônica - os pulmões que produzem 20% do oxigênio do nosso planeta - está em chamas. É uma crise internacional". Está claro que o senhor deseja discutir o que classificou como "emergência internacional".
É fácil e muito simples resolver as queimadas e os desmatamentos, presidente Macron: determine que a França pare de importar madeira da América Latina, especialmente do Brasil. Depois, influencie os países membros do Mercado Comum Europeu para que façam o mesmo, especialmente a Inglaterra, cujos pubs, todos eles, usam madeira para forrar as suas paredes, tudo madeira da Amazônia, sabia? Se a França não fizer isto ficará oficializada a hipocrisia ambiental. Discursos de manter a floresta em pé, mas incentivos para o abate de árvores são incoerentes, senhor presidente.
Garanto-lhe, como brasileiro, jornalista, escritor, e cético da questão ambiental, mas sou ambientalista, que os desmatamentos cairão em mais de 90%, e na mesma proporção as queimadas, pois os madeireiros não vão mais abater árvores na Amazônia, porque não terão a quem vender...
Saiba que não existe imbecil na Amazônia, presidente Macron, ninguém queima árvores quando faz queimadas. A madeira vale muito dinheiro, dinheiro francês, dinheiro europeu, e que vale muito para as madeireiras.
Assim, o senhor não precisaria castigar injustamente o Brasil e seus agricultores e pecuaristas, produtores de soja e carne, que não têm culpa desse descalabro ambiental que acontece na Amazônia, só porque algumas madeireiras, mais uns pecuaristas da região, e mineradores, fazem estripulias na grande floresta.
Simples, não é mesmo, senhor presidente? Garanto que a sua reeleição pode ser alavancada com essa simples medida. A França pode salvar o mundo!
Até o Brasil vai aplaudir.
Saudações do Brasil
Richard Jakubaszko
Jornalista, escritor e blogueiro
ET. - Presidente Emmanuel Macron, a Amazônia é do Brasil, peça aos europeus que abandonem essa ideia maluca de desapropriá-la, como indica o mapa abaixo, com o corredor ecológico da Anaconda.
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sábado, 26 de setembro de 2020
Aprosoja pede desligamento da Abag
Richard Jakubaszko
Rompimento ocorreu por divergências das ações necessárias para combater o desmatamento *
A Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja Brasil) enviou nesta sexta-feira (25/9), uma carta à Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), pedindo desligamento da entidade. Com o rompimento, o presidente da Aprosoja Brasil, Bartolomeu Braz Pereira, participante do Conselho Diretor da Abag, renuncia ao cargo.
A fervura entre as duas entidades ganhou escala depois que a Abag decidiu compor o grupo de entidades e empresas que, junto à Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, listou um conjunto de sugestões para diminuir o desmatamento na Amazônia Legal. O manifesto foi entregue ao presidente Bolsonaro. Braz tem posicionado essa ação como “politicagem”.
A decisão do rompimento ocorreu em uma assembleia extraordinária, realizada nesta quarta-feira (23/9), e foi por unanimidade das 16 entidades estaduais que formam a Aprosoja. De acordo com a nota divulgada, a “decisão se deu em razão de entendimento de não mais serem convergentes os interesses da Aprosoja Brasil e esta entidade [Abag]”.
* Publicado originalmente no Portal DBO: https://www.portaldbo.com.br/aprosoja-pede-desligamento-da-associacao-brasileira-do-agronegocio/
NOTA DO BLOGUEIRO:
Entendo que seria uma questão de tempo, até mesmo inevitável, esse desenlace entre entidades associativas representativas dos produtores rurais, como a Aprosoja, e a entidade que representa os interesses das indústrias de insumos, como a Abag, que sanciona as sugestões da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura ao governo de Jair Bolsonaro, em razão do conflito. Acompanho com minúcias os conflitos desses interesses desde a questão da moratória da soja, lançada em 2006, e sempre me posicionei contrário à ela. Nunca entendi e tampouco aceitei a posição inicial da Aprosoja de aderir à moratória, pois os prejuízos dos produtores rurais estabelecidos na chamada região da Amazônia Legal eram evidentes, mesmo que estivessem com áreas de plantio e criação no bioma do Cerrado, como ocorre no leste, no sul e sudeste do Mato Grosso.
Registrei essa posição de meu entendimento no livro "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?". A moratória da soja, uma decisão política posicionada pelo "politicamente correto", liderada pela Abiove, tinha como coautores a Abag e a própria Aprosoja. Os desmatamentos, e as queimadas, que se processam em áreas do bioma amazônico, entretanto, revelaram o conflito de interesses entre os associados da Aprosoja e da Abag, diante da evidente incompatibilidade das objetivas ações propostas pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, da qual a Abag é signatária. Diante disso ocorre o desenlace associativo, e os produtores rurais agora ficam sem o apoio dos seus parceiros fornecedores de insumos. Os dois lados perdem, porque se subdividem e tornam-se ainda mais minoritários.
Há males que vêm para o bem. Espero que a problemática dos desmatamentos e das queimadas seja discutida com objetividade e clareza a partir desse novo cenário. Continuar com posicionamentos suicidas, como tem sido feito pelos produtores rurais e pelas indústrias de insumos é perverso para todos, pois a mídia comanda o espetáculo com maestria, aplaudida por ONGs e interesses diversos inconfessáveis de governos estrangeiros, sejam de natureza política, econômica ou geopolítica, além da ambiental, monitorada pelo IPCC, na sórdida e criminosa campanha ambientalista, ancorada nas mudanças climáticas que antecedem o aquecimento definitivo do planeta, pré status do início do fim do mundo.
Como já me posicionei anteriormente, em diversas oportunidades (https://richardjakubaszko.blogspot.com/search?q=carta+aberta+a+macron ), aqui neste blog, e no livro, para acabar - ou reduzir substancialmente - com os desmatamentos ilegais bastaria exercer rígida fiscalização nas exportações de madeiras originárias da Amazônia, ou até mesmo a sua quase total proibição. As queimadas cairiam na mesma proporção. Porque ninguém queima árvores nos incêndios, chamados ironicamente pela mídia como queimadas. As queimadas ocorrem em áreas desmatadas, ilegais ou legais. Mas a emoção e o calor das discussões são levadas a um clímax emocional digno de uma prosopopeia grega, que antevê o fim da Amazônia.
Que fique claro que não sou a favor da motosserra, pois sou ambientalista, apenas não uso carteirinha. Todos os participantes desse imbróglio, ONGs, Aprosoja, Abag, Abiove, governo brasileiro, Ibama, ONU/IPCC, governos estrangeiros, ambientalistas, cometem erros grosseiros nas suas ações e propostas, posicionamentos que nunca levarão a um consenso e, especialmente, não trarão soluções para os problemas existentes.
A Amazônia não vai sumir do mapa, os desmatamentos e queimadas são consequências de processos evidentes diante da população de mais de 20 milhões de pessoas que a habitam e que lá sobrevivem com imensas dificuldades, especialmente indígenas e ribeirinhos. Refletem, sobretudo, os resultados perversos das atividades da superpopulação planetária, hoje com cerca de 7,5 bilhões de bocas que precisam de alimentos baratos. Não há mais como conter essa caminhada rumo ao precipício derradeiro da humanidade. Entendamos, em definitivo, que a superpopulação humana é a causa principal de todos os conflitos ambientais, políticos, sociais e econômicos, a que assistimos. Sem discutir e resolver essa questão básica, todos os demais problemas somente vão crescer e se agravar.
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segunda-feira, 25 de novembro de 2024
Carrefour queria boicotar o Brasil e acabou em xeque, está boicotado aqui. Mas precisa mais boicote nosso.
Richard Jakubaszko
A grande mídia revelou esta semana a decisão de boicote do grupo francês Carrefour que anunciou na França que irá parar de comprar carne do Mercosul, inclusive do Brasil, por conta de supostos “descumprimentos sanitários”, o que provocou um enorme repúdio das autoridades brasileiras, a começar pelo ministro da Agricultura Carlos Fávaro, ao mesmo tempo apoiando um contra-boicote da indústria brasileira de carnes vermelhas (inclusive de frangos), à filial brasileira da rede Carrefour. Vai ser interessante acompanhar essa treta. 
Acordo já está aprovado. Agora é só chororô.
Pela primeira vez o agro brasileiro se mostra com coragem para contestar as “frescuras ambientais” da França e da Comunidade Europeia, que discutem com enorme hipocrisia a aprovação e regulamentação do acordo Mercosul-Mercado Europeu, que está encrencado há cerca de 30 anos, sempre atrapalhado pelos interesses, de um lado, dos ambientalistas, e, de outro, pelas indústrias europeias e pelos produtores rurais franceses. Houve a aprovação em 2019, mas ainda falta a regulamentação. O acordo vai ser regulamentado e deve sair ainda este ano, mas sem os aplausos daqueles que sempre foram contra.
A ação do Carrefour, em verdade, é uma ação política de apoio ao governo francês, e, ao mesmo tempo, uma jogada de marketing para com seus clientes na Europa e fornecedores do agro francês. No início dos anos 2000 o Carrefour prometeu em campanhas publicitárias a “rastreabilidade” de todos os produtos vendidos pela rede. Houve um sucesso enorme entre os clientes, mas o Carrefour foi obrigado a terceirizar os processos de rastreio, devido à dimensão que a promessa mercadológica alcançou, e que eles nunca conseguiriam cumprir sozinhos. Outras redes de supermercados europeias abraçaram a ideia e foram juntas na ação de marketing, conforme revelo em meu livro “CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?” Veja aqui: https://richardjakubaszko.blogspot.com/2022/05/saiu-3-edicao-do-livro-co2-aquecimento.html
No livro, demonstro como seriam as ações “diplomáticas” e “políticas” da Europa contra o agronegócio brasileiro, na verdade o foco principal do interesse no acordo: protecionismo puro, através de normas alfandegárias que inviabilizem um concorrente como o Brasil na produção de alimentos.
Em agosto de 2019 publiquei aqui no blog, uma carta aberta ao presidente da França, Emmanuel Macron, sobre as tretas francesas e europeias a respeito das queimadas na Amazônia. Pedi a ele para que intercedesse no Parlamento Europeu para exigir a proibição de importação de madeira ilegal do Brasil, pois isso resolveria 90% dos problemas de abate de árvores, e, consequentemente, das queimadas. Leia aqui: https://richardjakubaszko.blogspot.com/2019/08/carta-aberta-ao-presidente-da-franca-sr.html
No contra-boicote brasileiro, em minha opinião, outras áreas do agronegócio precisam aderir, sejam produtores de frutas, hortaliças e legumes, além de laticínios, pois a indústria de alimentos brasileira não irá tomar nenhuma iniciativa. Vejam que a Danone e o Grupo Tereos (Açúcar Guarani), investimentos franceses no Brasil, já aderiram ao boicote do Carrefour.
Como pano de fundo temos a questão ambiental, o aquecimento e as mudanças climáticas, a maior mentira do Século XXI, e atrás disso os europeus, especialmente os franceses, manipulam de forma dissimulada toda a questão. O Brasil (principalmente o agronegócio) necessita debater a fundo as intenções dos grupos de interesse do IPCC, em cujas mentiras os franceses agora se apoiam para tomar decisões.
Assim, tenhamos comprometimento, e sem medo de ser feliz.
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sábado, 24 de agosto de 2019
Amigos do agronegócio: lamento informar, mas eu avisei.
E avisei com muita antecedência. Expliquei no livro “CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?”, em 2015, e alertei em dezenas de artigos publicados aqui no blog, antes de publicar o livro. Desde 2007 tenho feito essa peregrinação, com altos custos pessoais, cheguei a receber muitas bordoadas e acusações por ser um cético da questão ambiental, acusações de ser um porta-voz do agronegócio e da indústria do petróleo, mas nunca desisti, e assistia com incredulidade a omissão da maioria dos líderes do agro, como se nada pudesse atingi-los. Ouvi inúmeras vezes de alguns líderes do setor: “nada, não tem problema nenhum, isso que você tá fazendo com a gente é terrorismo, nós somos ambientalistas também, ademais, onde eles vão comprar carnes e grãos?”.
Recebi desafios de um presidente de uma empresa multinacional do setor, do tipo: “Quero saber se você é o Joãozinho do passo certo, ou se é um maluco, de publicar esse livro. Se estiver certo nós te ajudamos, mas se estiver errado vou enfiar o livro no teu traseiro”. Nada aconteceu, tudo parecia discussão de políticos, que nada querem decidir, nada querem resolver, e nunca procuram a verdade, apenas desejam ganhar a discussão. Foi difícil divulgar verdades contra a mentira do século XXI, de que o aquecimento não existe, não é provocado pelas mudanças climáticas, muito menos pelo excesso de gente no planeta. Essa é verdade, mas os poderosos grupos de pressão, ganham a discussão através da mídia, nacional e internacional. Bastou um sujeito tosco, despreparado e inábil como Jair Bolsonaro jogar fósforo aceso na fogueira e a hipocrisia mundial reacendeu.
Agora, tudo que previ pode acontecer, pretendem proibir exportações brasileiras de carnes e grãos, e podem até nos tomar a Amazônia, fruto de cobiça internacional há muito tempo. Será feito com aplausos das galeras no mundo inteiro, até mesmo dos brasileiros. Assistam ao vídeo abaixo para lembrar o que falei em 2015, e venho de forma teimosa repetindo desde lá. Não mudo uma única palavra do que disse, e faço um novo aviso: vai ser difícil, muito difícil enfrentar as encrencas desse novo tempo, mas há maneiras de reverter esse inferno que de nós se aproxima. A diferença é que agora vai ser uma fatura muito mais cara do que antes.
Os debates midiáticos, a oposição de Donald Trump ao Acordo Climático, de Bolsonaro e de alguns outros, estimulou a venda do meu livro, esgotando a 1ª edição. O livro entra esta semana em 2ª edição, ampliada e revista, com análises aprofundadas, feitas no início deste ano de 2019, e não dentro da atual situação que vivemos hoje, diante da iminência de haver proibição de compra de carnes e grãos do Brasil por causa dos desmatamentos e das queimadas na Amazônia.
Ontem publiquei aqui no blog uma carta aberta pessoal ao presidente da França, Emmanuel Macron, ainda com modesta repercussão, apesar de ser uma das mais lidas do blog nesta semana, mas desconheço se ele tomou conhecimento. Clique aqui para ler a carta.
Continuo afirmando, não sejam omissos!
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