sábado, 8 de setembro de 2012

Carta resposta do MMA aos 18 cientistas brasileiros

Richard Jakubaszko
Registro abaixo a retórica e inconsequente carta-resposta do Ministério do Meio Ambiente ao "Carta aberta à presidente Dilma", esta publicada por este blog em maio último e que poderá ser lida no link: http://richardjakubaszko.blogspot.com.br/2012/05/carta-aberta-presidente-dilma-rousseff.html
Não há conteúdo, nem no discurso tradicional dos ambientalistas, e muito menos na defesa dos chavões dos discursos.
 "KLUTE OU KLINK, O PASSADO CONDENA"
Criação - Maurício Porto

Por Editoria do Alerta em Rede
24 de agosto de 2012

O secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Carlos Augusto Klink, enviou ao climatologista Ricardo Felício, professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), uma réplica à carta aberta enviada à presidente Dilma Rousseff por 18 cientistas brasileiros, alertando-a sobre a desorientada política seguida pelo País no tocante às questões climáticas. Na resposta, Klink, um dos graduados representantes do aparato ambientalista internacional inseridos no governo brasileiro, desqualifica e repudia o documento dos cientistas, ao mesmo tempo em que denota a orientação internacionalista que tem influenciado a política nacional para os assuntos climáticos, em um tom que destoa da reorientação que o Governo Dilma tem conferido à sua política ambiental.

Encaminhada por Felício à presidente e divulgada publicamente, antes da conferência Rio+20, a carta aberta teve ampla repercussão, sendo comentada pela mídia que cobria o evento e postada nos sítios de entidades científicas, como a Sociedade Brasileira de Geofísica e a Associação Brasileira de Estudos do Quaternário. Entre os signatários, destacavam-se o geólogo Kenitiro Suguio, professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), os climatologistas Luiz Carlos Molion, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), o geólogo João Wagner Alencar Castro, chefe do Departamento de Geologia e Paleontologia do Museu Nacional, e outros. O geólogo Geraldo Luís Lino, do conselho editorial deste sítio, também integrou a lista.

Na réplica, o secretário Klink faz o que chama uma “refutação veemente” do argumento principal da carta aberta, o de que as discussões sobre as mudanças climáticas não estão sendo pautadas por motivações científicas, mas ideológicas, políticas, econômicas e acadêmicas restritas. Em 29 parágrafos, ele produz um verdadeiro monumento ao pensamento burocrático, com argumentos redundantes e circulares e um texto abstruso, que, em sua maior parte, não apenas não oferece qualquer contestação séria à argumentação dos cientistas, como se limita a repetir chavões e lugares comuns retirados de textos padrões da literatura ambientalista.

Um exemplo é o parágrafo 22, que afirma:

Deve-se ter em conta que a base científica sobre mudança do clima está relacionada ao entendimento mais abrangente e profundo da variabilidade climática natural. Nesse sentido, a variabilidade climática natural deve ser entendida no contexto das variações naturais relacionadas a causas naturais. Por outro lado, a Mudança do Clima é influenciada pelo elemento antrópico, o qual constitui o foco da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. O IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas] leva em consideração elementos antrópicos e naturais conjuntamente.

De fato, é difícil entender o que autor quis dizer ao afirmar que “a variabilidade climática natural deve ser entendida no contexto das variações naturais relacionadas a causas naturais”. Este simples trecho sugere que a missiva deve ter sido composta com o clássico recurso “ctrl-c + ctrl-v”, e de forma algo descuidada, pois é pouco crível que um cientista que detém um Ph.D. em Biologia não tenha percebido a falta de sentido da frase.

Entretanto, apesar da “veemente” refutação de Klink à carta aberta, uma leitura atenta da sua réplica permite demonstrar que, como afirma o texto dos cientistas, a política climática nacional tem, mesmo, motivações alheias aos fatos científicos. Ele próprio admite, no parágrafo 24:

(…) Com o atual nível de conhecimento científico não é possível separar de maneira categórica o que pode ser atribuído à mudança do clima e o que advém de fenômeno natural. Ainda não é possível associar categoricamente os fenômenos atmosféricos severos ao aquecimento global. E reconhece-se também que os avanços científicos constatados pelo IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas], como aqueles utilizados nos exemplos citados anteriormente, por vezes são utilizados de maneira equivocada ou deturpada por aqueles que desejam tornar o fenômeno do aquecimento global como um guarda-chuva para todos os tipos de problemas ambientais. O Governo Brasileiro não se associa a esse tipo de conduta baseada em visão alarmista. Pelo contrário, se pauta na análise serena e embasada dos fatos políticos e científicos associados ao fenômeno.

A despeito das incertezas, o secretário justifica a linha de ação adotada pelo governo com base no famigerado “Princípio da Precaução”, um dos dogmas centrais da ideologia ambientalista, que assume a existência de riscos e a necessidade de ações preventivas, mesmo sem evidências concretas que fundamentem as restrições tecnológicas e econômicas associadas à aplicação do princípio. Como afirma o parágrafo 5:

De acordo com o Princípio da Precaução constante na Convenção [Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, da qual o autor se jacta de o Brasil ter sido o primeiro signatário - n.e.], as Partes devem adotar medidas de precaução para prever, evitar ou minimizar as causas da mudança do clima e mitigar seus efeitos negativos. Quando surgirem ameaças de danos sérios ou irreversíveis, a falta de plena certeza científica não deve ser usada como razão para postergar essas medidas, levando em conta que as políticas e medidas adotadas para enfrentar a mudança do clima devem ser eficazes em função dos custos, de modo a assegurar benefícios mundiais ao menor custo possível.

Considerando-se que as fontes energéticas favorecidas pelos ambientalistas para substituir os combustíveis fósseis, especialmente, a energia solar e a eólica, têm custos bem superiores às fontes tradicionais, tal argumento demonstra, de forma inequívoca, as contradições da argumentação ambientalista, na qual Klink se baseia.

No parágrafo 8, o secretário deixa antever uma das principais motivações do governo brasileiro para a adesão incondicional à agenda da “descarbonização” da economia, ao afirmar:

O Brasil apresenta um enorme potencial para se firmar como uma economia de baixo carbono, pois as iniciativas com maior potencial de redução de emissões estão nos setores de mudança do uso da terra e florestas e na agropecuária, que são setores responsáveis pela maior parte das emissões nacionais, diferentemente dos países industrializados e grandes emissores como China e Índia, que terão que diminuir a dependência dos combustíveis fósseis em sua matriz energética.

Ou seja, parece evidente uma intenção de se aproveitar uma “vantagem comparativa” do País, para atrair interesses e recursos financeiros para uma “economia de baixo carbono” baseada na extração de recursos naturais – estratégia que, se for plenamente implementada, poderá agravar ainda mais a já crítica tendência de desindustrialização precoce que acomete a economia nacional.

No parágrafo seguinte, Klink reforça tal impressão, ao mencionar dos recentes relatórios elaborados para estimar tais potenciais da economia brasileira: Caminhos para uma Economia de Baixa Emissão de Carbono no Brasil, realizado pela Consultoria McKinsey & Company, e Estudo de Baixo Carbono para o Brasil, pelo Banco Mundial. A origem dos estudos denota que as autoridades nacionais estão engajando firmemente o País nessa agenda internacional ditada pelos centros de comando do aparato ambientalista, em grande medida, motivadas por uma visão financeira de curto alcance, que desconsidera os sérios impactos negativos de tal orientação.

Embora não seja possível fazer um prognóstico sobre os rumos da política climática nacional, a presença de Klink na secretaria do MMA responsável por ela sugere que a ênfase “aquecimentista” ainda se fará sentir por algum tempo.

Por seu lado, o secretário tem um vasto currículo de atuação internacional no setor, junto a ONGs importantes e órgãos como o Banco Mundial, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e outros. Ele é cofundador e ex-presidente do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), filial do Woods Hole Research Center (WHRC) estadunidense, uma das ONGs mais ativas na divulgação de notícias sensacionalistas sobre a “devastação” da Amazônia. O WHRC foi fundado pelo biólogo George M. Woodwell, um dos principais mentores das campanhas ambientalistas mais visíveis e bem-sucedidas, desde o banimento do DDT, nas décadas de 1960-1970, passando pelo banimento dos clorofluorcarbonos (CFCs), na década seguinte, e pela campanha de promoção do aquecimento global como emergência global, que resultou na criação do IPCC e do estabelecimento do Protocolo de Kyoto.

Além disso, Klink foi coordenador de programas na The Nature Conservancy do Brasil, filial de uma das ONGs ambientalistas mais poderosas do mundo, e é membro do comitê científico do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB). Este último, criado em 1998, se dedica à “capacitação e formação de pessoas ligadas à conservação ambiental”, sendo uma organização típica do aparato ambientalista, tendo em sua diretoria atual representantes de ONGs estreitamente vinculadas ao ambientalismo internacional, como o Instituto Socioambiental (ISA) e o Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC). Entre os seus financiadores, destacam-se a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID), a Fundação Ford, a União Europeia e a Gordon and Betty Moore Foundation.

Em 2006, o IEB foi uma das ONGs com as quais a USAID articulou o programa Iniciativa para Conservação da Bacia Amazônica (ABCI, na sigla em inglês), elaborado para coordenar ações de ONGs ambientalistas e indigenistas nacionais e internacionais, provendo-os de recursos de “governança ambiental”, dentro de uma estratégia geral para “esterilizar” o desenvolvimento socioeconômico da região. Em meados de 2007, uma denúncia do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa) levou o governo brasileiro a exigir explicações da agência estadunidense, que foi obrigada a suspender o programa por algum tempo, enquanto o reformulava e o reiniciava de outra forma.


Fonte: Alerta em Rede
.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

É emocionante voar rasante

Richard Jakubaszko
Emocionante voo rasante sobre a América, vale a pena viajar no "14 BIS" (como será que foi filmado? Em asa delta? Um Jet Sky aéreo?) e sentir as emoções de um piloto.

.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Banksy, o mais famoso dos anônimos.

Richard Jakubaszko
Banksy é um artista anônimo, grafiteiro, talentoso, e, o que é mais instigante aos ingleses: ninguém sabe quem é. Anda pelo mundo afora, especialmente na Inglaterra, com sua arte subversiva e crítica, que desconstrói. Há apostas nas casas lotéricas inglesas para saber quando será descoberto, e quem será esse anônimo artista, se homem ou mulher, jovem ou velho, se imigrante. 
Abaixo uma amostra grátis do talento de Banksy.
Quem desejar mais informações, digite Banksy no Google é uma festa!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Como se constrói um paradigma


Richard Jakubaszko
A construção de um paradigma (um padrão, ou referência), pode ter inúmeras causas, mas há uma explicação teórica (e prática) interessante em relação a certos comportamentos.
A história abaixo é eloquente por si só.
 
Um grupo de cientistas colocou cinco macacos em uma gaiola e, no meio desta, uma escada com bananas em cima.

Toda vez que um dos macacos começava a subir a escada, um dispositivo automático fazia jorrar água gelada sobre os demais macacos.

 
Passado certo tempo, toda vez que qualquer dos macacos esboçava um início de subida na escada, os demais o espancavam (evitando assim a água gelada).

Obviamente, após certo tempo, nenhum dos macacos se arriscava a subir a escada, apesar da tentação.

Os cientistas decidiram então substituir um dos macacos. A primeira coisa que o macaco novo fez foi tentar subir na escada. Imediatamente os demais começaram a espancá-lo.

Após várias surras o novo membro dessa comunidade aprendeu a não subir na escada, embora jamais soubesse por que.
Um segundo macaco foi substituído e ocorreu com ele o mesmo que com o primeiro. O primeiro macaco que havia sido substituído participou, juntamente com os demais, do espancamento.

Um terceiro macaco foi trocado e o mesmo (espancamento, etc.) foi repetido. Um quarto e o quinto macaco foram trocados, um de cada vez, com intervalos adequados, repetindo-se os espancamentos dos novatos quando de suas tentativas para subir na escada.

O que sobrou foi um grupo de cinco macacos que, embora nunca tenham recebido um chuveiro frio, continuavam a espancar todo macaco que tentasse subir na escada.
Se fosse possível conversar com os macacos e perguntar-lhes por que espancavam os que tentavam subir na escada... Aposto que a resposta seria:
“Eu não sei – essa é a forma como as coisas são feitas por aqui”.
Esse comportamento, essa resposta, não te parece familiar?

Não perca a oportunidade de compartilhar isto com outros, pois eles podem estar se perguntando por que continuamos a fazer o que fazemos se existe outra forma de fazê-lo.

Somente duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. E não estou seguro quanto ao primeiro.”
Albert Einstein. 
.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

FHC versus Dilma, a réplica.

Richard Jakubaszko
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso continua olhando-se no espelho e a perceber algo que lhe agrada em termos de história, mas esquece os fatos, e deturpa a realidade. Escreveu, mais uma vez, artigo em jornais "amigos" (O Estado de São Paulo e O Globo, em 2 de setembro último), "aliviando" a culpa da presidente Dilma Rousseff por ter recebido a tal "herança maldita" do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


FHC perdeu, mais uma vez, rara oportunidade de ficar calado. Esqueceu-se de que o Brasil, em seu governo, quebrou por 3 oportunidades, e ele foi buscar de chapéu na mão o socorro do FMI, e recebeu a ordem de implantar as privatizações erráticas, que ainda hoje defende como ideias suas.

Esqueceu-se de que ele mesmo mudou a Constituição para poder reeleger-se, distribuindo verbas a parlamentares no Congresso. Esqueceu-se de ter colocado o dólar a quase 4,00 reais ao final de 2002, e de que a inflação estava já quase fora de controle quando passou a faixa presidencial para Lula. FHC esqueceu-se dos inúmeros escândalos de corrupção de seu governo, da privatização fraudulenta do Banespa, esqueceu-se do fator previdenciário, que reduziu ainda mais o valor das aposentadorias dos CLTs. Esqueceu-se de que o único legado positivo que nos deixou foi o da "Responsabilidade Fiscal" imposta aos governos estaduais e municipais, e que não foi medida de seu governo, mas projeto de lei de parlamentares.

FHC esqueceu-se de informar que foi ele quem deixou herança maldita para Lula, ao estabelecer a maior carga de impostos da história, e ainda a maior taxa de juros Selic de todos os tempos. Quando saiu do governo estava com a pior avaliação de todos os tempos, pior mesmo que a de Sarney.

O que FHC nos deixou, como legado maior, foi uma oposição incompetente e desorganizada, golpista, sem propostas, liderada pelo PSDB e pelo DEM. Outro legado de FHC foi o errático, o vingativo e ególotra José Serra, o coveiro do PSDB.

Abaixo reproduzo o artigo de FHC, e logo a seguir a resposta da presidente Dilma, que põe a verdade e os fatos em seus devidos lugares:

FHC: Pobre Dilma, com o legado de Lula.

Herança pesada
02 de setembro de 2012
Fernando Henrique Cardoso – O Estado de S.Paulo

A presidenta Dilma Rousseff recebeu uma herança pesada de seu antecessor. Obviamente, ninguém é responsável pela maré negativa da economia internacional, nem ela nem o antecessor. Mas há muito mais do que só o infortúnio dos ciclos do capitalismo.

Comecemos pelo mais óbvio: a crise moral. Nem bem completado um ano de governo e lá se foram oito ministros, sete dos quais por suspeitas de corrupção. Pode-se alegar que quem nomeia ministros deve saber o que faz. Sem dúvidas, mas há circunstâncias. No entanto, como o antecessor desempenhou papel eleitoral decisivo, seria difícil recusar de plano seus afilhados. Suspeitas, antes de se materializarem em indícios, são frágeis diante da obsessão por formar maiorias hegemônicas, enfermidade petista incurável.

Mas não foi só isso: o mensalão é outra dor de cabeça. De tal desvio de conduta a presidenta passou longe e continua se distanciando. Mas seu partido não tem jeito. Invoca a prática de um delito para encobertar outro: o dinheiro desviado seria “apenas” para o caixa 2 eleitoral, como disse Lula em tenebrosa entrevista dada em Paris, versão recém-reiterada ao jornal The New York Times. Pouco a pouco, vai-se formando o consenso jurídico, de resto já formado na sociedade, de que desviar dinheiro é crime, tanto para caixa 2 como para comprar apoio político no Congresso Nacional. Houve mesmo busca de hegemonia a peso de ouro alheio.

Mas não foi só isso que Lula deixou como herança à sucessora. Nos anos de bonança, em vez de aproveitar as taxas razoáveis de crescimento para tentar aumentar a poupança pública e investir no que é necessário para dar continuidade ao crescimento produtivo, preferiu governar ao sabor da popularidade. Aumentou os salários e expandiu o crédito, medidas que, se acompanhadas de outras, seriam positivas. Deixou de lado as reformas politicamente custosas: não enfrentou as questões regulatórias para acelerar as parcerias público-privadas e retomar as concessões de certos serviços públicos. A despeito da abundância de recursos fiscais, deixou de racionalizar as práticas tributárias, num momento em que a eliminação de impostos se poderia fazer sem consequências negativas: a oposição conseguiu suprimir a CPMF, cortando R$ 50 bilhões de impostos, e a derrama continuou impávida.

É longa a lista do que faltou fazer quando seria mais fácil. Na questão previdenciária, o único “avanço” não se concretizou: a criação de uma previdência complementar para os funcionários públicos que viessem a ingressar depois da reforma. A medida foi aprovada, mas sua consecução dependia de lei subsequente, para regulamentar os fundos suplementares, que nunca foi aprovada. As centenas de milhares de recém-ingressados no serviço público na era lulista continuaram a se beneficiar da regra anterior. Foi preciso que novo passo fosse dado pelo governo atual para reduzir, no futuro, o déficit da Previdência. Que dizer, então, de modificações para flexibilizar a legislação trabalhista e incentivar o emprego formal? A proposta enviada pelo meu governo com esse objetivo, embora assegurando todos os direitos trabalhistas previstos na Constituição, foi retirada do Senado pelo governo Lula em 2003. Agora é o próprio Sindicato Metalúrgico de São Bernardo do Campo que pede a mesma coisa…

Mas o “hegemonismo” e a popularidade à custa do futuro forçaram outro caminho: o dos “projetos de impacto”, como certos períodos do autoritarismo militar tanto prezaram. Projetos que não saem do papel ou, quando saem, custam caríssimo ao Tesouro e têm utilidade relativa. O exemplo clássico foi a formação a fórceps de estaleiros nacionais para produzirem navios-tanque para a Petrobrás (pagos, naturalmente, pelos contribuintes, seja por meio do BNDES, seja pelos altos preços desembolsados pela Petrobrás). Depois do lançamento ao mar do primeiro navio, com fanfarras e discursos presidenciais, passaram-se meses para se descobrir que o custo não fez jus a tanta louvação. Que dizer dos atrasos da transposição do São Francisco, ou da Transnordestina, ou ainda da fábrica de diesel à base de mamona? Tudo relegado aos restos a pagar do esquecimento.

O que mais pesa como herança é a desorientação da política energética. Calemos sobre as usinas movidas “a fio d’água”, cuja eletricidade para viabilizar o empreendimento terá de ser vendida como se a produção fosse firme o ano inteiro, e não sazonal. Foi preciso substituir o companheiro que dirigia a Petrobrás para que o País descobrisse o que o mercado já sabia, havendo reduzido quase pela metade o valor da empresa. O custo da refinaria de Pernambuco será dez vezes maior do que previsto; há mais três refinarias prometidas que deverão ser postergadas ad infinitum. O preço da gasolina, controlado pelo governo, não é compatível com os esforços de capitalização da Petrobrás. Como consequência de seu barateamento forçado – que ajuda a política de expansão ilimitada de carros com a coorte de congestionamentos e poluição – a produção de etanol se desorganizou a tal ponto que estamos importando etanol de milho dos Estados Unidos!

Com isso tudo, e apesar de estarmos gastando mais divisas do que antes com a importação de óleo, o presidente Lula não se pejou em ser fotografado com as mãos lambuzadas de petróleo para proclamar a autossuficiência de produção, no exato momento em que a produtividade da extração se reduzia. No rosário de desatinos, os poços secos, ocorrência normal nesse tipo de exploração, deixaram de ser lançados como prejuízo, para que o País continuasse embevecido com as riquezas do pré-sal, que só se materializarão quando a tecnologia permitir que o óleo seja extraído a preços competitivos, que poderão tornar-se difíceis com as novas tecnologias de extração de gás e óleo dos americanos.

É pesada como chumbo a herança desse estilo bombástico de governar que esconde males morais e prejuízos materiais sensíveis para o futuro da Nação.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, SOCIÓLOGO, FOI PRESIDENTE DA REPÚBLICA

A RÉPLICA DE DILMA:

Dilma Rousseff: “Recolocar os fatos nos seus devidos lugares”
3 de setembro de 2012
Do Blog do Planalto

A presidenta Dilma Rousseff afirmou hoje (3), em nota oficial, ter recebido uma herança bendita do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dilma afirmou ter recebido um país com economia sólida, crescimento robusto e inflação sob controle. Leia abaixo a íntegra da nota:

Citada de modo incorreto pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo publicado neste domingo, nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, creio ser necessário recolocar os fatos em seus devidos lugares.

Recebi do ex-presidente Lula uma herança bendita. Não recebi um país sob intervenção do FMI ou sob a ameaça de apagão.

Recebi uma economia sólida, com crescimento robusto, inflação sob controle, investimentos consistentes em infraestrutura e reservas cambiais recordes.

Recebi um país mais justo e menos desigual, com 40 milhões de pessoas ascendendo à classe média, pleno emprego e oportunidade de acesso à universidade a centenas de milhares de estudantes.

Recebi um Brasil mais respeitado lá fora graças às posições firmes do ex-presidente Lula no cenário internacional. Um democrata que não caiu na tentação de uma mudança constitucional que o beneficiasse. O ex-presidente Lula é um exemplo de estadista.

Não reconhecer os avanços que o país obteve nos últimos dez anos é uma tentativa menor de reescrever a história. O passado deve nos servir de contraponto, de lição, de visão crítica, não de ressentimento. Aprendi com os erros e, principalmente, com os acertos de todas as administrações que me antecederam. Mas governo com os olhos no futuro.

Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil
.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Reação incisiva e urgente



Rogério Arioli Silva *
Após o levante promovido pelas ONGs indigenistas, entre as quais a FUNAI, que paralisou por quatro dias algumas importantes estradas do Centro-Oeste brasileiro, necessário se faz que haja uma reação em nível nacional das pessoas atingidas pelas ampliações de reservas indígenas. Este tem sido o padrão dos protestos: paralisação de estradas e obras em todo território nacional, causando prejuízos a diversos segmentos da sociedade. Esta mesma sociedade que tem sido estigmatizada de desumana e cruel com algumas minorias, mas que serve para trabalhar e produzir, gerando os impostos que ajudam a manter estruturas arcaicas e parasitas que se alimentam do seu esforço.

A paralisação das obras de Belo Monte é um retrato degradante do nível de exploração empreendido pelos ditos “afetados” pelas obras. Aceitam-nas, contanto que recebam picapes traçadas com direção hidráulica e ar-condicionado, tratores, barcos, microônibus, ambulâncias, pistas asfaltadas, antenas de celulares, internet com wireless além de outras exigências inconfessáveis. Nesse momento a preocupação com crenças e tradições dá lugar a modernidades e mordomias características da demonizada “sociedade de consumo”. A demagogia teria seus limites éticos? Parece que não!  A pureza e ingenuidade podem então ser precificadas, mais ou menos como filosofou Rosseau há mais de dois séculos.

De todo modo é chegado o momento de haver uma contundente reação por parte daqueles que estão acumulando prejuízos com estas constantes patacoadas. Primeiro, há que se fazer uma contabilidade de quantas pessoas fazem parte deste universo, que assim como o outro, encontra-se em franca expansão. Produtores rurais têm suas terras confiscadas em vários estados da federação sem que ninguém assuma sua defesa, à exceção de meia dúzia de abnegados. Ações desesperadas são empreendidas por pessoas desalojadas de seus locais de convívio e trabalho como têm ocorrido em Ilhéus, por exemplo. Empresas são achacadas com a conivência de instituições que vivem nas sombras, sem que nenhuma autoridade governamental promova qualquer atitude. A propriedade privada, um dos sustentáculos da sociedade organizada, é esbulhada e perdida sem que exista uma reação à altura.

Feita a contabilidade, o segundo passo seria a criação de uma entidade nacional que abrigasse a todos aqueles “espoliados pelas boas intenções de outrem”. Explico: muitos defendem a justiça social através dos recursos de terceiros, nunca deles próprios. Assim é fácil não é mesmo? Gastar o dinheiro dos outros deve ser uma ótima profissão, imagino. Ainda mais quando isto gera uma aura de “sensibilidade social“.

O terceiro passo seria a promoção de ações harmônicas e organizadas de forma uníssona a cada vez que a espoliação avizinhar-se. Estas ações deveriam ocorrer no âmbito administrativo, jurídico e político, pois quem trabalha e produz também vota, além de sempre ser chamado a pagar a conta.  Já que virou moda trancar estrada porque não promover um grande “trancaço” em nível nacional patrocinado por todos os esbulhados pelas ampliações de reservas indígenas, por exemplo?

O quarto passo da nova entidade nacional proposta refere-se ao monitoramento da ingerência externa aos interesses nacionais, constantemente feridos e ameaçados pelo crescente número de entidades apátridas atuantes no território brasileiro. Não se trata de xenofobia, mas sim da defesa de interesses pátrios que infelizmente só emergem quando se fala em futebol, o que demonstra a passividade brasileira já observada pelos seus concorrentes. É preciso que a ingenuidade dê lugar ao instinto de sobrevivência, porque é disto que se trata.

Finalmente, ações imediatas são necessárias de modo a organizar-se uma resistência à crescente onda de ameaças ao direito constitucional do respeito à propriedade privada. Estas ações somente serão levadas a efeito se forem organizadas nacionalmente, sob os ditames da lei e da ordem. Não será através de bravatas e ameaças como as que ocorreram ultimamente que a nação brasileira se fortalecerá.

O autor é Engº Agrº e produtor rural no MT

NOTA DO BLOGUEIRO: leia abaixo, outro artigo sobre o mesmo assunto.
.

Pelo fim dos conflitos



Rogério Arioli Silva *
Em atitude de extremo bom senso e responsabilidade a Advocacia Geral da União (AGU) editou a portaria 303 que visa colocar um fim aos conflitos indígenas patrocinados pela FUNAI e demais ONGs ligadas ao pseudo-indigenismo brasileiro. Tentando frear e, sobretudo, racionalizar a postura irresponsável e demagógica destas entidades, a AGU simplesmente pretende consolidar as condicionantes já decididas pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Terra Indígena Raposa-Serra do Sol, entre elas a necessária presença dos índios nas terras por ocasião da data da promulgação da Constituição.

De fato, já é passada a hora de uma atitude neste sentido, pois a serem atendidas as pretensões da FUNAI as terras indígenas brasileiras seriam ampliadas dos atuais 14,7% para 20% do território nacional. Esta ampliação vem ocorrendo sistematicamente através de uma interpretação maliciosa feita pelas entidades que se dizem defensoras dos indígenas, pelo fato da Constituição de 1988 referir-se à regularização das terras existentes de acordo com a tradicionalidade da sua ocupação. Na visão malfazeja e irresponsável da FUNAI a tradicionalidade da ocupação indígena não teria data específica, podendo ser considerada, quem sabe, o ano de 1500, quando Cabral por aqui aportou. Assim entendido, todo o território brasileiro deveria ser devolvido aos indígenas, inclusive as cidades, irregularmente ocupadas pelos caras-pálidas intrusos, nos quais se enquadram 99,6% da população brasileira.

Aproveitando-se desta situação a FUNAI permanece fomentando estudos de identificação de novas áreas, patrocinados pelo radicalismo de antropólogos comprometidos com interesses internacionais, que sequer ouvem a vontade dos próprios indígenas, infelizmente usados como massa de manobra no processo. O avanço de novas reservas sobre áreas ocupadas por produtores acontece sistematicamente, independentemente das mesmas haverem sido adquiridas legalmente há muitas décadas, inclusive através de títulos emitidos pelos próprios governos estaduais. Para atingir seus espúrios objetivos a FUNAI se vale de diversos estratagemas, entre os quais “a descoberta” de novas etnias, além da arregimentação, sem nenhum critério, de pessoas que se auto-declaram indígenas e, portanto, também credores do seu quinhão. Para isto, a entidade age usando prerrogativas dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) formando um governo paralelo dentro do próprio governo, ao qual parece não dever obediência nem muito menos respeito. Alojam-se indígenas e desalojam-se produtores rurais, sem que estes recebam qualquer indenização pelas terras adquiridas legalmente, de boa fé, sem nenhuma espécie de conflito.

A FUNAI, por ser um órgão público, patrocinado pelos contribuintes brasileiros, precisa dar satisfação de seus atos. Precisa mostrar o que tem feito pelos índios já proprietários de mais de 110 milhões de hectares de terras, pois esta quantidade significa mais do que o dobro de toda área utilizada com a agricultura no país. Precisa dizer em alto e bom som porque quer dar mais terras aos índios, pois aqueles que já as possuem ainda não conseguiram evoluir social e economicamente, com raríssimas exceções. Também precisa justificar porque ainda defende a tutela e dependência da população indígena impedindo-a de explorar economicamente suas enormes extensões de terras, como bem retratou a revista Veja algumas semanas atrás.

Quanto se fala em discussões sobre direitos dos indígenas imediatamente a FUNAI e suas organizações parceiras invocam a ONU e a OIT enveredando para um denuncismo antropológico apelativo e infantil. É certo que as ONGs indigenistas devem queixar-se aos patrões lá de fora, pois são eles quem pagam seus salários. Mas o que a FUNAI tem a ver com isso? Quem paga sua folha somos nós, brasileiros contribuintes. Por que então choramingar para as organizações internacionais? Além disso, o que europeus e americanos têm a ensinar ao Brasil sobre seus primevos habitantes? Quem no restante do mundo “civilizado” destinou tanta terra aos seus povos indígenas?

A portaria 303 da AGU deve, portanto, ser apoiada pela população brasileira, pois objetiva apagar este barril de pólvora aceso em várias localidades do território, colocando em conflito irmãos brasileiros. Qualquer pessoa esclarecida e bem intencionada quer a melhoria das condições de vida dos indígenas brasileiros. O Marechal Rondon, um dos grandes heróis brasileiros, também sempre defendeu este ideal.  Mas, é preciso que se diga que esta melhoria não passa pela ampliação das atuais reservas e sim pela possibilidade de inclusão destes indígenas na sociedade, respeitando suas crenças e tradições e invocando o sentimento pátrio esquecido pelos fomentadores de conflitos.

* O autor é Engº Agrº e Produtor Rural no MT
.

Cachorro, gato e rato: inimigos históricos?

Richard Jakubaszko
Cachorros, gatos e ratos: eternos e históricos inimigos? Nem sempre. Um sem teto na Califórnia mostra que isso já é "coisa do passado". Abaixo um vídeo que mostra um homem que vive nas ruas de Santa Bárbara (Califórnia, EUA) com seus animais. Todos os dias estão na rua State, e as pessoas lhe dão dinheiro para tirar fotos. Os animais estão bem alimentados, são mansos e sociáveis. São uma família. O cachorro carrega o gato, que fica bonachão e preguiçoso em seu dorso. O rato rodeia por todo canto.
O homem revela que uma vez alguém ofereceu US$ 20 para deixar tirar uma foto com seus animais, e, desde este momento, os 4 "trabalham" na rua mostrando ao mundo que é possível que seres historicamente vistos como inimigos, vivam juntos em harmonia.

Seria tão bom se petistas e tucanos fizessem assim, o Brasil agradeceria...


,

domingo, 2 de setembro de 2012

Mensalão: quem é o maior culpado?

Richard Jakubaszko
O atual julgamento do dito "Mensalão", lá no STF, está longe de ser "o maior da história", e mais distante ainda de ser, como querem a mídia e os partidos da oposição, "a maior corrupção da história do Brasil". 
É um julgamento de interesses políticos, partidário, nada mais do que isso. Não há pretensão alguma de mudar qualquer coisa. Instalou-se um circo, para deleite de alguns grupos.
Nossos chargistas e humoristas retratam bem isso.
.

sábado, 1 de setembro de 2012

Como a "Spirit" chegou em Marte

Richard Jakubaszko
Claro, a Spirit chegou lá com muita tecnologia, muito investimento e um enorme trabalho, exacerbada criatividade nas imagens virtuais da viagem, desde a saída até a chegada, e, depois disso, mais tecnologia, e agora nos chegam imagens e informações reais de Marte. Estamos aprendendo, a humanidade inteira, talvez venhamos a precisar nos mudar para algum lugar, num futuro não muito longínquo... Quem sabe?
Não podemos, ainda, mesmo com as tecnologias já conhecidas, afirmar que isto seja impossível.

.