sábado, 9 de janeiro de 2021

Sobre a vacina: tempos de egoísmo

Richard Jakubaszko 

Como nunca se observou na longa história do homo sapiens, o egoísmo predomina entre os chamados negacionistas das vacinas. Alegam que as vacinas não funcionam. Temem efeitos colaterais, sejam de pequena monta, sejam mais graves, tipo diarreias, coceiras ou dores de cabeça, os eventos mais comuns registrados nas pesquisas de campo, mas de baixa significância estatística.

Como será que esses negacionistas imaginam que epidemias terríveis como varíola, sarampo, poliomielite, coqueluche, apenas para citar algumas, foram vencidas? Ou doenças do gado, como a Aftosa? Pela imunidade espontânea do rebanho? Alguns pais pararam de vacinar contra o sarampo e ele voltou.Triste a ignorância dessas pessoas, o que não é exclusividade dos brasileiros. Existem muitos pelo mundo, não apenas pelo fato de ignorar a ciência. mas de se socorrerem de comentários mentirosos, ou fake news, sobre a eficácia das vacinas.

Acho que é simplesmente egoísmo desses negacionistas das vacinas. Alguns chegam a dizer que vão esperar as vacinações em massa e depois de um ou dois meses decidirão se tomam ou não a vacina. Como temos um governo de plantão que é absolutamente leviano e inconsequente, irresponsável no limite do bom senso, os egoístas ganham aplausos desses poderosos. Acham que estão no exercício de seu livre arbítrio.

Apenas um dado, que a ciência conhece muito bem: tomar a vacina garante não apenas que os negacionistas não sejam contaminados, mas, principalmente, evitará que, mesmo sendo portadores sãos, transmitam a doença aos seus entes mais queridos. Ou os negacionistas não têm mãe, filhos, irmãos?

Apenas pensem nisso, os egoístas distraídos.

 

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Como foi o dia de Reis Magos de Bolsonaro

Richard Jakubaszko   

Completamente alienado do que acontece aqui no Brasil, seja pandemia ou economia, as preocupações do Jair Messias sem noção Bolsonaro voltaram-se para o que se passa nos EUA de Trump, e, no dia de Reis Magos, a web, marvada como sempre, registrou em memes as trapalhadas do mais desmoralizado presidente que já tivemos no Brasil.
Não é exagero repetirmos, sai daí Jair...

 



 

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Fora, Bolsonaro!!!

Richard Jakubaszko  

Faça alguma coisa pelo Brasil, Bolsonaro: renuncie!

Chega de palhaçada! Pare de fazer piadinhas e comentários jocosos, você não é humorista. Agora vai até reclamar? Se o Brasil está quebrado, e se você não consegue fazer nada, vai pra casa e entregue a rapadura para alguém mais competente.

Seria uma enorme alegria aos brasileiros. 

 

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terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Brasil de Bolsonaro é case global de como unir incompetência e fanatismo

Igor Tadeu Camilo Rocha * 

Diante dos avanços na vacinação contra a covid-19 ao redor do mundo, vejo multiplicar-se uma análise que consiste em dizer que a péssima e absurda gestão de Jair Bolsonaro no enfrentamento da pandemia no Brasil se deve tão somente a sua inépcia para o cargo, e não tanto a questões ideológicas de sua figura política e de seu governo.

As evidências da tese são mostradas na diversidade de perfis político-ideológicos dos governos de países que já estão adiantados anos-luz de nós em suas campanhas de vacinação contra o novo coronavírus. Vejamos alguns. Hungria, país governado pela extrema-direita, e Argentina ou México, governados por uma centro-esquerda, já começaram suas vacinações, algo que indica que entender a vacina como solução mais factível para o controle da pandemia independe do lugar nessa régua ideológica das democracias liberais. Tampouco o perfil populista iria interferir quanto a isso, já que os Estados Unidos, nos derradeiros dias do governo dito populista de Donald Trump, segue a pleno vapor em sua campanha de imunização em massa.

As crises econômica e política também parecem não explicar por si mesmas a péssima gestão do governo brasileiro, uma vez que países que passam por momentos turbulentos nesse campo parecem já terem se resolvido. A Venezuela, por exemplo, já firmou acordo para vacinar inicialmente 10 milhões de pessoas com a Sputnik V. Já a Bolívia, que passou por um golpe de Estado em 2019 e, depois, por uma tensa eleição em 2020, também já anunciou um acordo para começar a vacinar sua população.

Mesmo países em que o fundamentalismo religioso representa forte peso na sua política interna, como a Polônia, também começaram suas campanhas de vacinação. Da mesma forma, em nações com políticas reconhecidamente autoritárias, como a Rússia, a imunização já é realidade.

Enfim, a cada dia de atraso ou evento com o presidente Bolsonaro reunindo-se com dezenas de pessoas sem máscaras ou distanciamento, a cada polêmica ridícula sobre vacinas, assistimos à transformação do Brasil, país historicamente referência em vacinação, em exemplo internacional de como não agir no meio da pior crise sanitária dos últimos cem anos.

E devemos ser claros. Todo esse atraso acontece por opção do atual governo, com suas ações descoordenadas, omissões, cortes e desmonte da produção científica e no sistema de saúde, assim como uma inexistente gestão logística. Tudo isso indica haver incompetência e creio que isso seja ponto pacífico para a maioria, exceto a base mais fanática de apoiadores de Bolsonaro.

Parece correto dizer que ideologia política não parece ser um fator determinante ao redor do mundo para respostas boas ou ruins à pandemia. Mesmo no Brasil, seguem-se diariamente elogios sobre a gestão da pandemia dirigidos a governadores como João Doria (PSDB) e Flavio Dino (PC do B), de partidos de centro-direita e centro-esquerda, respectivamente. Estes, mesmo quando criticados, nem de longe o são por motivos que passam perto de negacionismo antivacina ou falas em tom de zombaria quanto às vítimas da covid-19. O mesmo pode ser dito do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD).

O exemplo de Jair Bolsonaro, dessa maneira, consolida-se como um caso isolado sob qualquer ângulo que se observe na política. Nem mesmo alguns de seus antigos eleitores e apoiadores, como Luciano Huck ou João Amoedo, conseguem mais expressar publicamente qualquer coisa diferente de críticas duras e indignação. Entretanto, devemos tomar cuidado, pois essa leitura pode nos levar a uma análise despolitizada da gestão bolsonarista, sugerindo, incorretamente, que a ruindade do presidente brasileiro nada teria a ver com o complexo emaranhado ideológico que compõe o bolsonarismo como fenômeno político.

Nada mais distante da realidade. A atuação de Bolsonaro na pandemia explica muito sobre a sua figura política construída ao longo de toda a sua trajetória, e também do próprio bolsonarismo do ponto de vista político-ideológico. A pandemia da covid-19 funcionou como uma tempestade perfeita em que variados aspectos de Bolsonaro e do bolsonarismo, que se complementam e os tornam efetivos no debate público e disputas do poder, tornaram-se mais visíveis.

O primeiro aspecto – o que mais salta aos olhos – é a dimensão retórica e performática, que se deu de variadas formas. No início da crise, apareceu forçando a volta da normalidade e, paralelamente, foi voltando sua artilharia contra outros adversários como os governadores e prefeitos, imprensa, até finalmente chegarmos ao antagonismo contra a vacina.

Trata-se da face mais histérica, histriônica e paranoica do bolsonarismo, que compõe uma característica das extremas-direitas de possuírem um hiperidentitarismo, grosso modo materializado na sua constante necessidade de se distinguir. As polêmicas gratuitas e por vezes absurdas, baseadas em negacionismos, distorções da realidade e teorias conspiratórias, fazem parte do amplo escopo de artifícios mobilizados para isso. Também, o bolsonarismo se alimenta da forja permanente de novos inimigos, como se fosse golpeado e sabotado por todos os lados, o que justificaria sua postura autoritária e a constante representação do adversário como um sujeito a ser eliminado.

Esses dois aspectos, além de demarcadores da identidade do bolsonarismo politicamente, também compõem sua narrativa antissistêmica. Bolsonaro e todo o discurso político em torno de sua figura precisam sempre se afirmar como sendo "contra tudo isso que está aí", sem que isso contradiga, no atual momento, a posição de governo.

A crise da covid-19 tem sido um campo dos mais prolíficos para que essa dimensão ganhe diariamente novos contornos, nos seus embates contra a imprensa, com Doria e outros governadores, ou qualquer outro agente que questione sua gestão ou apresente alguma solução diferente das colocadas pelo governo ou apoiadores.

De fato, Bolsonaro apresentou soluções, ainda que elas comprovadamente não funcionassem, sendo o maior exemplo disso a sua constante insistência no tratamento da covid-19 com a hidroxicloroquina. Isso nos leva a um segundo componente do bolsonarismo, que acho adequado chamar de aspecto fundamentalista. Esse aspecto articula identitariamente as mencionadas rejeições e invenções de inimigos com o oferecimento de resoluções, esquemas e verdades "alternativas" para a crise.

Por "alternativas", entendemos aqui soluções como a própria cloroquina apesar de os "inimigos" mostrarem com artigos científicos que ela seria ineficaz contra a covid-19, por exemplo. E a insistência nessa narrativa que constrói um caráter quase religioso no bolsonarismo. Ele oferece sentido ao estado das coisas como estão, e dá forma a narrativas para as quais os fatos sistematicamente devem se curvar.

É necessária uma boa dose de teorias conspiratórias, fake news e a construção de um sistema de crenças no qual faça sentido que os graves problemas mostrados pelos inimigos (como cientistas, imprensa, governadores, prefeitos ou qualquer um que ache terrível chegarmos a 200 mil mortos nos próximos dias) não sejam tão graves assim, ou talvez sejam até inventados para prejudicar o "mito", e que as soluções dadas por ele sejam ungidas como únicas possíveis e autorizadas. Mas é necessário, também, algum vínculo com a realidade mais prática, o que nos leva a um terceiro aspecto que é o fato de Bolsonaro, ainda que aparentemente tenhamos esquecido disso por um tempo, seja um político com quase toda a sua trajetória construída no Centrão. Por esse lado, podemos entender que parte das ações de Bolsonaro no curso da pandemia parece se voltar mais diretamente a evitar qualquer viabilidade de seu impeachment, ou ainda que os escândalos de corrupção envolvendo sua família tenham consequências maiores. Isso tem alguns efeitos práticos, como o fato presumível de que Bolsonaro jamais se sustentaria no poder tendo somente o volátil PSL e sua geração de outsiders de extrema-direita como base. Voltar para o Centrão também viabiliza um jogo constante de Bolsonaro com atores importantes da política brasileira que poderiam vir a pressioná-lo, ao vender uma suposta moderação.

Esse movimento de volta também vincula Bolsonaro e o bolsonarismo a interesses de elites econômicas do Brasil e realçam um quarto aspecto ideológico que baliza suas ações na pandemia: um ultraliberalismo econômico somado a uma ausência permanente de sensibilidade social, o que não deixa de ser uma marca de parte substantiva das elites econômicas de um dos últimos países a abolir a escravidão no mundo.

A narrativa da morte de pessoas x morte de CNPJs (desumanizando os primeiros e antropomorfizando/humanizando os segundos), defendida por Bolsonaro junto a empresários que o apoiam, traz uma materialidade econômica fundamental a esse emaranhado ideológico bolsonarista. Dessa maneira, a chave de leitura aqui pensada não discorda da ideia de que todo o caos gerado pela péssima gestão do governo brasileiro na atual crise se deve à inépcia do presidente e de seu gabinete ministerial, com destaque para o atual ministro da Saúde, que fracassa na compra de seringas.

Porém, mesmo a ruindade do governo Bolsonaro no enfrentamento da covid-19, amparada por alguns setores da sociedade e atores políticos no Brasil, é balizada ideologicamente. Essa incompetência, assim como tudo na política, tem pressupostos, objetivos e formas de pensar a realidade que são circunscritos por ideologias e tradições nos jogos de poder e de formas de ver e fazer a política.

Em suma, a atual tragédia brasileira é uma junção perfeita de coisas que já devíamos ter superado, enquanto país e democracia, há décadas, com problemas inéditos, potencializados por fatores do nosso tempo. É um conjunto de facetas tanto detestáveis quanto bem presentes historicamente na realidade brasileira, todas operando em sintonia na pior crise sanitária do século.

* o autor é doutor em História pela Universidade Federal de Minas Gerais.

Publicado originalmente no UOL: https://entendendobolsonaro.blogosfera.uol.com.br/2021/01/03/brasil-de-bolsonaro-e-case-global-de-como-unir-incompetencia-e-fanatismo/

 

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domingo, 3 de janeiro de 2021

Aquisição de terras por estrangeiros: investimentos e geração de renda

Marcos Jank, André Pessôa e Renato Buranello (*)

O agronegócio brasileiro precisa de capital de longo prazo para crescer, mas o próprio setor o rejeita. Nossos concorrentes vão utilizá-lo e crescer.

Mais uma vez volta à baila a discussão sobre estrangeiros poderem adquirir, ou mesmo simplesmente utilizar (via arrendamento) terras rurais brasileiras. É um tema recorrente, que dá as caras de tempos em tempos, formando uma novela interminável e irracional.

Desta vez o tema ressurge com o PL 2.963/2019, em discussão no Congresso Nacional, que “ameaça” flexibilizar mais uma vez a possibilidade de estrangeiros terem propriedade ou posse das nossas terras.

Essa tem sido uma trajetória de idas e vindas desde o início dos anos 70, inaugurada com a Lei 5.709/71, que impôs restrições aos estrangeiros, depois complementada por outras leis e “reinterpretada” por sucessivos pareceres da Advocacia Geral da União (AGU), ora flexibilizando e ora restringido, sendo que o último deles, de 2010, impôs restrições bastante severas à propriedade e posse de terras por estrangeiros, mesmo quando operando no país mediante empresas nacionais, com CNPJ nacional.

O atual PL em discussão propõe nova flexibilização, basicamente permitindo a propriedade e posse por empresas estrangeiras autorizadas a operar no Brasil ou por empresas nacionais detidas por estrangeiros, mas com as mesmas limitações por município que a lei de 1971 já estipulava (1/4 da área do município, sendo no máximo 10% para pessoas da mesma nacionalidade). Adicionalmente, para certos casos será necessária a aprovação do Conselho de Defesa Nacional (CDN), em especial para a aquisição por certos tipos de ONG, Fundações externas, fundos soberanos e empresas estatais estrangeiras. Há, ainda, restrições quando se tratar de Bioma Amazônico e faixas de fronteira. Em outros casos também se prevê a necessidade de aprovação pelo Congresso Nacional, o que, além de extremamente moroso e complicado, eleva o receio do surgimento de burocracias intermináveis e cartórios.

De toda forma, trata-se de flexibilização não tão radical e, como se vê, cercada de cuidados para com os temas mais sensíveis. Mesmo assim, nota-se, como também já ocorreu no passado, surgir a gritaria dos inconformados com esse projeto fundamentado nos princípios constitucionais da atividade econômica: propriedade privada, livre concorrência, liberdade de mercado e livre iniciativa. As críticas, mais uma vez, vêm sobretudo dos setores à esquerda e – por incrível que pareça – de parte de importantes lideranças ruralistas, que hoje se alinham contra o livre mercado, outrora arduamente defendido pelo setor.

No caso dos setores à esquerda, provavelmente as críticas decorrem do simples fato de que o projeto se fundamenta na liberdade de mercado e iniciativa. Adiciona-se a isso a falsa ideia de que a maior procura por terra (agora por estrangeiros) pode provocar a “expulsão” de inúmeros pequenos produtores, muitos dos quais já vivem em condições precárias e de subsistência. Parece incrível que um processo de entrada de capital no setor para aquisição de terras que jamais sairão de onde estão, e que irão provavelmente valer mais, possa prejudicar o pequeno produtor, que, aliás, tem o livre arbítrio de fazer o que quiser com suas terras.

Também são comuns, nos grupos de esquerda, críticas associadas ao risco de perda de soberania e ao possível desrespeito a exigências ambientais e trabalhistas. Entretanto, essas importantes questões não são determinadas por quem controla o ativo terra, mas sim pela capacidade de impor a quem o detém o ordenamento nacional, amplamente protetivo dos recursos naturais e dos direitos sociais, sem qualquer distinção entre brasileiros e estrangeiros ou benesse a estes.

Já no caso de alguns dos ruralistas, há os que veem a aquisição de terras por estrangeiros como uma ação antipatriótica que afronta a soberania nacional, apesar dos vários mecanismos de controle do projeto. Sobre esse ponto, aliás, vale lembrar a ironia de negar a própria origem do sucesso do agro nacional. Nossos produtores são quase todos filhos, netos e bisnetos de estrangeiros que aqui encontraram terras para trabalhar e ajudaram assim a construir uma história de enorme sucesso. Desde o século XIX, o principal capital estrangeiro do agronegócio brasileiro foram os agricultores “gringos”’ acolhidos no país, que puderam realizar seus sonhos ajudando a transformar o Brasil num celeiro do mundo. Por exemplo, a possibilidade de vender terras no Sul e comprar lotes maiores no Centro-Oeste foi um fator absolutamente determinante para a incrível transformação tecnológica e social da agricultura brasileira, por meio da qual migrantes que chegaram pobres da Europa e da Ásia, para trabalhar como colonos no Sul e Sudeste do País, se transformaram nos grandes produtores que fizeram a revolução tropical agrícola brasileira.

Há, ainda, produtores mais capitalizados que buscam expansão “barata”, para a qual é conveniente que haja pouca concorrência na aquisição e arrendamento de terras, mantendo preços mais baixos do que seriam num cenário de demanda (por terras) fortalecida pela competição de capitais estrangeiros.

Enfim, como esses grupos são todos bastantes vocais e organizados, possivelmente a tendência será, mais uma vez, o projeto de flexibilização naufragar. Contudo, vale a pena refletir sobre quem serão os “perdedores” caso este naufrágio venha a ocorrer: é principalmente o próprio país, que abrirá mão de um capital saudável, pois de longo prazo e voltado à produção, gerando empregos, renda e impostos. Isso sem contar a evidente contribuição do capital estrangeiro para a melhoria dos padrões de ESG no agronegócio brasileiro, pois a maioria destes investidores está sujeita, na sua origem, a critérios próprios rígidos de investimento nas áreas ambiental, social e de governança corporativa.

Na impossibilidade de ser investido no Brasil, país onde provavelmente faz mais sentido a alocação, esse capital poderá se direcionar a países que serão futuros concorrentes do Brasil, minando vantagens comparativas que hoje possuímos. Um capital que, na forma de financiamentos - que requerem a possibilidade de constituição de garantias imobiliárias com segurança jurídica -, pode ajudar muitos dos pequenos e médios produtores a expandir e intensificar suas operações. E, ainda, um capital que, ao permitir a operação de seus players nacionais, pode contribuir para a redução do protecionismo viesado imposto por países do primeiro mundo, preocupados com a ameaça que significa nossa produtiva e pujante agropecuária tropical.

Contudo, como de costume, a maioria de agentes econômicos dispersos e desorganizados não têm voz nem capacidade de fazer frente aos interesses de grupos organizados. E assim, mais uma vez, uma boa ideia que ajudaria o setor a crescer e se capitalizar poderá ser descartada.

os autores são:

- Marcos Jank, professor de agronegócio global do Insper.
- André Pessôa, sócio fundador da Agroconsult.
- Renato Buranello, sócio do escritório VBSO Advogados e fundador do Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio (IBDA).

 

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sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

A esperança de renascer

Richard Jakubaszko 

Nós, homo sapiens, reconhecemos que somos imprecisos, ignorantes e egoístas, mas sabemos que há em nossa alma a esperança de renascer. Sim, apesar das pandemias, das guerras, mesmo considerando os anticristos presentes entre nós, hoje e no passado distante, a esperança nunca morre. Guardamos entre nós a capacidade e a certeza de que nos renovaremos, recarregaremos as baterias, pois sabemos em nosso  íntimo mais profundo que o tempo resolverá tudo.  

O tempo não é um instrumento ao qual temos controle. É um artifício do Criador para corrigir nossas imperfeições na labuta artesanal de construir a vida. O livre arbítrio continua sendo uma premissa de nossa existência, apenas nos restamos incrédulos de imaginar até quando o Criador nos dará este dom e privilégio.

Sonhemos, pois...

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Meus desideratos para 2021

Richard Jakubaszko   

Como faço de forma quase tradicional desde o início da existência deste blog, há 13 anos, aqui estão alguns de meus desideratos para 2021. Pelo menos uns 5 deles são antigos. Se mais da metade desses desejos se realizar estarei muito feliz e satisfeito:

1 - que a vacina chegue rápida para os brasileiros, mesmo que alguns de nós nos tornemos jacarés... Já comprei minhas seringas, pra garantir a vacinação.

2 - que Jair Bolsonaro renuncie, ou seja afastado da presidência por impeachment. 

3 - que a final da Copa Libertadores 2020 seja entre dois times brasileiros.

4 - que o meu Internacional seja campeão de alguma coisa em 2021. O time "campeão de tudo" está devendo muitas alegrias para sua imensa torcida.

5 - que o STF julgue rápido, e com justiça, o pedido de suspeição do ex-ministro Sérgio Moro.

6 - que a taxa de desemprego no Brasil caia para menos de 4,0%.

7 - que chova no sistema Cantareira (abastecimento de água para a região central de São Paulo, capital), 30 dias sem parar...

8 -  que o Carnaval de 2021 seja cancelado, mas o feriadão seja mantido.

9 – que as águas do rio São Francisco verdejem o Nordeste.

10 - que haja uma reforma política pra valer no Brasil, com redução dos partidos políticos, extinção do Senado, e deputados com representatividade proporcional.

11 – que se descubra a cura dos cânceres, Alzheimer e Parkinson.

12 - que o Tribunal Penal Internacional, a Corte de Haia, avalie com justiça as denúncias contra Bolsonaro, sobre se o presidente deve responder a processo por incitação ao genocídio e sistemáticos ataques aos povos indígenas.

13 - que o imposto sobre grandes fortunas e sobre grandes heranças seja implantado no Brasil.

14 - que a farsa das mudanças climáticas e do falso aquecimento planetário seja finalmente desmontada.

15 - que a fome dos desamparados seja reduzida a zero.

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Este blogueiro deseja a todos os amigos do blog um ano de muita paz, saúde e produtividade.

E quem desejar pode me enviar seus desideratos, na caixa de comentários aí embaixo. Fui, para 2021...

E mais:

"Sonhe com o que você quiser. Vá para onde você queira ir. Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.

Dificuldades para fazê-la forte.

Tristeza para fazê-la humana.

E esperança suficiente para fazê-la feliz."

Clarice Lispector

 

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quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Vacina até pode ter, mas vai faltar seringa...

Richard Jakubaszko   

As incompetências do governo Bolsonaro explodem todo dia nas manchetes dos jornais e das TVs.

O mundo inteiro começou a vacinar, mas aqui no Brasil neca de pitibiriba; talvez em fevereiro comecem as vacinações, promete o grupo do Ministério da Doença, êpa, digo, da Saúde. 

Hoje descubro, estupefato, e também horrorizado, mais uma do governo Bolsonaro. Vai faltar seringa...

Das 331 milhões de seringas que o Ministério da Saúde tem a necessidade de adquirir, para cumprir o plano de vacinação contra a covid-19, só conseguiu oferta para adquirir 7,9 milhões de unidades no pregão eletrônico realizado na terça-feira, 29.

Esse número corresponde a 2,5% do total de seringas que a pasta pretendia adquirir. Ou seja, poderemos ter vacinas, mas vai faltar seringa, ora vejam só...

O ministro Pazuello dá uma demonstração inequívoca de expertise em logística, razão principal pela qual o militar foi designado para o ministério. Mas já corre a fofoca de que tão logo se comece a vacinação o general Pazuello será demitido...

É isso. Votou no Bolsonaro? Pois você tem o resto da sua vida para se arrepender.

Fora, Bolsonaro! Faz alguma coisa de útil na vida: renuncia!


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terça-feira, 29 de dezembro de 2020

O Brasil está com vergonha, finalmente.

Richard Jakubaszko   

Parece que, em tempo, Bolsonaro vomitou a grande besteira de seu inesgotável repertório, ao pedir o raio x da mandíbula de Dilma Rousseff. O Brasil ficou com vergonha de ter esse tosco elemento como presidente. Estarrecido, o país não entende como as Forças Armadas ainda apoiam esse desumano que se acha um humorista muito engraçado, inteligente e perspicaz ao ironizar ideologias. Ao fazer sarcasmo sobre a dor alheia provocada pelas torturas, mais uma vez o Jair excedeu-se.

Fiquei, mais uma vez, com vergonha de saber que em minha terra natal há um mandatário eleito, e que ainda conta com apoio e aprovação de 37% dos brasileiros. 

Espero que o coisa ruim esfregue eternamente a radiografia na cara deste inominável desumano quando ele for para o inferno.

Enquanto o inferno não chega para ele, pergunto: quem vai fazer alguma coisa contra esse valentão miliciano? Ou Jair tem razão, e os brasileiros são todos uns maricas?

 

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segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

A fraude do efeito-estufa

Richard Jakubaszko

Terminei de ler o livro "A fraude do efeito estufa", do jornalista alemão Kurt G. Blüchel, edição brasileira de 2008 das editoras Landscape / PHL, 316 p. 

A edição alemã é de 2007, publicada poucos meses depois do Relatório IV do IPCC, este divulgado em fevereiro de 2007, que anunciou o "início do fim do mundo" com a hipótese do propalado aquecimento climático, por causa das supostas emissões de CO2 pelo homo sapiens.

Não há muitas novidades ao longo do livro em relação a outros livros que li, de autoria de céticos climáticos, até porque foi uma obra base entre os pioneiros que se manifestaram contra as "mudanças climáticas", antes chamadas de "aquecimento". Destaca-se no livro uma análise diversificada e em profundidade sobre a importância do CO2 em nossa atmosfera, e demonstrando a utopia de sua redução, que já é ínfima, ou seja, o CO2 é 0,034% do ar que respiramos.

Há ainda no livro, uma curiosa relação de todos os eventos climáticos ocorridos de 1900 até 1999 e que foram noticiados pela imprensa. São cerca de 700 episódios de ocorrências extremas, como enchentes, secas, ondas de calor e de frio, vendavais, furacões, terremotos etc., que aconteceram ao redor do mundo e que foram listados nas pgs. 220 até a 300 deste livro. Um trabalho de fôlego, que o interessado poderá (apenas no idioma alemão) encontrar em https://www.klimafakten.de/tags/wetter

Qualquer um dos eventos mencionados seria, hoje em dia, demonstrado e qualificado pelos ambientalistas como exemplo típico de "mudanças climáticas", seja excesso de frio ou de calor, enchentes, terremotos ou secas. Ou seja, eventos climáticos extremos sempre existiram na história do planeta. Eu, por exemplo, só vou acreditar que as mudanças climáticas estão "anormais" quando ocorrer o Dilúvio II.

 

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sábado, 26 de dezembro de 2020

Se tomar vacina vira jacaré maricas

Richard Jakubaszko   

A web não perdoa Bolsonaro com essas histórias mal resolvidas e sem nenhum planejamento sobre a campanha de vacinação. O povo é quem se ferra, como sempre.




 

 

 

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sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Feliz Natal II

Richard Jakubaszko  

Em tempos de pandemia, incertezas e indefinições, nada melhor do que um texto primoroso de Galeano, que nos alivia o peso, é como um Feliz Natal:



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