sábado, 22 de fevereiro de 2020

A respeito do chamado "aquecimento global"

por Jorge Figueiredo *
A campanha de desinformação acerca do chamado "aquecimento global" de origem humana (antropogênica) vai de vento em popa. Ela destina-se a confundir as pessoas, apagando a distinção entre verdades e mentiras. Esta promoção do irracionalismo constitui uma impostura e um atropelo à ciência. A fim de manter um mínimo de sanidade, convém recapitular o assunto e estabelecer fatos. As perguntas e respostas que se seguem tentam fazer isso.

O ser humano é responsável pelo clima no planeta Terra?

A resposta é não. Não podemos controlar o clima do nosso planeta, o qual é determinado por fatores totalmente fora do nosso alcance tais como intensidade da atividade solar, nuvens, ângulo de rotação do planeta, vulcões e muitíssimos outros.


Clima é a mesma coisa que ambiente?

A resposta é igualmente negativa. O ambiente refere-se à camada delgada de ar em que vivemos sobre a superfície da terra e do mar, ao passo que o clima abrange todo o planeta até à estratosfera. A confusão entre ambiente e clima é muito frequente, sobretudo por parte de jornalistas e políticos ignorantes. O ser humano pode (e deve) preservar o ambiente, mas nada pode fazer quanto ao clima.


O dióxido de carbono (CO2) é um gás poluente?

É um rematado absurdo dizer que o CO2 é um poluente, pois se trata de um gás não só inócuo para a saúde humana como também indispensável à vida no planeta Terra (indispensável à fotossíntese). No entanto, o IPCC resolveu erigir o CO2 como o grande vilão universal responsável pelo aquecimento global – mas tal relação de causa e efeito nem sequer está demonstrada. O CO2 não é o "botão de controle" do clima. Além disso, é igualmente absurdo reduzir uma ciência tão complexa como a climatologia – em que intervém uma multidão de variáveis – a apenas uma única variável, o CO2. Recorde-se que a proporção total de CO2 no ar que respiramos é de apenas 0,03% a 0,04% e que a parte do mesmo de origem antropogênica é absolutamente irrisória.


Aquecimento global e alterações climáticas são expressões sinônimas?

A expressão ambígua de alterações climáticas constitui um recuo em relação à expressão original utilizada pelo IPCC, de aquecimento global. A nova formulação é melíflua, pois sempre houve "alterações climáticas" desde que a Terra existe.


Por que a ONU criou o IPCC?

Tudo indica que a ONU criou o Panel on Intergovernmental Climate Change (IPCC) num momento (1988) em que estava relativamente enfraquecida e algo desmoralizada. Para se recompor o seu secretariado procurava uma grande causa mobilizadora e adoptou a hipótese do aquecimento global de origem antropogênica. Organismos seus como a Organização Meteorológica Mundial e Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente foram convocados para o efeito.


É verdade que o IPCC é constituído por cerca de três mil cientistas?

Isso é falso. O IPCC é constituído sobretudo por funcionários nomeados pelos governos que dele participam, ou seja, por burocratas. A sua gestão é política e as grandes conferências organizadas pelo IPCC (em Copenhague, Bali, Paris e este ano em Nova York) são participadas sobretudo por políticos.


Os relatórios periódicos do IPCC merecem credibilidade?

Os extensos relatórios do IPCC (que poucos leem) são geralmente vazados numa linguagem confusa e pouco inteligível. A maior parte do público lê apenas a introdução de poucas páginas dos mesmos, o "Executive Summary", o qual nem sempre corresponde ao conteúdo do relatório.

 
A teoria climatológica em que o IPCC baseia suas afirmações é correta?

Não, está ultrapassada. A teoria do "efeito estufa" e da hipótese do aquecimento global foi elaborada por Arrhenius no fim do século XIX, muito antes da existência de satélites meteorológicos. A teoria climatológica moderna, dos anticiclones móveis polares, foi elaborada pelo grande cientista Marcel Leroux (1938-2008). Há um resumo da sua teoria em resistir.info/climatologia/impostura.cientifica.html.


* Quem quiser especializar-se em climatologia terá de estudar o seu livro "Global Warming – Myth or Reality?: The Erring Ways of Climatology" (Springer Verlag, 2010, 510 p.)

É verdade que 97% dos cientistas apoiam a tese do aquecimento global de origem antropogênica?

Em primeiro lugar as questões científicas não se decidem por maiorias ou minorias – a ciência não é democrática. Os contemporâneos de Galileu acreditavam que a Terra era o centro do universo, mas isso não prova a veracidade da sua crença. O argumento da "maioria" é dos mais fracos que possam existir para a demonstração de uma tese.
 
A modelação informática é um método válido no estudo da climatologia?
 
Não. Para serem úteis os modelos devem ter um número de variáveis relativamente limitado. Problemas complexos que envolvem milhares de variáveis, como é o caso do clima, não se prestam à modelação matemática por mais poderosos que sejam os computadores. A tentativa do IPCC de modelar o clima é vã e presta-se a inúmeras aldrabices e falsificações, pois há uma multidão de variáveis que têm de ser estimadas de modo mais ou menos arbitrário e imputadas no modelo. Portanto, os modelos do IPCC não servem para análises preditivas. São "caixas negras" em que ninguém sabe bem o que está lá dentro e cujos resultados estão sujeitos ao arbítrio dos seus criadores, os quais manipulam à vontade as variáveis que contém. Entretanto, a modelação é útil na meteorologia e permite uma capacidade preditiva da ordem de um par de semanas (nunca de décadas como pretende o IPCC).

Combater o aquecimento global/alterações climáticas é uma posição "de esquerda"?
 
Tal como em qualquer ciência, não existe uma climatologia "de esquerda" ou "de direita". Quanto à crença na origem antropogênica do aquecimento global, há gente tanto de direita como de esquerda que embarca nisso. Ao nível institucional verifica-se que há organizações de direita (como a União Europeia) que defendem essa crença e fazem campanhas contra as emissões de CO2 e outras igualmente de direita (como o governo Trump) que a contestam. Simetricamente, há gente de direita e de esquerda que contesta a validade das teses propaladas pelo IPCC. Isso não significa necessariamente que neguem a possibilidade do aquecimento, fato já verificado no passado (a Idade Média europeia, por exemplo, experimentou um período mais quente que o atual). Não tem sentido politizar a ciência em termos de esquerda-direita.
 
Qual a importância desta discussão? Que importa se o homem é ou não responsável pelo clima?
 
Importa muito. Em primeiro lugar porque desvia a atenção da humanidade dos problemas que são realmente graves e importantes, como a ameaça de guerra nuclear, a corrida armamentista, as questões ambientais (como a poluição verdadeira da terra, da água e do ar, a desertificação da Amazônia etc.), a repartição da riqueza, o depauperamento do Terceiro Mundo etc. e etc.

Ao nível operacional, porque introduz uma grave distorção nas políticas energéticas, as quais são postas a reboque da nova "religião" aquecimentista. Isto significa um brutal desperdício de recursos escassos. Assim, a apologia beata das energias ditas renováveis faz com que sejam promovidas energias intermitentes e antieconômicas. Exemplo: uma central eólica tem apenas uns 25 anos de vida útil, a comparar com uma central hidrelétrica cuja vida útil pode ir aos 100 anos. Por isso será preciso investir quatro vezes numa central eólica para obter o mesmo serviço proporcionado por uma hidrelétrica. Além disso, por ser intermitente, uma central eólica não evita a necessidade de investir na geração convencional – o que significa duplicação de investimentos, onerando inutilmente a sociedade. E isto sem esquecer que as referidas energias alternativas assentam em soluções técnicas também poluentes nos processos de fabricação (ex.: elementos venenosos no interior dos painéis fotovoltaicos).


Ao nível subjetivo, a ideologia aquecimentista provoca sentimentos de culpabilização nos povos. Querem que todos se sintam culpados por estarem a "poluir" o ambiente com a demonização do CO2. Em Portugal chegou-se ao absurdo de cogitar um verdadeiro crime de lesa economia nacional: o sucateamento de centrais termoelétricas que estão boas e em condições operacionais (como as de Sines e do Pego) devido às malfadadas emissões de CO2.


Ao nível ambiental, a trapaça aquecimentista faz com que sejam descuradas as emissões que são realmente poluentes e fazem mal à saúde, tais como o SO2 (dióxido de enxofre), os NOx (óxidos de azoto) e em especial o NO2 (dióxido de azoto), as partículas sólidas (particulate matter) emitidas, por exemplo, pelos motores de Ciclo Diesel etc. Isto, por sua vez, gera graves distorções na política de transportes (e na política fiscal que a precede) afastando soluções boas, viáveis e econômicas. O subsídio ao veículo elétrico é um exemplo dessa distorção (consumo desbragado de terras raras para a sua construção, disposição final das baterias após a sua vida útil, geração de eletricidade para alimentá-las etc. A "descarbonização" da sociedade apregoada pelo governo Antônio Costa é um projeto disparatado, ruinoso e inviável.

 
Ao nível financeiro, a teoria errada do aquecimento global proporciona bons negócios para o capital financeiro que inventou o negócio da venda de direitos de emissão de CO2. Trata-se de algo como as "indulgências para pecar" vendidas pela Igreja Católica, contra as quais se revoltou Lutero. Este negócio dá bons lucros aos banqueiros, mas não beneficia a humanidade. Neste momento já há uma verdadeira indústria do aquecimento global.


Por que tantos acadêmicos defendem a origem humana do aquecimento global e o combate ao CO2?
 
Trata-se de uma teoria que é dominante (por ter sido imposta através de campanhas) e que para a União Europeia se transformou num artigo de fé. Assim, há numerosas linhas de financiamento da UE e dos governos europeus que aceitam servilmente as suas imposições. Boa parte da comunidade acadêmica amolda-se a isso a fim de não secarem os financiamentos. Alguns, como os da Universidade de East Anglia (Grã-Bretanha) chegaram a falsear estatísticas a fim de conseguir os resultados que desejavam apresentar. O escândalo ficou conhecido como Climategate ( www.resistir.info/climatologia/climategate_28nov09.html ). Além disso, muitos acadêmicos são intimidados ou discriminados nas peer reviews quando apresentam opiniões diferentes desta doutrina dominante. Recentemente a Universidade do Porto abrigou uma conferência científica séria sobre alterações climáticas ( www.portoconference2018.org ), o que provocou uma fúria histérica de acadêmicos aquecimentistas.

A humanidade pode prescindir dos combustíveis fósseis?

A classificação de "fóssil" atribuída ao petróleo e ao gás natural (metano, ou CH4) pode ser discutida. Muitos cientistas, como Thomas Gold ( www.resistir.info/energia/gold_biosfera_cap5.html ) e a escola ucraniana de geologia, defendem a origem abiótica do petróleo e do metano. Existem planetas com mares e oceanos de metano. Mas, respondendo diretamente à pergunta, é quase impossível que a energia consumida pela humanidade possa algum dia ser renovável a 100 por cento. Isso não é preocupante, pois mesmo após o esgotamento dos recursos petrolíferos no planeta haverá ainda reservas de metano suficientes para muitos séculos. Além disso, o metano pode ser produzido pelo homem (o biometano, que é uma energia renovável). O ódio dos aquecimentistas contra o metano atrasa o processo necessário e inelutável de afastamento do consumo de refinados de petróleo em direção ao gás natural, processo esse que desejavelmente deveria ser gradual e harmonioso.

Até quando vai perdurar a loucura aquecimentista?

Não sabemos. Mas combater o irracionalismo continua a ser um dever de toda a pessoa lúcida. Com a difusão destes mitos climáticos parece que estamos a entrar numa nova idade das trevas, com teorias fantasiosas e com gente e instituições interessadas em instilar o medo a fim de vender as "soluções" e colher os lucros respectivos. O sr. Al Gore deu o exemplo e depois dele seguiram-se muitos outros.

Humanidade tem direito ao desenvolvimento e enfrenta muitos problemas – científicos, técnicos, sociais e políticos. Mas a teoria do aquecimento global não conduz à resolução dos mesmos. Ela, ao contrário, ameaça agravar todos problemas e de uma forma desumana.

06/Outubro/2019

Ver também:
links externos
www.pt.wikipedia.org/wiki/Milutin_Milankovitch
Este texto encontra-se em https://resistir.info/

* o autor é jornalista, brasileiro, residente em Portugal desde 1975. 

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2 comentários:

  1. Excelente o artigo, abrangente e objetivo ao mesmo tempo, exceto pela ideia simplista de que "Trata-se de algo como as "indulgências para pecar" vendidas pela Igreja Católica, contra as quais se revoltou Lutero". A história de Lutero é bem mais longa e complicada e foge ao escopo de um comentário. De resto, o texto é mais uma boa e grande dose de sanidade em meio à loucura da agenda de alarmismo infundado e ciência politizada.

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  2. Henrique,
    curiosidades à parte, concordo com o autor, pela figura de linguagem aplicada, os países ricos pagariam indulgências aos países pobres, e continuariam a pecar, emitindo CO2. Esse é o crédito de carbono, negociado em bolsas, e que em nada contribuiria para a causa ambiental, ou para a descarbonização.
    É pura hipocrisia. A Igreja praticou a venda de indulgências? Claro, a história registra com largueza de fatos. Evidente, também, que o fato não pode simplificar a luta e discordância de Lutero à essa única desavença, houve muitas outras coisas que provocaram a cisão.

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