sexta-feira, 1 de junho de 2012

ILPf e Código Florestal no Fórum da ABAG, em Maringá.


Richard Jakubaszko
A ILPf, Integração Lavoura, Pecuária e Floresta, poderá criar a nova revolução agrícola, e foi debatida em Maringá, durante o XXIII Fórum Nacional da Abag, dia 18 de maio último, ante os olhares de mais de duas centenas de produtores rurais e também dos técnicos da extensão rural e assistência técnica da
Cocamar - Cooperativa Agroindustrial, sob a liderança de seu presidente, Luiz Lourenço.

(OBS. AO FINAL DESTE POST HÁ O INÍCIO DE UM DEBATE SOBRE OS BENEFÍCIOS DA ILPf, E ESPERO QUE TENHA CONTINUIDADE ENTRE OS LEITORES DESTE BLOG. UM DEBATE CRÍTICO E CONSTRUTIVO SÓ NOS FAZ CRESCER E COMPREENDER MELHOR AS QUESTÕES DA VIDA).

Estive por lá, a convite da Abag, junto com algumas dezenas de jornalistas, ciceroneados por Enio Campoi, da Mecânica de Comunicações. Posso antecipar, sem medo de errar, que foi o melhor, senão um dos melhores fóruns de todos os 23 já organizados pela Abag, e dos quais participei da maioria, desde o início.

Luiz Lourenço, enfatizou a todos para que “se unam em grande esforço” para difundir a ILPf – sistema que, apesar de preconizado pela Embrapa há quase duas décadas, e já praticado em algumas regiões, é ainda quase desconhecido da grande maioria dos produtores do Sul e Sudeste do País.


Conforme Lourenço, a região noroeste do Paraná (conhecida como Arenito) possui pelo menos 2,7 milhões de hectares de pastagens degradadas, de baixo retorno econômico, mas com potencial para sediar projetos de ILPf– o que significa cultivar soja no verão e, na mesma área, manter pecuária durante o inverno, usando como pasto o capim braquiária. É a braquiária que, ao ser dessecada semanas antes do cultivo da soja, proporciona palha e cobertura ao solo para o plantio direto, melhorando a qualidade do solo, não apenas nessa região do Noroeste do Paraná.


No Paraná, baseada em pesquisas do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), segundo o pesquisador Sérgio José Alves, há pelo menos 300 mil ha onde essa técnica regeneradora já é desenvolvida, mas que ele considera uma área ainda pequena. De acordo com o pesquisador, a tecnologia específica para a integração já está consolidada. “Mesmo em ano de clima ruim se ganha dinheiro com a ILPf”, incentiva Alves. A média de produtividade de soja, nos últimos anos, tem sido de 46 sacas por ha, com aumento do número de unidades animal (UA) de 1 para 2,5 no verão e de até 8 no inverno.

Na verdade, a única coisa que discordo é chamar de ILPf, pois deveria chamar-se o sistema de ILPs, com "s" de silvicultura, pois não se cultiva "floresta", na verdadeira acepção do termo. Fora a semântica, assino embaixo de tudo o que se falou por lá. Adicionalmente, acho que deveria haver créditos para investimentos específicos (máquinas, em especial) para se implementar a ILPf. O que se deveria ter em mente é que são os agricultores quem mais estão aderindo à ILPf, enquanto os pecuaristas são minoria na adesão, e estes não possuem as máquinas (tratores, arados, grades e plantadeiras-adubadeiras) para a ILPf.


O produtor  rural César Formighieri, da cidade de Maria Helena, foi um dos palestrantes do fórum. Considerado produtor modelo em integração no Paraná, possui 500 hectares onde cultiva soja há 10 anos, e mantém pecuária de corte, investe no leite e no plantio de eucalipto. De acordo com ele, as pastagens eram totalmente degradadas e hoje estão recuperadas, com a produção rentável. “O solo recuperado é garantia de sucesso na agricultura e pecuária”, disse ele, pois "a soja recupera o solo melhor que a gramínea".


No Brasil, conforme o pesquisador João Kluthcouski, da Embrapa, há 2 milhões de ha onde é feita alguma forma de integração. Ele apresentou, no evento, um estudo sobre a Fazenda Santa Brígida, de Ipameri (GO), onde a própria Embrapa vem acompanhando, desde 2006, um amplo programa de ILPf. Hoje, essa área é considerada referência no país, com produção de soja, carne e eucalipto onde, além da madeira, se aproveita o sombreamento para o bem-estar animal. “Nosso grande negócio é fazer pecuária verde. Nós somos um país quase continental e ainda com pelo menos 100 milhões de ha de pastagens ruins, que são vistos como uma oportunidade”.


O XXIII Fórum da Abag contou também com a participação de duas personalidades que são a própria história do plantio direto no Brasil: os mitos Herbert Bartz, de Rolândia, e Frank Dijkstra, de Carambeí, PR. Eles falaram sobre o desenvolvimento do PD, que hoje contabiliza mais de 25 milhões de ha no Brasil, preservando os solos. Fazia algum tempo que eu não me encontrava com esta dupla de pioneiros. Além das evidências do tempo, que passa para todos, constatei que o português do holandês Dijkstra está cada vez melhor, enquanto que o sotaque holando-caboclo do brasileiro Bartz se acentuou.

Já o vice-presidente de agronegócios do Banco do Brasil, Osmar Dias, abordou a perspectiva de crescimento da demanda internacional por alimentos nos próximos anos para justificar a oportunidade que os produtores brasileiros têm de investir em novas técnicas. Nos próximos dez anos, segundo ele, vai haver necessidade de 20% a mais de alimentos, por causa do crescimento da população, e 40% desse volume terá que sair do Brasil, segundo a FAO. Dias informou que o programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC) do governo federal está disponível a juros de 6,75% ao ano, com 8 a 12 anos para quitação. “O agricultor que não fizer integração terá dificuldades para sobreviver, pois ele precisa investir na eficácia produtiva”, disse.


Osmar Dias revelou à plateia ter encaminhado para a Presidência da República uma sugestão sobre as APPs em beiras de rios, mas a sugestão, pelo jeito, não pegou. É tão simples e cabocla, quanto inteligente. A questão da metragem seria assim, sempre pela largura do rio: se o rio tiver 10 metros de largura, teria 5 metros de APP em cada margem, é meio a meio. Se tiver 50 metros, 25 de APP para cada lado, até atingir 100 m de APP, para rios com 200 ou mais metros de largura. Não vingou, como vimos, pois o emocional predominou, fosse na votação no Congresso como nos vetos da Presidência.

No XXIII Fórum da Abag a plateia esteve recheada de empresários e líderes do agronegócio, a destacar-se a presença de Paulo Herrmann, diretor de Vendas América Latina da John Deere, e Laércio Giampani, presidente da Syngenta CropScience, que são líderes hoje, em parceria com a Embrapa, da Rede de Fomento, uma ideia-conceito que ainda vai dar o que falar. Anotei, ainda, a presença no fórum, de José Cassiano Gomes dos Reis Jr, superintendente da SRB, Fabrício Morais, presidente da Jumil, de Marize Porto Costa, proprietária da Fazenda Santa Brígida, de Maria Iraclézia de Araújo, presidente da Sociedade Rural de Maringá, Francisco Matturro, José Roberto R. Peres, chefe geral da Embrapa Cerrados, entre muitos outros.

O presidente da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), Luiz Carlos Corrêa de Carvalho, mais conhecido como Caio, ressaltou a importância da realização de fóruns como esse para difundir informação e conhecimento aos produtores. “Este é o modelo sustentável que o Brasil vai apresentar na Rio+20 (a conferência mundial sobre o clima, a realizar-se neste mês de junho no Rio de Janeiro). O protagonismo do país é a grande discussão da sociedade brasileira este ano. Mas a integração é muito mais que isto: ela tem o poder de transformar economicamente uma região”, finalizou.


DEBATE:

Caro Richard:
Com relação à postagem acima sobre o encontro em Maringá, com destaque para a ILPF, submeto excerto de carta a eng agr. alto funcionário do MAPA, bem como crônica de minha autoria analisando a matéria.
Grande abraço,
Fernando Penteado Cardoso

Excerto:
“Mas não é só isso: acho que a EMBRAPA está se arriscando muito com a pastagem sombreada antes de ter observações quantificadas.
Por enquanto é apenas uma tecnologia desiderativa, relegando dados preliminares obtidos em Sete Lagoas na Embrapa-Milho e Sorgo, segundo ouvi dizer.
Uma pena, pois pode vir a comprometer o renome da instituição e, por tabela, o conceito de nossa classe...
Mas, para compensar, temos o conforto da gauchada valente que vem progredindo e construindo graças às “leis que não pegam”.

INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA-FLORESTA
Fernando Penteado Cardoso*
Estão na moda os palavreados ambiciosos “lavoura-pecuária-floresta-ILPF” ou “agro-silvo-pastoril”. O que significam ou o que podem significar?

Tudo começou alguns anos atrás com a expressão “integração lavoura pecuária-ILP” que foi definida como a sucessão alternada de atividades agrícolas e pecuárias na mesma área.
Importante ser na mesma área, pois se uma fazenda se dedica a lavouras e a criações em áreas separadas, ela tem essas atividades paralelas, mas não integradas.
A integração acontece quando as duas atividades - agrícola e pecuária - se alternam, se sucedem, se interagem, se integram e se completam em uma mesma área.

Um exemplo de ILP bem sucedido é o do produtor Ake van der Vinne, em Maracajú/MS, onde no verão a sucessão anual é soja>soja>milho>pasto e no inverno pasto>pasto>pasto>pasto. Nesse sistema, a cada 4 anos um hectare em rotação produz  em média 120 sc de soja (2 safras), 100 sc de milho e 1.000 kg de ganho de peso vivo-GPV.
Outra aferição bem sucedida foi relatada pela Granja JAE, St. Inácio/PR, onde, por 6 anos consecutivos, foi comprovada a produção anual de 2.000 litros de leite ou de 300 kg de GPV por hectare durante o inverno, no intervalo entre  culturas de soja de verão.
Nesses dois exemplos, o sistema assegura ainda um volume satisfatório de fitomassa para o plantio direto subsequente. Nos dois casos, pecuária e lavoura se alternam na mesma área.

De uns anos para cá a EMBRAPA vem incentivando o plantio de renques de 2 a 3 linhas de eucalipto ou outra espécie arbórea separadas de 25 a 27 m. Nos primeiros 2 anos cultiva-se soja ou outro cereal no intervalo entre os renques. No final do 2º ano semeia-se capim, geralmente uma Brachiaria, iniciando-se então um sistema permanente de pasto sombreado.
Não se trata de uma integração por falta de rotatividade e de alternância. Poderá, quando muito, ser classificada de silvo-pastoril, sem que a lavoura faça parte do sistema.

Os pastos sombreados não constituem novidade. Anos atrás a CMM do grupo Votorantim patrocinou experimentos e observações em Vazante, no NO de Minas Gerais, mas o trabalho foi descontinuado antes de concluído. Outras descrições em Paragominas/PA e no Estado de MS são pouco conclusivas quanto aos resultados anuais de ganho de peso, embora apresentem simulações e estimativas favoráveis.

Nos anos 1990 diversos criadores na região de Dourados/MS iniciaram o plantio de renques de Leucaena ocupando cerca de 50% da área de piquetes em rotação, com sombreamento intenso na área arbustiva rebrotada. Os intervalos entre os renques eram semeados com capim, permitindo que os animais pastoreassem a gramínea e os brotos e folhas da leguminosa. Inicialmente houve grande entusiasmo dos criadores, mas, pouco a pouco o sistema foi relegado, seja por dificuldades de manejo, seja por não compensar economicamente.

A forragem à sombra é menos palatável nas águas, o capim é mais tenro e bem aceito na seca e a faixa lindeira aos bosques é prejudicada pela forte competição até uma largura de 10 a 15 m. Estas observações são de conhecimento geral dos que convivem com o ambiente rural.

Seja pelo sombreamento, seja pela competição por nutrientes e água, a produção de fitomassa forrageira à sombra pode vir a ser limitada, desconhecendo-se pelo momento o GPV  anual por unidade de área. Os custos de implantação são, por sua vez, muito variáveis, dependendo de inúmeros fatores locais, inclusive da infestação inços e de formigas cortadeiras.

A redução da produção animal é até certo ponto compensada pelo crescimento de fustes com valor comercial para celulose, carvão ou madeira, mas o resultado econômico por hectare entre produção animal e vegetal não foi ainda determinado.

O que deve ficar bem claro é que a integração lavoura/pecuária está bem comprovada e dimensionada, mas ao se introduzir árvores permanentes o sistema torna-se mal conhecido, em que pese o entusiasmo desiderativo dos que o apregoam antes de ter aferições convincentes.

Dias de Campo festivos divulgam as iniciativas ditas agro-silvo-pastoris enquanto satisfazem a curiosidade dos interessados e envaidecem tanto os técnicos promotores, como os proprietários gratificados.

Vale aqui lembrar o preceito de Lord Kelvin enunciado no século 19: “A menos que você possa medir alguma coisa e descreve-la com números, você está apenas começando a compreendê-la”.

É admissível a hipótese de que ao final de alguns anos os agropecuaristas cheguem à conclusão de que seria melhor ter pastagem e reflorestamento em separado. O futuro dirá.

* Eng. Agr. Sênior-ESALQ-USP 1936- Fundador e ex-presidente da Manah S.A. e da Fundação Agrisus. Produtor rural em Mogi Mirim/SP.

COMENTÁRIOS DO BLOGUEIRO:
Dr. Fernando Penteado Cardoso, muito obrigado por seus comentários, sempre relevantes, diretos e objetivos. Sua presença neste blog, em forma de comentários, muito me honra. 
Especificamente no caso da ILPf tenho a colocar algumas premissas, talvez diferentes de sua ótica e objetividade prática, para incentivar um debate positivo nessa questão.
Tenho a ILPf como regeneradora de solos (e pastagens) degradados. A ILPf é um conceito, mas de uso prático, que permite recuperar esses pastos, com investimentos moderados, melhorando a produtividade desses solos degradados e compactados. Não vejo a ILPf como solução prática para áreas de plantio de lavouras já produtivas, e nem tampouco para substituir pastos bem conduzidos. A região do Arenito, no Noroeste do PR, é um bom exemplo, onde pastos mal manejados diante das condições edafo-climáticas aceleraram a degradação. As tentativas de se plantar mandioca naqueles solos arenosos levaram a uma degradação ainda maior, provocando vossorocas quase impossíveis de serem recuperadas, pelo menos quanto à realidade econômica, no sentido de proporcionar lucros aos investimentos necessários, em curto ou médio prazos.


Nesse sentido a ILPf é, em minha modesta opinião, a salvação da lavoura, e dos pastos, para pelo menos 100 milhões de ha calculados pelos estatísticos, e que estão espalhados Brasil adentro. E estes têm sido ocupados por agricultores, em sua maioria, e não por pecuaristas, a quem falta a cultura e tradição de trabalhar a terra preservando-a para as gerações futuras.


Tratar a ILPf com um sentido prático e objetivo de lucros a curto prazo poderia, sem dúvida, colocar essa técnica como duvidosa.

Confesso que tinha dúvidas, em relação à ILPf, conforme seus argumentos, sobre o sombreamento. Seria, de acordo com suas palavras, em texto que já publiquei na DBO Agrotecnologia, "a descoberta da agricultura sem fotossíntese". Mudei de ideia ao analisar o argumento apresentado pelos especialistas, em especial dos agrônomos José Luís Coelho, da John Deere, e João Kluthcouski, da Embrapa, de que as árvores sejam plantadas em duas ou três linhas no sentido Leste-Oeste, o que reduz o sombreamento sobre pastos e lavouras, e traz conforto aos animais.

Tenho ainda uma questão em relação à "perenidade" do sistema ILPf, e que não me convenceu. Ou seja, depois de implantada, é difícil o retorno aos sistemas tradicionais de manejo do solo, seja em lavouras ou em pastos, pois os tocos remanescentes por lá (após os cortes de madeira) permaneceriam irretiráveis, no mínimo por 10 ou 15 anos. Nesse sentido a ILPf pode até recuperar solos degradados, mas obriga a sua continuidade e permanência. Daí a minha pergunta: o que é melhor? Recuperar os solos degradados ou continuar como está?


Este blog permenece com espaço em aberto para a continuidade do debate, pois não entendo como definitivas as colocações do Dr. Fernando Penteado Cardoso, muito menos as minhas.
.

4 comentários:

  1. Prezado Richard:
    Muito obrigado por divulgar minha análise. Não discordei ao confessar que desconhecia aferições. A agronomia pertence à classe das ciências exatas. Por isso sou como São Tomé: ver (=medir) para crer. Queria ver também um vaqueiro em disparada, volteando um laço, se embrenhar pelo renque arbóreo. Não queria ser o patrão para suportar a praga que lhe seria lançada.
    Abraço
    Fernando Cardoso

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  2. o link da Agrisus saiu incorretamente grafado, o correto é www.agrisus.org.br

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  3. José Carlos de Arruda Corazza2 de junho de 2012 13:48

    Richard,
    parabéns pelo blog, vejo que aqui há debate, como você colocou, construtivo. Realmente, é informativo, a gente aprende, a gente cresce quando visita este pedaço da blogosfera.
    Continue assim.
    José Carlos de Arruda Corazza

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  4. Caro amigo Richard,

    Eventos de divulgação sobre a ILPF, como este realizado pela ABAG são fundamentais para que a tecnologia seja adotada pelos produtores rurais. Alertei a Embrapa, a John Deere e a Cocamar em evento realizado em Calda Novas-GO, em março passado. Fazendo um paralelo com a tecnologia do Plantio Direto, em especial, na região do Cerrado, ele teve seu crecimento significativo após a realização dos encontros nacionais organizados pela FEBRAPDP, pelos regionais realizados pela APDC e pelos locais realizados pelos CATs, então porque as instituições não seguem este exemplo bem sucedido?

    Abraços,
    Ronaldo Trecenti

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