sábado, 18 de março de 2017

Nota oficial sobre a Operação Carne Fraca


Richard Jakubaszko 
Desde ontem, 17/3/2017, sexta-feira, quando explodiram as manchetes na mídia sobre a Operação Carne Fraca, debatemos na DBO Editores as circunstâncias técnicas, sociais, econômicas e políticas dessa nova denúncia da Polícia Federal (PF).


As evidências apresentadas pela Polícia Federal demonstram-se fracas e distantes da realidade. Os argumentos e exemplos citados pela PF e repetidos pela mídia são, de um lado, inconsistentes, e, de outro, utilizam-se de pré julgamentos moralistas em nome de defender a saúde pública. As acusações genéricas feitas pela PF estabelecem o pânico entre a população, e devem trazer prejuízos - no mercado interno e até na exportação - enormes para as indústrias processadoras de carnes (da pecuária bovina, que nada tem a ver com as denúncias, conforme indica a Nota Oficial da Abiec - Associação Brasileira da Indústria de Exportação de Carnes, abaixo transcrita), mas especialmente os abatedouros de aves e suínos.
Por tabela, jogam na lata do lixo a credibilidade dos fiscais federais do Mapa (Ministério da Agricultura).

Ao mesmo tempo, a Operação Carne Fraca deixa transparecer interesses políticos inconfessáveis, de fortalecer a instituição da PF diante de um novo ministro da Justiça, indicado por Temer, a quem a PF acusa de forma lateral inconsistente de "possível de estar indiretamente envolvido no escândalo", mas ressalva que não existiriam provas. A ideia seria enfraquecer o novo ministro, e impedir a pretendida troca da diretoria da PF, para hipoteticamente enfraquecer a Lava-Jato.

Se for isso, demonstra a mediocridade reinante em Brasília, pois exercer a cidadania requer doses cada vez mais elevadas de hipocrisia. Chegamos à sofisticação extrema na era dos assassinatos de reputação.


Nota oficial sobre a Operação Carne Fraca
18 de março de 2017

Em relação à Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal, nesta sexta-feira (17 de março), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC) ressalta que nenhuma planta de carne bovina dos seus 29 associados está citada na denúncia de esquema entre frigoríficos e fiscais agropecuários federais para comercialização de alimentos adulterados.

 
As indústrias associadas a ABIEC seguem rígidas normas e padrões nacionais e internacionais de segurança para a produção e comercialização de carne bovina destinada tanto ao mercado interno quanto aos mais de 133 países para os quais exportamos.

 
O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e é reconhecido pela qualidade e status sanitário de seu produto, que conta com auditoria dos órgãos brasileiros responsáveis, bem como das autoridades sanitárias das nações que importam a carne bovina brasileira.

 
A ABIEC ressalta que os casos que vieram a público por meio da Operação Carne Fraca são isolados e não representam a imensa cadeia produtiva de carne bovina no Brasil.

 
A Associação repudia veementemente a adoção de práticas que não condizem com a garantia da qualidade do produto nacional e da credibilidade da indústria brasileira. E reitera sua confiança na atuação do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), bem como nos parâmetros seguidos pelo S.I.F. - Serviço de Inspeção Federal.

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8 comentários:

  1. Recebi de um importante ex-dirigente do Mapa, e que não deseja se identificar, e-mail pessoal onde ele diz:
    Richard,
    Aqui entre nós, não saia a público defendendo os fiscais. Tem coisa aí que precisa ser investigada. E é preciso acabar com essa exigência de presença de um fiscal em cada planta. Essa é a fonte das distorções.

    RESPOSTA: CONCORDO!!! Ressalto que nos casos dos fiscais do Mapa, por conhecer muitos deles, os corruptos são minoria.
    Richard

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  2. Caro Richard,
    Pelas informações disponíveis no momento, concordo com vc. UM ABSURDO !!!
    abç
    Pitombo

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  3. Concordo, Richard!
    Os áudios, inclusive, estão "bem distantes da realidade", assim como o depoimento de alguns executivos afirmando que a prática - pagamento de propina - é antiga no setor.
    Quantos aos fiscais agropecuários que foram presos, esses estão sendo injustiçados.
    Aliás, o que há de gente injustiçada sendo investigada e presa nesse País...
    Como disse outro dia o Grande Líder, nosso Dom Sebastião, essa Operação Lava Jato tá acabando com a economia desse País.
    Renato

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  4. Richard
    Você está 100% correto em relação a questão de Carne Fraca. Os fiscais do MAPA, sua imensa maioria é séria. Parabéns por expor sua opinião.
    Derli

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  5. José Carlos Arruda Corazza, BH19 de março de 2017 11:16

    Ei, alguém aí sabe o que está acontecendo de fato? O que é real, ou dissimulação, ou é política suja? Essa operação da PF, que faz 2 anos anda em investigações (???), por que não foi denunciada antes? Bastava uma carne podre... aliás, carne de quê? De frango? Ou linguiça? Não vi em nenhuma reportagem das TVs e jornais, falar de carne de boi, falava de "carnes" e só na JBS, Friboi e BRF. É um país de loucos! O que deseja a PF, junto com a Lava Jato? Destruir o país? Pra salvar da cadeia alguns políticos ou fiscais que receberam propinas? A Kátia Abreu, quando ministra, mandou demitir e processar uns 2 ou 3 fiscais do Mapa, mas depois foi tudo abafado, demitiram ela antes...
    O que espanta é a grande mídia dando espaço pra tanta merda mentirosa. Juro que se algum descendente meu votar em algum político do PMDB ou PP eu mando internar num hospício como incapaz...

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  6. Ok, vamos ver umas coisas, já que o Brasil é um país de merda e o agronegócio brasileiro é o fim da picada, né?
    E o resto do mundo deve ser uma beleza...
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    1980 – no início da década houve um surto de infecção por E. coli STEC – produtora da toxina de Shiga - nos Estados Unidos provocado pelo consumo de hamburger mal passado.
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    1996 – um enorme surto no Japão, primeiro mundo também, né, a partir de broto de rabanete na comida de criança nas escolas, atingiu mais de 8.000 pessoas com a mesma bactéria, crianças na maioria, e 3 morreram.
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    2006 – de novo USA, agora com espinafre; apenas 205 pessoas seriamente afetadas, em 26 estados, com 3 óbitos.
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    2011 – Alemanha... vegetais de uma fazenda orgânica na Baixa Saxonia. Um total de 2.987 casos e 53 óbitos. 53 OBITOS e não só na Alemanha.
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    2012, 2013, 2014 – diversos surtos de diarreias graves provocados pela mesma bactéria em diversos estados americanos. No surto de 2014 foram registradas as mortes de 2 crianças e tudo aponta para o consumo de melancias compradas em lojas Walmart.
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    Primeiro mundo, né... Walmart fechou?

    Há outros casos, mas já cansei. Quem tiver interesse é só pesquisar, a bibliografia médica é extensa.

    Aqui tivemos 3 unidades de processamento que, segundo a Polícia Federal, apresentaram problemas e foram fechadas. O país tem cerca de 5.000 unidades.

    Nessa altura do campeonato eu já começo a ter dúvidas...
    Será que a PF não está sofrendo de uma síndrome de abstinência de holofotes?

    Que o grupo JBS está sujo e tem histórias mal explicadas não é novidade, ligadas ao lulopetismo que desgraçou, desgraça e desgraçará essa nação por um bom tempo.
    Há muito para ser investigado. Mas isso é um grupo e por maior que ele seja não representa o mercado brasileiro.
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    O que eu vejo hoje é que essas denúncias, algumas exageradas e fora de propósito, ridículas até, como a história do papelão, poderão redundar em prejuízos terríveis para todo um setor que exporta 14 bilhões de dólares e gera 4 milhões de empregos.

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  7. Emerson,
    a discordar, apenas, que a JBS seja ligada ao lulopetismo. Só falta repetir a besteira de que a JBS é do Lulinha. Mas o Grillo, delegado lá de Curitiba, ainda deve acreditar nesses power point que inundaram o país durante anos.
    Essa desgraceira que o país passa foi criada pelo inconformismo do Aécio que perdeu a eleição e queria ganhar no tapetão. Com o apoio da mídia inventaram e desgraçam o país, com a história da corrupção, que nunca investiga o Aécio e outros tucanos. O Lula, apenas para lembrar, levou o Brasil a ser a 6a economia do mundo, retirou cerca de 30 milhões da miséria, gerou empregos, multiplicou as exportações, deixou 380 bilhões de dólares de reservas, o fundo soberano, e por isso causou inveja das multinacionais americanas que, com a ajuda da Polícia Federal mais os procuradores sem noção, de Brasília e especialmente de Curitiba, vão entregar o pré-sal, as empreiteiras, vão nos jogar na previdência privada, sem nada ficaremos, pois a telefonia, a água e a eletricidade já tinham vendido, até o Banespa venderam. Vende as suas vaquinhas Jersey e vai pro mercado financeiro, ou entra no PSDB ou PMDB, que vc fica resolvido financeiramente bem rapidinho. Eu não tenho competências pra isso, e meu estômago rejeita essas fórmulas, mas vivo feliz porque não leio jornais e nem vejo TV, só tem mentira.

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  8. Senhores,
    Vivemos no Brasil de hoje uma situação jamais imaginada pela maioria esmagadora da população.
    Na Turquia, na decada de 70 ,após um período de muita turbulência política, acabou se formando dentro da polícia turca os policiais que eram simpatisantes da esquerda e o outro lado simpatizante da direita.
    Resultou que sempre que havia um crime, um dos lados sabia o que estava ocorrendo e procurava acobertar e desconversar e corria para chegar primeiro à cena do crime. O outro lado agia ao contrário.
    Acredito que se não estamos nessa fase, em seguida entraremos nela.
    Estas ações em nome da PF e do MP tem servido muito para:
    1- Tirar o foco de ações políticas importantes.
    2- diminuir momentaneamente o consumo de carnes, o que provocará uma manutenção da inflação em níveis baixos.
    3- negociar políticas que nem imaginamos entre os partidos.
    4- criar prejuízo aos produtores agrícolas.

    Lembrem-se, quem tem por objetivo conquistar o domínio do país, não quer a prosperidade que o campo produz. O que eles buscam é a miséria, tal qual a Venezuela. Povo pobre é dependente.
    Enquanto as pessoas de bem não entenderem que estamos trabalhando para sustentar o Crime Organizado no poder, não vamos sair desse atoleiro.
    Abraço
    Fernando Gonçalves
    Santiago, Rs

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