terça-feira, 14 de abril de 2015

Sobre cientistas e retrógrados


Décio Luiz Gazzoni *
Thomas Malthus, economista britânico, viveu nos séculos XVIII e XIX. Criou o Malthusianismo, teoria que afirma que as populações humanas crescem em progressão geométrica e os meios de subsistência em progressão aritmética.

Malthus representou o paradigma de uma visão que ignora ou subestima os benefícios da industrialização e do progresso tecnológico, tendo vivido justamente quando as inovações tecnológicas passaram a ser colocadas à disposição da sociedade em escala logarítmica. A Malthus pode ser concedido o benefício de que seria um remanescente de uma era que se extinguia, não dispondo de informações anteriores e visão de futuro que lhe permitissem vislumbrar que outro mundo era possível.

Jean-Baptiste de Lamarck, cientista francês falecido em 1829, atribuiu a evolução das espécies a fatores exclusivamente ambientais, à necessidade de sobrevivência em ambientes adversos e ao aprendizado do indivíduo. Conforme sua teoria, uma característica adquirida durante a vida de um indivíduo, seria transmitida para as gerações seguintes.

Charles Darwin, naturalista britânico, viveu no século XIX. Concebeu a Teoria da Evolução das Espécies, publicada em seu livro de 1859, centrada na seleção natural, ou seja, características previamente presentes na espécie tornavam-se dominantes em determinados ambientes, por pressão natural. Entretanto, sua teoria, denominada Darwinismo era intuitiva e lastreada em observações, carecendo de fundamentação experimental sólida.

O abade checo Gregor Mendel (1822-1884) elaborou os fundamentos científicos da teoria que suportaram, em definitivo, a evolução das espécies por seleção natural, proposta pelo Darwinismo. Ele intuiu que as características de um ser vivo estão presentes em seu código genético, herdado dos ascendentes e transmitido aos descendentes, e em forma de alelos. Testou sua tese nos experimentos com ervilhas, que resultaram na Primeira e na Segunda Lei de Mendel, hoje sólidos fundamentos da Genética.

A pseudo ciência ideológica
Trofim Lysenko (1898-1976) é o responsável pelo Lysenkismo, uma releitura soviética do Lamarckismo que ocorreu no pós guerra, quando a Ciência já havia depositado a teoria de Lamarck no museu pela sua total dissociação dos fatos naturais que pretendia descrever. O Lysenkismo nada tinha de científico, tratava-se apenas de opor-se à teoria dominante na Ciência fora da URSS, que havia aceitado como verdade científica as leis da genética, gerando uma plêiade de novos negócios baseados nelas. A essência do Lysenkismo era discurso ideológico, não havia fatos científicos que a suportassem, uma narrativa imposta aos cidadãos da ex-URSS.

Em uma conferência realizada em 1948, Lysenko denunciou Mendel como "reacionário e decadente" e declarou que cientistas ou outros cidadãos que acreditassem na genética eram "inimigos do povo soviético." Anunciou que a sua tese havia sido aprovada pelo Comitê Central do Partido Comunista e que, a partir daquele momento, os cientistas que compartilhavam as teorias de Mendel dispunham de duas alternativas: ou escreviam cartas públicas confessando os seus erros e reconhecendo a sabedoria do Partido Comunista, ou seriam sumariamente demitidos. Alguns dissidentes foram enviados para campos de trabalho forçado. De outros, não mais se ouviu falar.

A Ciência verdadeira
Ao longo do século XX, diversos cientistas buscaram os fundamentos do código genético intuído por Mendel, que não tinha conhecimento da natureza física dos genes. O trabalho de James Watson e Francis Crick, publicado em 1953, mostrou que a base física da informação genética eram os ácidos nucleicos, especificamente o DNA, embora alguns vírus possuam genomas de RNA.

A elucidação da estrutura do DNA não trouxe, de imediato, o conhecimento de como as milhares de proteínas de um organismo estariam "codificadas" nas sequências de nucleotídeos do DNA. Esta descoberta, essencial para a moderna Biologia Molecular, ocorreu no início dos anos 1960, com os estudos de Marshall Nirenberg, que viria a receber o Prêmio Nobel de Medicina em 1968, assim como Watson e Crick o receberam em 1962. A manipulação controlada do DNA (engenharia genética) pode alterar a hereditariedade e as características dos organismos, de maneira semelhante aos fenômenos naturais de troca de material genético entre organismos vivos.

A Ciência e a agricultura
Foi esta sequência de teorias científicas, e o trabalho de milhares de cientistas - premiados com Nobel ou anônimos - que desmentiu o Malthusianismo. Recentemente, os cientistas sociais demonstraram que fome é um problema de renda, de acesso ao alimento, não de produção. A oferta de alimentos cresce de forma associada à demanda, embora sempre haja um “delay” devido aos mecanismos de transmissão dos sinais do aumento da demanda até os agricultores, responsáveis pelo aumento da oferta.

O aumento da produção tem sido função da produtividade agrícola que, nos últimos 50 anos, responde por cerca de 80% do aumento da oferta, contra 20% devidos à expansão da área. Maior produtividade, redução de custos e estabilidade da produção é função direta das inovações tecnológicas. Em Biologia, a maior inovação científica dos últimos anos é a engenharia genética, e sua consequência prática, as modernas variedades denominadas transgênicas. O que poucos se deram conta é que a engenharia genética nada mais é que um atalho do processo natural de fecundação cruzada, de troca de genes entre plantas. O mérito da espécie humana foi, simplesmente, reduzir a poucos anos o que a Natureza levaria, talvez, um século para atingir. Mas ambos chegariam lá.

O retrocesso
O ludismo foi um movimento contrário à mecanização do trabalho no advento da Revolução Industrial. O termo ludita, ou "quebradores de máquinas", identifica toda pessoa que se opõe à industrialização ou à inovações tecnológicas, geralmente vinculado ao movimento operário anarco primitivista, uma crítica anarquista das origens e do progresso da civilização. Os luditas chamaram muita atenção pelos seus atos, invadindo fábricas e destruindo máquinas que, segundo eles, por serem mais eficientes que os homens, colocavam em risco seus empregos. Ludismo é um conceito político, usado para designar todos aqueles que se opõem ao desenvolvimento tecnológico ou industrial. Atire a primeira pedra quem, hoje, não se beneficia largamente do legado da Revolução Industrial.

No dia 5 de março de 2015, a CTNBio analisaria o processo de licenciamento da variedade de eucalipto transgênico H421 da FuturaGene, empresa brasileira que desenvolve uma variedade transgênica de eucalipto há mais de 14 anos. Os experimentos demonstram que esse eucalipto produz 20% mais madeira que o convencional e diminui a idade de corte em 2 anos. Maior produtividade significa aumento de competitividade e ganhos socioambientais, ou seja, maior produção de madeira com menor demanda de área e insumos, e emitindo menos carbono, permitindo que mais área seja destinada à produção de alimentos ou à conservação, e contribuir com a renda de pequenos produtores. Aliás, produzir eucalipto significa que estamos utilizando química verde, menos poluente, substituindo petróleo tanto para produzir bens sociais tangíveis, quanto energia.

O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) arrombou a porta da sala já superlotada, invadiu a reunião da CTNBio e, violando todos os princípios democráticos e do Estado de Direito, impediu a realização da reunião de avaliação do H421. Não apresentou fatos, verdades, números, apenas o velho e batido discurso vazio e as vetustas palavras de ordem, de viés meramente ideológico, tal qual “..nunca mais haverá reunião da CTNBio”. Uma facção feminina do MST invadiu e depredou os laboratórios e estufas da FuturaGene, destruindo o trabalho de mais de uma década de cientistas e colaboradores, comprometendo o avanço da Ciência e a melhoria da produção agrícola. Desconheço o enquadramento ou punição dos participantes de ambos os atos, que violaram diversos artigos da legislação brasileira.

O fundamento legal
Se há uma crítica a ser feita à legislação brasileira de biossegurança é o fato de ser uma das mais exigentes e severas do mundo, mais realista que o rei. Se peca é por excesso de zelo. A Lei 11.105 de 2005 garante à sociedade o direito de se pronunciar democraticamente, ou seja, de acordo com padrões civilizados e em conformidade com a Lei.

No Brasil – como em todo o mundo - os OGM são submetidos a testes toxicológicos, alergênicos, nutricionais e ambientais que passam pela análise da CTNBio, cuja legitimidade é baseada na excelência de seus membros. O trabalho desenvolvido por esses cientistas envolve profundo detalhamento e rigorosa observância de princípios científicos consagrados. Até onde meu conhecimento alcança, há muito mais riscos toxicológicos e alergênicos em alimentos naturais, tradicionais, que em OGMs, justamente pelo fato de que aqueles não são submetidos à mesma legislação. Se o fossem, muito do que chega à nossa mesa, seria proibido por razões toxicológicas!

O avanço científico dos últimos dois séculos, em particular do último quarto do século XX e desta década e meia do século XXI, permitiu enviar o malthusianismo para o museu. No momento, é possível afirmar que temos condição de produzir alimentos em taxas superiores ao crescimento da população. Aliás, atualmente, a maior demanda de alimentos não se deve ao aumento físico da população, mas por incremento da renda disponível para as famílias comprarem alimentos. Este fato ficou muito patente com o acelerado crescimento econômico mundial da década passada, que levou o desemprego a taxas ínfimas e catapultou a renda a níveis elevados. A Ásia é o melhor exemplo deste fenômeno, em escala mundial, embora países da América Latina também tenham experimentado forte inserção social derivada do espetacular crescimento econômico mundial. O próximo continente a beneficiar-se deste fenômeno será a África.

Crime e castigo
Entrementes, enquanto Malthus ou Lamarck podem ser perdoados por seu pioneirismo, por não disporem de conhecimento suficiente, e por terem vivido em momentos de transição, o mesmo não pode ser dito de Lysenko ou do MST. Malthus e Lamarck desenvolveram teorias e tentaram, comprovar suas intuições, seguindo metodologia científica, embora tivessem falhado em seu intento. Já Lysenko e o MST nada tem de científico. É um discurso ideológico retrógrado, cujo preço a sociedade como um todo vai pagar.

O preço que está sendo pago pelos países membros da ex-URSS, pela imposição do discurso ideológico de Lyzenko, é que, atualmente, a Rússia e os países da antiga URSS dependem de tecnologia genética de países cuja Ciência seguiu Mendel, como a Europa, o Canadá, os Estados Unidos ou o Japão. São bilhões de dólares anuais transferidos dos países da ex-URSS para os países detentores de tecnologias avançadas, como variedades mais produtivas e mais resistentes a estresses, baseadas na genética mendeliana.

No Brasil, também pagaremos o preço das ações de quem se diz trabalhador sem-terra, mas age contra o progresso da Ciência e o desenvolvimento do país. O interessante é que terra não falta neste país: o que falta, e cada vez com intensidade maior, é gente efetivamente disposta a trabalhar a terra. Aliás, um dos grandes problemas atuais dos pequenos e médios produtores rurais é a sucessão: Os proprietários da terra ficaram idosos, não possuem mais condições de gerir e trabalhar na propriedade, seus filhos não tem interesse em seguir na terra, que acaba sendo vendida. Cada vez sobra mais terra, então por que não esquecer por um momento o discurso vazio e dar um uso à terra, em benefício da sociedade?

Se alguém enxergou um contrassenso entre as ações do MST e a realidade científica e social do Brasil (que não é diferente do resto do mundo), deve seguir o fio da meada para tentar entender quais as verdadeiras motivações de destruir inovações científicas, o que, para mim, ainda é um enigma maior que Lamarck ou Lysenko, já devidamente explicados.

* o autor é engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja e membro do Conselho Editorial da Agro DBO.

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domingo, 12 de abril de 2015

De olho no óleo



Janio de Freitas *
Há 60 anos, ‘O Petróleo é Nosso’ foi mais do que uma campanha, foi uma batalha. Olha aí o século 20 de volta

A pressão para que seja retirada da Petrobras a exclusividade como operadora dos poços no pré-sal começa a aumentar e, em breve, deverá ser muito forte. Interesses estrangeiros e brasileiros convergem nesse sentido, excitados pela simultânea comprovação de êxito na exploração do pré-sal e enfraquecimento da empresa, com perda de força política e de apoio público. Mas o objetivo final da ofensiva é que a Petrobras deixe de ter participação societária (mínima de 30%) nas concessionárias dos poços por ela operados.

Como o repórter Pedro Soares já relatou na Folha, a Petrobras está extraindo muito mais do que os 15 mil barris diários por poço, previstos nos estudos de 2010. A média da produção diária é de 25 mil barris em cada um dos 17 poços nos campos Lula e Sapinhoá, na Bacia de Santos (de São Paulo ao Espírito Santos). Perto de 70% mais.

Não é à toa que, se a Petrobras perde a confiança de brasileiros, ganha a da China, que a meio da semana concedeu-lhe US$ 3,5 bilhões em empréstimo com as estimulantes condições do seu Banco de Desenvolvimento.

O senador José Serra já apresentou um projeto para retirada da exclusividade operativa da Petrobras nos poços. Justifica-o como meio de apressar a recuperação da empresa e de aumentar a produção de petróleo do pré-sal, que, a seu ver, a estatal não tem condições de fazer: “Se a exploração ficar dependente da Petrobras, não avançará”.

A justificativa não se entende bem com a realidade comprovada. Mas Serra invoca ainda a queda do preço internacional do petróleo como fator dificultante para os custos e investimentos necessários às operações e ao aumento da produção pela Petrobras. Mesmo como defensor do fim da exclusividade, Jorge Camargo, ex-diretor da estatal e presidente do privado Instituto Brasileiro do Petróleo, disse a Pedro Soares que “a queda do [preço do] petróleo também ajuda a reduzir o custo dos investimentos no setor, pois os preços de serviços e equipamentos seguem a cotação do óleo”. E aquele aumento da produtividade em quase 70% resulta na redução do custo, para a empresa, de cada barril extraído.

O tema pré-sal suscita mais do que aparenta. As condições que reservaram para a Petrobras posições privilegiadas não vieram só das fórmulas de técnicos. Militares identificaram no pré-sal fatores estratégicos a serem guarnecidos por limitações na concessão das jazidas e no domínio de sua exploração. A concepção de plena autoridade sobre o pré-sal levou, inclusive, ao caríssimo projeto da base que a Marinha constrói em Itaguaí e à compra/construção do submarino nuclear e outros.

Há 60 anos e alguns mais, “O Petróleo é Nosso” foi mais do que uma campanha, foi uma batalha. Olha aí o século 20 de volta.

* Jornalista, colunista da Folha de São Paulo.

Publicado na FSP: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/214736-de-olho-no-oleo.shtml
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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Safra 2015/16: insumos vão ficar mais caros, por causa do dólar.

Richard Jakubaszko
Entrevistei no Portal DBO o diretor executivo da Andef, Eduardo Daher, sobre a questão da subida de preços dos insumos, especialmente os agroquímicos, para a próxima safra.
Daher, como sempre, mostra excepcional poder de comunicação para explicar a problemática de forma objetiva e simples.

O Portal DBO entra em nova e dinâmica fase, agora abordando todos os temas de agricultura, pecuária de corte e leite, sob a liderança do jornalista Sérgio Oliveira, secundado pela Marcela Caetano, e com apoio de toda a enorme equipe de jornalistas especializados no agronegócio da DBO Editores. O link para você acompanhar o Portal DBO, agora também com TV pela internet, é www.portaldbo.com.br 
Vale a pena assistir ao vídeo abaixo:

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quinta-feira, 9 de abril de 2015

Terceirização ou o fim da CLT?

Richard Jakubaszko
Com a aprovação (estranhíssima, foi assim,  a jato...) parcial do projeto de lei da terceirização na Câmara dos Deputados, há previsões de que se pode decretar o fim da CLT. Esse projeto de lei tramitava há 11 anos, foi desengavetado, digamos, de repente.
Nos próximos dias teremos votações adicionais em plenário, ainda pelos deputados federais, e, depois, o que for aprovado será encaminhado ao Senado. Evidentemente que o Senado incluirá adendos e vai retirar algumas propostas já aprovadas, e o PL voltará à Câmara para ser votado. Depois, vai para a sanção ou veto da presidente Dilma Rousseff. Óbvio ululante que será discussão e debate polêmico pra mais de ano, pior do que foi o Código Florestal, até porque os sindicalistas e mesmo as esquerdas ainda não entenderam e nem absorveram o tamanho da encrenca que vem aí pela frente.
O Congresso vai discutir, com a terceirização, a redução de impostos e encargos sobre a folha de pagamentos, os deveres e obrigações das empresas. Os trabalhadores perderão direitos conquistados, porque serão terceirizados.

Assume-se na terceirização da CLT brasileira a filosofia neoliberal de Margareth Thatcher, que foi moda e acabou faz 20 anos. Como sempre, o Brasil entra atrasado nesse modismo.
Era necessário modernizar a legislação trabalhista, desonerar a folha de pagamentos, mas acho que os deputados perderam o pé do estribo.

A partir do momento em que a sociedade despertar para as implicações da nova lei, e antes da sanção ou veto da presidente, teremos muitas manifestações de ruas, e pedidos nas redes sociais, de "Veta, Dilma!".
Quem viver, e sobreviver, verá!
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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Gilmar Mendes é denunciado por impedir andamento de ação

Richard Jakubaszko
Será que o Senado vai pedir ao ministro Gilmar Mendes para que ele decline seu voto na ADIN que ele anda dando vista faz 1 ano? O tempo dirá...

O ministro finge que não sabe que o placar da votação está em 6 x 1... O julgamento não se encerra, porque Gilmar pediu vista e impede a proclamação da votação. Muito democrático e republicano isso...

O grupo Brigadas Populares protocolou ação no Senado Federal pelo crime de responsabilidade contra o ministro
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi denunciado por postergar, há mais de 1 ano, a conclusão do julgamento de ação que pede o fim do financiamento empresarial de campanha.

O grupo Brigadas Populares protocolou, na quarta-feira (1º), uma ação no Senado Federal pelo crime de responsabilidade contra o ministro. A entidade fundamenta a denúncia na Lei 1.079/50, que estabelece crime de responsabilidade, cometido por ministros do STF, “ser patentemente desidioso no cumprimento dos deveres do cargo”.

Segundo a ação, Gilmar Mendes descumpre também seu dever de magistrado, previsto na Lei Orgânica da Magistratura. “Não exceder injustificadamente os prazos para sentenciar ou despachar”, define o art. 35, II.

A denúncia judicial questiona a interrupção, com um pedido de vistas, do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4650), proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil (AOB). O processo pede que seja declarado inconstitucional o financiamento empresarial de campanhas eleitorais.

“A razão está clara para o Brasil inteiro: o Ministro Gilmar prolonga deliberadamente o pedido de vista, motivado por preferências pessoais e segundo uma estratégia ilegal e antidemocrática de obstrução da decisão tomada pela maioria do STF”, afirma a organização Brigadas Populares, em nota publicada em seu site oficial.

O texto afirma ainda que a estratégia do ministro é aguardar um desfecho para a questão da “atual composição conservadora do Congresso Nacional”, que pretende incluir na Constituição o “retrocesso” de permitir as doações de empresas a partidos e campanhas eleitorais.

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segunda-feira, 6 de abril de 2015

Humor: operação tapa-buracos no Tocantins

Richard Jakubaszko
O Tocantins é outro Brasil...

Como tem mais estradas de terra, onde as chuvas fazem estragos, o governo do Tocantins tapa os buracos das estradas de terra, com asfalto...
Um pouco de humor que ninguém de ferro...
Periga asfaltar o estado inteiro nessa operação "tapa-buracos"...
As fotos "falam" do humor tocantinense, que é deveras sutil...

O press release que recebi tinha pompa e circunstância:
(Vai grafado em itálico e em azul, pra que vc leitor não confunda, pois não fui eu que escrevi...)
"Estado realiza obras emergenciais em rodovias na região do Bico do Papagaio"
Secom
A população da região do Bico do Papagaio, no norte do Estado, vai ser beneficiada com obras emergenciais de tapa-buracos em 326,70 km de rodovias estaduais ainda nesse semestre, o que vai facilitar a escoação da produção de grãos, pecuária e a locomoção dos moradores. Já a partir do meio do ano, por meio do Contrato de Reabilitação e Manutenção de Rodovias (Crema) com o Banco Mundial, será realizado um trabalho mais ostensivo em 375,5 km, totalizando mais de 700 km de rodovias recuperadas.

Em recente viagem a região, o governador Marcelo Miranda destacou a atenção que será dada para o norte tocantinense. No Bico do Papagaio, por meio de ação emergencial do Departamento de Estradas de Rodagem (Dertins), estão atuando três frentes de trabalho, que nos próximos 15 dias concluem a recuperação de 51 km de rodovias.
Em todo o Estado serão recuperados 1.200 km de rodovias com serviços de tapa-buracos. e roçagem mecanizada, com um investimento de R$ 4,4 milhões.

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domingo, 5 de abril de 2015

Cingapura – do Terceiro ao Primeiro Mundo

Marcos Sawaya Jank *
"Do terceiro ao Primeiro Mundo" é o titulo do segundo volume das memórias de Lee Kuan Yew, fundador e primeiro-ministro de Cingapura por mais de três décadas, que morreu na semana passada aos 91 anos.

Em 1965, quando Cingapura foi fundada, sua renda per capita era de US$ 400 ao ano. Cinquenta anos depois, sua renda per capita é de US$ 60 mil anuais. Essa pequena ilha equatorial – que foi um entreposto comercial britânico pobre no estreito de Malaca – sem recursos naturais, sem espaço, sem língua definida, transformou-se em uma potência mundial das finanças, comércio, eletrônicos, refinarias e serviços.

O segredo do milagre está em um tripé bastante simples idealizado por Lee: a) governo íntegro e eficiente; b) políticas econômicas favoráveis aos negócios e ao empreendedorismo; e c) disciplina, ordem social e respeito às leis. Em 50 anos, Cingapura tornou-se uma sociedade multicultural, multirracial, multirreligiosa e repleta de empresas multinacionais. Um país formado por migrantes de centenas de países, onde a diversidade é não apenas tolerada mas antes de tudo incentivada. Cingapura é hoje um dos países mais abertos do mundo para o comércio e os investimentos e para milhões de expatriados.

Um dos aspectos mais marcantes do país é o pesado investimento em educação e uma cultura de meritocracia. As escolas públicas são excelentes e muito exigentes. Chamam a atenção a qualidade e a agilidade do setor público, que adotou interessante política de salários altos para atrair os melhores talentos da sociedade, além da boa governança e um combate draconiano à corrupção. Trabalhar para o governo não deveria ser opção para pessoas despreparadas ou uma forma de sacrifício. Funcionários públicos deveriam ser escolhidos por aptidão e merecimento, com salário adequado que refletisse as melhores condições do mercado. Com princípios como esses, Lee reuniu as mentes mais brilhantes e transformou os padrões mais exigentes em um sistema de governo.

Outro aspecto marcante é a língua. Num país que nasceu há 50 anos como uma verdadeira Torre de Babel, Lee definiu que cada família optaria pela língua que quisesse, mas o inglês seria a segunda língua obrigatória de todos, ensinado desde cedo nas escolas e falado nas ruas. Em duas décadas, o inglês virou a primeira língua, com mandarim, malaio e tâmil (idioma indiano) como as demais. Óbvio que essa medida tão inteligente teve papel central na atratividade que Cingapura passou a exercer na região e no mundo.

O arquiteto de Cingapura viveu com hábitos frugais numa residência espartana, que ele pediu que fosse derrubada após sua morte, "para evitar indesejável culto à personalidade". Sua maior obra está agora visível em toda parte: Cingapura, um modelo de sociedade limpa, segura e com instituições fortes no coração do Sudeste Asiático, formada por uma espetacular mistura das grandes culturas ocidentais e orientais.

Seu velho amigo, Henry Kissinger, resumiu: "Lee não era sedutor nem bajulador. Ele sempre colocava claramente o seu ponto de vista, com força e inteligência, não para pedir uma ação específica, mas para realmente traduzir a essência do mundo em que vivemos".

Na mesma linha, sua grande admiradora Margaret Thatcher disse: "Li e analisei cada discurso de Lee Kuan Yew. Ele tem um jeito muito especial para atravessar a névoa da propaganda e expressar com singular clareza as grandes questões do nosso tempo e como enfrentá-las. Eu o admiro pela força de suas convicções, a clareza de suas percepções, a retidão de seus discursos e uma visão estratégica muito à frente do seu tempo. Ele nunca estava errado".

Pragmático e objetivo, a frase que melhor sintetiza o seu jeito de ser foi: "É muito mais importante ser correto do que politicamente correto".

Foi emocionante ver, no último final de semana, jovens e velhos esperando dez horas na fila do velório público para prestar uma última homenagem ao seu maior líder. Com flores, bandeiras e longas carta de agradecimento, sob intensa chuva, cidadãos encheram as ruas para acompanhar o cortejo fúnebre, seguido de discursos sinceros e emocionantes de familiares e colegas de jornada.

Lee Kuan Yew já tem seu lugar garantido na história, como um dos maiores estadistas do nosso tempo. No mundo globalizado em que vivemos, o Brasil precisa urgentemente de uma boa dose dos ideais e das realizações desse grande líder.



* Marcos S. Jank é especialista em questões globais do agronegócio e assumiu em 2015 a liderança de assuntos corporativos da BRF na Ásia-Pacífico, em Cingapura.
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sábado, 4 de abril de 2015

Professores estaduais de SP em greve, de novo.

Richard Jakubaszko
Você sabia disso? É que os jornais dão apenas pequenas notas... 
Então, para se informar corretamente, mude de jornal, e de TV...
A cidade de São Paulo é tão grande que mais de 60 mil professores estaduais realizaram uma enorme passeata, dia 2 de abril último, em plena avenida Paulista, desceram para a praça da República, protestaram, e a grande mídia politicamente partidarizada não destacou.

Triste país onde um professor da rede estadual de São Paulo, o estado mais rico da nação, recebe no máximo R$ 2.415,89 mensais. Por isso a greve. Querem melhores salários, pedem condições de trabalho adequadas.

Uma vergonha!

Por dia de trabalho, um professor de Educação Básica II (o que ganha mais...) recebe menos do que a quantia "aquinhoada" por uma diarista, analfabeta ou semi-alfabetizada, e sem descontos de impostos! Ou menos, porque em bairros ricos como Higienópolis ou Jardins as diaristas ganham acima de R$ 150,00 por dia de trabalho, mais refeição e ajuda de custo para transporte. As madames podem pagar...

O governo estadual não cede, a greve continua, todo ano tem greve em São Paulo. É um vexame!

Se desejamos um país melhor para nossos filhos e netos, essa hipocrisia tem de acabar, esse jeitinho politicamente correto governamental tem de mudar! O estado finge que paga um bom salário, o professor finge que ensina... E o seu filho, leitor, não finge que aprende, pois ele não aprende nada!
Não é hora de parar de fingir?
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sexta-feira, 3 de abril de 2015

Outro helicóptero apreendido, de prefeito tucano chegado a Aécio.


Richard Jakubaszko

Nos 92 municípios do Rio de Janeiro, o PSDB só elegeu 2 prefeitos em 2012. Um em Trajano de Morais (11 mil habitantes) e outro em Itaguaí (111 mil hab.). Um deles foi afastado e indiciado por associação criminosa, lavagem de dinheiro e fraude em licitações.
É o ex-prefeito de Itaguaí, Luciano Mota (PSDB), eleito com apoio direto de Aécio Neves.



Foi afastado do cargo dia 31de março último, por decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, por causa da Operação Gafanhotos da Polícia Federal, que investiga desvios na prefeitura de R$ 30 milhões por mês no SUS e dos royalties do petróleo.

O dinheiro da prefeitura para saúde saía dos cofres públicos mas não chegava no atendimento médico ao cidadão. Enquanto isso, coincidentemente, o prefeito aecista passou a andar de Ferrari, Land Rover e comprou um helicóptero, causando desconfiança e revolta na população.
A Polícia Federal (PF) apreendeu hoje (1º) os bens do ex-prefeito, incluindo o helicóptero e três carros de luxo.

Baladas
Assim como Aécio, Mota tem fama de baladeiro.
Em dezembro de 2013, uma conta de bar do ex-prefeito ficou em R$ 6.455,00.


A parte mais extravagante foi 3 garrafas de champanhe Don Pérignon, uma das mais caras do mundo. Cada garrafa custou R$ 2 mil no Miroir Club, na Lagoa, área nobre da noite carioca.
O ex-segurança de Mota, Alexandre Marques da Silva, 47 anos, gravou vídeos e testemunhou fatos e conversas sigilosas.

Por meio do material coletado pelo segurança – que foi policial militar em Itaguaí por mais de 10 anos – a Polícia Federal obteve provas e evidências do esquema de corrupção montado.
Em entrevista ao Jornal Atual, Alexandre falou da ostentação com dinheiro público, de propinas de empresários em estacionamentos de shoppings e descreve como o dinheiro circulava em porta-malas de veículos, como viajou de helicóptero para São Paulo a fim de comprar um Land Rover de R$ 580 mil e a rotina de festas, baladas e contas em boate que chegavam aos R$ 20 mil.

Você viu esta notícia por aí, nos jornais ou nas TVs? Então mude de jornal e de TV, caso contrário vai continuar mal informado...

Publicado originalmente no blog Os amigos do presidente Lula:
http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2015/04/outro-helicoptero-apreendido-de.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:+blogspot/Eemp+%28Os+Amigos+do+Presidente+Lula%29
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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Brasil, o país da hipocrisia.

Richard Jakubaszko
Admitamos, o Brasil é o país da hipocrisia. É, mas sempre foi assim. E sempre nos perdoamos.
Já tivemos um presidente eleito cujo símbolo publicitário era uma vassoura, para varrer a corrupção.

Já ouvimos defesa viral publicitária de outro político, que pedia votos aos eleitores, explicando que "rouba, mas faz". Gerou filhotes este mote...
Já tivemos político eleito presidente com promessa de acabar com os marajás, ele próprio um marajá que foi depois devidamente impilchado do poder.

Até hoje ouvimos nas TVs e lemos nos jornais que houve uma "revolução" neste país em 1964, como eufemismo para o golpe civil-militar que durou 21 anos, e a mídia hipocritamente diz que foi uma "ditabranda".
Admitamos, o Brasil ama o "me engana que eu gosto". Prostituta tem orgasmos, e traficante é dependente.

Neste país, um de nossos heróis mais cultuados é Macunaíma, mau caráter típico, e confesso.
No judiciário, juízes condenam sem provas, porque a literatura assim o permite.
Outro juiz prende uma agente de trânsito, que o flagrou em delito, acusa a agente de desacato, e um segundo juiz condena a agente a pagar multa a título de indenização moral.
Juízes do STF condenam acusados, sem provas, por "domínio do fato", pois "tinham de saber".

Neste país, um ex-condenado por corrupção, liberto de pena porque atenuada por delação, agora de novo preso por reincidência, faz "delação premiada" ao mesmo juiz de antes, e sua palavra vale mais do que a de cidadãos livres.

Neste país, campeão internacional da hipocrisia, um juiz federal escreve artigo em jornais preconizando ação de flagrante inconstitucionalidade, para prender "suspeitos", antes mesmo de provar a culpabilidade. Não existe mais, conforme a opinião do juiz, "presunção da inocência". Coitada da Constituição!

Neste país, as leis são para todos, menos para aqueles que não são iguais.
Neste país, juiz do STF pede "vista" num processo já parcialmente votado e decidido, em placar parcial de 6 votos a favor da inconstitucionalidade, e 1 contra, uma ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade) para acabar com doações de empresas corruptas a partidos políticos corruptos, mas o ministro, depois de 1 ano, nem tchum para a corrupção, ou seja, não vota, não fala nada, esquece que seu voto, diante do placar existente, é moral. Como ele é contra, e é voto perdido, espera que o Congresso tome uma decisão por ele.

Agora, a mais nova hipocrisia institucional brasileira: o ministro Gilmar Mendes, um ex-presidente do STF, é o autor. Travou a votação da ADIN com seu pedido de "vista". Faz mais de doze meses...

Devolve a ADIN, ministro Gilmar, e vote como quiser, aí a gente vai saber se de fato o seu voto é para acabar com a corrupção, ou se é para continuar, oficializando a corrupção e a hipocrisia, para que todos nós nos locupletemos.

Sai do armário, ministro Gilmar, hipocrisia explícita, não!


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quarta-feira, 1 de abril de 2015

SOS: devolve Gilmar!

Richard Jakubaszko
Afinal, o ministro Gilmar Mendes pode desrespeitar o STF? Por que ele não devolve a ação da OAB, da qual pediu vistas há mais de 1 ano, quando o placar estava 6 x 1? Aqui no blog, em dezembro de 2014, publiquei post sobre essa questão, eram os meus desideratos para 2015, e o pedido de devolução era o 2º mais importante, antecedido por "chover no Cantareira":  http://richardjakubaszko.blogspot.com.br/2014/12/meus-desideratos-para-2015.html

Antes disso, em novembro, já tinha pedido, em outro post, para Gilmar Mendes devolver, e nada até agora:  http://richardjakubaszko.blogspot.com.br/2014/11/devolve-gilmar.html
SOS: Devolve Gilmar!

O presidente do STF, Ricardo Lewandoswky, já pediu a devolução ao plenário dessa ADIN, mas Gilmar Mendes não se manifesta no STF, apesar de dar declarações à imprensa do direcionamento do seu voto.
Queremos acabar com a corrupção política? Pois o primeiro passo é acabar com as doações de empresas aos partidos, o Brasil inteiro quer isso!
O ministro Gilmar Mendes vai ficar impune?
A imprensa vai continuar muda e calada?

Gilmar, devolve!
Será que Gilmar Mendes não quer acabar com a corrupção no Brasil? É isso ministro?
Qual é a sua explicação para essa demora, ministro Gilmar Mendes? Tem alguma?
Apenas pense, ministro Gilmar Mendes: como imagina sua imagem futura na história do judiciário brasileiro, depois de 2 Habeas Corpus em menos de 24 horas em favor do banqueiro condenado, ou depois de 1 ano "sentado" em cima nessa ADIN?
Sai daí ministro!
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