Richard Jakubaszko
Mais memes criativo sobre o coronavírus:
sexta-feira, 20 de março de 2020
quinta-feira, 19 de março de 2020
Sexo na mesa da cozinha
Richard Jakubaszko
Acabei de ler o livro que tem o título em destaque neste post. Escrito por um professor da Universidade da Califórnia, Norman C. Ellstrand, catedrático em fisiologia das plantas, o autor esbanja ironia (e humor para americanos) para nos explicar que todos os vegetais "fazem sexo" com fins reprodutivos.
Não ficou claro pra mim a quais leitores Ellstrand pretendia atingir ao escrever a obra. A especialistas em fisiologia das plantas, com quase toda a certeza não. Mas a leigos a leitura de "Sexo na mesa da cozinha" pode se transformar quase em pesadelo, especialmente porque é um livro técnico e específico que foca em problemas únicos como as particularidades de reprodutibilidade de algumas culturas como beterraba branca, banana, abacate, tomate, canola, abóbora e milho, sempre com diversas citações bibliográficas. Entre uma e outra observação, o autor sempre demonstra as "dificuldades sexuais" dessas plantas para se reproduzirem, mesmo quando o método usado pela natureza para espalhar o pólen enviado pelos vegetais machos, considerando que a planta fêmea receptora esteja a 1 km ou mais de distância. Não chamaria a isso de sexo.
Em alguns capítulos, mas especialmente nos de milho e canola, Ellstrand comenta sobre os melhoramentos genéticos de plantas OGMs, sem deixar clara a sua posição, se é a favor ou contra, ou até mesmo de cautela, pois mantém confortável equidistância acadêmica, e aí é uma no cravo e outra na ferradura. O autor relata algumas opiniões de pânicos milenaristas apocalípticos divulgados por biólogos e ambientalistas, por exemplo, de que parentes silvestres dessas plantas ficariam com resistência aos mesmos herbicidas utilizados nas plantações comerciais. Confesso que nunca entendi essa crítica dos ambientalistas em relação aos OGMs, será que eles recomendariam o uso de glifosato para controle de milhos silvestres? Só se for, principalmente no caso específico do milho, que tem polinização cruzada com outras plantas, da possibilidade de um milho OGM transferir suas características para outras plantas silvestres, que não o milho. Mas que importância teria isso, seja agronômica ou econômica? Se alguém tem uma opinião bem clara e definida sobre isso, por favor comente e me esclareça, pois sou um mero jornalista especializado em agricultura que tive minha curiosidade pela leitura do livro diante do inusitado título.
O título do livro é inovador, criativo até, e pode chamar a atenção de estudantes de agronomia e biologia, apesar de não refletir a realidade do mundo vegetal. A certeza que fica é que Ellstrand segue à risca o aforismo de um amigo, citado por ele, que diz "Salve o mundo enquanto se diverte". Foi o que Ellstrand fez ao escrever esse intrigante e instigante livro, e nos finais de alguns capítulos exibe orgulhoso seus talentos culinários fornecendo exclusivas e domésticas receitas de saladas, panquecas, fritadas e outros pratos à base de legumes, frutas e vegetais.
O livro, com 299 pg, foi publicado no Brasil pela Editora Unesp, e pode ser adquirido pelos interessados através do e-mail atendimento.editora@unesp.br
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Acabei de ler o livro que tem o título em destaque neste post. Escrito por um professor da Universidade da Califórnia, Norman C. Ellstrand, catedrático em fisiologia das plantas, o autor esbanja ironia (e humor para americanos) para nos explicar que todos os vegetais "fazem sexo" com fins reprodutivos.Não ficou claro pra mim a quais leitores Ellstrand pretendia atingir ao escrever a obra. A especialistas em fisiologia das plantas, com quase toda a certeza não. Mas a leigos a leitura de "Sexo na mesa da cozinha" pode se transformar quase em pesadelo, especialmente porque é um livro técnico e específico que foca em problemas únicos como as particularidades de reprodutibilidade de algumas culturas como beterraba branca, banana, abacate, tomate, canola, abóbora e milho, sempre com diversas citações bibliográficas. Entre uma e outra observação, o autor sempre demonstra as "dificuldades sexuais" dessas plantas para se reproduzirem, mesmo quando o método usado pela natureza para espalhar o pólen enviado pelos vegetais machos, considerando que a planta fêmea receptora esteja a 1 km ou mais de distância. Não chamaria a isso de sexo.
Em alguns capítulos, mas especialmente nos de milho e canola, Ellstrand comenta sobre os melhoramentos genéticos de plantas OGMs, sem deixar clara a sua posição, se é a favor ou contra, ou até mesmo de cautela, pois mantém confortável equidistância acadêmica, e aí é uma no cravo e outra na ferradura. O autor relata algumas opiniões de pânicos milenaristas apocalípticos divulgados por biólogos e ambientalistas, por exemplo, de que parentes silvestres dessas plantas ficariam com resistência aos mesmos herbicidas utilizados nas plantações comerciais. Confesso que nunca entendi essa crítica dos ambientalistas em relação aos OGMs, será que eles recomendariam o uso de glifosato para controle de milhos silvestres? Só se for, principalmente no caso específico do milho, que tem polinização cruzada com outras plantas, da possibilidade de um milho OGM transferir suas características para outras plantas silvestres, que não o milho. Mas que importância teria isso, seja agronômica ou econômica? Se alguém tem uma opinião bem clara e definida sobre isso, por favor comente e me esclareça, pois sou um mero jornalista especializado em agricultura que tive minha curiosidade pela leitura do livro diante do inusitado título.
O título do livro é inovador, criativo até, e pode chamar a atenção de estudantes de agronomia e biologia, apesar de não refletir a realidade do mundo vegetal. A certeza que fica é que Ellstrand segue à risca o aforismo de um amigo, citado por ele, que diz "Salve o mundo enquanto se diverte". Foi o que Ellstrand fez ao escrever esse intrigante e instigante livro, e nos finais de alguns capítulos exibe orgulhoso seus talentos culinários fornecendo exclusivas e domésticas receitas de saladas, panquecas, fritadas e outros pratos à base de legumes, frutas e vegetais.
O livro, com 299 pg, foi publicado no Brasil pela Editora Unesp, e pode ser adquirido pelos interessados através do e-mail atendimento.editora@unesp.br
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terça-feira, 17 de março de 2020
segunda-feira, 16 de março de 2020
A última imbecilidade dos ambientalistas...
Richard Jakubaszko
O economista e ex-deputado federal Luiz Antonio Fayet * enviou-me e-mail recebido do Comandante Mathuiy, da Marinha do Brasil, sobre proposta feita por ambientalistas da Dinamarca, Alemanha e França. A proposta tem ares de seriedade e "objetivos nobres", como a de reduzir a emissão de gases de efeito estufa (GEE), o conhecido CO2, e que registra mais uma imbecilidade dos ativistas verdes europeus, na forma de tarifa não alfandegária para restringir nossas exportações.
Depois do e-mail do Comandante Mathuiy, que reproduzo a seguir, há a resposta de Fayet ao Comandante.
Redução da velocidade das embarcações ISWG-GHG7/2/9 e 7/2/20 - Dinamarca, França e Alemanha
Prezadas e prezados,
Transmito apenso dois documentos submetidos pela Dinamarca, França e Alemanha para a próxima reunião do Grupo de Trabalho interssessional sobre GHG (ISWG-GHG7, de 23 a 27/MAR), que antecederá o Comitê de Proteção ao Meio Ambiente Marinho (MEPC75, de 30 a 03/ABR).
Como é do conhecimento de todos este ano e no próximo deverão ser adotadas as medidas de curto prazo para a redução das emissões de CO2, a fim de serem implementadas a partir de 2023. Nesse contexto, conforme aprovado no MEPC74, as medidas devem ser baseadas em metas e não em medidas prescritivas. Dependendo da meta estabelecida, possivelmente a única forma de atingi-la será com a redução da velocidade, uma vez que a otimização já é praticada na maioria das vezes para reduzir o consumo de combustível e consequentemente o custo do frete.
O documento ISWG-GHG 7/2/9 apresenta a proposta de redução gradual de emissões de CO2 individual por navio até atingir o limite de 40% em 2030, de modo a atingir a meta global de redução de CO2 prevista na Estratégia Inicial de redução de GHG da IMO. O Documento ISWG-GHG 7/2/20 traz um estudo com avaliação de impacto para os países.
Nessa avaliação, faz uma análise particularizando alguns países da América do Sul (Argentina, Brasil, Chile e Peru) para o caso da redução de velocidade, com fulcro nas metas propostas no ISWG-GHG 7/2/9. O resultado da análise de impacto para esses países é de que o impacto potencial seria muito baixo ou baixo.
Esse resultado contraria a argumentação do Brasil de que devido as peculiaridades das nossa exportações (volume, baixo valor agregado e grandes distâncias dos mercados consumidores) a redução de velocidade poderia desbalancear o mercado ou até mesmo aumentar a emissão de GHG, pois em casos extremos seria necessário aumentar o número de navios para atender a demanda do mercado.
A resposta de Fayet:
Comandante Mathuiy:
(Capitão de Mar e Guerra(RM1 - Ajudante da Divisão de Coordenação para os Assuntos da IMO - Estado-Maior da Armada)
Inicialmente agradeço a atenção e o esforço para evitar mais esta barreira não tarifária às nossas exportações, sobre o que agrego mais duas contribuições.
1 – O mundo tem uma dificuldade crescente em atender a demanda de alimentos, pois em 1950 éramos perto de 2,5 bilhões de habitantes e, provavelmente, chegaremos a 10 bilhões até 2060. Cerca de 80% de nossas exportações de soja tem como destino a Ásia, onde não existem mais áreas adequadas para produzir = clima + solos.
Para parametrizar, lembro que Índia + China soma uma população de aproximadamente 13 vezes a do Brasil, razão pela qual estão buscando acordos conosco. Será que eles perceberam que vão pagar esta conta na alimentação básica?
2 – Conforme sua observação e, confrontando a tabela abaixo, os números são gigantescos. Como mero exercício, tendo em vista as características dos montantes e fluxos, se reduzirmos pela metade a velocidade das embarcações, teríamos que duplicar o número delas, o que daria no mesmo, ou até seria pior, quando consideramos operações complementares de atracação, etc.
Custei a acreditar que existia a proposta, que só no exemplo abaixo representaria perto de 125 milhões/t/a, as quais somadas a mais de 400 milhões/t/a de minério de ferro, ultrapassa meio bilhão de toneladas.
Mas quero adicionar outro detalhe: uma tonelada de soja no portão de um terminal portuário brasileiro vale cerca de 350 dólares, assim, cada milhão/t vale 350 milhões de dólares ou aproximadamente R$ 1,4 bilhões de riqueza gerada aqui dentro pelas nossas cadeias produtivas, tendo um índice de conteúdo nacional da ordem de 90%. Como exportamos 100 milhões/t/a somente de soja, significam neste mero exemplo uma riqueza de R$ 140 bilhões/ano, para um país com tantos problemas sociais.
Será que nós podemos aceitar?
Reiterando os agradecimentos, peço escusas pela indignação e me coloco à disposição.
Luiz Antonio Fayet da CNA
O economista e ex-deputado federal Luiz Antonio Fayet * enviou-me e-mail recebido do Comandante Mathuiy, da Marinha do Brasil, sobre proposta feita por ambientalistas da Dinamarca, Alemanha e França. A proposta tem ares de seriedade e "objetivos nobres", como a de reduzir a emissão de gases de efeito estufa (GEE), o conhecido CO2, e que registra mais uma imbecilidade dos ativistas verdes europeus, na forma de tarifa não alfandegária para restringir nossas exportações.
Depois do e-mail do Comandante Mathuiy, que reproduzo a seguir, há a resposta de Fayet ao Comandante.
Redução da velocidade das embarcações ISWG-GHG7/2/9 e 7/2/20 - Dinamarca, França e Alemanha
Prezadas e prezados,
Transmito apenso dois documentos submetidos pela Dinamarca, França e Alemanha para a próxima reunião do Grupo de Trabalho interssessional sobre GHG (ISWG-GHG7, de 23 a 27/MAR), que antecederá o Comitê de Proteção ao Meio Ambiente Marinho (MEPC75, de 30 a 03/ABR).
Como é do conhecimento de todos este ano e no próximo deverão ser adotadas as medidas de curto prazo para a redução das emissões de CO2, a fim de serem implementadas a partir de 2023. Nesse contexto, conforme aprovado no MEPC74, as medidas devem ser baseadas em metas e não em medidas prescritivas. Dependendo da meta estabelecida, possivelmente a única forma de atingi-la será com a redução da velocidade, uma vez que a otimização já é praticada na maioria das vezes para reduzir o consumo de combustível e consequentemente o custo do frete.
O documento ISWG-GHG 7/2/9 apresenta a proposta de redução gradual de emissões de CO2 individual por navio até atingir o limite de 40% em 2030, de modo a atingir a meta global de redução de CO2 prevista na Estratégia Inicial de redução de GHG da IMO. O Documento ISWG-GHG 7/2/20 traz um estudo com avaliação de impacto para os países.
Nessa avaliação, faz uma análise particularizando alguns países da América do Sul (Argentina, Brasil, Chile e Peru) para o caso da redução de velocidade, com fulcro nas metas propostas no ISWG-GHG 7/2/9. O resultado da análise de impacto para esses países é de que o impacto potencial seria muito baixo ou baixo.
Esse resultado contraria a argumentação do Brasil de que devido as peculiaridades das nossa exportações (volume, baixo valor agregado e grandes distâncias dos mercados consumidores) a redução de velocidade poderia desbalancear o mercado ou até mesmo aumentar a emissão de GHG, pois em casos extremos seria necessário aumentar o número de navios para atender a demanda do mercado.
A resposta de Fayet:
Comandante Mathuiy:
(Capitão de Mar e Guerra(RM1 - Ajudante da Divisão de Coordenação para os Assuntos da IMO - Estado-Maior da Armada)
Inicialmente agradeço a atenção e o esforço para evitar mais esta barreira não tarifária às nossas exportações, sobre o que agrego mais duas contribuições.
1 – O mundo tem uma dificuldade crescente em atender a demanda de alimentos, pois em 1950 éramos perto de 2,5 bilhões de habitantes e, provavelmente, chegaremos a 10 bilhões até 2060. Cerca de 80% de nossas exportações de soja tem como destino a Ásia, onde não existem mais áreas adequadas para produzir = clima + solos.
Para parametrizar, lembro que Índia + China soma uma população de aproximadamente 13 vezes a do Brasil, razão pela qual estão buscando acordos conosco. Será que eles perceberam que vão pagar esta conta na alimentação básica?
2 – Conforme sua observação e, confrontando a tabela abaixo, os números são gigantescos. Como mero exercício, tendo em vista as características dos montantes e fluxos, se reduzirmos pela metade a velocidade das embarcações, teríamos que duplicar o número delas, o que daria no mesmo, ou até seria pior, quando consideramos operações complementares de atracação, etc.
Custei a acreditar que existia a proposta, que só no exemplo abaixo representaria perto de 125 milhões/t/a, as quais somadas a mais de 400 milhões/t/a de minério de ferro, ultrapassa meio bilhão de toneladas.
Mas quero adicionar outro detalhe: uma tonelada de soja no portão de um terminal portuário brasileiro vale cerca de 350 dólares, assim, cada milhão/t vale 350 milhões de dólares ou aproximadamente R$ 1,4 bilhões de riqueza gerada aqui dentro pelas nossas cadeias produtivas, tendo um índice de conteúdo nacional da ordem de 90%. Como exportamos 100 milhões/t/a somente de soja, significam neste mero exemplo uma riqueza de R$ 140 bilhões/ano, para um país com tantos problemas sociais.
Será que nós podemos aceitar?
Reiterando os agradecimentos, peço escusas pela indignação e me coloco à disposição.
Luiz Antonio Fayet da CNA
* Fayet foi deputado federal nos anos 1980, antes disso foi presidente do
Badep, Bco. de Desenvolvimento do Paraná, e nos anos 1980 e 1970
participou de vários ministérios como especialista em infraestrutura e
logística. Hoje Fayet é consultor da CNA nessa área.
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sábado, 14 de março de 2020
sexta-feira, 13 de março de 2020
Empresários pagam para insuflar golpe e fica tudo impune?
Fernando Brito *
Do Estadão (11/03/2020)
Há vã, se é que me entendem, esperança de que isso vá produzir resultados.
Se os autores estão identificados e o crime continua sendo cometido, onde estão as buscas e apreensões, as prisões preventivas?
Os sujeitos podem seguir livremente pagando mídia anônima para subverter a ordem constitucional?
* o autor é jornalista, editor do blog Tijolaço.
Publicado em http://www.tijolaco.net/blog/empresarios-pagam-para-insuflar-golpe-e-fica-tudo-impune/
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Do Estadão (11/03/2020)
O inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) aberto para investigar fake news identificou empresários bolsonaristas que estariam financiando ataques contra ministros da Corte nas redes sociais. O Estado apurou que as investigações estão adiantadas e atingem até mesmo sócios de empresas do setor de comércio e serviços, todos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.
Embora o inquérito, que tramita sob sigilo, seja destinado a investigar ameaças, ofensas e calúnias dirigidas a ministros do STF e suas famílias, as informações são de que o mesmo grupo de empresários também está ajudando a convocar os atos do próximo domingo, tendo como alvo o Congresso e o Judiciário.
O custo dos ataques virtuais pode chegar a R$ 5 milhões por mês. As apurações indicam que esses empresários bancam despesas com robôs – programas de computador que podem ser usados para fazer postagens automáticas nas redes – e produção de material destinado a insultar e constranger opositores de Bolsonaro nas mídias digitais.
Se os autores estão identificados e o crime continua sendo cometido, onde estão as buscas e apreensões, as prisões preventivas?
Os sujeitos podem seguir livremente pagando mídia anônima para subverter a ordem constitucional?
* o autor é jornalista, editor do blog Tijolaço.
Publicado em http://www.tijolaco.net/blog/empresarios-pagam-para-insuflar-golpe-e-fica-tudo-impune/
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quinta-feira, 12 de março de 2020
O PIB do Brasil visto sob 3 óticas diferentes
Richard Jakubaszko
A internet continua crítica e bem-humorada, por vezes marvada...
Olha o que se está falando sobre o PIB do Brasil, conforme a ótica de origem...
Evidentemente que o ministro Guedes vai colocar a culpa do pibinho nas costas do coronavírus. Qual é a sua aposta?
A internet continua crítica e bem-humorada, por vezes marvada...
Olha o que se está falando sobre o PIB do Brasil, conforme a ótica de origem...
Evidentemente que o ministro Guedes vai colocar a culpa do pibinho nas costas do coronavírus. Qual é a sua aposta?
quarta-feira, 11 de março de 2020
Elementar, no Brasil se paga mais impostos que nos EUA ou França.
Carlos Eduardo Florence *
Somente para complementar a nossa conversa no último alhoafetivo(**), encaminho estudo, que considero robusto e oportuno, sobre a distribuição e incidência da carga tributária pelas referidas fontes.
Cabe ressaltar somente que no caso do Brasil o imposto de renda contribui somente com 18,3% e o consumo com 49,7%.
No caso do EUA a renda é afetada em 49,1% e o consumo somente 17,0%.
Não preciso ensinar o padre nosso aos competentes confrades, mas esta distorção é altamente prejudicial exatamente às classes que têm rendimentos menores.
O mais fica para a próxima temporada do alhoafetivo.
NOTA DO BLOGUEIRO:
** alhoafetivo é um almoço tradicional de que participo mensalmente com vários amigos do agro, entre eles o economista Carlos Eduardo Florence, autor deste post. O ágape é para que amigos se encontrem, confraternizem, e falem mal da vida alheia à vontade, mas também se discute futebol, literatura, idiossincrasias humanas, humor, agricultura, política, economia... O tema acima, sobre impostos, foi causa de uma polêmica ardente no almoço mais recente, de fevereiro.
* o autor é economista, blogueiro, escrevinhador, e diretor-executivo da AMA – Associação dos Misturadores de Adubos.
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Somente para complementar a nossa conversa no último alhoafetivo(**), encaminho estudo, que considero robusto e oportuno, sobre a distribuição e incidência da carga tributária pelas referidas fontes.
Cabe ressaltar somente que no caso do Brasil o imposto de renda contribui somente com 18,3% e o consumo com 49,7%.
No caso do EUA a renda é afetada em 49,1% e o consumo somente 17,0%.
Não preciso ensinar o padre nosso aos competentes confrades, mas esta distorção é altamente prejudicial exatamente às classes que têm rendimentos menores.
O mais fica para a próxima temporada do alhoafetivo.
** alhoafetivo é um almoço tradicional de que participo mensalmente com vários amigos do agro, entre eles o economista Carlos Eduardo Florence, autor deste post. O ágape é para que amigos se encontrem, confraternizem, e falem mal da vida alheia à vontade, mas também se discute futebol, literatura, idiossincrasias humanas, humor, agricultura, política, economia... O tema acima, sobre impostos, foi causa de uma polêmica ardente no almoço mais recente, de fevereiro.
* o autor é economista, blogueiro, escrevinhador, e diretor-executivo da AMA – Associação dos Misturadores de Adubos.
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terça-feira, 10 de março de 2020
Corona: aviso aos navegantes
Richard Jakubaszko
O principal é a higiene, lave as mãos com sabão sempre que tocar em algum objeto utilizado por outros, seja maçaneta de porta, de carro ou de casa, no escritório, ou se cumprimentar alguém. Aliás, na Itália, as autoridades médicas pedem para as pessoas abolirem esse hábito, nada de apertar as mãos, nem tapinha nas costas, todo mundo entende a legítima preocupação. Beijinhos, menos ainda!
Fazer higiene diariamente das narinas e garganta com água e sal, uma colherinha de chá em copo de 250 ml é suficiente.
Evite ar condicionado no táxi, no carro de aplicativo, ônibus e metrô, shoppings, e cinemas, critique as lojas e supermercados que deixam o ar condicionado ligado, pois esses aparelhos têm a propriedade de espalhar o vírus com mais facilidade. Se não há condições de desligar o ar condicionado, use máscara, pode não ser 100% seguro, mas ajuda muito. Mas lembre-se: a máscara funciona por no máximo duas horas, depois disso, troque a máscara.
Use álcool gel (70º) é importante (ou álcool hospitalar). Duro é aguentar os catastrofistas apocalípticos que afirmam que álcool gel não funciona, as autoridades médicas têm de se posicionar a respeito, não é possível que as fake news continuem a se espalhar impunemente.
Mantenha alimentação equilibrada, com o consumo de frutas, especialmente cítricas, e carnes vermelhas, pois isso ajuda a manter o organismo com defesas em dia, o que resultaria em recuperação mais rápida se contrair o vírus.
Na verdade o Corona é um vírus de gripe mais bravo do que o normal, só isso, em crianças e jovens a mortalidade é mínima. Na média dos que contraíram a doença na China a mortalidade é ao redor de 3%, mas é muito alta entre idosos (30%), especialmente porque provoca problemas respiratórios, em destaque a pneumonia. Na Itália a média geral aumentou para quase 5% e em idosos ultrapassou os 40%, pois é um país onde há muitos idosos, propensos a desenvolver problemas respiratórios. Nestes casos, a pneumonia viral, que é difícil de combater, quase impossível, porque os antibióticos não funcionam para o controle de viroses, aí a maior arma é estar com boa alimentação, para que nosso sistema imunológico consiga resistir ao vírus.
Se ficar doente, com gripe, por exemplo, não vá trabalhar, você será escorraçado. Nesses casos tome muita água, e muita laranja e limão. Se for espirrar tenha educação, coloque as mãos à frente da boca e nariz, ou, melhor ainda, espirre na dobra do braço, na parte posterior ao cotovelo.
Saí de uma gripe forte ontem (9/3), provavelmente contraída em voo feito na quarta-feira anterior (4/3). Não tive febre, nem fui a pronto socorro, por precaução. Mas o medo, quase pânico, é constante. E vai continuar, porque meu organismo se debilitou, e se a gripe que peguei não era o Corona, agora ficou mais fácil contrair esse bicho chinês. Todo cuidado é pouco.
E que Deus nos proteja! O Corona já é uma pandemia.
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O principal é a higiene, lave as mãos com sabão sempre que tocar em algum objeto utilizado por outros, seja maçaneta de porta, de carro ou de casa, no escritório, ou se cumprimentar alguém. Aliás, na Itália, as autoridades médicas pedem para as pessoas abolirem esse hábito, nada de apertar as mãos, nem tapinha nas costas, todo mundo entende a legítima preocupação. Beijinhos, menos ainda!
Fazer higiene diariamente das narinas e garganta com água e sal, uma colherinha de chá em copo de 250 ml é suficiente.
Evite ar condicionado no táxi, no carro de aplicativo, ônibus e metrô, shoppings, e cinemas, critique as lojas e supermercados que deixam o ar condicionado ligado, pois esses aparelhos têm a propriedade de espalhar o vírus com mais facilidade. Se não há condições de desligar o ar condicionado, use máscara, pode não ser 100% seguro, mas ajuda muito. Mas lembre-se: a máscara funciona por no máximo duas horas, depois disso, troque a máscara.
Use álcool gel (70º) é importante (ou álcool hospitalar). Duro é aguentar os catastrofistas apocalípticos que afirmam que álcool gel não funciona, as autoridades médicas têm de se posicionar a respeito, não é possível que as fake news continuem a se espalhar impunemente.
Mantenha alimentação equilibrada, com o consumo de frutas, especialmente cítricas, e carnes vermelhas, pois isso ajuda a manter o organismo com defesas em dia, o que resultaria em recuperação mais rápida se contrair o vírus.
Na verdade o Corona é um vírus de gripe mais bravo do que o normal, só isso, em crianças e jovens a mortalidade é mínima. Na média dos que contraíram a doença na China a mortalidade é ao redor de 3%, mas é muito alta entre idosos (30%), especialmente porque provoca problemas respiratórios, em destaque a pneumonia. Na Itália a média geral aumentou para quase 5% e em idosos ultrapassou os 40%, pois é um país onde há muitos idosos, propensos a desenvolver problemas respiratórios. Nestes casos, a pneumonia viral, que é difícil de combater, quase impossível, porque os antibióticos não funcionam para o controle de viroses, aí a maior arma é estar com boa alimentação, para que nosso sistema imunológico consiga resistir ao vírus.
Se ficar doente, com gripe, por exemplo, não vá trabalhar, você será escorraçado. Nesses casos tome muita água, e muita laranja e limão. Se for espirrar tenha educação, coloque as mãos à frente da boca e nariz, ou, melhor ainda, espirre na dobra do braço, na parte posterior ao cotovelo.
Saí de uma gripe forte ontem (9/3), provavelmente contraída em voo feito na quarta-feira anterior (4/3). Não tive febre, nem fui a pronto socorro, por precaução. Mas o medo, quase pânico, é constante. E vai continuar, porque meu organismo se debilitou, e se a gripe que peguei não era o Corona, agora ficou mais fácil contrair esse bicho chinês. Todo cuidado é pouco.
E que Deus nos proteja! O Corona já é uma pandemia.
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segunda-feira, 9 de março de 2020
sábado, 7 de março de 2020
O avanço do retrocesso e a hidra acéfala
Três personagens vêm sendo perseguidos como os vilões responsáveis pelo desastre moral e econômico que grassa por essas plagas. São eles: o Bolsominion, o Esquerdopata e o Isentão. Nesse universo simbólico não há escapatória: todos nós estamos inevitavelmente enredados a um deles, pois a vida cotidiana é pontuada por noticiários sombrios reveladores do descontrole administrativo e despreparo intelectual dos Donos do Poder.
Somos a plateia que é escarnecida pelos atores, em uma verdadeira troca de papéis. Nos distraímos com as traquitanas tecnológicas e boletos bancários. Não refletimos que o efeito manada é o que nos impele a acompanhar a marcha da sandice, em detrimento das perguntas que não querem calar: “o que é preciso para viver bem numa sociedade humana? O que as pessoas precisam para estarem felizes e satisfeitas? O que as faz prosperar verdadeiramente?”
O livro Uma Breve História da Economia, de Niall Kishtainy, publicado pela L&PM Editores, entre as indagações de cunho filosófico, ao fazer um apanhado das diversas escolas e eruditos que surgiram ao longo dos séculos, revela que até o presente momento, todas elas e eles, sem exceção, foram e são imperfeitos e propensos a duras críticas. O fato é que não há fórmula mágica.
Esperamos, como os nossos irmãos portugueses, pelo Sebastianismo redivivo, sob nova roupagem. O que era esperança há quase duas décadas, virou poeira na onda dos acontecimentos. Os anseios por novos ares que oxigenassem o ideal republicano trouxeram à tona uma mixórdia que envolve religião, misticismo e obscurantismo. Timothy Snyder em uma pequena monografia “Sobre a Tirania” (Companhia das Letras) é resoluto: “Revolte-se contra o uso traiçoeiro de vocabulário patriótico”. Se sou honesto não preciso urrar que a honestidade é a minha bandeira. É inerente; os atos falarão por si só.
Na medida em que as falhas políticas grotescas com base no pensamento econômico errôneo se acumulam, o desastre é inevitável. O caleidoscópio que se chama Brasil navega na incerteza, cujo horizonte estampado nas manchetes é alarmante: “A economia brasileira deve encerrar a década atual com o pior desempenho já registrado em 120 anos”. Precisamos diante do caos evitar a divisão emocional. A quem aproveita a hidra de horrores acima nomeada? Como Shakespeare uma vez advertiu: “A culpa (...) não está em nossas estrelas, mas em nós mesmos, às quais estamos subordinados.”
* Alper Tadeu Alves Pereira nasceu em 1968, no Rio de Janeiro. É advogado e autor do livro Marte morreu porque os marcianos quiseram, lançado em 2019 pela Chiado Books.
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sexta-feira, 6 de março de 2020
quinta-feira, 5 de março de 2020
Bolsonaro em poesia...
Richard Jakubaszko
A poesia é ótima, baseada na postura de um cidadão que se encontra como presidente eleito, e que desonra a função. Por Affonso Romano de Sant'Anna.
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A poesia é ótima, baseada na postura de um cidadão que se encontra como presidente eleito, e que desonra a função. Por Affonso Romano de Sant'Anna.
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quarta-feira, 4 de março de 2020
domingo, 1 de março de 2020
O diálogo necessário entre agricultura e meio ambiente
Em vez do ‘nós contra eles’, é preciso compatibilizar as agendas globais do clima e da alimentação.
Os dois setores da economia brasileira com maior visibilidade global são a agricultura e o meio ambiente.
O protagonismo da agricultura brasileira se dá no comércio global de commodities agropecuárias. Nossa oferta agrícola é concentrada em produtos (cerca de uma dezena), mas diversificada em destinos, atingindo mais de 200 países e cumprindo papel crucial na segurança alimentar do planeta. Porém, fora do universo da oferta agrícola, pouca gente conhece o agro brasileiro e, no geral, o vê com desconfiança.
Já o meio ambiente brasileiro tem ampla visibilidade no mundo, principalmente por conta das preocupações com biomas sensíveis como a Amazônia e o Pantanal. Aqui o Brasil é reconhecido como potência ambiental, mas atacado pela elevada quantidade de queimadas e desmatamentos – e seu impacto na mudança do clima –, além de invasões de terras indígenas e devolutas, do crescimento de monoculturas como soja e outros supostos males.
Enquanto a opinião global sobre o agro brasileiro é restrita e localizada, no caso do meio ambiente ela é ampla e generalizada. Sabemos que boa parte das críticas negativas tem mais que ver com “percepções” do que com “fatos”, a exemplo do cenário apocalíptico que foi disseminado após as queimadas do ano passado. Mas é fato que o assunto tomou conta da opinião pública internacional e hoje está solidamente presente nos organismos multilaterais, no discurso de governos e no curriculum das escolas de ensino fundamental e médio de todo o mundo.
Nos últimos tempos o tema ambiental também entrou de vez na agenda das grandes empresas e do sistema financeiro internacional, como vimos na última reunião do Fórum Econômico Mundial, em Davos. E o Brasil perdeu protagonismo na agenda da sustentabilidade, após décadas de avanços importantes na redução do desmatamento, de compromissos com o clima e de diversificação para energias renováveis.
Infelizmente, o que temos realmente visto no nosso mundo hiperconectado é um debate de surdos do tipo “nós contra eles”, decorrente de hoje participarmos de redes sociais formadas por pessoas que basicamente pensam como a gente. Nesse sentido me parece um equívoco insistir no autoelogio para plateias limitadas e catequizadas. Ou, ainda, insistir em afirmações do tipo “somos os mais sustentáveis do mundo”, mesmo que isso fosse verdade. Eu prefiro o caminho de assumir nossos avanços e os nossos problemas com maior modéstia, encarando, sem subterfúgios, o diálogo com quem pensa de forma diferente, principalmente no exterior.
Aliás, pensar diferente não deveria ser um problema. Empresas que atuam junto aos produtores entendem melhor a realidade agrícola do que as que atuam na ponta do consumidor. No universo heterogêneo das ONGs, há várias delas que trabalham há anos com produtores rurais brasileiros e têm feito defesas impecáveis da sustentabilidade da nossa agricultura no exterior. Governos europeus criticam o Brasil nessa área muito mais do que governos asiáticos, mas são estes últimos que respondem por dois terços do que exportamos hoje e com quem mais temos de dialogar.
Em suma, o Brasil não deveria tomar posição contra o restante do mundo no tema ambiental. Ao contrário, é preciso formar alianças estratégicas em diversos níveis, reconhecer os problemas existentes, enfrentar as perguntas difíceis, ampliar o diálogo e eventualmente receber elogios dos outros, e não próprios.
Ao mesmo tempo, o setor privado do agro brasileiro precisa abraçar o combate ao desmatamento ilegal no Brasil, atacando a necessidade de regularização fundiária com critérios sólidos, condição básica para a punição dos abusos.
Na agenda internacional, o Brasil deveria liderar um esforço global para discutir como alimentar quase 10 bilhões de pessoas em 2050, metade delas vivendo na África e no subcontinente indiano. O modelo agrícola atual desses países claramente não permite solucionar o seu gap potencial entre oferta e demanda agrícola.
A melhor solução de longo prazo para mitigar as mudanças do clima é o menor uso de recursos naturais, que em última instância se traduz por aumento da produtividade. Os ambientalistas afirmam que o agro não enxerga que o desmatamento vai prejudicar a própria agricultura no longo prazo. Os agricultores dizem que os ambientalistas não entendem que o Brasil é um dos únicos lugares do mundo capazes de produzir duas a três safras por ano e que o mundo precisará do nosso modelo produtivo tropical para se alimentar. Ambos estão corretos, mas faltam confiança e cooperação.
Hoje sobram observatórios do clima e do uso da terra no mundo. Mas faltam observatórios da agricultura, que tragam respostas concretas para o gap potencial entre oferta e demanda de alimentos no longo prazo. Essa é uma questão que certamente envolve a agenda do clima, mas também envolve demografia, renda per capita, urbanização, modelos de produção e organização de cadeias de suprimentos. Envolve, portanto, o conceito de sustentabilidade nos seus pilares econômico, ambiental e social. Se houvesse maior diálogo entre esses observatórios, com certeza diminuiríamos a intolerância e a surdez que imperam no nosso mundo hiperconectado.
* o autor é professor de agronegócio global do Insper e titular da Cátedra Luiz de Queiroz da Esalq-USP.
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