quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O estado da arte do Plantio Direto no Brasil

Fernando Penteado Cardoso *
A partir dos anos 1980, o sistema de plantio direto foi aperfeiçoado e adotado progressivamente no país até ultrapassar 35 milhões de hectares. A cultura da soja, por exemplo, tem o solo quase totalmente protegido pelo sistema.A difusão do plantio direto ao longo dos últimos 30 anos deve-se, primordialmente, ao empenho dos produtores em resolver os problemas inicias do sistema. Teimaram, persistiram e conseguiram, com a devoção de alguns pioneiros incansáveis na divulgação através de eventos variados.
 
A considerar também o concurso dos fabricantes de semeadoras e a colaboração dos agrônomos, quer de atividade individual, quer participantes das cooperativas, dos órgãos públicos de pesquisa e fomento e das firmas privadas de assessoria técnica e consultoria.
 
Dispunham-se de dados isolados da adoção do sistema, dos sucessos e insucessos, mas faltava uma análise mais ampla do estado da arte dessa tecnologia, que tanto havia contribuído para controlar a erosão.
 
Quando o agrônomo André Pessoa tomou a inciativa, em 2006, de avaliar as safras antes da colheita, através de aferições nas lavouras, de acordo com modelo usado nos EUA, a Fundação Agrisus vislumbrou a oportunidade de aproveitar as visitas a campo para conferir como andava o plantio direto.
 
O projeto executado pela Agroconsult, denominado Rally da Safra, passou então a dar notas ao plantio direto nas visitas aleatórias destinadas a medir a produtividade da soja e do milho. Ao mesmo tempo foram submetidos questionários aos participantes das reuniões técnicas regionais.
 
Em 2009, além das anotações em milhares de visitas aleatórias e de centenas de questionários respondidos pelos produtores, a Agrisus contratou a coleta de amostras de terra em mais de 1.000 locais a fim de conhecer o comportamento dos nutrientes dos adubos colocados ano após ano na base de sulcos relativamente rasos, sem serem incorporados posteriormente por gradagens ou arações.
 
Dessas 8.253 observações a campo, dos 3.730 questionários respondidos e das 2.342 amostras de terra de 1.171 locais, resultaram sete Relatórios do Estado da Arte do PD no Brasil (2006 a 2012), cada um historiando os resultados anteriores, um Relatório da situação do Fósforo no ambiente do PD e um Relatório das Bases Trocáveis igualmente na mesma situação ambiental.
 
As conclusões essas pesquisas, inéditas no país, destinam-se ao conhecimento da situação atual e da evolução do sistema durante o período de estudo. Constituem um acervo precioso de dados través do qual os produtores serão estimulados a se aperfeiçoarem, enquanto entidades privadas e órgãos públicos encontrarão elementos para planejamento de suas ações.
 
A valiosa documentação, resultante da iniciativa e do apoio da Fundação Agrisus, acha-se à disposição dos interessados no site www.agrisus.org.br.

* o autor é engenheiro agrônomo, formado na turma de 1936 da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP). Entre múltiplas atividades no setor agropecuário, foi fundador e presidente da Manah S.A. e fundador e ex-presidente da Fundação Agrisus, única entidade a trabalhar exclusivamente com recursos próprios no apoio a projetos educacionais e de pesquisa voltados à melhoria e conservação do solo.
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