domingo, 19 de outubro de 2014

As chuvas, ou o caos. A dimensão da seca.

Richard Jakubaszko 
Não há opções. Ou chove, ou teremos o caos.
Político espertinho
Depois da incompetência e falta de gestão tucana em São Paulo, que vendeu a Sabesp ao mercado internacional. Depois não cumpriu acordo com os acionistas da Sabesp para sanear os encanamentos do centro velho de São Paulo (capital), por onde vaza de 40% a 60% da água tratada no sistema Cantareira. Isto desobrigou os investidores de ampliar o volume captado e de tratar mais água. O governador não manda na Sabesp, que não é mais uma empresa pública, é privada.

Com a queda do volume de chuvas vamos ao caos.
Imagine: restaurantes fechados, empresas inoperantes, desemprego, os preços dos alimentos e da água para beber ao embalo dos especuladores. A gente sem poder tomar água, sem banho, fermentando bactérias, doenças, fedores... Não é o caos?

Em minha casa, no centro de São Paulo, bairro Bela Vista, falta água todas as noites, desde fevereiro último, das 18:00 hs até 05:00 hs do dia seguinte. Denunciei isto, aqui no blog, em junho último: http://richardjakubaszko.blogspot.com.br/2014/06/alckmin-mente-sobre-racionamento-de-agua.html
São Paulo não merece isso. Mas é uma cidade inóspita para a vida humana, e vai piorar. Não há nada que esteja tão ruim que o ser humano não consiga piorar.

Dias atrás recebi do eminente engenheiro agrônomo Fernando Penteado Cardoso, que completou em 19 de setembro 100 anos de acurada percepção pelas coisas importantes da vida, um e-mail onde ele registra as chuvas, medidas pelo IAC - Instituto Agronômico de Campinas:

A dimensão da seca 2013/14
Segundo dados do IAC-CIIAGRO, as precipitações dos anos agrícolas (Julho a Junho) nos últimos 123 anos, desde 1890/91, foram as seguintes em Campinas:

- Média histórica de 123 anos: 1.388 mm
- 5 anos com 900/1.000 mm: 1924/25, 1929/30, 1968/69, 1988/89 e 1991/92;
- 1 só ano abaixo de 900 mm: 2013/14 com 750 mm

As cidades vizinhas de Campinas (Indaiatuba, Sumaré, Nova Odessa e Capivari) tiveram, em janeiro de 2014, em média 98 mm contra 181 mm em Campinas, indicando manga d´agua local.
Descontando esse efeito, a precipitação regional seria de 660 mm para 2013/14, ou seja, 47,5% da média histórica de Campinas.
SP, setembro/14
FPC


O blogueiro comenta:
Apesar da perspectiva do caos, não existe aquecimento. O fenômeno da falta de chuvas não indica mudanças climáticas. É claro que a falta de chuvas precipitou o problema do futuro racionamento. Mas não era para ser assim, poderia ter sido evitado se houvesse gestão, competência e coragem.
O problema é político, só isso.
Tudo isto, também, porque São Paulo tem poucas árvores e não existe evapotranspiração. A imbecilidade coletiva, pública e privada, de prédios, quintais, jardins, praças e calçadas cimentadas esquentam o ambiente, geram mais calor, tornam o ar mais seco, formando o que se chama de "inversão térmica", que impede chuvas. A superpopulação exacerba isso.
Não admito, não aceito, que uma árvore na calçada tenha menos de meio metro quadrado para a penetração de água de chuva. A cidade não tem mais lençol freático.
Parece que as pessoas e os poderes públicos planejam o caos. Com a ajuda de Deus e da natureza, preparemo-nos para o pior.
Mas rezo para que São Pedro se apiede de São Paulo. E para que mande chuvas. O povo de São Paulo reelegeu um chuchu desidratado para administrar esses previsíveis problemas. Se ele não evitou os problemas, por falta de gestão e planejamento, como irá administrar o caos? Vai colocar a polícia na rua?

Alckmin, se o caos sobrevier, desejo que seja teu inferno, o teu fim político. Leve Aécio com você.
Aos paulistas e paulistanos restará o único consolo de dar gargalhadas, como fazem os palhaços depois de colocarem fogo no circo. E de chorar a própria desgraça.
É a tragicomédia humana.
.

10 comentários:

  1. A água para São Paulo e a comida para as minhas vacas
    1ª parte

    Leio os ataques ferozes, inclusive de aliados e eleitores, ao governador Alckmin, por conta da questão da água, pelo medo, que agora bate pesado, de parte da cidade ficar sem água.
    Diante de tudo isso e de tudo que li a respeito, perguntei a mim mesmo: Fui negligente com minhas vacas? “Alckminizei” a segurança alimentar de minhas vacas e, por consequência, de meu ganha pão (no meu caso, ganha leite)? Porque aqui em casa, no Sítio das Macaúbas, o pasto acabou, o canavial acabou, a comida acabou e a água... Felizmente vem se aguentando.
    Concluí que não depois de muito pensar.
    Apesar disso, estamos sem pasto e o canavial acabou. Meus animais, portanto, estão sem ter o que comer. Literalmente. Estou comprando, felizmente, comida fora. Usando para isso o dinheiro destinado a outras coisas e usando, já, o meu “volume morto“ de dinheiro, um dinheiro inexistente que terá de aparecer em algum momento. Como eu não sei, vou pensar nisso mais pra frente.
    Começamos o ano da mesma forma que os anteriores, ou melhor, muito mais preparados, muito melhor preparados para passar a seca que nos anos anteriores, devido a uma série de investimentos em adubos, contratação de equipamentos, compra de sementes, herbicidas e outras coisas, todas necessárias ao plantio de milho e à produção de silagem. Seguimos a melhor cartilha, inclusive com orientação permanente do profissional que nos dá assistência via Danone/SEBRAE.
    Colhemos o milho e o ensilamos no dia 28 de janeiro, com a perspectiva de iniciar seu consumo lá pelo dia 15 de maio, com previsão para durar até setembro, quando, então, abriríamos o segundo silo, que seria feito com o milho que seria plantado na safrinha, que seria plantada imediatamente após a colheita da primeira safra. Ah... Quantos “seria”...
    Pois, qual o quê!
    Não choveu.
    Sem chuva, não plantamos a segunda safra de milho.
    Sem chuva, o pasto acabou em pleno começo de fevereiro, literalmente, e abrimos o silo. Antecipamos sua abertura de 15 de maio para 12 de fevereiro.
    12 de fevereiro... Silo aberto e pasto inexistente, quando os piquetes deveriam estar luxuriantes, com o Mombaça e o Tanzânia batendo na barriga das vacas e até pra cima um pouco.
    Bom, aí choveu. Pouco, bem pouco, mas choveu. Os pastos cresceram e fechamos o silo no início de março, para reabri-lo, até tardiamente dada a nova escassez de chuvas e o baixo crescimento do capim, no início de maio.
    A cana foi afetada pela falta de chuva e como já estava no quinto para o sexto ano, não produziu tanto como seria normal e também não estava pronta para corte em maio. Isso só veio a acontecer em pleno julho.
    Em agosto já não tínhamos mais o silo e a cana periclitava. Comecei a comprar comida fora. Paguei caro, pois a escassez era visível, mas logo em seguida o caro ficou absurdamente caro. Pudera, as lavouras tocadas com irrigação falharam, porque até a água das represas e do lençol freático começou a escassear.
    E assim seguiu setembro e chegou outubro. Setembro teve duas chuvinhas, nada demais.
    Nunca antes tivemos uma seca como essa.
    Vejam bem, isso não é recurso linguístico ou de oratória. Vou repetir, em caixa alta:
    NUNCA ANTES HOUVE UMA SECA COMO ESSA NA HISTÓRIA DE SÃO PAULO.

    Essa seca nos matou em termos de planejamento e gasto de recursos já escassos.
    Tive culpa?
    Sinceramente, não. Entrei o ano muito bem planejado, tudo na ponta dos cascos, tudo “nos trinques”, mas quebrei, quebramos a cara. E as vacas ficaram sem ter o que comer.
    Não, eu não alckminizei.

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  2. A água para São Paulo e a comida para as minhas vacas
    2ª parte



    E ele, Geraldo Alckmin, alckminizou?
    Merece o bombardeio de que tem sido vítima?
    Não.
    Digo com absoluta tranquilidade: Não.

    Eu poderia ter comprado comida ou ter arrendado terra para plantar mais milho e, consequentemente, ter comida estocada não para 4 meses e mais 3, mas para 12 ou 14 meses?
    Poderia se tivesse recursos sobrando.
    Esses recursos, todavia, não existiam.
    Deveria, então, em nome de um receio maluco, sem base na realidade, sem nenhum suporte histórico ou estatístico, ter comprometido o que não tinha só para ter comida estocada a um custo altíssimo?
    Claro que não!
    Isso não seria administração, seria um jogo ou algo assim, sem falar na total irresponsabilidade de gastar com o que não era necessário ou não era urgente, ao invés de gastar com as necessidades prementes do dia a dia.

    Ora, foi exatamente isso o que fez Alckmin. E antes dele Serra.

    São Paulo é rico, mas é pobre. Cerca de 13% apenas do que o Estado gera em impostos federais volta para cá. É um estado em que, até por conta de seu desenvolvimento, tudo é caro. E tudo tem que ser feito em grandes números. Os recursos financeiros do governo estadual não são suficientes, logo, a palavra de ordem é racionalizar gastos.
    O abastecimento de água não era prioridade número 1. Mesmo assim, investimentos foram feitos, ações foram tomadas para mantê-lo. Como, por exemplo, o Sistema São Lourenço, que entrará em operação nos próximos anos e vai aumentar a capacidade de abastecimento da metrópole.
    Pensando somente no Sistema Cantareira, os dados de abastecimento, consumo e recomposição dos reservatórios dos últimos vinte anos, ou seja, desde que se tornou operacional, mostram que mesmo nos piores anos de seca a chegada da estação chuvosa foi suficiente para recompor seu volume. Por sinal, em 2011 (ou 2010, não lembro ao certo), o Sistema esteve bem próximo de seu volume máximo.
    Então, o volume represado caía durante a seca, mas nunca a níveis preocupantes, em ano nenhum, e se recompunha na estação de chuvas. Em momento algum houve o risco de colapso. Em momento algum houve a possibilidade teórica de que isso acontecesse.
    Porque, repetindo e nunca é demais repetir isso, nunca tivemos uma seca como essa, que começou em 2013 e emendou com 2014. Nunca. Se ela nunca existiu, tampouco houve, portanto, uma base estatística para prever o colapso de abastecimento.
    Se Alckmin tivesse alocado recursos na geração de mais água para o futuro, além do que já havia sido alocado, seria considerado péssimo gestor, gastando o pouco que tinha e o muito que não tinha para cobrir uma necessidade inexistente ou muito distante. Não seria uma atitude racional.

    A grande crítica que pode e deve ser feita à SABESP e ao governo estadual é no tocante ao descuido com as perdas de água no processo de abastecimento, no percurso represas/unidades de consumo. Essas perdas poderiam ser menores, embora já sejam bem menores que as que ocorrem em França e Itália. Mas pode melhorar e empatar com o índice de perdas da Inglaterra. Se assim fosse, a situação hoje seria um pouco menos crítica.

    Ontem à noite choveu aqui em casa. Pouco, mas festejei.
    Hoje, domingão, o Sol já está lá fora todo pimpão, com essa imbecilidade urbana de “horário de verão”. Mas voltará a chover. Ufa! Talvez até na noite de hoje.
    Precisaremos de 3, talvez 4 anos seguidos de normalidade climática para voltar ao ponto em que estávamos em 2012. Não vai ser fácil, mas, doravante, creio que será menos difícil que antes. Porque talvez as pessoas tenham tomado consciência da importância de usar corretamente um recurso tão precioso, o mais precioso de todos, na verdade, que é a água.

    Uma coisa, porém, é certa: nem eu alckminizei, nem o Geraldo Alckmin alckminizou.
    Botem essa na conta da dona Natureza, essa ilustre desconhecida.

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    1. Engano do blogueiro culpas as árvores pela falta de chuva. Injusto culpar os engenheiros da água. Estamos atravessando uma anomalia climática inédita nos últimos séculos. Toda nossa agricultura e vida urbanizada se baseia no modelo climático milenar de chuvas na primavera/verão. Há que confiar que os sistemas da natureza persistirão, pois não se tem notícia de perturbações solares de monta, nem de alteração das temperaturas e correntes oceânicas e, muito menos, da rotação da terra. Particularmente, muito admiro o sistema Cantareira de água para os milhões de patrícios que vivem na planície de Piratininga e arredores. Obra notável de engenharia para as médias pluviométricas centenárias e assim previsíveis, nunca contestadas a tempo pelos climatologistas. Temos que enfrentar a dificuldade sem buscar bodes expiatórios. Disse um especialista meses atrás: “só nos resta rezar”. É isso aí...Fernando Penteado Cardoso-Eng. agr. Sênior, USP-ESALQ 1936

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    2. Dr, Fernando,
      não culpei as árvores pela falta de chuvas. Só disse que a falta delas ajuda a causar o fenômeno da "inversão térmica", agravado pelo fato de a cidade ser quase 100% cimentada, azulejada e asfaltada. A inversao termica dificulta a entrada de frentes frias e de chuvas, conforme os climatologistas.
      Reconheci a seca, e sua importancia nesse seculo, e por isso publiquei o seu resumo no meio do meu texto.
      O meu bode expiatorio esta no governo de SPaulo, porque vendeu a Sabesp a investidores internacionais, que nao ampliaram a capacidade de retencao de agua para ser tratada. Lembro que em 2010 o sistema esteve varias vezes com excesso de agua e se abrissem as comportas iria inundar varios bairros da capital. Entao, decidiu-se amliar a area para estocar mais agua, para atender a populacao crescente, mas isso nao foi feito.
      Com a falta de agua, estou rezando para que chova.

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  3. Richard, se a culpa da seca em São Paulo é do Alckmin então a culpa da seca nas nascentes do Rio São Francisco é da Dilma. Pelo menos nenhuma das duas é culpa do Aécio nem da corrupção que inunda a Petrobrás e nosso Governo Federal.
    Carlos Viacava

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    1. Viacava,
      nao culpei o Alckmin pela seca, mas pela falta de agua na grande SPaulo, por nao ter planejado o Sistema Cantareira. Fica claro tambem que a Dilma nao tem culpa pela seca em outros estados, onde nao faltou agua, apesar da seca, foi so em SP...
      Agora, a corrupcao no governo federal fica na conta da sua opiniao, e na midia, eu tenho a minha.

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    2. Richard, está faltando água também para irrigação no vale do São Francisco. Não foi só em São Paulo.

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    3. Viacava,
      lá em casa ontem faltou água pra tomar banho, pq usamos mineral só pra beber, e custa caro tomar banho de água mineral.
      O governo de SP podia ter ampliado a capacidade de reserva da Cantareira, em 2010, quando o sistema estava cheio e transbordando. Prometeu isso e não cumpriu. Agora vai faltar, pela maior seca do século, é verdade, mas poderia ter água pra tomar banho e pra beber se tivessem aumentado a capacidade de retenção de água. Veja que no post expliquei que 40% a 60% da água já tratada do Cantareira se perde em tubulações furadas no centro velho de SP, que são de 1930 a 1960, e nunca foi feita manutenção. Os tucanos estão no comando do estado de SP há 20 anos, agora vão para 24 anos, tá na hora de alternância, não acha?
      E a secretária de águas da ONU/FAO, a portuguesa que nos visitou esses dias (veja na Folha de SP), disse que a culpa da falta de água em SP é do governo do estado, não é federal nem municipal. Portanto, não coloquemos a culpa só em Deus, mas no governador de SP também. Vou rezar pra que ele vá para os infernos, o quanto a antes!!!

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  4. Luiz Fernando Ferraz de Siqueira, Dourados-MS20 de outubro de 2014 10:33

    Caro Amigo, bom dia..
    Em 1.970 SP teve como prefeito Figueiredo Ferraz que era meu tio e um dia , disse a meu pai que SP deveria parar.
    Laudo Natel o mandou embora, foi demitido e arrastou sua irmã Esther, que era secretária da educação.
    Como parentes próximos os conheci bem, aliás, muitíssimo bem.
    Assim penso que os erros vem de muitos anos atrás.
    Mas tecnicamente, uma seca terrível, mas vai passar , com certeza.
    Nós da “cana” estamos sofrendo assustadoramente, estamos sem preços de açúcar e o álcool que entendo ser uma bênção para quem tem, internamente está destruído pela governo federal.
    Uma pena, meu amigo.
    Luiz Fernando Ferraz Siqueira
    Diretor Agrícola
    Usina São Fernando
    Dourados, MS.

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  5. Vladimir Milton Pomar20 de outubro de 2014 12:11

    Richard,
    Sinceramente, há coisas que não consigo entender.
    Por muito menos (estamos tratando de ÁGUA, a nº1 para a sobrevivência das espécies vivas), já houve pedido de impeachment de governantes. Está suficientemente provado que houve falta
    de planejamento e de investimento no abastecimento de água para a população, e que, ao mesmo tempo,
    houve distribuição de lucros da Sabesp para os acionistas. Se isso não configura crime de responsabilidade, o que então...?
    Fico imaginando em dezembro, com a temperatura lá em cima, como será a vida dessas milhões
    de pessoas sem água, no estado mais rico da nação.
    Saudações preocupadas,
    Vladimir Milton Pomar
    Revista em chinês
    "Negócios com o Brasil"

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