segunda-feira, 28 de março de 2011

Que tipo de jornalistas somos?

Dino Magnoni *
Caros colegas, tá difícil de ser jornalista e de manter o amor pela profissão nestes tempos em que a manipulação da informação tornou-se instrumento da barbárie!
Estou estarrecido de ver que os EUA puseram seu principal relações públicas, B. Obama, em uma turnê internacional. O objetivo óbvio é desviar o foco dos milhares de mortos e dos que ainda morrerão no Japão, por conta da incompetência política do grande parceiro da Casa Branca.  A intenção imediata é também amenizar o impacto da ocupação da Líbia, a maior reserva de petróleo do mundo e a reocupação gradativa de todos os territórios árabes.

O cheiro da desgraça fabricada se espalha por todas as direções, enquanto os jornalistas e os barões da informação seguem firme na repetição do mantra de que os reatores japoneses foram afetados pelo terremoto e pelo tsunami e que o acidente está sob controle etc. O que ninguém diz é que os reatores não foram afetados pelos dois eventos da natureza e sim pela incompetência do governo japonês que, para reduzir custos, não seguiu as normas de segurança da Agência Internacional de Energia Atômica: não dispunha de estoque de combustível suficiente e nem de reservatórios seguros de água doce para alimentar o sistema motorizado de resfriamento dos reatores.

Fukushima é uma Chernobyl piorada, mas o Japão é aliado dos EUA e Europa. Assim, ninguém apontará os culpados, do mesmo modo que Hiroito era tão nazi-fascita e criminoso de guerra quanto Mussolini e Hitler. Mesmo assim morreu muito velho e coroado, sob as bênçãos de Tio Sam.

Os melhores técnicos japoneses em energia atômica já estão mortos e ninguém diz nada. A radiação avança sem controle e matará milhares de pessoas inocentes exatamente porque o Japão não cumpriu minimante o protocolo de segurança, e toda a mídia ocidental, cristã e “democrática” , está escondendo a dimensão real da tragédia. Enquanto isso os lobistas de construtores e concessionários de termoelétricas e hidrelétricas aproveitam-se da desgraça do povo japonês para turbinar mundialmente o lobby anti-nuclear, que alimenta os bilionários negócios da indústria convencional de energia.

Os EUA e Europa, que sempre sustentaram todos os tiranos árabes e  de outras tantas ditaduras mundo afora, agora ocupam o mundo muçulmano petrolífero em nome da liberdade, que foi buscada na raça, pelos povos torturados da região.

Que raios de jornalismo temos, que tipo de jornalistas somos? Estamos vendo a absoluta subversão dos fatos e da verdade e não falamos nada??? Uma categoria assim não merece mesmo ter diploma e ser reconhecida como profissão. Viramos prepostos e cúmplices dos manipuladores de vidas, de mentes e de corações.

* jornalista

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