quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O maior pé frio do mundo

Richard Jakubaszko

Todo mundo que é torcedor de futebol já pensou pelo menos um dia na vida de que é pé frio, ou cold feet, como dizem os americanos. Simplesmente é inevitável. O sujeito assiste ao jogo do seu time preferido, e o time ganha. Beleza, a gente comemora.

Agora, o time perde uma vez, a gente fica triste, acabrunhado. No jogo seguinte o otimismo se renova e vamo que vamo assistir na TV ou ouvir pelo rádio o time da gente. Quando perde ou empata algumas partidas sequenciais o desânimo se apossa da gente, e é normal sentirmos ou pensarmos que a gente é pé frio. Se acontecer na sequência a coincidência de assistir e perder, e não assistir ao jogo e o time ganhar, a desconfiança cresce...

Foi o que se passou comigo este ano. Torcedor desde criancinha do colorado de Porto Alegre, ouvi pelo rádio ou assisti pela TV o Internacional ganhar os primeiros jogos, e ficar na liderança do campeonato brasileiro de 2016.

Aí começou o desastre. Eu assistia ou ouvia e o time perdia... As poucas partidas que não acompanhei o time ganhava... Voltava a assistir e perdia... Cheguei à conclusão de que sou um pé frio de marca maior... Mais do que o Mick Jagger, Galvão Bueno, e muitos outros...


Como as gozações de gremistas e mesmo de torcedores de outros times se mantinham ativas, insistentes mesmo, passei a informar aos chatos que agora eu tinha um time por escolha racional, e que esse time era a Chapecoense, que ia bem no brasileirão e estava disputando a Sulamericana. E assim foi, dava satisfação acompanhar a Chape e suas vitórias, com raros percalços.

Até que a Chapecoense chegou à final da Sulamericana, animadíssima, e eu feliz pela escolha certa. Aí, acabou a gasolina do avião, e eu fiquei com a sensação de que sou o maior pé frio do mundo.

Eu estava assim com a nossa seleção, parei de acompanhar os jogos, afinal, sou pé frio, mas não sou masoquista... E começamos a ganhar...

Contei essa história a um gaúcho, gremista, esta semana, quando o tricolor gaúcho enfrentaria o Atlético de Minas Gerais. Neguei o “convite” do gaúcho, para torcer pelo Grêmio, pois um time como esse, me disse o gaúcho, “não dá erro, nenhum pé frio resiste”. Torci pelo Atlético, e mantive a tradição, se o Grêmio jogar contra o time dos cachorros eu vou pra geral latir...

Deu errado, né não? Mais uma vez...

Então, o seguinte, vou profissionalizar essa minha capacidade de pé frio. Quanto me pagam pra torcer pelo Grêmio? Tenho a certeza de que se fizer isso esses tricolores vão perseguir o Inter na série B no ano que vem...

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