terça-feira, 25 de julho de 2017

O que temos agora e para 2018

Fernando Brito *

Estamos a 14 meses de um processo eleitoral – se é que este processo, a esta altura, se possa considerar fora de riscos – e com o país em frangalhos.

Na economia, o único projeto imaginado, discutido e nitidamente fracassado – é como tapar os buracos fiscais. Primeiro cortando tudo, depois aumentando impostos sobre o consumo.

Nos investimentos em infraestrutura, a discussão é apenas o que eliminar de projetos, o que paralisar e o que vender.

Em matéria de serviços públicos, o que desmanchar, o que precarizar e o que, simplesmente, deixar á míngua de recursos mínimos.

Direitos sociais? Bem, neste caso o projeto é cortá-los, mutila-los e, fora de questão, negá-los às novas gerações, porque, afinal, isto aqui é uma Dinamarca tropical, onde aposentados, pessoas com deficiência e com invalidez vivam à tripa forra.

E o mesmo com os trabalhistas, com estes indolentes que chacoalham hora e meia para ir e outra para voltar do trabalho, onde fingem que fazem alguma coisa? Corte-lhes a hora de almoço, as garantias, ponham-se num banco para trabalhar (e receber) só naqueles momentos em que se precisar deles!

O povo brasileiro terá de olhar estas eleições como a continuidade ou a reversão deste quadro.

E quem são os nomes postos ao desafio de fazer frente a esta situação, além de Lula?

Jair Bolsonaro, um elemento tão primário que é capaz de dizer, em entrevista á Veja, que a crise econômica é fruto da crise de violência, porque “muitas pessoas compram relógio e tênis nas feiras do Paraguai porque serão assaltadas”?

Pois “seu” Jair nem sequer percebe que o desvio “ostentação” é tão ao contrário que centenas de jovens passam a noite numa calçada para comprar um tênis “de grife”, a R$ 1.200, ali pertinho dos moradores de rua? Nem que a banalização das armas, que generalizou o uso de fuzis em detrimento das ações de inteligência e a cumplicidade policial com o crime nos levou ao que estamos vivendo no Rio de Janeiro, em outras partes do país e logo, por toda parte?

Marina Silva, que nunca administrou coisa alguma senão a própria vaidade, que pratica a política com o some-aparece-some da conveniência e com o ódio e a inveja que a falsa candura não esconde? Para quem todos devem explicações e tratamento duro por suas alianças, menos ela, metida numa desastrosa aventura aeronáutica abastecida com o dinheiro fedorento da corrupção?

Geraldo Alckmin – agora que aparentemente enquadrada a gula de seu pupilo Doria – com o seu marcante sabor de chuchu, seus sombrios negócios metroferroviários e sua luzidia obra de implantar pedágios? Um homem cuja visão nacional é tão grande quanto a dos seus heróis de 1932 e cujo olhar mal passa das divisas do estado e dos subdomínios ideológicos da elite paulista no Paraná e no Mato Grosso do Sul?

Como diria Fernando Henrique Cardoso, “é o que temos”.

Exceto Lula e por isso é imprescindível que ele não possa concorrer.

Para que o povo não acabe respondendo à pergunta sobre o que de bom lhe veio dos doutores engomadinhos de Curitiba, senão crise, recessão, desemprego, carências…

O povão, apesar de toda a máquina de propaganda, não é tolo como certa parcela da classe média, a quem sobraram o “Santo” da lista da Odebrecht, a “Santinha” na Natura e o “São Jorge” que bufa como dragão e é um capadócio?

* o autor é jornalista, editor do Tijolaço
Publicado no Tijolaço: http://www.tijolaco.com.br/blog/o-que-temos-agora-e-para-2018/

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