sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A agricultura tem sede

Richard Jakubaszko  
Agro DBO nº 49, de outubro/13, anda circulando, e firma-se como revista de referência para os agricultores profissionais.

Registrei no "Carta ao leitor":
Mudanças podem ser boas ou ruins. Trazemos informações consistentes na presente edição da Agro DBO que podem ser preocupantes para uns e estimulantes para outros. Trata-se da evolução e entrada no mercado do gás de xisto, a nova e mais barata fonte de energia fóssil, que já provocou perdas nos preços do carvão, ameaça o petróleo no médio prazo, e também o etanol de milho nos EUA, além do nosso etanol de cana. O leitor encontrará detalhes dessas perspectivas no artigo “Descréditos de carbono”, de Evaristo de Miranda e ainda na entrevista exclusiva com o produtor Walter Horita. No 

Como matéria de capa Agro DBO traz uma interessante e profunda análise sobre a irrigação no Brasil, "Estamos com sede", autoria do jornalista José Maria Tomazela, e de como os ambientalistas e órgãos de regulação e fiscalização dessa área andam tratando os agricultores.

Na reportagem do jornalista Ariosto Mesquita, “Hora de diversificar” o leitor encontrará alternativas para o plantio de grãos de inverno, a se pensar na safra em sequência à próxima safra de verão, pois tudo o que se fizer nesta safra poderá direcionar novos caminhos na safrinha.

A jornalista Marianna Peres assina a reportagem "Corrida contra o tempo" sobre as perspectivas de diversos produtores do Brasil Central para a próxima safra de verão, e quais as estratégias de plantio que cada um tem projetado para enfrentar as inúmeras dificuldades, como ataques das pragas e os altos custos de produção.

O jornalista Glauco Meneguethi descobriu e nos reporta que em Roraima começaram a colher a soja agora em setembro, plantada em abril/maio deste ano, pois lá eles se encontram no Hemisfério Norte.

Já o engenheiro agrônomo Hélio Casale nos mostra o “Safra Zero” no café, uma estratégia de poda radical no cafezal para reduzir em termos definitivos as agruras da bienalidade da rubiácea.

Portanto, informação de qualidade e atualidade para o leitor, análise abalizada, “escrita por quem é do ramo”. Conteúdo que o leitor não encontrará em qualquer esquina ou workshop.
Quem desejar ler a revista de forma virtual é só clicar no fac símile da capa, ou ir ao site da revista: www.agrodbo.com.br

No vídeo abaixo dou depoimento de viva-voz e explico didaticamente os problemas que o gás de xisto pode trazer ao agro brasileiro e mundial:

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terça-feira, 8 de outubro de 2013

Sabedoria árabe versus a neurose americana

Sabedoria árabe versus a neurose americana:
Um velho árabe vivia em Idaho, EUA, há mais de 40 anos. 
Desejava plantar batatas em seu imenso jardim, porém, arar a terra era um trabalho muito pesado para ele, já de idade avançada.
Seu único filho, Ahmed, estava fazendo uma pós-graduação universitária na França.
Então o ancião decidiu mandar a ele um e-mail, explicando o problema:

- Querido Ahmed:
Me sinto mal, porque não poderei plantar minhas batatas este ano. Estou muito velho para arar as parcelas de terras necessárias. Se você estivesse aqui sei que revolverias a terra por mim.
Que Alá esteja contigo!
Te amo muito, teu papai.

No dia seguinte recebeu uma resposta por e-mail de seu filho:
- Querido Papai:
Por tudo que mais queres, não revolvas a terra do jardim. Aí é onde tenho escondido "aquilo".
Te
amo
, Ahmed.


Lá pelas 4 horas da madrugada daquele dia, apareceu o xerife com a polícia local, agentes do FBI, da CIA e ainda representantes do Pentágono (que haviam interceptado as mensagens). Esburacaram toda a terra do jardim! Buscavam materiais para construir bombas, Antrax, armas químicas, tudo o mais que fosse.
Entretanto, como não encontraram nada, se foram emboraNesse mesmo dia o ancião recebeu outro e-mail de seu filho:

- Querido Pap
ai:
Seguramente a terra d
o jardim está revolvida e arada e poderás plantar tuas batatas. Foi o melhor que pude fazer daqui de onde estou...
Te
amo muito, teu filho
Ahmed.


Enviado por Maurício Porto, e publicado em espanhol no blog Ladeiras do Silêncio: http://ladeirasdosilencio.blogspot.com.br/2013/10/0102-sabedoria-arabe-versus-paranoia.html
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domingo, 6 de outubro de 2013

A polêmica da ILPF

Richard Jakubaszko   
Polemizar nos faz crescer, pois aprendemos a conhecer as opiniões contrárias. Podemos medir e comparar ideias diferentes, desde que sejam manifestações honestas e críticas construtivas, que podem contribuir para propósitos meritórios. Assim, espero contribuir através do blog para um debate saudável sobre a ILPF, apresentando, de um lado, a opinião de seus adeptos, que se encontram no vídeo abaixo, e de outro lado a visão crítica, manifestada no texto, abaixo do vídeo.

A minha ótica em relação a ILPF concentra-se em dois pontos: primeiro, o fato de quem faz a ILPS, invariavelmente o agricultor (cerca de 90%), que tem a cultura e tradição do investimento no curto prazo e dispõe de máquinas, enquanto o pecuarista (10%) não tem a cultura do investimento em curto prazo e não tem as máquinas. Nesse caso o ideal seria a parceria entre o dono da terra, que tem pastos degradados e carência de recursos financeiros para investir; junto com o agricultor poderá recuperar o solo, dar melhor produtividade para a produção de carne, eis que o pasto pode ser implantado a baixo custo, geralmente sem uso de fertilizantes, depois de plantar-colher uma lavoura. A conciliação desses interesses culturais, e as dificuldades da implantação do sistema, portanto, seriam o primeiro entrave, ou dificuldade.

Em segundo lugar, a inclusão da Floresta no sistema ILP implica em certeza de que não poderá haver "arrependimento" na implantação, eis que retirar as raízes / tocos exige tempo, em média superior a 5 ou 8 anos, e impossibilita nesse período a continuidade da agricultura naquele espaço. Fora isso tenho convicção de que a ILP (e a ILPF) pode ser a fórmula e o caminho para a recuperação de mais de 90 milhões de hectares de pastagens degradadas e sem perspectivas de solução no curto prazo. Muitos pecuaristas, por causa disso, e para aprender sobre o sistema, preferem implantar apenas a ILP, deixando a "floresta" para depois.

Este blog, desta forma, abre debate sobre o assunto com o vídeo abaixo, e, na sequência, a opinião do mestre Fernando Penteado Cardoso (agora mais conhecido como "R.100" = Rumo aos 100).



ILPF - POR QUE FLORESTA?
Fernando Penteado Cardoso *
Estão na moda os palavreados ambiciosos “lavoura-pecuária-floresta-ILPF” ou “agro-silvo-pastoril”. O que significam ou o que podem significar?
Tudo começou alguns anos atrás com a expressão “integração lavoura pecuária-ILP” que foi definida como a sucessão alternada de atividades agrícolas e pecuárias na mesma área.

Importante ser na mesma área, pois se uma fazenda se dedica a lavouras e a criações em áreas separadas, ela tem essas atividades paralelas, mas não integradas.

A integração acontece quando as duas atividades - agrícola e pecuária - se alternam, se sucedem, se interagem, se integram e se completam em uma mesma área.

Um exemplo de ILP bem sucedido é o do produtor Ake van der Vinne, em Maracajú/MS, onde no verão a sucessão anual é soja>soja>milho>pasto e no inverno pasto>pasto>pasto. Nesse sistema, a cada 4 anos um hectare em rotação produz  em média 120 sc de soja (2 safras), 100 sc de milho  e 1.000 kg de ganho de peso vivo-GPV.

Outra aferição bem sucedida foi relatada pela Granja JAE, Sto. Inácio/PR, onde, por 6 anos consecutivos, foi comprovada a produção anual de 2.000 litros de leite ou de 300 kg de GPV por hectare durante o inverno, no intervalo entre culturas de soja de verão.

Nesses dois exemplos, o sistema assegura ainda um volume satisfatório de fitomassa para o plantio direto subsequente. Nos dois casos, pecuária e lavoura se alternam na mesma área.

De uns anos para cá a Embrapa vem incentivando o plantio de renques de duas a três linhas de eucalipto ou outra espécie arbórea separadas de 25 a 27 m. Nos primeiros 2 anos cultiva-se soja ou outro cereal no intervalo entre os renques. No final do 2º ano semeia-se capim, geralmente uma Brachiaria, iniciando-se então um sistema permanente de pasto sombreado.

Não se trata de uma integração por falta de rotatividade e de alternância. Poderá, quando muito, ser classificada de silvo-pastoril, sem que a lavoura faça parte do sistema.

Os pastos sombreados não constituem novidade. Anos atrás a CMM do grupo Votorantim patrocinou experimentos e observações em Vazante, no NO de Minas Gerais, mas o trabalho foi descontinuado antes de concluído. Outras descrições em Paragominas/PA e no Estado de MS são pouco conclusivas quanto aos resultados anuais de ganho de peso, embora apresentem simulações e estimativas favoráveis.

Nos anos 1990 diversos criadores na região de Dourados/MS iniciaram o plantio de renques de Leucaena ocupando cerca de 50% da área de piquetes em rotação, com sombreamento intenso na área arbustiva rebrotada. Os intervalos entre os renques eram semeados com capim, permitindo que os animais pastoreassem a gramínea e os brotos e folhas da leguminosa. Inicialmente houve grande entusiasmo dos criadores, mas, pouco a pouco o sistema foi relegado, seja por dificuldades de manejo, seja por não compensar economicamente.

A forragem à sombra é menos palatável nas águas, o capim é mais tenro e bem aceito na seca e a faixa lindeira aos bosques é prejudicada pela forte competição até uma largura de 10 a 15 m. Estas observações são de conhecimento geral dos que convivem com o ambiente rural.

Seja pelo sombreamento, seja pela competição por nutrientes e água, a produção de fitomassa forrageira à sombra pode vir a ser limitada, desconhecendo-se pelo momento o GPV anual por unidade de área. Os custos de implantação são, por sua vez, muito variáveis, dependendo de inúmeros fatores locais, inclusive da infestação dos inços e de formigas cortadeiras.

A redução da produção animal é até certo ponto compensada pelo crescimento de fustes com valor comercial para celulose, carvão ou madeira, mas o resultado econômico por hectare entre produção animal e vegetal não foi ainda determinado.

O que deve ficar bem claro é que a integração lavoura/pecuária está bem comprovada e dimensionada, mas ao se introduzir árvores permanentes o sistema torna-se mal conhecido, em que pese o entusiasmo desiderativo dos que o apregoam antes de ter aferições convincentes.

Dias de Campo festivos divulgam as iniciativas ditas agro-silvo-pastoris enquanto satisfazem a curiosidade dos interessados e envaidecem tanto os técnicos promotores, como  os proprietários gratificados.

Vale aqui lembrar o preceito de Lord Kelvin enunciado no século 19: “A menos que você possa medir alguma coisa e descrevê-la com números, você está apenas começando a compreendê-la”.

É admissível a hipótese de que ao final de alguns anos os agropecuaristas cheguem à conclusão de que seria melhor ter pastagem e reflorestamento em separado.

O futuro dirá, seja por problemas operacionais, seja por pragas rogadas pelos vaqueiros em disparada ao cruzar pelos renques arbóreos.

*Eng. Agr. Sênior-ESALQ-USP 1936 - Fundador e ex-presidente da Manah S.A. e da Fundação Agrisus. Produtor rural em Mogi Mirim/SP.


A Integração Lavoura Pecuária e o componente florestal
João Kluthcouski **
A Integração Lavoura Pecuária (ILP), ou sistema agropastoril, já mostrou tantas vantagens que é impossível questionar sua viabilidade: sinergismo entre as atividades de agricultura e pecuária; uso eficiente da área durante o ano todo; melhoria de todas as propriedades do solo; redução de riscos climáticos; aumento da produtividade de grãos; produção do “boi barato e precoce” na safrinha ou na época seca; aumento da matéria orgânica do solo; mitigação da emissão de gases de efeito estufa; redução da necessidade de agrotóxicos; aumento da rentabilidade; entre muitas outras vantagens. Destaca-se a máxima lançada pelo Dr. Fernando Penteado Cardoso: “braquiária é mais do que pasto!”.

Vale lembrar, inclusive, que hoje a ILP, obviamente sob Sistema Plantio Direto, é tida como a única possibilidade viável para se produzir de forma sustentável nos solos arenosos, a maior parte deles atualmente coberta por pastagem degradada e cuja abrangência, em termos de área, é estimada em mais de 90 milhões de hectares no Brasil – cerca de 10 milhões nas regiões Sul e Sudeste, e 30 milhões somente nos Cerrados.

E como a árvore entra nessa história? Engana-se quem pensa que o componente florestal é ruim. A árvore é o símbolo da vida em todos os aspectos: produz riqueza; absorve e até sequestra carbono durante todo o ano; gera sombra e umidade; produz energia, celulose e madeira para diversos fins; protege e dá abrigo a maior parte da fauna silvestre. Além disso, uma árvore plantada pode significar uma árvore nativa a menos a ser derrubada. Quer mais? É possível afirmar que, num futuro próximo, haverá maior demanda por madeira de florestas plantadas para os mais diversos fins.

Aí vem a grande polêmica sobre a tal sigla “ILPF”, que vem de “Integração Lavoura-Pecuária-Floresta” que hoje está sendo grandemente difundida no Brasil. Apesar de tentar abranger todas as modalidades de “integração”, a ILPF acaba sendo entendida como sendo o sistema completo que integra todas as atividades, ou seja, o sistema agrossilvipastoril. Assim, um dos equívocos começa pela própria sigla, pois o leitor, nesse caso o produtor rural, pode entender que a floresta plantada é obrigatória no fabuloso sistema de ILP, e isso não é verdade. Então, é preciso desmistificar esse possível mal entendido.

Floresta plantada não é para todos, mas sim para nichos específicos de produtores rurais, podendo servir para um ou mais objetivos: como quebra-vento; para pequenos produtores de leite; alta demanda por madeira na propriedade; utilização de áreas marginais da propriedade, como locais pedregosos e declives acentuados; entre outros.

O fato ainda mais agravante é que pouco se conhece científica e economicamente sobre o resultado final da tal ILPF: retorno econômico ao longo do tempo; quantificação de provável redução na produção forrageira e culturas graníferas consorciadas com árvores; melhor definição de arranjo espacial das espécies madeireiras; custo da destoca quando pretender-se utilizar a área para outros fins. Afinal de contas, os estudos sobre ILPF são muito recentes no Brasil, e resultados confiáveis são obtidos a médio e longo prazo. Por isso, temos que ter muito cuidado na difusão desse sistema generalizadamente.

Já se sabe, no entanto, que: o sombreamento pode reduzir, na maioria dos casos, o potencial produtivo da pastagem e das culturas graníferas anuais; o bem estar gerado pelo sombreamento pode resultar em melhor desempenho animal, seja para carne ou leite, sem que isso sempre represente maior produtividade por unidade de área; as fileiras bordaduras do eucalipto, por exemplo, só se prestam para a produção de energia; a melhor orientação das fileiras ou renques é no sentido Leste-Oeste; fileiras simples comprometem menos as produtividades das espécies consorciadas e a madeira produzida serve tanto para a produção de energia como de pranchas para serraria. Mas muito mais tem que ser ainda estudado.

É detestável ficar em cima do muro, por isso, duas conclusões podem ser tiradas: a ILP é para todos, e, com certeza, vai se transformar na maior das revoluções verdes no planeta; e a ILPF, desde que atenda a demandas específicas e seja muito bem pensada e planejada, pode se transformar num excelente negócio para muitos empresários rurais, em qualquer tamanho de propriedade.

** O autor é engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa, e especialista na ILPF.
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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Farofa de besouro

Xico Graziano
Causou impacto, recentemente, a invenção do hambúrguer de laboratório. Pudera! Ninguém imaginava que as pesquisas com células-tronco, reconhecidas na saúde humana, pudessem produzir algo parecido com uma fábrica de carne. Assunto empolgante.

Existe forte movimento científico, puxado por pesquisadores heterodoxos, tentando descobrir novas fontes de proteína, necessárias para vencer o desafio alimentar da humanidade. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO/ONU), a demanda por comida de boa qualidade aumentará, no mínimo, 60% até 2050. Crescimento populacional, urbanização, aumento de renda e elevação da expectativa de vida das pessoas são os fatores principais desse movimento.

A previsão negativa de Malthus, feita em 1798, ficou famosa na História da humanidade. Mas não vingou. A agricultura conseguiu vencer o dilema entre o crescimento populacional e a oferta de alimentos, seja expandindo as terras cultivadas, seja, simultaneamente, elevando sua produtividade por área por meio da incorporação de tecnologia. A fome que, desgraçadamente, ainda persiste alhures se deve à má distribuição da renda entre as famílias, não à incapacidade de produção rural. Problema econômico, não agronômico.

Porém, mesmo passando por sucessivas “revoluções verdes”, parecem agora surgir dificuldades adicionais para a agropecuária prosseguir em sua saga vitoriosa. Primeiro, porque os reclamos ambientais da modernidade limitam a incorporação de novas terras, ainda florestadas, à produção, conforme se percebe claramente no Brasil. A opinião pública, ao contrário do passado, não quer o desmatamento. Antes inexistiam limites à força expansiva no campo e, assim, todas as terras cultiváveis da Europa, do Oriente Médio, dos Estados Unidos, do Japão, da China e da Índia acabaram cedendo sua natural biodiversidade ao plantio e à criação. Floresceram as cidades.

Comparadas ao Velho Mundo, na América Latina a urbanização e a expansão da agropecuária se deu tardiamente. De forma semelhante, em muitos países asiáticos, como a Malásia e a Indonésia, e na maioria da África a ocupação produtiva do território somente agora é que ocorre para valer. Existe ainda, nesses países, disponibilidade de terras aráveis. Mas a grita da sociedade em favor da preservação ambiental restringe a sua ocupação. O machado, ou a motosserra, perderam totalmente o prestígio.

Em segundo lugar, em vastas localidades surgem restrições à continuidade da boa prática agrícola. O risco aterrador da desertificação pode atingir, ao final deste século, 40% da superfície terrestre. Na África, a degradação nos países subsaarianos periga afetar até 50% do território. Na Ásia e na América Latina, estimam-se 357 milhões de hectares prejudicados. Segundo a teoria do aquecimento global, cerca de metade das terras produtivas sofrerá com graves secas. O equilíbrio hídrico compromete-se pelo rebaixamento do lençol freático ao norte da China, onde residem 550 milhões de pessoas. Na Austrália é a salinização dos solos o grande vilão. Só notícia ruim.

Existem outros fatores. Economistas agrários mostram que os chamados “ganhos marginais” do avanço tecnológico são decrescentes, quer dizer, será cada vez mais difícil incrementar a produtividade da terra. Argumenta-se também, com certa razão, que o confinamento de animais está elevando o uso de rações balanceadas, fabricadas à custa da produção de grãos, especialmente soja, milho e sorgo. Se, por hipótese, fosse eliminado o consumo de carne, como apregoam os vegetarianos, sobrariam mais cereais no mundo, embora isso alterasse a qualidade na dieta humana. Por fim, muito alimento está sendo direcionado para o consumo dos bichos de estimação, cães e gatos, cuja população só aumenta.

Por essas e outras, um novo paradigma alimentar se gesta nos ousados laboratórios. Não apenas se sintetiza carne, como também se buscam fontes de proteína não convencionais. Nessa equação futurista, os insetos colocam-se na dianteira. Gafanhotos, besouros, baratas, grilos, formigas apresentam, em média, cerca de 50% de proteína em seus organismos, o dobro da encontrada nas carnes de mamíferos e aves, cinco vezes mais que em cereais ou batata. Ademais, seus esqueletos pectíneos se mostram ricos em ferro e vitaminas. Com elevada capacidade de reprodução, prevê-se facilidade na criação de insetos, possibilitando ter volume e rendimento na produção. Vem aí a insetocultura.

A entomofagia, quer dizer, a prática de ingerir insetos, sugere asco. Mas para muitas populações tradicionais eles são iguaria. No Vale do Paraíba paulista, abdomes da formiga saúva, conhecidos como bunda de içá, comem-se na frigideira há tempos. No Maranhão, larvas de besouro (boró ou gongo) encontradas no coco do babaçu são consumidas desde as origens indígenas. Noutras regiões do mundo, insetos também fazem parte do costume alimentar. No Japão fazem-se pratos com as cantantes cigarras, abatidas antes que sua casca endureça. Na Indonésia apreciam-se as libélulas. No México, ovos de formigas negras gigantes denominam-se “caviar dos insetos”. Os vietnamitas e os chineses gostam de escorpiões. Grande é a lista de esquisitices entomofágicas.

Tudo depende do costume alimentar, que muda com o tempo. Hoje em dia se ingerem petiscos indecifráveis como nuggets, kani, snacks, sem que as pessoas tenham ideia do seu conteúdo, cor e sabor artificiais. Precisando, acostumar-se-iam com uma farofa de besouro, bem temperada. Tem mais. Algas, micro-organismos, vermes, cascas, componentes ricos em proteínas, calorias e vitaminas, entraram na agenda da comida do futuro. Na mira do gourmet.
* O autor é agrônomo, foi secretário de Agricultura e secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. E-mail: xicograziano@terra.com.br 

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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Palestra sobre CO2, no Prezi

Richard Jakubaszko 
Para quem desejar assistir, informo que no sistema Prezi (abaixo) tem uma apresentação de minha autoria sobre a questão do aquecimento, que é o resumo de uma palestra sobre o tema, posição pessoal minha como cético da questão ambiental. 
O interessante são as novidades visuais e a dinâmica mostradas pelo sistema Prezi de "presentation", uma evolução no design, muito superior ao tradicional power point.
O Prezi agora tem versão em português, e tornou-se um programa mais amigável, se comparado às primeiras versões, pois era muito mais complicado que o Power point.

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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Samba do crioulo doido

Richard Jakubaszko  
Estamos em tempos diferentes, politicamente corretos, menos de meio século depois. Hoje em dia essa história não se repetiria. Seria pior.

O escritor, jornalista, radialista, humorista e compositor Sérgio Porto, mais conhecido como Stanislaw Ponte Preta (pseudônimo), morreu em 30/9/1968. “O samba do crioulo doido" foi o título de uma de suas músicas, de muito sucesso nos anos 1960. A expressão é usada até hoje para se referir a coisas sem sentido.

Lalau Ponte Preta tinha "as garotas do Lalau", exibidas em fotos ousadas para a época, de biquínis, publicadas no jornal Última Hora (Rio Janeiro), e na revista Fatos & Fotos (Bloch Editores), eram mulheres "boazudas", a maioria artistas de teatro, sendo que algumas delas ainda hoje estão por aí, já assim, digamos, todas vovós. Lalau compôs muitas músicas (Garoto Linha-Dura, Tia Zulmira e Eu, Rosamundo e os Outros, Primo Altamirando e Elas e o FEBEAPÁ), e tinha em seus textos de jornal o especial FEBEAPÁ (Festival de Besteiras que Assola o País).


O Samba do Crioulo Doido é uma paródia composta em 1968, para o Teatro de Revista, em que procura ironizar a obrigatoriedade imposta às escolas de samba de retratarem nos seus sambas de enredo somente fatos históricos. A expressão do título é usada ainda hoje, no Brasil, para se referir a coisas sem sentido, a textos mirabolantes e sem nexo.


Histórico:
A composição fez parte do musical Pussy Pussy Cats, estrelado pelo Quarteto em Cy, juntamente com Sérgio Porto, o autor. A paródia do samba-enredo ia de encontro à obrigatoriedade imposta pelo então Departamento de Turismo da Guanabara aos compositores desses sambas de tratarem dos temas da História do Brasil, e que produziam os maiores disparates.
Do teatro rebolado a canção recebeu gravações pelo Quarteto em Cy e Demônios da Garoa.

Enredo: 
A música descreve histórias estapafúrdias, como "Chica da Silva obrigou a Princesa Leopoldina a se casar com Tiradentes, e este depois eleito como Pedro Segundo, quando procurou o padre José de Anchieta e, juntos, Anchieta e D. Pedro, proclamaram a escravidão" - dentre outros disparates que reúnem num contexto personalidades de épocas e lugares distintos, em condições absurdas.


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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

As 10 cidades mais poluídas do mundo

Richard Jakubaszko 
Um completo absurdo o que acontece no planeta em termos de poluição, consequência da ganância humana, do lucro a qualquer custo, da imprevidência, do descaso e omissão de autoridades, e também da ainda crescente expansão demográfica. A lotação do planeta já superou sua capacidade de nos prover de alimentos, água e minerais básicos.

ONG apresenta lista das 10 cidades mais poluídas do mundo
por Jéssica Lipinski - Fonte: Instituto CarbonoBrasil
China, Índia e Rússia se destacam no ranking, mas até o Peru possui um município com poluição extrema; mineração é a principal causa da degradação ambiental
A organização não governamental (ONG) Instituto Blacksmith, em parceria com a revista Time e a rede australiana ABC Environment, divulgou sua segunda lista anual das dez cidades mais poluídas do mundo. Entre os dez municípios mais poluídos, dois se localizam na China, dois na Índia, dois na Rússia, um no Azerbaijão, um na Ucrânia, um no Zâmbia (única cidade na África) e um no Peru (único município latino-americano).

No total, cerca de 12 milhões de habitantes são afetados pelas más condições ambientais que possuem essas cidades, tais como poluição atmosférica, água contaminada, exposição a metais pesados etc.

“Essas cidades não estão no circuito turístico, então não há muita atividade global, mas precisamos fazer algo a respeito disso”, comentou Richard Fuller, presidente do Instituto Blacksmith, à Time.

Abaixo, a classificação dos municípios, com os problemas que possuem e o número de habitantes afetados:

1) Linfen, China – Sendo uma das cidades mais poluídas da China, Linfen é o centro da extração e produção de carvão do país. As colinas da cidade são
Linfen, China.
repletas de jazidas legais e ilegais, e a atmosfera possui uma grande quantidade de poluição formada a partir do carvão queimado. Para se ter uma ideia, o ar é tão poluído que é comum que as roupas estendidas nos varais fiquem sujas antes mesmo de secarem. Cerca de três milhões de habitantes são afetados.

2) Tianying, China – O município, localizado na província de Anhui, é um dos principais centros de mineração e  processamento de chumbo da China. Operações em pequena escala são conhecidas por desobedecerem as regulamentações de poluição, o que faz com que a concentração de poluentes no ar e no solo seja de 8,5 a dez vezes maior do que o padrão de saúde nacional. Cerca de 140 mil pessoas relatam sofrer com contaminação por chumbo.

3) Sukinda, Índia – O vale indiano de Sukinda contém 97% dos depósitos de minério de cromita – utilizada principalmente na fabricação de vidro, cimento e aço inoxidável e cromagem – do país. A mineração do elemento exala cromo hexavalente, que é tóxico, na atmosfera, solo e água, possivelmente afetando 2,6 milhões de pessoas.

4) Vapi, Índia – A cidade se localiza no sul do cinturão de estados industriais da Índia, o que faz com que Vapi sofra os efeitos colaterais do rápido crescimento industrial do país. Os níveis de mercúrio nas águas subterrâneas são 96 vezes maiores do que os níveis de segurança da Organização Mundial da Saúde (OMS), e os metais pesados que poluem a atmosfera do município são encontrados até em produtos locais, segundo a revista Time. Aproximadamente 71 mil pessoas são afetadas produtos químicos e metais pesados no ambiente.

5) La Oroya, Peru – O município é um dos principais centros de mineração de chumbo dos Andes peruanos, e 99% das crianças têm altos níveis do metal
La Oroya, Peru.
em seu sangue, devido principalmente a uma fundição de propriedade norte-americana que polui a cidade desde 1922, de acordo com a Time. O chumbo deve permanecer no solo por séculos, e não há planos para uma descontaminação. Aproximadamente 35 mil pessoas são prejudicadas pela poluição.

6) Dzerzhinsk, Rússia – Foi um dos maiores locais de produção de armas químicas da União Soviética. Segundo o Guinness Book – Livro dos recordes mundiais, a cidade é a mais quimicamente poluída do mundo, e em 2003 a taxa de óbitos ultrapassava a de nascimentos em 260%. Cerca de 300 mil pessoas são possivelmente afetadas pelos produtos químicos tóxicos e seus subprodutos.

7) Norilsk, Rússia – A outra cidade russa do ranking foi fundada para ser um campo de trabalho na Sibéria e é lar de um dos maiores complexos de fundição de metais pesados do mundo, onde cerca de quatro milhões de toneladas de cádmio, cobre, chumbo, níquel, arsênio, selênio e zinco são emitidos para a atmosfera a cada ano, informa a Time. A mortalidade por doenças respiratórias é muito maior do que a da Rússia como um todo, e acredita-se que 134 mil pessoas sejam impactadas pela poluição do ar.

8) Chernobyl, Ucrânia – Não é sem razão que esse município ucraniano é considerado um dos mais poluídos do mundo. Mesmo depois de 27 anos do vazamento nuclear, uma área de 30 quilômetros ao redor de Chernobyl continua perigosamente radioativa e inabitável. Entre 1992 e 2002, mais de quatro mil casos de câncer de tireoide foram diagnosticados entre crianças russas, ucranianas e bielorrussas que viviam na zona de precipitação radioativa, diz a Time. Acredita-se que, desde o acidente, 5,5 milhões de pessoas tenham sido afetadas.

9) Sumgayit, Azerbaijão – Outro centro industrial da União Soviética, Sumgayit foi lar de mais de 40 fábricas que produziam químicos industriais e agrícolas, como detergentes e pesticidas. A maioria das fábricas foi fechada, mas os efeitos persistem. Atualmente, as taxas de câncer são 22% a 51% mais altas do que a média nacional, enquanto a mortalidade por câncer é 8% mais alta. Cerca de 275 mil habitantes são prejudicados.

10) Kabwe, Zâmbia – Grandes depósitos de chumbo foram descobertos na cidade em 1902, e embora a maioria das minas e fundições não estejam mais operando, as concentrações de chumbo nas crianças é cinco a dez vezes o permitido pelos níveis da Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos EUA, e podem ser altas o suficiente para matar. Acredita-se que 255 mil pessoas sejam afetadas pelo chumbo.

Imagens: Cidades de Linfen e La Oroya – Wikimedia Commons
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domingo, 29 de setembro de 2013

Milagre: voltou do coma depois de 2 anos!

Richard Jakubaszko  
Uma jovem carioca saiu do coma, depois de 2 anos. Abaixo a foto da jovem e seu relato de como escapou do coma com a ajuda de um cantor de Funk.
E você? Sairia do coma também?

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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O SUS americano é pior do que o SUS brasileiro

Richard Jakubaszko 
O SUS americano é muito pior do que o SUS brasileiro. Aliás, os EUA não têm exatamente um SUS. Lá, vigora a lei do mais forte, a lei de quem tem mais dinheiro.
Apesar de ser constituído por empresas de seguro saúde, o SUS americano é coisa de 3º mundo, e a burocracia esconde o jogo. Cerca de 250 milhões de americanos pagam seguro saúde, mas recebem péssimos serviços. Tudo isso pode ser visto no documentário de Michael Moore no vídeo abaixo.

Outros 50 milhões de americanos não possuem seguro saúde ou qualquer outro tipo de atendimento médico público ou gratuito. Ou pagam verdadeiras fortunas por qualquer tipo de serviço médico/hospitalar, ou morrem. Não há opção.
Moore conta isso em detalhes.
Assista este documentário, e horrorize-se!

No documentário Moore mostra como as empresas de seguro saúde, associadas a políticos, médicos, e a indústria farmacêutica, engambela o povo mais rico do planeta, no país mais poderoso de todos os tempos.

Moore mostra, ainda, como funciona o SUS do Canadá e o SUS da Inglaterra. Neste momento aprendemos o que é um país civilizado.
Bom divertimento e aprendizado.
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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Lula: "estou no jogo".

Richard Jakubaszko
O ex-presidente Lula concedeu entrevista neste dia 24 de setembro a um grupo de jornalistas da Rede Brasil Atual (RBA), ao site, rádio e revista da TVT e do jornal ABCD Maior. E mostrou suas armas para a próxima campanha. Entre outras coisas, Lula afirmou que "lá atrás, quando a oposição vetou a continuidade da CPMF, pensou e desejava apenas prejudicar ao meu governo, mas prejudicou o povo".
Lula reafirmou seu desejo de participar intensamente da campanha eleitoral de 2014, com o objetivo principal de reeleger a presidente Dilma. A diferença agora, conforme Lula, é que ela não é desconhecida como em 2010 e terá seus trunfos para mostrar, as vitórias e conquistas do governo que vem fazendo.
Na entrevista Lula abordou sobre quase tudo, inclusive sobre o julgamento do mensalão no STF, sobre a ascensão da classe média, a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
No vídeo abaixo, de apenas 3 minutos, e que foi postado no Youtube, destacaram de Lula somente algumas frases isoladas de vários depoimentos ao longo da conversa, que durou mais de 90 minutos. A entrevista na íntegra será exibida ainda esta semana pela TVT e pela RBA.


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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Fim da vida na Terra? – Cá estamos nós!

Richard Jakubaszko  
Discordo frontalmente de Dom Bertrand Orleans e Bragança (tataraneto de Dom Pedro II) em relação às questões ideológicas radicais que assume (ele é um dos líderes da famigerada TFP - Tradição Família e Propriedade), mas concordo sobre as questões técnicas ambientais, posição assumida por ele no livro Psicose Ambientalista, do qual o escritor Luís Dufaur, coautor do livro, escreve no artigo abaixo, divulgado pela "Agência Boa Imprensa".
Ou seja, concordo integralmente em relação ao fato de que não existe aquecimento ou mudanças climáticas, e discordo sobre o fato apontado por ele de que os maiores incentivadores dessa falácia seriam membros das esquerdas internacionais. Isto porque, os maiores interessados nessa agenda econômica e política são magnatas ligados ao setor enegético e ainda membros da ONU, apoiados por boa parte de pesquisadores científicos, interessados em verbas para pesquisa, e também pela imprensa, ávida por más notícias.
A Agência Boa Imprensa é a assessoria de imprensa do príncipe Bertrand e dos interesses da TFP, e eles andam muito ativos ultimamente.
A publicação desse artigo no blog é justificada, portanto, pela opinião do cientista alemão Ulrich A. Glasmacher, e que pode ser lida a seguir:

Fim da vida na Terra? – Cá estamos nós!
Luis Dufaur (*)        
“Há milhões de anos o planeta Terra enfrentava mudanças climáticas semelhantes às vividas atualmente” – explicou Ulrich A. Glasmacher, da famosa Universidade de Heidelberg, na Alemanha. “E isso não trouxe nenhuma catástrofe. Cá estamos nós” – acrescentou.

Para o cientista alemão, as mudanças climáticas “não são fenômenos novos na História. Há cerca de 350 milhões de anos tivemos os mesmos problemas de hoje. Estamos no mesmo ponto daquela época” – explicou ele durante a 65ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, segundo reportagem de Heloísa Cristaldo para a Agência Brasil.

De acordo com Glasmacher, a temperatura do planeta não está aumentando, mas apenas oscilando: “As temperaturas estão flutuando, sobem e descem. Mas estamos muito influenciados pela mídia”. Acrescentou que no período dos dinossauros os vulcões foram responsáveis pela alta concentração de gases na atmosfera:
     
“Os vulcões – mesmo fora de atividade – liberam volumes enormes de gás carbônico. No entanto, os dinossauros não foram extintos do nosso planeta por causa desses gases.”

O pesquisador afirmou ainda que há 100 milhões de anos o planeta era coberto por neve, “um bolo de gelo, com clima muito frio”. “Há 60 milhões de anos, o Brasil, ainda unido à África, também estava coberto por uma camada de gelo”.

Para Ulrich A. Glasmacher, períodos muito quentes são geralmente precedidos por outros frios. Mas que “o ser humano aprendeu que se bater na noz, ela vai se abrir. Em pouco tempo foi possível reagir às mudanças do ambiente”, explicou ele diante da seleta plateia da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

Nos anos 900 a 1000, segundo o pesquisador, os vikings navegavam pelo norte do Oceano Atlântico e por toda a Groenlândia – ainda sem cobertura de gelo. “Os vikings achavam muito bom o período quente e produziam vinho em locais que hoje são congelados”.

O importante para o homem é sua inteligência e capacidade de adaptar-se ao clima, que nunca deixou de mudar. “Precisamos pensar também que somos os únicos no universo. A vida na Terra vai continuar em qualquer circunstância. Falar em cenário letal para o planeta é mentira e só serve para gerar medo” – concluiu o cientista.

Embora nosso bom senso nunca necessitasse de um cientista alemão para demonstrar tais evidências, a tortura ideológico-midiática exercida pelo ambientalismo radical impôs que um abalizado especialista como Glasmacher viesse dissipar dúvidas que fariam morrer de rir os nossos antepassados.

Por esta e por outras razões o Príncipe Dom Bertrand escreveu o livro – Psicose Ambientalista – Os bastidores do ecoterrorismo para implantar uma “religião” ecológica, igualitária e anticristã.

(*) Luís Dufaur é escritor,  e colaborou na elaboração do presente livro.
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sábado, 21 de setembro de 2013

Galinhas praticando o "deixa disso"?

Richard Jakubaszko   
Galinhas praticando o "deixa disso"? Nunca vi isso na minha vida!
Definitivamente, é hilário, deveras inusitado e exótico. Por isso que se diz que o mundo não é mais o mesmo... Algo aconteceu, e se a gente contar ninguém acredita. Então, vejam no vídeo abaixo a bronca e as bicadas do seo galo e de dona galinha nos coelhos brigões...

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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Xampu, para políticos e seus eleitores...

Richard Jakubaszko   
Vejam só o que a propaganda e o marketing poderiam fazer de bom em prol dos políticos. Não seria uma boa ideia essa de colocar certos políticos fazendo testemunhais de alguns produtos, como o desse xampu? Os eleitores que votam nesses políticos se tornariam bons consumidores desses produtos, já que acreditam em tudo o que dizem esses políticos... 
Na política e na propaganda vale qualquer coisa, né não?
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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A Justiça e a infraestrutura

Mauro Santayana 

O Brasil assistiu, nas últimas semanas, a duas importantes mudanças na área de infraestrutura.
A primeira está ligada ao anúncio de que, finalmente, grandes bancos estrangeiros aceitaram participar, em parceria com bancos estatais e privados nacionais, do financiamento de obras de infraestrutura em nosso país.

Essa notícia muda o padrão no qual a maioria do financiamento é público, subsidiado, brasileiro e estatal, e os ganhos, em vez de serem reinvestidos aqui dentro, são enviados para o exterior como remessa de lucros.

A segunda mudança é a ida de ministros brasileiros a países como a China, para apresentar oportunidades de investimento em infraestrutura.

Com isso, o Brasil amplia seus horizontes e suas parcerias, e sai de um quadro de dependência quase exclusiva de empresas e operadoras de países ocidentais.

“Sócios” que costumam pressionar e mudar a regras do jogo a seu bel prazer, com a ameaça de não participar das licitações.

Uma missão da China Railway Construction Corporation (CRCC), já está no Brasil à procura de parceiros para participar da disputa do trecho ferroviário que ligará Açailândia, no Maranhão, ao Porto de Vila do Conde, na cidade paraense de Barcarena.

Os chineses têm 3.3 trilhões de dólares em reservas internacionais, o maior banco de desenvolvimento do mundo e a maior companhia de construção ferroviária do mundo, com 2 milhões de empregados.

Ampliar a diversidade de investidores, no entanto, é apenas o primeiro passo para resolver os problemas de logística e infraestrutura no Brasil.

É preciso arranjar uma forma de a justiça se pronunciar, definitivamente, a propósito da construção de grandes projetos, antes do início das obras, e não quando já estão em andamento.

A constante interrupção - por longos períodos e por repetidas vezes - de obras tocadas pelo Governo Federal ou pelos estados, que são fundamentais para o desenvolvimento nacional, é o principal fator de insegurança, hoje, para os investidores.

Ainda anteontem, o Tribunal Regional Federal da Primeira Região determinou a suspensão imediata da construção da hidrelétrica de Teles Pires, ameaçando o consórcio responsável de multa de 500.000 reais por dia, em caso de desobediência.

Essa decisão – alega-se agressão à natureza e à cultura indígena – deveria ter sido tomada antes que fossem investidos os quatro bilhões de reais gastos até agora.

O que o consórcio vai fazer? Demitir os 6.000 trabalhadores que contratou, treinou, instalou no meio da selva, para recontratar depois outros quando a liminar for cassada?

Aí, quando a obra termina, com o dobro de tempo esperado e duas ou três vezes o custo inicialmente previsto, muita gente vai para a internet – uns por desinformação, e outros por má fé mesmo – para colocar, a torto e a direito, a culpa na corrupção e no “desgoverno”.

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terça-feira, 17 de setembro de 2013

Amanhã, o Brasil muda

Richard Jakubaszko 
Expectativa enorme dos brasileiros politizados e adeptos de todas as cores para o que vai acontecer amanhã no STF, quando o ministro Celso de Mello, decano da suprema corte, vai proferir seu voto e irá determinar se, não apenas ele, mas o plenário do STF aceita ou não os tais embargos infringentes interpostos pelos réus da Ação Penal 470, o tal do "mensalão".

O julgamento, como sabemos, ficou empatado em 5 x 5 votos na última sessão plenária, e agora o 11º voto irá desempatar a questão, até porque o presidente do STF já proferiu seu voto no primeiro momento, como relator, e não como presidente, pois seria voto de Minerva. Ansioso por terminar as votações o ministro e relator Joaquim Barbosa votou antes. Ato inédito no STF.

A mídia, atenta às tentativas políticas, e conveniente parceira das manobras do plenário, entendeu que a demorada chicana dos ministros Barbosa e Marco Aurélio de Mello, foi no sentido de não permitir o voto de Celso de Mello na sexta, postergando o voto para quarta, dia 18/9, e assim, desde sábado, 14/9, os jornalões e revistas semanais martelam mensagens "ouvidas das ruas e dos céus", de que "a opinião pública" quer o cumprimento das leis.

Ou seja, opinião publicada, no entender da mídia, agora virou "opinião pública", porque contraria os interesses políticos dessa mídia.
Um exemplo desse desespero político está no texto de Arnaldo Jabor, no Estado de hoje, que reproduzo abaixo.

Amanhã, o Brasil muda
17 de setembro de 2013
Arnaldo Jabor, em O Estado de S.Paulo de hoje.
Comecei a escrever este artigo e parei. Minhas mãos tremiam de medo diante da gravidade do assunto. Parei. Tomei um calmante e recomecei. Não posso me exacerbar em invectivas, em queixumes ou denúncias vazias. Tenho de manter a cabeça fria (se possível) para analisar os efeitos do resultado do julgamento do mensalão, que virá amanhã. "Tomorrow, and tomorrow, and tomorrow" (...) "o amanhã se infiltra dia a dia até o final dos tempos", escreveu Shakespeare em Macbeth (ato 5 cena 5); pois o nosso amanhã pode nos jogar de volta ao passado, provando a nós cidadãos que "a vida é um conto narrado por um idiota, cheio de som e fúria, significando nada". Ou que "a nossa vida será uma piada", na tradução livre de Delúbio Soares.

No Brasil nunca há "hoje"; só ontem e amanhã. Amanhã será amanhã ou será ontem. Depois de tanto tempo para se (des) organizar uma república democrática, o ministro Celso de Mello tem nas mãos o poder de decretar nosso futuro. Essa dependência do voto fatal de um homem só já é um despautério jurídico, um absurdo político. O "sagrado" regimento interno do STF está cuidadosamente elaborado por décadas de patrimonialismo para inviabilizar condenações. Eu me lembro do início do julgamento. Tudo parecia um atemorizante sacrilégio, como se todos estivessem cometendo o pecado de ousar cumprir a lei julgando poderosos. Vi o "frisson" nervoso nos ministros juízes que, depois de sete anos de lentidão, tiveram de correr para cumprir os prazos impostos pelas chicanas e retardos que a gangue de mensaleiros e petistas conseguiu criar. Suprema ironia: no país da justiça lenta, os ministros do Supremo foram obrigados a "andar logo", "mandar brasa", falar rápido, pois o Peluso tinha de votar, antes de sair em setembro. E só houve julgamento porque o ministro Ayres de Britto se empenhou pessoalmente em viabilizar prazos e datas. Se não, não haveria nada.

Dois ministros impecáveis e com saúde foram aposentados com 70 anos. Poderiam ao menos terminar o julgamento; mas, o "regimento" impediu. Sumiram de um dia para o outro, para gáudio dos réus. E foram nomeados em seu lugar Teori e Barroso, naturalmente ávidos para não se submeter ao ritmo de nosso Joaquim Barbosa e valorizar sua chegada ao tribunal. Até compreendo a vaidade, mas entraram para questionar o próprio julgamento, como Barroso declarou.

Amanhã, Celso de Mello estará nos julgando a todos; julgará o País e o próprio Supremo. Durante o processo, qualificou duramente o crime como "o mais vergonhoso da História do País, pois um grupo de delinquentes degradou a atividade política em ações criminosas". E agora?

Será que ele ficará fiel à sua opinião inicial? Ele fez um risonho suspense: "Será que evoluí?" - como se tudo fosse mais um doce embate jurídico. Não é.

Se ele votar pelos embargos infringentes, estará acabando com o poder do STF, pois nem nos tribunais inferiores como o STJ há esses embargos.

Nosso único foro seguro era (é?) o Supremo Tribunal. Precisamos de uma suprema instância, algum lugar que possa coibir a cascata suja de recursos que estimulam a impunidade e o cinismo. Já imaginaram a euforia dos criminosos condenados e as portas todas abertas para os que roubam e roubarão em todos os tempos? Vai ser uma festa da uva. A democracia e a República serão palavras risíveis.

O ministro Celso de Mello provavelmente não lerá esse artigo, pois se recolhe num retiro proposital para consultar sua "consciência individual".

Mas, afinal de contas, o que é essa "consciência individual", apartada de todos os outros homens vivos no País?

O novato Barroso, considerado um homem "de talento robusto e sério", como tantas personagens de Eça de Queiroz, já lançou a ideia e falou de sua "consciência individual" com orgulho e delícia: "Faço o que acho certo. Independentemente da repercussão. Não sou um juiz pautado sobre o que vai dizer o jornal no dia seguinte". Mas, quem o pauta? A coruja de Minerva, o corvo de Poe, ou os urubus que sobrevoam nossa carniça nacional? Ele não é pautado por nada? A população que o envolve, não o comove? Ele nasceu por partenogênese, geração espontânea, já de capa preta e sapatos ou foi formado como todos nós pelo olhar alheio, pelos limites da vida social, pelas ideologias e hábitos que nos cercam? Que silêncio "fecundo" é esse que descobre essências do Ser na solidão? Ele é o quê? O Heidegger do "regimento"? Essa ideia "barrosiana" de integridade não passa de falta de humildade, de narcisismo esperando iluminação divina.

E Celso de Mello aponta nessa mesma direção. Será? Será que ele terá a crueldade (esta é a palavra) de ignorar a vontade explícita da população pela violenta anulação de nove anos de suspense, por uma questiúncula em relação ao "regimento"? Por que não uma interpretação "sistemática" da lei, em vez da estrita análise literal? Transformará a "justiça suprema em suprema injúria" sobre todos nós?

Os acontecimentos benéficos ao País sempre voltam atrás, depois de uma breve euforia. Assim foi o milagroso surgimento da opinião pública nas ruas, logo reprimida não pela polícia, mas pelos punks fascistas encapuzados que amedrontaram todos, para alegria do Executivo e Legislativo. Todos os escândalos inumeráveis voltam ao nada. Um amigo me chama de pessimista; respondo que o pessimista é um otimista bem informado.

A verdade é que, desde o início, o desejo de ministros como o Lewandowski e o Toffoli era retardar o julgamento. Eu gelei quando vi a cara impassível do Lewandowski analisando o processo por seis meses e o Toffoli não se impedindo de votar, apesar de suas ligações anteriores com Dirceu. Depois, os dois novatos chegaram para proferir sentenças contra o processo de que não participaram.

Em tudo isso há sim um forte desejo de ferrar o Joaquim Barbosa, por inveja da fama que conquistou.

E afirmo (com arrogância de profeta) que amanhã o Celso de Mello, com sua impecável "consciência individual", vai votar "sim" pelos embargos.
Será a vitória para os bolcheviques e corruptos lobistas. Ok, Dirceu, você venceu.

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OBSERVAÇÕES DO BLOGUEIRO
A situação do julgamento do mensalão no STF, conforme o ótimo infográfico do Estadão, abaixo, não apenas assume ares políticos, o que já era uma constante em todo o julgamento, apenas que, agora, admite-se isso, indiretamente. Melhor dizendo, não se está fazendo um julgamento penal da Ação Penal 470, mas julgando o "mensalão".

Desde que me conheço por gente, decisões do STF eram ouvidas e acatadas. Nesse "tempos modernos" a mídia tenta descaradamente ganhar o jogo de forma antecipada, como se pode perceber na argumentação infantilizada de Arnaldinho Jabor no texto acima.
Amanhã saberemos quem venceu, ou, se o Brasil perdeu.


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