terça-feira, 30 de abril de 2013

Sem o Cerrado o Brasil ainda importaria alimentos

Richard Jakubaszko *
Quem tem menos de 40 anos de idade já chegou à idade adulta e sempre votou para eleger um Presidente da República. Não tem noção, portanto, do que seja estar em um país com presidente indicado e nomeado. Da mesma forma, quem tem menos de 40 anos também não possui a consciência do que seja um país ser dependente da importação de alimentos para suprir as populações urbanas.

Até os anos 1960 o Brasil importava quase tudo, de trigo a feijão, arroz, milho, soja, frutas e flores. Exportávamos apenas café e açúcar, um pouco de fumo e cacau, e nada de frango ou carne bovina e suína.
Portanto, em cerca de 30 anos o Brasil mudou. Passou a ser uma democracia plena, consolidada, ao mesmo tempo em que se se transformou no segundo maior exportador de alimentos do planeta, sendo líder nas exportações de soja, café, açúcar, suco de laranja, carnes bovina, suína e de frango. Somos o segundo em milho, e brigamos corajosamente em algodão e frutas tropicais.

Nada disso seria possível sem a profissionalização dos agricultores e o uso das modernas tecnologias disponíveis, como sementes, agroquímicos, máquinas, fertilizantes, o plantio direto tropicalizado, a agricultura de precisão, e ainda o apoio da pesquisa, principalmente da Embrapa, que em abril de 2013 completa 40 anos de profícuos trabalhos. De todo esse processo os agricultores brasileiros participaram, diretamente, aplicando os resultados das pesquisas, aperfeiçoando o uso, na prática, do que estava à disposição deles para uso.

Mesmo se tivéssemos todos os itens acima citados, nada seria como está hoje sem a participação de dois outros “atores”: primeiro, o desenvolvimento do Cerrado brasileiro, antes inóspito, desacreditado, e depois domado, transformado em produtivo pelo segundo ator, o produtor rural pioneiro, fossem migrantes gaúchos, catarinenses ou paranaenses, metade mais um pouco de colorados e metade menos um pouco de gremistas, que se dedicaram com admirável paixão, de corpo e alma, na utopia de viabilizar o Cerrado brasileiro para a produção de grãos e fibras e ainda o plantio de pastagens. Com isso, outros estados, especialmente os do Sul e do Sudeste, tiveram condições de diversificar a sua agricultura, mas com o exemplo do Cerrado, de aprimorar e profissionalizar o trabalho com a terra, aumentando a produção de alimentos não apenas pelo uso de novas terras, virgens, mas melhorando sempre a produtividade.

Exportamos hoje cerca de 30% de tudo o que se produz no agronegócio, o que significa dizer que consumimos 70% da produção. O preço da cesta básica, por causa dos alimentos, manteve-se baixo, segurando a inflação.
Não fosse a competência dos pioneiros do Cerrado, não fosse a coragem de enfrentar o novo, os migrantes sulistas que reaprenderam com humildade a fazer uma agricultura moderna, estaríamos ainda hoje, com ou sem democracia, importando alimentos, dependentes de tudo das vontades de além-mar.

Vencidas essas etapas, temos hoje um desafio maior, o de tornar o Brasil, sempre profetizado como “o país do futuro”, de mostrar ao mundo e aos brasileiros, que o Brasil será a América do século XXI, ou, melhor ainda, o que os EUA representaram para o planeta no século XX será o que o Brasil se tornará no século XXI, e os primeiros vislumbres disso já se mostram evidentes, através da constatação e o reconhecimento de que o Brasil tem tudo o que é necessário para tornar concreto esse sonho dos pioneiros: temos terras, temos água e sol, temos a nossa tecnologia tropical, e temos gente que acredita na agricultura.

Precisamos apenas resolver, antes de conquistar esses sonhos, a complicada questão da infraestrutura deficiente, seja em armazenamento, seja em transportes. Lembremos, entretanto, que o Norte do Paraná, no final dos anos 1960, foi a primeira nova fronteira agrícola do Brasil nos tempos modernos, e lá também não havia infraestrutura e logística adequada naqueles tempos para atender os pioneiros de então. Inegavelmente, o preço do pioneirismo sempre foi alto, mas o futuro é risonho, e torna-se necessária certa resiliência para aceitar as dificuldades impostas pelo crescimento.

A luz no final do túnel mostra que o mercado consumidor, interno e externo, continua crescendo. E os que têm menos de 40 anos de idade hoje compreendam as dificuldades contemporâneas para poder escrever de forma justa as páginas da história lá no futuro.

* jornalista e escritor, editor-executivo da revista Agro DBO www.agrodbo.com.br 

Este artigo foi publicado no site da Girassol Agrícola www.girassolagricola.com.br junto com uma série de autores convidados, para comemorar os 30 anos de atividades da empresa no Cerrado brasileiro, com o pioneirismo de seu fundador, o engenheiro agrônomo Gilberto Goellner.
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2 comentários:

  1. Oxalá o futuro seja realmente próspero para o Brasil e para os produtores rurais... isso se a FUNAI, CIMI e outros esquerdopatas deixaram né?

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  2. Eu tenho 54 anos e estou lutando para impedir a destruição do Cerrado.

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