quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Sua tia não é fascista, ela está sendo manipulada

Rafael Azzi *
Créditos da foto Nacho Doce - Reuters
Você se pergunta como um candidato com tão poucas qualidades e com tantos defeitos pode conseguir o apoio quase que incondicional de grande parte da população?

Você já tentou argumentar racionalmente com os eleitores deles, mas parece que eles estão absolutamente decididos e te tratam imediatamente como inimigo no mais leve aceno de contrariedade?

Até sua tia, que sempre foi fofa com você, agora ataca seus posts sobre política no facebook?

Pois bem, vou contar uma história.

O principal nome dessa história é um sujeito chamado Steve Bannon. Bannon tinha uma visão de extrema direita nacionalista. Ele tinha um site no qual expressava seus pontos de vista que flertavam com o machismo, com a homofobia, com a xenofobia, etc. Porém, o site tinha pouca visibilidade e seu sonho era que suas ideias se espalhassem com mais força no mundo.

Para isso, Bannon contratou uma empresa chamada Cambridge Analytica. Essa empresa conseguiu dados do facebook de milhões de contas de perfis por todo mundo. Todo tipo de dado acumulado pelo facebook: curtidas, comentários, mensagens privadas. De posse desses dados e utilizando algoritmos, essa empresa poderia traçar perfis psicológicos detalhados dos indivíduos.

Tais perfis seriam então utilizados para verificar quais indivíduos estariam mais predispostos a receber as mensagens: aqueles com disposição de acreditar em teorias conspiratórias sobre o governo, por exemplo, ou que apresentavam algum sentimento de contrariedade difuso ao cenário político atual.

A estratégia seria fazer com que esse indivíduo suscetível a essas mensagens mudasse seu comportamento, se radicalizasse. Como as pessoas passaram a receber as notícias e a perceber o mundo principalmente através das redes sociais, não é difícil manipular essas informações. Se você pode controlar as informações a que uma pessoa tem acesso, você pode controlar a maneira com que ela percebe o mundo e, com isso, pode influenciar a maneira como se comporta e age.

Posts no facebook podem te fazer mais feliz ou triste, com raiva ou com medo. E os algoritmos sabem identificar as mudanças no seu comportamento pela análise dos padrões das suas postagens, curtidas, comentários.

Assim, indivíduos com perfis de direita e seu tradicional discurso “não gosto de impostos” foram radicalizados para perfis paranóicos em relação ao governo e a determinados grupos sociais. A manipulação poderia ser feita, por exemplo, através do medo: “o governo quer tirar suas armas”. Esse tipo de mensagem estimula um sentimento de impotência e de não ser capaz de se defender. Estimula também um sentimento de “somos nós contra eles”, o que fecha a pessoa para argumentos racionais.

Sites e blogs foram fabricados com notícias falsas para bombardear diretamente as pessoas influenciáveis a esse tipo de mensagem. Além disso, foi explorado também um sentimento anti-establishment, anti-mídia tradicional e anti “tudo isso que está aí”. Quando as pessoas recebiam várias notícias de forma direta, e não viam essas notícias repercutirem na grande mídia, chegavam à conclusão de que a grande mídia mente e esconde a verdade que eles tem.

Se antes a mídia tradicional podia manipular a população, a manipulação teria que ser feita abertamente, aos olhos de todos. Agora, todos temos telas privadas que nos mandam mensagens diretamente. Ninguém sabe que tipo de informação a pessoa do lado está recebendo ou quais mensagens estão construindo sua percepção de realidade.

Com esse poder nas mãos, Bannon conseguiu popularizar a alt right (movimento de extrema direita americana) entre os jovens, que resultou nos protestos “unite de right” no ano passado em Charlottesville, Virgínia, que tiveram a participação de supremacistas brancos. Bannon trabalhou na campanha presidencial de Donald Trump e foi estrategista de seu governo. A Cambridge Analytica trabalhou também no referendo do Brexit, que foi vencido principalmente por argumentos originados de fake news.

Quando a manipulação veio à tona, Mark Zuckerberg foi chamado ao senado americano para depor. Pra quem entendeu o que houve, ficou claro que a democracia da nação mais importante do mundo havia sido hackeada. Mas os congressistas pouco entendimento tinham de mídia social; e quem estaria disposto a admitir que a democracia pode ser hackeada através da manipulação dos indivíduos?

Zuckerberg estava apenas pensando em estabelecer um modelo de negócios lucrativo com a venda de anúncios direcionados. A coleta de dados e a avaliação de perfil psicológico das pessoas tinham a intenção “inocente” de fazer as pessoas clicarem em anúncios pagos. Era apenas um modelo de negócios. Mas esse mesmo instrumento pode ser usado com finalidade política.

Ele se deu conta disso e sabia que as eleições brasileiras podiam estar em risco também. Somos uma das maiores democracias do mundo. O facebook tomou medidas ativas para evitar que as campanhas de desinformação e manipulações ocorressem em sua rede social. Muitas contas fake e páginas que compartilhavam informações falsas foram retiradas do facebook no período que antecede as eleições.

Mas não contavam com a capilarização e a popularização dos grupos de whatsapp. Whatsapp é um aplicativo de mensagens diretas entre indivíduos; por isso, não pode ser monitorado externamente. Não há como regular as fake news, portanto. Fazer um perfil fake no whatsapp também é bem mais fácil que em outras redes sociais e mais difícil de ser detectado.

Lembram do Steve Bannon, que sonhou com o retorno de uma extrema direita nacionalista forte mundialmente? Que tinha ideias que são classificadas como anti minorias, racistas e homofóbicas? E que usou um sentimento difuso anti “tudo que está aí”, e um medo de os homens se sentirem indefesos para conquistar adeptos?

Pois bem, ele se encontrou em agosto com Eduardo Bolsonaro. Bolsonaro disse que o Bannon apoiaria a campanha do seu pai com suporte e “dicas de internet”, essas coisas. Bannon é agora um “consultor eventual” da campanha. Era o candidato ideal pra ele, porque compartilhava suas ideias, no cenário ideal: um país passando por uma grave crise econômica com a população desiludida com a sua classe política.

Logo depois de manifestações de mulheres nas ruas de todo o Brasil e do mundo contra Bolsonaro, o apoio do candidato subiu, entre o público feminino, de 18 para 24 por cento. Um aumento de 6 pontos depois de grande parte das mulheres se unir para demonstrar sua insatisfação com o candidato.

Isso acontece porque, de um lado, a grande mídia simplesmente ignorou as manifestações e, por outro, houve um ataque preciso às manifestações através dos grupos de whatsapp pró-Bolsonaro. Vídeos foram editados com cenas de outras manifestações, com mulheres mostrando os seios ou quebrando imagens sacras, mas utilizadas dessa vez para desmoralizar o movimento #elenão entre as mais conservadoras.

Além disso, Eduardo Bolsonaro veio a público logo após a manifestação e declarou: “As mulheres de direita são mais bonitas que as de esquerda. Elas não mostram os peitos e nem defecam nas ruas. As mulheres de direita têm mais higiene.” Essa declaração pode parece pueril ou simplesmente estúpida, mas é feita sob medida para estimular um sentimento de repulsa para com o “outro lado”.

Isso não é nenhuma novidade. A máquina de propaganda do nazismo alemão associava os judeus a ratos. O discurso era que os judeus estavam infestando as cidades alemãs como os ratos. Esse é um discurso que associa o sentimento de repulsa e nojo a uma determinada população, o que faz com que o indivíduo queira se identificar com o lado “limpo” da história. Daí os 6 por cento das mulheres que passaram a se identificar com o Bolsonaro.

Agora é possível compreender porque é tão difícil usar argumentos racionais para dialogar com um eleitor do Bolsonaro? Agora você se dá conta do nível de manipulação emocional a que seus amigos e familiares estão expostos? Então a pergunta é: “o que fazer?”

Não adianta confrontá-los e acusá-los de massa de manobra. Isso só vai fazer com que eles se fechem e classifiquem você como um inimigo “do outro lado”. Ser chamado de manipulado pode ser interpretado como ser chamado de burro, o que só vai gerar uma troca de insultos improdutiva.

Tenha empatia. Essas pessoas não são tolas ou malvadas; elas estão tendo suas emoções manipuladas e estão submetidas a uma percepção da realidade bastante diferente da sua.

Tente trazê-las aos poucos para a razão. Não ofereça seus argumentos racionais logo de cara, eles não vão funcionar com essas pessoas. A única maneira de mudar seu pensamento é fazer com que tais pessoas percebam sozinhas que não há argumentos que fundamentem suas crenças e as notícias veiculadas de maneira falsa.

Isso só pode ser feito com uma grande dose de paciência e de escuta. Peça para que a pessoa defenda racionalmente suas decisões políticas. Esteja aberto para ouvi-la, mas continue sempre perguntando mais e mais, até ela perceber que chegou num ponto em que não tem argumentos para responder.

Pergunte, por exemplo: “Por que você decidiu por esse candidato? Por que você acha que ele vai mudar as coisas? Você acha que ele está preparado? Você conhece as propostas dele? Conhece o histórico dele como político? Quais realizações ele fez antes que você aprova?”

Em muitos casos, a pessoa tentará mudar o discurso para falar mal de um outro partido ou do movimento feminista. Tal estratégia é esperada porque eles foram programados para achar que isso representa “o outro lado”, os inimigos a combater.

Nesse caso, o caminho continua o mesmo: tentar trazer a pessoa para sua própria razão: “Por que você acha que esse partido é tão ruim assim? Sua vida melhorou ou piorou quando esse partido estava no poder? Como você conhece o movimento feminista? Você já participou de alguma reunião feminista ou conhece alguém envolvido nessa luta?”

Se perceber que a pessoa não está pronta para debater, simplesmente retire-se da discussão. Não agrida e nem ofenda, comportamento que radicalizaria o pensamento de “somos nós contra eles”. Tenha em mente que os discursos que essa pessoa acredita foram incutidos nela de maneira que houvesse uma verdadeira identificação emocional, se tornando uma espécie de segunda identidade. Não é de uma hora pra outra que se muda algo assim.

Duas das mais importantes democracias do mundo já foram hackeadas utilizando tais técnicas de manipulação. O alvo atual é o nosso país, como uma das mais importantes democracias do mundo. Não vamos deixar que essas forças nos joguem uns contra os outros, rasgando nosso tecido social de uma maneira irrecuperável.

P.S.: Por favor, pesquise extensamente sobre todo e qualquer assunto que expus aqui, e sobre o qual você esteja em dúvida. Não sou de nenhum partido. Sou filósofo e, como filósofo, me interesso pela verdade, pela ética e pelo verdadeiro debate de ideias.

* Rafael Azzi é Doutor em Filosofia pela PUC do Rio de Janeiro

Publicado no site da Carta Maior: https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Eleicoes/Sua-tia-nao-e-fascista-ela-esta-sendo-manipulada-/60/41968
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terça-feira, 9 de outubro de 2018

Não acabo amizade por causa de política

Luís Fernando Veríssimo *
Se você concorda que os portugueses não pisaram na África e que os próprios negros enviaram seus irmãos para nos servir, acabo a amizade pelo desconhecimento da História.

Se você concorda que de 170 projetos, apenas 2 aprovados, é o mesmo que 500, acabo a amizade por causa da Matemática.

Se você concorda que o alto índice de mortalidade infantil tem a ver com o número de nascimentos prematuros, acabo a amizade por causa da Ciência.

Se você concorda que é só ter carta branca para que a PM e a Civil matem quem julgarem merecer, acabo a amizade por causa do Direito.

Se você concorda que não há evidências de uso indevido do dinheiro público, mas acha que é mito quem usa apartamento funcional “pra comer gente”, acabo a amizade pela Moral.

Se você concorda que Carlos Brilhante Ustra não foi torturador e que merece ter suas práticas exaltadas, acabo a amizade por falta de Caráter.

Se você concorda que o Bolsonaro participou, aos 16 anos, da perseguição ao Lamarca, acabo a amizade por falta de Verossimilhança.

Se você concorda que não temos dívida social com um povo que foi arrancado do seu mundo pra servir a outro e que diferenças de tratamento étnico-racial é historinha, acabo a amizade por Racismo.

Se você concorda que as mulheres devem ganhar menos por gerar vidas e que são frutos de fraquejadas, merecendo serem estupradas ou não, de acordo com a sua aparência, acabo a amizade por Misoginia.

Se você concorda que não há possibilidade das pessoas viverem sua sexualidade livremente, com direitos e deveres como qualquer cidadão ou cidadã, mas que devam apanhar para aprender o que é certo, acabo a amizade por Homofobia.

Como vocês podem ver, não acabo a amizade por causa de política.

Acabo pela ignorância, truculência e pelo desrespeito que acompanha quem diz que não se acaba amizade por causa de política.

O fascismo não se discute, se combate.

* o autor é escritor

NOTA DO BLOGUEIRO:
Publiquei o texto acima, creditando-o a Luiz Fernando Veríssimo, pois assim me foi encaminhado. Entretanto, não consegui confirmar a autoria. Como os textos de Veríssimo são publicados apenas em alguns jornais, especialmente O Globo, e restrito a assinantes, dificilmente são reproduzidos pelo Google, dificultando a confirmação da autoria.

Este blogueiro, por considerar o texto acima uma ideia brilhante, lúcida, acredito que até o próprio Veríssimo avalizaria seu conteúdo, é por isso que o publiquei aqui no blog. Se alguém souber se é do Veríssimo, ou de outrem, atualizo o comentário. O texto está sendo difundido pela qualidade de seu conteúdo, e não pelo nome famoso do pseudo autor.
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domingo, 7 de outubro de 2018

Votar é incrível

Eliane Brum *
Acabei de votar. Eu fico muito emocionada quando voto. Vivi a ditadura e sei a dor que é não poder votar. A dor que é não pode falar, a dor que é não poder escolher, a dor que é saber que sua família é vigiada, o medo que é esperar o pai voltar do quartel onde foi chamado por ser “subversivo”, a dor que é o irmão não voltar de uma noite de movimento estudantil, a dor que é saber que a mãe foi delatada pelas suas colegas na escola onde dava aula 48 horas por semana. A dor que é ter livros escondidos, porque proibidos pelo regime, a dor que é ter medo de cada coleguinha que vai brincar na sua casa porque pode contar para os pais o que descobriu no esconde-esconde. E os pais podem contar àqueles que se autoproclamaram senhores da vida e da morte. E então é você que vai se sentir culpada pelo horror que vai acontecer aos seus pais e à sua família. Eu sei o que é o pavor dos gritos dos que são torturados, os gritos que quem não esconde a cabeça debaixo do travesseiro escuta mesmo que os ouvidos não consigam alcançar os porões. O horror dos mortos sem corpo, sumidos pelas mãos de agentes de Estado, os mortos que as mães e os pais não conseguem sequer sepultar.

Acho que muita gente se esquece do horror – ou nunca o viveu e não se importa com o que os outros viveram. Acho que muita gente só se importa consigo mesma e acredita que o horror nunca chegará à sua porta. Acho que muita gente não se importa porque acredita estar a salvo. Mas o horror chega. A história nos mostrou, inúmeras vezes, que de alguma maneira ele chega.

Acho que muita gente esquece o quanto é incrível votar. Respeito quem não vota. Mas lamento.

Votei feliz, apesar das sombras que nos ameaçam neste momento. Votei consciente, com meus votos anotados, com meus votos muito bem estudados. Votei orgulhosa por votar. Votei com o coração batendo forte porque estou viva e tenho dentro de mim essa alegria invencível. E votei vestida de branco.

* a autora é jornalista.
Texto publicado em seu Facebook

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sábado, 6 de outubro de 2018

Amanhã, dia D do voto, o povo exerce o poder.

Richard Jakubaszko  
Pois é, amigos brasileiros.
Amigos, votem consciente, e, principalmente, votem sem ódio, votem pelo futuro do Brasil, dos seus familiares, dos seus filhos, para assegurar a eles um Brasil menos ruim do que esse que temos hoje.


O Brasil está a um passo de mergulhar no precipício do nazi-fascismo, e só o voto consciente pode nos libertar desse buraco negro. A Alemanha e a Itália fizeram essa bobagem gigantesca de eleger a extrema-direita nos anos 1930, com Hitler e Mussolini, e que redundou na II Guerra Mundial, deu tanto problema para as duas nações, a ponto deles levarem mais de 30 anos para se recuperarem dos problemas, sem contar as milhões de vidas destruídas, inclusive o genocídio judeu.

Depois, se você ajudar a eleger o nazi-fascismo que se aproxima, você não apenas terá tempo para se arrepender. Mas terá tempo para refletir sobre o que é a democracia, que é o menos ruim dos sistemas políticos, pois ele permite que você e outros elejam quem a gente quiser, até mesmo o nazi-fascismo. Mas uma coisa você não poderá dizer, no futuro, que o Brasil não tem jeito, por causa dos políticos. Seremos culpados de tudo o que acontecer no futuro, porque foi assim que votamos.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

As matilhas já rosnam


Fernando Brito *



Escrevi aqui, ontem, que o bolsonarismo levaria o terror além das redes.

Infelizmente, não estava errado.

A psicóloga Silvia Bellintani narra os episódios acontecidos com dois de seus pacientes.

Não há o que eu possa dizer para sublinhar esta monstruosidade, a não ser que ela está à beira de deixar de ser ameaça e se tornar fato.

Depende de cada um de nós exorcizarmos os demônios que nos rondam.

Ou soltar de vez as matilhas pelas ruas.

Não sejam cúmplices

Episódios Bolsonaristas

por Silvia Bellintani, no Facebook

Eu poderia dizer que estou sem palavras pra descrever o que testemunhei no meu consultório. Mas tive o dever de encontrá-las pra não deixar que algo assim, gravíssimo, ficasse sem registro.

Foram duas situações, ambas na tarde de quarta-feira (3/10). Dois pacientes meus: um menino e uma menina. Ele, gay, 19 anos. Ela, hetero, feminista, 17.

Começo por ele, que entra sem dizer uma palavra e logo começa a chorar. Pergunto o que aconteceu e ele me diz, assustado, que foi abordado por um cara da faculdade com as seguintes palavras:

— E aí, seu viadinho de merda, já viu as pesquisas? Vai aproveitando até o dia 28 pra andar de mãozinha dada, porque quando o mito assumir, acabou essa putaria e você vai levar porrada até virar homem.
…

E depois a menina, que já entra chorando e me diz:

— Sil, me ajuda… não sei o que fazer… você não vai acreditar no que aconteceu comigo hoje… Eu tava na escola e fui pegar um livro no meu armário… Tinha uma folha de papel (e aí ela me mostra uma foto no celular, porque entregou a tal folha na diretoria) com esta mensagem aqui: “achou mesmo que era só sair gritando #elenão pra parar o bolsomito, feminazi??? perdeu, escrota!! e daqui a pouco você vai ter motivo pra gritar de verdade!!!”.
…

Perceber o pavor desses dois adolescentes me virou do avesso e despertou uma indignação difícil de descrever; escutei os relatos com a visão nublada pela fúria que senti, seguida por um desejo quase incontrolável de proteger os dois.

O cenário das eleições sequer foi definido, mas já encoraja o sadismo e promete ser palco do terror.

Fico imaginando o que vem pela frente.

A homofobia e a misoginia presentes nas ameaças sofridas por esses dois adolescentes são apenas duas amostras dentre tantas outras atrocidades que Bolsonaro, esse criminoso nazifascista, incentiva e legitima.

E, se você vota nele, é corresponsável: não apenas por essas, mas por todas as outras ameaças que ainda estão por vir.

Não há justificativa para um voto no Bolsonaro.

A menos que você seja fascista como ele — e aí OK, seu voto é compreensível, uma vez que você já é digno de abandono como projeto humano.

Agora, se esse não é o caso e você for apenas liberal ou conservador, tome vergonha nessa sua cara e escolha outro candidato. Ainda dá tempo de preservar alguma dignidade. Há várias opções interessantes que prometem a defesa do seu patrimônio sem contrapartidas humanas.
…

Um garoto de 19 e uma garota de 17.

Assustados, angustiados, ameaçados em sua integridade física e emocional.

E você, louvável cidadão de bem, subitamente politizado e que quer ver o Brasil “mudar de verdade”, será cúmplice do fascismo e de suas históricas atrocidades físicas e emocionais.

Hoje foram meus pacientes.

Amanhã poderão ser seus filhos.

Ou os filhos de parentes, os filhos de amigos ou amigos de seus filhos.

E tudo lindamente avalizado por vocês, honrados cidadãos de bem, heroicos defensores da pátria.

(**) Silvia Bellintani é psicanalista, psicóloga clínica e jornalista.

* o autor é jornalista, editor do Tijolaço.
Publicado em http://www.tijolaco.com.br/blog/a-matilhas-ja-rosnam/

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Atirar ao sol não vai esfriar a Terra: diz cientista da NASA para garota turca

Richard Jakubaszko
Ao contrário do que acreditam alguns moradores locais da província de Adana, no sul da Turquia, atirar no sol com uma arma não vai esfriar a Terra, disse um cientista da Nasa a uma curiosa estudante turca.

Umut Yıldız, um cientista turco que trabalha na Nasa, participou do Festival de Ciência de Adana em 1º de outubro último. Respondendo a perguntas via tele-conferência, Yıldız foi questionado por uma estudante local que desejava saber se atirar contra o sol é uma boa ideia para se refrescar em sua cidade, conhecida pelo calor escaldante no verão. "Não, as armas não vão funcionar, você tem que usar mísseis", respondeu Yıldız brincando, de acordo com a mídia local. "Eu moro na Califórnia e também é muito quente aqui, mas nós não atiramos no sol", acrescentou.

A filmagem mostrando moradores de Adana atirando no sol de raiva com o tempo extremamente quente se tornou viral em 2016. Dois homens foram detidos por arriscar a vida das pessoas e o Município de Adana emitiu uma advertência contra aqueles que atiram contra o sol.
http://www.hurriyetdailynews.com/shooting-at-sun-wont-cool-down-earth-nasa-scientist-to-turkish-girl-137431


COMENTÁRIO DO BLOGUEIRO:
ora, os americanos são malucos também, tanto quanto os turcos. Podem não atirar no sol, mas atiram nos furacões, conforme se constatou 2 meses atrás, fato amplamente comentado pela mídia internacional.

Lamentavelmente essas imbecilidades humanas acontecem mundo afora, e até mesmo no Brasil, que é a população que mais acredita nessa mentira do aquecimento. Se você, visitante aqui deste blog, quer conhecer a verdade sobre essa história mentirosa do aquecimento, que eu denomino como a maior mentira do século XXI, leia meu livro: "CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?".

O livro está à venda apenas pela internet, através do e-mail co2clima@gmail.com ou pelo fone 11 3879.7099.
Na aba lateral deste blog vc tem um fac símile da capa do livro.
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quinta-feira, 4 de outubro de 2018

A história da prisão de Lula: parte 3 - documentário

Richard Jakubaszko  
Você pode ter opinião contrária, mas ouça a narrativa da defesa, quem sabe você desconfia de que possa haver uma mentira enorme por trás de tudo, essa é a história do golpe:

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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Está claro: querem quem possa vencer Haddad, não Bolsonaro

Fernando Brito * 
A violenta reportagem de Veja com a história do cofre roubado, imóveis escondidos e renda inexplicada é a marcha de um plano evidente de demolição da candidatura de Jair Bolsonaro, amplificado pelas mais que desastradas críticas de seu vice, general Mourão, ao direito do 13° salário aos trabalhadores.

Ficou claro que Bolsonaro tinha chegado ao teto – ou até alguns pontos acima dele, em razão do episódio de Juiz de Fora – mas não teria a menor condição de fazer frente, num segundo turno, ao candidato de Lula.

Nos pouquíssimos dias que faltam para o pleito vão tentar estimular o crescimento de quem tenha chance de fazê-lo e, para que alguém cresça é preciso fazer desmanchar o “Mito”.

Mitos, como se sabe, são passíveis desta dissolução por não serem orgânicos, estruturados, sólidos. São emanações do imaginário social que se corporificam em algo ou alguém.

A questão é que, acima do mito estão os estados psicológicos que o criaram. E tenho sérias dúvidas de que, a esta altura, estes possam ser redirigidos para aquele que o “Comando Marrom” – expressão que Brizola usava para definir a corporação midiática – ungir como seu escolhido.

Não será fácil erodir Bolsonaro o suficiente para tirá-lo do segundo turno, mas não é impossível, porque ele não tem estruturas convencionais que lhe retenham o voto: partidos e aliados candidatos. Além do mais, não tem TV e esteve retido em um quarto de hospital.

Até o momento, porém, não há indicativos de que o consigam. Mas, numa eleição regida por pesquisas, ainda é cedo para dar respostas firmes.

É mais difícil, porém, fazer crescer seu substituto, até porque Geraldo Alckmin, candidato natural a este papel, está perdido numa teia de traições, de agressividade e tão pouco se parece com o perfil “cowboy” que esta substituição lhe exigiria.

Ciro, que poderia ser uma alternativa, seria um salto no escuro.

Ironicamente, quem deu o famoso “cavalo de pau à beira do precipício” foi a mídia.

E o precipício é a derrota para um homem que, preso numa cela em Curitiba, mostrou que era de fato uma ideia.

* o autor é jornalista, editor do blog Tijolaço.
Publicado no Tijolaço: http://www.tijolaco.com.br/blog/esta-claro-querem-quem-possa-vencer-haddad-nao-bolsonaro/

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terça-feira, 2 de outubro de 2018

Gal. Mourão, cala a boca, 13º salário não existe, é mentira!

Richard Jakubaszko 


O candidato a vice do Bolsonaro é teimoso como mula, insiste em criticar o 13º salário como uma das causas dos problemas do Brasil. Ora, se eles ganharem as eleições, essa acusação indica que Bolsonaro e Mourão vão cancelar o 13º salário pagos a cada trabalhador todo final de ano, não é verdade?

Veja o leitor que o 13º salário é um embuste, é uma mentira enorme, apesar de integrar a nossa CLT - Consolidação das Leis Trabalhistas), que o Temer está reformando, ainda...

Saiba que em todo o mundo o salário é semanal, e não mensal, exceto no Brasil, Portugal, México e parte da Itália onde recebe-se por mês.

Então calcule comigo: se você ganha R$ 4 mil reais mensais, ao final do ano receberá um total de R$ 52 mil. Assim:12 meses x 4 mil dá R$ 48 mil, e mais o 13º chega-se aos R$ 52 mil, certo?

Agora, se você ganha R$ 4 mil por mês, então o seu salário semanal seria R$ 1 mil, certo? Porque o mês tem 4 semanas. Então, como o ano tem 52 semanas, é só multiplicar o seu salário semanal de R$ 1 mil por 52 semanas e terá os mesmos R$ 52 mil, mas sem 13º salário, que se refere a 13º mês e não a um bônus que o governo manda as empresas pagarem.

Desta forma, 13º salário é um engodo. E o general ainda quer cancelar isso? Cala a boca, general, o senhor tá falando bobagem!!! Ponha seu pijama e vá desfrutar da sua aposentadoria, entendeu?

Se você leitor concorda com o general, lamento, não tem noção de cidadania, não merece ser eleitor...

PS. Em 2013 publiquei outro post aqui no blog que fala a mesma coisa sobre o 13º salário, não inventei isso agora, não. Confira aqui:  https://richardjakubaszko.blogspot.com/search?q=13%C2%BA+sal%C3%A1rio

 
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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Ministro Lewandowski autoriza, de novo, entrevista imediata de Lula à Folha de SP

Richard Jakubaszko  
O ministro Ricardo Lewandowski acaba de autorizar o jornal Folha de São Paulo a realizar imediata entrevista com o ex-presidente Lula, em Curitiba.

Em seu despacho de hoje (1º/10) Lewandowski classificou de inapta a decisão do ministro Fux, proferida na sexta-feira, porque ele não estava no exercício da presidência do STF, e por atender solicitação do Partido Novo, partido político sem qualificação legal para solicitar essas medidas do STF, e que este foi induzido ao erro.

A cobra vai fumar. Até sexta-feira próxima, véspera das eleições do 1º turno, teremos muitas "novidades" e fake news nessa campanha política das Eleições 2018, pleito que me parece ter o judiciário brasileiro como coadjuvante mais importante do que os próprios candidatos.

Nota de atualização: no início da noite desta segunda, 1º/10, o ministro Dias Toffoli, presidente do STF, cancelou a ordem da entrevista dada pelo ministro Lewandowski agora a tarde, e a decisão será do plenário, a ser proferida em data ainda a ser agendada. A data pode acontecer somente em 2019.
Que medo do Lula, gente! E tem brasileiro achando que a prisão de Lula não é política.
Com essa decisão de Toffoli, temos mais uma inconstitucionalidade da Suprema Corte, a censura à imprensa.
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Só dois dias depois, Folha pede que entrevista seja liberada

Fernando Brito *

Dois dias depois de ter sido censurada, afinal a Folha reage.

Pede a Ricardo Lewandowski que mande cumprir a ordem de permitir a entrevista de Lula que autorizou na sexta-feira.


Provavelmente obterá a ordem, porque o despacho de Luiz Fux, ao que parece, é inepto do princípio ao fim.

Salvo um arranjo, o presidente do STF, Dias Tóffoli, não poderá dizer que estava ausente, pois estava em São Paulo que, ao que conste, é território nacional.

O presidente da República não transfere o cargo se for a Belo Horizonte, nem o presidente do Senado ou da Câmara se licenciam do cargo quando vão ao Ceará ou ao Rio.

Mas Fux usurpou as prerrogativas do cargo, investindo-se na presidência do STF com a viagem de Dias Tóffoli a SP.

E atropelou mais o Regimento: seu direito, como presidente interino (se o fosse) estaria limitado a decisões cautelares e não de mérito, como foi a de seu colega Lewandowski, ao decidir permitir a entrevista.
Pior ainda, aceitou uma ação de quem não tinha competência legal para apresentá-la: o Partido Novo, de João Amoedo.


Nunca estive no Poder Judiciário mas, no Executivo – e não vejo porque seria diferente por lá – há um documento formal de transmissão do cargo, hoje assinado digitalmente, com hora e data registrados.

Tóffoli passou a presidência do STF a Fux? Sim ou não? Se não, tudo é ilegal; se sim, porque, numa simples viagem a São Paulo?

Estamos diante de – não há terceira via possível – de uma fraude e ou de uma conspiração, onde a cadeira central da Suprema Corte foi deliberadamente deixada a quem não se constrangia em expor-se como um esbirro da ditadura de silenciamento de Lula.

O mais provável, como sugere a jurista Giselle Citadino, é que haja uma armadilha institucional: “Se Toffoli, na segunda, cassar a decisão de Fux, a partir de terça será descrito como a representação do PT no STF. Se não cassar a decisão, perde inteiramente sua capacidade política de exercer em sua plenitude a presidência do STF.”

Os apavorados com o poder da fala de Lula dizem que “preso não pode falar”, numa grotesca ideia de que quem é condenado não possa, nunca mais, defender-se.

Aboliu-se o trecho da Constituição que fala que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória” e a sentença esdrúxula de Lula não o foi nem o será.

Aqui, a notícia pode ainda ser abafada pelo conluio da mídia. Mas não lá fora.

O Judiciário brasileiro está cometendo um harakiri sem honra.

* o autor é jornalista, editor do blog Tijolaço.
Publicado em http://www.tijolaco.com.br/blog/so-dois-dias-depois-folha-pede-que-entrevista-seja-liberada/
 

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