domingo, 23 de outubro de 2016

Como e por que o mundo foi (e é) enganado sobre o aquecimento global e as mudanças climáticas (Parte 4)

José Carlos Parente de Oliveira *

Temperatura entre 1880 e 1987
O gráfico da temperatura global baseado em artigo publicado em 2006 de James Hansen e colaboradores (Proceedings of the National Academy of Sciences, PNAS, 103 (39), 14288-14293, 2006, Global Temperature Change, www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.0606291103 ), é mostrado abaixo na Figura 12 e comparado com os dois gráficos já mostrados obtidos de artigos de Hansen e colaboradores em 1980 e 1987.
 
Figura 12

Na figura nota-se claramente mudanças na base de dados de temperatura do GISS, ao longo dos anos: as baixas temperaturas dos anos 1880-1905 foram “aquecidas”; o aquecimento nos anos 1930 - 1945 foi “esfriado” e, principalmente, o resfriamento na década de 1970 foi “esquentado”.

Um aluno que cometesse tais peripécias em seu trabalho escolar seria chamado à “responsabilidade” e teria que ter uma belíssima justificativa para o que estava modificando!

A resposta da temperatura NÃO é Linear
O próprio James Hansen publicou artigo em 2005 (Hansen, J.E., 2005: A slippery slope: How much global warming constitutes "dangerous anthropogenic interference"? An editorial essay. Climatic Change, 68, 269-279), baseando-se em artigo de Petit e colaboradores publicado em 1999 (Petit, J. R., et al.: 1999, Climate and atmospheric history of the past 420,000 years from Vostok ice core by an inverse method, Antarctica. Nature 399, 429–436), reconhece e mostra de forma clara que a temperatura não responde de forma linear às variações dos dois principais gases de efeito estufa, a saber, CO2 e CH4.

Contudo, não é assim que a grande mídia propala o hipotético Aquecimento Antropogênico, para ela a temperatura da atmosfera eleva-se com o aumento da concentração de gases. E essa propagandeada “iminência de perigo” recebe o apoio e o aval de Hansen, em particular, e de todo o pessoal ligado ao IPCC.

E esse processo de enganação ainda é mais dramático quando se sabe que a influência de gases na temperatura se dá em uma escala exponencial decrescente, ou seja, a cada aumento na concentração de gases a influência desse aumento na temperatura diminui!

A seguir a Figura 13 mostra o gráfico do artigo de Hansen de 2005 referido logo acima.

O círculo na parte final do gráfico de temperatura é para advertir que as escalas temporais de Petit e colaboradores e Hansen são diferentes: cada divisão no gráfico da temperatura de Vostok representa 10.000 anos e toda a parte com a legenda Date representa apenas 200 anos. No gráfico de Petit e colaboradores esses 200 anos seriam APENAS metade do traço em azul, que está no interior do círculo.
 
Figura 13

Área de gelo no Hemisfério Norte
É muito comum a exibição de reportagens e documentários, em canais de TV, revistas e jornais mostrando uma quantidade muito grande de gelo derretendo e escorrendo feito um verdadeiro dilúvio ou mostrando enormes paredões de gelo caindo no oceano. Esses fenômenos são muito comuns nos verões do Ártico e da Antártica e são reais e naturais.

Entretanto, a mídia os noticia como se isso fosse algo fora do comum, ou anormal, ou não natural, e afirmam que esse derretimento contribui para aumentar o nível do mar e invadir as cidades litorâneas. Tais notícias são, de fato, grandes mentiras, pois é elementar que esse derretimento, além de natural, não eleva um único milímetro o nível do mar.

Mas, o que, de fato, ocorre? No verão no Hemisfério Norte, por exemplo, é comum que uma área de cerca de 40.000.000 km² de gelo desapareça entre o inverno e o verão! Ou seja, durante o verão, uma área de gelo de cerca de 40.000.000 km² desaparece, por derretimento, no Hemisfério Norte. Entretanto, essa área de gelo volta a se recompor no próximo inverno. Esse fenômeno é cíclico, como mostra a Figura 14.

As áreas de gelo nos invernos estão assinaladas pela linha azul escuro na Figura 14, e os verões são assinalados pela linha vermelha. Esse gráfico foi obtido a partir dos dados de satélite entre os anos de 1966 e 2016, analisados na Universidade de Rutgers, Nova Jersei, USA, ( http://climate.rutgers.edu/snowcover/files/moncov.nhland.txt ).

Nessa figura tem-se a variação da área de gelo no Hemisfério Norte, ao longo dos anos. Durante o inverno a área de cobertura de gelo nesse hemisfério é cerca de 50.000.000 km² maior que a sua área no verão. Por exemplo, em 2015 a área de cobertura de gelo no Hemisfério Norte variou de 47,1 milhões de km² em janeiro para 3,0 milhões de km² em agosto – assinalado pelo retângulo verde na figura. O comportamento da área de cobertura de gelo do Ártico é semelhante a esse descrito para o Hemisfério Norte.
 
Figura 14

Apesar do fenômeno do derretimento do gelo no Ártico ser absolutamente normal e natural, a mídia mostra-o como algo completamente absurdo, atípico, e uma das principais “PROVAS” de que “O MUNDO ESTÁ SE ACABANDO POR CAUSA DAS ATIVIDADES ANTROPOGÊNICAS”.

Tempestades severas
As tempestades severas são um dos ”pratos” preferidos da grande mídia e dos aquecimentistas quando querem demonstrar o perigoso aumento das atividades antropogênicas, pois elas são, para eles, o motor de todas as desgraças.

A Figura 15 mostra o gráfico, entre 1954 e 2014, do número anual de tempestades severas até tempestades violentas ocorridas nos Estados Unidos. Como se pode observar o número anual de tempestades perigosas nos últimos 25 anos, ao contrário do que afirmam as bombásticas reportagens, diminuiu relativamente aos 25 anos anteriores. É digno que se diga que nos primeiros 25 anos de registro de tempestades – entre 1954 e 1975 – a temperatura da atmosfera da Terra estava mais fria que nos anos que se seguiram.
 
Figura 15

Ao contrário do que ocorreu com o número de tempestades, houve um estrondoso crescimento na indústria de seguros: os custos médios por perdas catastróficas em 1950 foi de US$ 4 bilhões; em 1990 foi de US$ 40 bilhões e em 2005 foi de US$ 62 bilhões ( https://www.nrdc.org/sites/default/files/insurance.pdf ).

Os motivos de tais crescimentos se devem mais ao desenvolvimento das atividades econômicas que às alarmantes notícias sobre os riscos do hipotético aquecimento. As primeiras manifestações econômicas do hipotético aquecimento se fazem sentir na indústria do seguro, pois eles lidam com riscos que podem causar perdas rapidamente.

Contudo, as companhias de forma geral estão iniciando um movimento para embutir em seus custos um “planejamento, adequação, adaptação ou defesa,” aos efeitos do hipotético aquecimento global, e esses custos, é claro, serão pagos pela população. Ou seja, o grande propósito da INDÚSTRIA DO AQUECIMENTO GLOBAL ESTÁ SE MATERIALIZANDO PELA VIA DO PAGAMENTO PELA HUMANIDADE DE MAIS UMA CONTA INVENTADA PELO GRANDE CAPITAL E REPERCUTIDA POR ONG´S AMBIENTALISTAS E CONGÊNERES.

Em particular, a indústria das energias alternativas está, literalmente, surfando em busca de mais e mais dinheiro!

Atualmente, as energias solar e eólica respondem por 0,4% da energia consumida pelo mundo e os planos mais promissores é que elas representarão 2,2% em 2040, e isso ao custo de US$ 240 bilhões∕ano em subsídios até 2040 (alguns “poucos” US$ trilhões de pobres para ricos, como já é muito comum ocorrer com o auxílio prestimoso de “intelectuais” de vanguarda) ( https://www.iea.org/statistics/ ).

Ou seja, está ocorrendo uma brutal e desumana transferência de dinheiro da população para as indústrias ligadas às energias alternativas.

Toda essa dinheirama é canalizada para os países desenvolvidos, pois as energias alternativas – solar e eólica – utilizam insumos altamente sofisticados e caros: a indústria de energia solar utiliza materiais como o silício puríssimo e o dióxido de titânio, enquanto a indústria eólica utiliza compostos de alto desempenho, metais raros como o neodímio, além de aço especial e concreto.

Agora, o mais contraditório é que para o desenvolvimento dessa sofisticação, as indústrias do vento e do Sol utilizam a energia “suja” proveniente dos combustíveis fósseis: na mineração, nos processos intermediários e na purificação!

A Alemanha cantada e decantada como a campeã da energia limpa tem 10% de seu consumo originado do Sol e ventos e 50% desse consumo suprido por carvão altamente poluidor. Assim, a indústria alemã, a exemplo de indústrias de outros países desenvolvidos, polui para obter os insumos sofisticados das energias alternativas e toda a humanidade deve pagar a conta.

* o autor é físico, professor da Universidade Federal do Ceará, e é coautor do livroCO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?
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2 comentários:

  1. Geraldo Luís Lino23 de outubro de 2016 19:28

    Caro Richard,
    publiquei a primeira parte no boletim Alerta Científico e Ambiental da semana passada. As outras sairão nas próximas edições.
    Boa iniciativa.
    Um abraço.
    Geraldo

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