segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Paul Krugman: “Brasil já não é vulnerável como no passado.”



“O Brasil não está vulnerável da mesma forma que já esteve no passado” e a “crise no país é gerenciável”. Quem diz isso é o insuspeito ganhador do Nobel de Economia, o norte-americano Paul Krugman. Em entrevista à revista Exame, o professor da City University of New York não minimiza a gravidade da turbulência vivida pelo gigante sul-americano, mas afirma que as condições para enfrentar os problemas são favoráveis.



“Não tenho dúvida de que a situação [no Brasil] é difícil. No entanto, acho que descrevê-la como uma tempestade perfeita é muito forte. O Brasil não está vulnerável da mesma forma que já esteve no passado. A situação brasileira também não se compara à dos países europeus há poucos anos”, afirma o economista.



Para ele, a situação do Brasil é difícil, mas “o endividamento do país não é crítico, e o setor privado não parece tão exposto à desvalorização do real”, o que torna a crise administrável.



Krugman destaca que o contexto internacional é adverso e pode ficar ainda mais complexo. “É ruim que os Estados Unidos estejam falando em aumentar os juros exatamente quando o preço das commodities está em colapso, uma queda de uma magnitude que, por sinal, quase ninguém conseguiu prever”, diz. Um aumento na taxa de juros norte-americana poderia desencadear saídas de capital do Brasil.



De acordo com ele, o Brasil aproveitou o período do boom de commodities e agora isso acabou. Mas, avalia, o país tem uma economia diversificada e pode superar o momento. “Exportar commodities não é a única coisa que [o país] consegue fazer. O Brasil precisa ganhar competitividade na venda de produtos manufaturados. Uma maneira de fazer isso é com a desvalorização do câmbio, o que já está acontecendo”, analisou.



O Nobel de Economia defendeu que, embora vários países estejam enfrentando dificuldades, o risco de uma nova crise global é relativamente baixo. “Em termos de gravidade, a situação atual não é comparável ao que tivemos em 2008, quando veio tudo abaixo. Também não parece ser tão ruim quanto o que vivemos em 2011 e 2012, quando parecia que a crise europeia sairia de controle. A gente tende a esquecer de quanto o passado tem sido difícil. O que estamos vivendo hoje também não é comparável à crise asiática de 1997. Temos problemas nos países emergentes, mas provavelmente não uma crise global”, opina.



Segundo ele, a crise que começou na Ásia, no fim dos anos 1990, teve dois componentes principais: baixo crescimento e alto endividamento das empresas locais em moeda estrangeira. “Ainda que seja verdade que muitas empresas chinesas tenham dívidas em dólares, não podemos esquecer que a China tem enormes reservas internacionais. Por isso, não parece que estejamos prestes a ter uma crise generalizada no balanço das companhias. Em resumo, a China não parece tão vulnerável quanto estavam os países que deflagraram a crise asiática no final da década de 1990”, defende.



Para o economista, contudo, a desaceleração dos países emergentes e a crise na Europa são preocupantes. “O mundo não parece que vai desabar. Mas, olhando o que acontece nos emergentes e na Europa, conclui-se que falta força para a economia global. Esses sinais de fraqueza indicam que a estagnação econômica mundial é persistente. Por algum tempo, os mercados emergentes eram uma fonte de crescimento. Agora são fonte de más notícias. Ou seja, devemos ver em câmera lenta a continuação dessa estagnação que temos vivido nos últimos tempos”.



Krugman explicou que a Europa vive uma queda no número de trabalhadores em relação aos idosos, o que dificulta a situação da região. “É difícil pensar em algo que tire a Europa do torpor. Uma grande política fiscal expansionista e a expectativa de elevação da inflação funcionariam. Infelizmente, não vejo nenhuma dessas duas coisas acontecendo”.




Comentários do blogueiro: 
É importante enfatizar o que Paul Krugman não disse, mas apenas deixou implícito na frase Exportar commodities não é a única coisa que [o país] consegue fazer. O Brasil precisa ganhar competitividade na venda de produtos manufaturados. Uma maneira de fazer isso é com a desvalorização do câmbio, o que já está acontecendo”.
Lembro que, adicionalmente, temos o pré-sal produzindo hoje mais de 800 mil barris/dia de petróleo. E ainda temos um Fundo Soberano de quase US$ 400 bilhões de dólares. O que transforma "a crise" atual em crise política.

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