sexta-feira, 25 de maio de 2012

Contrastes nacionais


Rogério Arioli Silva *
Novamente chegam notícias da forte estiagem que atingiu, nesta safra, alguns estados do semiárido nordestino levando diversos municípios a entrarem em estado de emergência. O norte da Bahia foi um dos locais mais atingidos pela escassez hídrica contabilizando perdas de até 90% na cultura do feijão numa das regiões mais importantes desta cultura no Brasil, a região de Irecê e municípios circunvizinhos.

Estimativas divulgadas pela SEI (Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia) informam que as perdas podem chegar a R$ 8 bilhões se somados todos os 240 municípios baianos atingidos. As culturas mais afetadas, além do feijão, foram o café, a cebola, o sorgo e o milho com perdas de 55%, 90%, 80% e 50% respectivamente.

O estado do Ceará também foi atingido fortemente com 90% das áreas rurais comprometidas e 56 municípios em situação de emergência. Em Pernambuco o setor leiteiro estimou uma quebra em torno de 40% da sua produção o que poderá acarretar o desemprego de mais de 10 mil pessoas envolvidas nesta importante atividade do estado.

Não bastasse esta quebra já consolidada, o prolongamento da estiagem está atrasando e poderá impedir também o plantio da segunda safra de grãos nos estados do Maranhão, Piauí, Pernambuco e Paraíba, fato que comprometerá sobremaneira o abastecimento de grãos daquelas regiões. Isto deverá ocorrer tanto no consumo de grãos para alimentação “in natura”, como também no fornecimento de matérias primas para as principais agroindústrias regionais.

Como forma de amenizar esta complicada situação, o BNDES já anunciou a liberação de R$ 50 milhões para o semiárido, incluída também a região norte de Minas Gerais, objetivando permitir alguns investimentos básicos, entre eles a construção de milhares de cisternas para o armazenamento de água durante a estação chuvosa.

Também como medida complementar está prevista a transferência de milho do estado de Mato Grosso, onde existem estoques da CONAB, para socorrer o desabastecimento nordestino através da subvenção do frete, patrocinada pelo Governo Federal. Como o preço do milho encontra-se entre R$ 16 e R$ 22 a saca, dependendo da região do estado de Mato Grosso, com os altos custos de frete o produto chegaria ao Nordeste num preço extremamente elevado, daí a necessária e oportuna subvenção governamental.

Isto reforça a necessidade premente de construírem-se as eclusas nas hidrelétricas projetadas para o estado de Mato Grosso, como forma de ganhar competitividade e reduzir-se o custo Brasil. É bem provável que estes fatos lamentáveis se repetirão em safras futuras, uma vez que as estiagens nordestinas são cíclicas e, portanto, previsíveis.

A região Centro-Oeste, por outro lado, possui comprovada estabilidade climática além de consolidar, a cada ano que passa uma segunda safra produtiva e sustentável, o que auxiliará no abastecimento de outras regiões brasileiras mais suscetíveis aos reveses climáticos que periodicamente acontecem. Essa situação será confirmada nesta segunda safra de Mato Grosso onde a produção de milho, por exemplo, superará as dez milhões de toneladas deste importante cereal.

Como outra possibilidade de auxílio ao semiárido nordestino, seria de bom alvitre que algumas das milhares de ONGs atuantes na Amazônia se transferissem para aquela região. Esta migração seria muito benéfica e inclusive auxiliaria na amenização das dificuldades seculares daquele povo sofrido e descrente de promessas políticas sazonais. Principalmente pelo fato de que ao consolidar-se, através do novo Código Florestal, a proibição da exploração de 80% das propriedades do bioma amazônico, pouco restará para atuação de tais ONGS, uma vez que os brasileiros, voluntariamente, abriram mão do uso racional daquela parte do seu território, em nome da preservação ambiental do planeta.

Como milhares de cisternas precisarão ser cavadas no semiárido nordestino, certamente abrir-se-á uma grande oferta de postos de trabalho aos engajados ambientalistas retirantes da Amazônia brasileira.

* O autor é Engº Agrº e Produtor Rural no MT.

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