domingo, 20 de maio de 2012

Carta aberta à presidente Dilma Rousseff


Mudanças climáticas: hora de se recobrar o bom senso
sábado, 19 de maio de 2012
Exma. Sra.
Dilma Vana Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil

Excelentíssima Senhora Presidenta:

Em uma recente reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, a senhora afirmou, oportunamente, que a fantasia não tem lugar nas discussões sobre um novo paradigma de crescimento - do qual a Humanidade necessita, de fato, para proporcionar a extensão dos benefícios do conhecimento a todas as sociedades do planeta. Com igual propriedade, a senhora assinalou, também, que o debate sobre o desenvolvimento sustentado precisa ser pautado pelo direito dos povos ao progresso, com o devido fundamento científico.

Assim sendo, permita-nos complementar tais formulações, observando que as discussões sobre o tema central da agenda ambiental, as mudanças climáticas, têm sido pautadas, predominantemente, por motivações ideológicas, políticas, econômicas e acadêmicas restritas. Isto as têm afastado, não apenas dos princípios basilares da prática científica, como também dos interesses maiores das sociedades de todo o mundo, inclusive a brasileira. Por isso, apresentamos-lhe as considerações a seguir.

1) Não há evidências físicas da influência humana no clima global:

A despeito de todo o sensacionalismo a respeito, não existe qualquer evidência física observada no mundo real, que permita demonstrar que as mudanças climáticas globais, ocorridas desde a Revolução Industrial do século XVIII, sejam anômalas em relação às ocorridas anteriormente, no passado histórico e geológico – anomalias que, se ocorressem, caracterizariam a influência humana.

Todos os prognósticos que indicam elevações exageradas das temperaturas e dos níveis do mar, nas décadas vindouras, além de outros efeitos negativos atribuídos ao lançamento de compostos de carbono de origem humana (antropogênicos) na atmosfera, baseiam-se em projeções de modelos matemáticos, que constituem apenas simplificações limitadas do sistema climático – e, portanto, não deveriam ser usados para fundamentar políticas públicas e estratégias de longo alcance e com grandes impactos socioeconômicos de âmbito global.

A influência humana no clima restringe-se às cidades e seus entornos, em situações específicas de calmarias, sendo esses efeitos bastante conhecidos, mas sem influência em escala planetária. Para que a ação humana no clima global ficasse demonstrada, seria preciso que, nos últimos dois séculos, estivessem ocorrendo níveis inusitadamente altos de temperaturas e níveis do mar e, principalmente, que as suas taxas de variação (gradientes) fossem superiores às verificadas anteriormente.

O relatório de 2007 do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) registra que, no período 1850-2000, a temperatura média global aumentou 0,74oC, e que, entre 1870 e 2000, os níveis do mar subiram 0,2 m.

Ora, ao longo do Holoceno, a época geológica correspondente aos últimos 12.000 anos em que a Civilização tem existido, houve diversos períodos com temperaturas mais altas que as atuais. No Holoceno Médio, há 6.000-8.000 anos, as temperaturas médias chegaram a ser 2oC a 3oC superiores às atuais, enquanto os níveis do mar atingiram até 3 metros acima do atual. Igualmente, nos períodos quentes conhecidos como Minoano (1500-1200 a.C.), Romano (séc. VI a.C.-V d.C.) e Medieval (séc. X-XIII d.C.), as temperaturas foram mais de 1oC superiores às atuais.

Quanto às taxas de variação desses indicadores, não se observa qualquer aceleração anormal delas nos últimos dois séculos. Ao contrário, nos últimos 20.000 anos, desde o início do degelo da última glaciação, houve períodos em que os gradientes das temperaturas e dos níveis do mar chegaram a ser uma ordem de grandeza superiores aos verificados desde o século XIX.

Entre 12.900 e 11.600 anos atrás, no período frio denominado Dryas Recente, as temperaturas caíram cerca de 8oC em menos de 50 anos e, ao término dele, voltaram a subir na mesma proporção, em pouco mais de meio século.

Quanto ao nível do mar, ele subiu cerca de 120 metros, entre 18.000 e 6.000 anos atrás, o que equivale a uma taxa média de 1 metro por século, suficientemente rápida para impactar visualmente as gerações sucessivas das populações que habitavam as margens continentais. No período entre 14.650 e 14.300 anos atrás, a elevação foi ainda mais acelerada, atingindo cerca de 14 metros em apenas 350 anos – média de 4 metros por século.

Tais dados representam apenas uma ínfima fração das evidências proporcionadas por, literalmente, milhares de estudos realizados em todos os continentes, por cientistas de dezenas de países, devidamente publicados na literatura científica internacional. Desafortunadamente, é raro que algum destes estudos ganhe repercussão na mídia, quase sempre mais inclinada à promoção de um alarmismo sensacionalista e desorientador.

Por conseguinte, as variações observadas no período da industrialização se enquadram, com muita folga, dentro da faixa de oscilações naturais do clima e, portanto, não podem ser atribuídas ao uso dos combustíveis fósseis ou a qualquer outro tipo de atividade vinculada ao desenvolvimento humano.

2) A hipótese “antropogênica” é um desserviço à ciência:
A boa prática científica pressupõe a busca permanente de uma convergência entre hipóteses e evidências. Como a hipótese do aquecimento global antropogênico (AGA) não se fundamenta em evidências físicas observadas, a insistência na sua preservação representa um grande desserviço à Ciência e à sua necessária colocação a serviço do progresso da Humanidade.

A História registra numerosos exemplos dos efeitos nefastos do atrelamento da Ciência a ideologias e outros interesses restritos. Nos países da antiga URSS, as Ciências Agrícolas e Biológicas ainda se ressentem das consequências do atraso de décadas provocado pela sua subordinação aos ditames e à truculência de Trofim D. Lysenko, apoiado pelo ditador Josef Stálin e seus sucessores imediatos, que rejeitava a Genética, mesmo diante dos avanços obtidos por cientistas de todo o mundo, inclusive na própria URSS, por considerá-la uma “ciência burguesa e antirrevolucionária”. O empenho na imposição do AGA, sem as devidas evidências, equivale a uma versão atual do “lysenkoísmo”, que tem custado caro à Humanidade, em recursos humanos, técnicos e econômicos desperdiçados com um problema inexistente.

Ademais, ao conferir ao dióxido de carbono (CO2) e outros gases produzidos pelas atividades humanas o papel de principais protagonistas da dinâmica climática, a hipótese do AGA simplifica e distorce um processo extremamente complexo, no qual interagem fatores astrofísicos, atmosféricos, oceânicos, geológicos, geomorfológicos e biológicos, que a Ciência apenas começa a entender em sua abrangência.

Um exemplo dos riscos dessa simplificação é a possibilidade real de que o período até a década de 2030 experimente um considerável resfriamento, em vez de aquecimento, devido ao efeito combinado de um período de baixa atividade solar e de uma fase de resfriamento do oceano Pacífico (Oscilação Decadal do Pacífico-ODP), em um cenário semelhante ao verificado entre 1947 e 1976. Vale observar que, naquele intervalo, o Brasil experimentou uma redução de 10-30% nas chuvas, o que acarretou problemas de abastecimento de água e geração elétrica, além de um aumento das geadas fortes, que muito contribuíram para erradicar o café no Paraná. Se tais condições se repetirem, o País poderá ter sérios problemas, inclusive, nas áreas de expansão da fronteira agrícola das regiões Centro-Oeste e Norte e na geração hidrelétrica (particularmente, considerando a proliferação de reservatórios “a fio d’água”, impostos pelas restrições ambientais).

A propósito, o decantado limite de 2oC para a elevação das temperaturas, que, supostamente, não poderia ser superado e tem justificado todas as restrições propostas para os combustíveis fósseis, em âmbito internacional, também não tem qualquer base científica: trata-se de uma criação “política” do físico Hans-Joachim Schellnhuber, assessor científico do governo alemão, como admitido por ele próprio, em uma entrevista à revista Der Spiegel (17/10/2010).

3) O alarmismo climático é contraproducente:
As mudanças constituem o estado permanente do sistema climático – pelo que a expressão “mudanças climáticas” chega a ser redundante. Por isso, o alarmismo que tem caracterizado as discussões sobre o tema é extremamente prejudicial à atitude correta necessária diante dos fenômenos climáticos, que deve ser orientada pelo bom senso e pelo conceito de resiliência, em lugar de submeter as sociedades a restrições tecnológicas e econômicas absolutamente desnecessárias.

No caso, resiliência significa a flexibilidade das condições físicas de sobrevivência e funcionamento das sociedades, além da capacidade de resposta às emergências, permitindo-lhes reduzir a sua vulnerabilidade às oscilações climáticas e outros fenômenos naturais potencialmente perigosos. Tais requisitos incluem, por exemplo, a redundância de fontes alimentícias (inclusive a disponibilidade de sementes geneticamente modificadas para todas as condições climáticas), capacidade de armazenamento de alimentos, infraestrutura de transportes, energia e comunicações e outros fatores.

Portanto, o caminho mais racional e eficiente para aumentar a resiliência da Humanidade, diante das mudanças climáticas inevitáveis, é a elevação geral dos seus níveis de desenvolvimento e progresso aos patamares permitidos pela Ciência e pela Tecnologia modernas.

Além disso, o alarmismo desvia as atenções das emergências e prioridades reais. Um exemplo é a indisponibilidade de sistemas de saneamento básico para mais da metade da população mundial, cujas consequências constituem, de longe, o principal problema ambiental do planeta. Outro é a falta de acesso à eletricidade, que atinge mais de 1,5 bilhão de pessoas, principalmente na Ásia, África e América Latina.

No Brasil, sem mencionar o déficit de saneamento, grande parte dos recursos que têm sido alocados a programas vinculados às mudanças climáticas, segundo o enfoque da redução das emissões de carbono, teria uma destinação mais útil à sociedade se fosse empregada na correção de deficiências reais, como: a falta de um satélite meteorológico próprio (de que dispõem países como a China e a Índia); a ampliação e melhor distribuição territorial da rede de estações meteorológicas, inferior aos padrões recomendados pela Organização Meteorológica Mundial, para um território com as dimensões do brasileiro; o aumento do número de radares meteorológicos e a sua interligação aos sistemas de defesa civil; a consolidação de uma base nacional de dados climatológicos, agrupando os dados de todas as estações meteorológicas do País, boa parte dos quais sequer foi digitalizada; e numerosas outras.

4) A “descarbonização” da economia é desnecessária e economicamente deletéria:
Uma vez que as emissões antropogênicas de carbono não provocam impactos verificáveis no clima global, toda a agenda da “descarbonização” da economia, ou “economia de baixo carbono”, se torna desnecessária e contraproducente – sendo, na verdade, uma pseudo-solução para um problema inexistente. A insistência na sua preservação, por força da inércia do status quo, não implicará em qualquer efeito sobre o clima, mas tenderá a aprofundar os seus numerosos impactos negativos.

O principal deles é o encarecimento desnecessário das tarifas de energia e de uma série de atividades econômicas, em razão de: a) os pesados subsídios concedidos à exploração de fontes energéticas de baixa eficiência, como a eólica e solar - ademais, inaptas para a geração elétrica de base (e já em retração na União Europeia, que investiu fortemente nelas); b) a imposição de cotas e taxas vinculadas às emissões de carbono, como fizeram a União Europeia, para viabilizar o seu mercado de créditos de carbono, e a Austrália, sob grande rejeição popular; c) a imposição de medidas de captura e sequestro de carbono (CCS) a várias atividades.

Os principais beneficiários de tais medidas têm sido os fornecedores de equipamentos e serviços de CCS e os participantes dos intrinsecamente inúteis mercados de carbono, que não têm qualquer fundamento econômico real e se sustentam tão-somente em uma demanda artificial criada sobre uma necessidade inexistente. Vale acrescentar que tais mercados têm se prestado a toda sorte de atividades fraudulentas, inclusive no Brasil, onde autoridades federais investigam contratos de carbono ilegais envolvendo tribos indígenas, na Amazônia, e a criação irregular de áreas de proteção ambiental para tais finalidades escusas, no estado de São Paulo.

5) É preciso uma guinada para o futuro:
Pela primeira vez na História, a Humanidade detém um acervo de conhecimentos e recursos físicos, técnicos e humanos, para prover a virtual totalidade das necessidades materiais de uma população ainda maior que a atual. Esta perspectiva viabiliza a possibilidade de se universalizar – de uma forma inteiramente sustentável – os níveis gerais de bem-estar usufruídos pelos países mais avançados, em termos de infraestrutura de água, saneamento, energia, transportes, comunicações, serviços de saúde e educação e outras conquistas da vida civilizada moderna. A despeito dos falaciosos argumentos contrários a tal perspectiva, os principais obstáculos à sua concretização, em menos de duas gerações, são mentais e políticos, e não físicos e ambientais.

Para tanto, o alarmismo ambientalista, em geral, e climático, em particular, terá que ser apeado do seu atual pedestal de privilégios imerecidos e substituído por uma estratégia que privilegie os princípios científicos, o bem comum e o bom senso.

A conferência Rio+20 poderá ser uma oportuna plataforma para essa necessária reorientação.

Kenitiro Suguio
Geólogo, Doutor em Geologia
Professor Emérito do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP)
Membro titular da Academia Brasileira de Ciências
RG 2.106.298–5-SP

Luiz Carlos Baldicero Molion
Físico, Doutor em Meteorologia e Pós-doutor em Hidrologia de Florestas
Pesquisador Sênior (aposentado) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)
Professor Associado da Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
RG 3.575.005–SSP – SP

Fernando de Mello Gomide
Físico, Professor Titular (aposentado) do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA)
Co-autor do livro Philosophy of Science: Brief History (Amazon Books, 2010, com Marcelo Samuel Berman)
RG DI 76.676 – Min. Aeronáutica

José Bueno Conti
Geógrafo, Doutor em Geografia Física e Livre-docente em Climatologia
Professor Titular do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP)
Autor do livro
Clima e meio ambiente (Atual, 2011)
RG 1.964.865–0 – SP

José Carlos Parente de Oliveira
Físico, Doutor em Física e Pós-doutor em Física da Atmosfera
Professor Associado (aposentado) da Universidade Federal do Ceará (UFC)
Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE)
RG 433.673 – SP – CE

Francisco Arthur Silva Vecchia
Engenheiro de Produção, Mestre em Arquitetura e Doutor em Geografia
Professor Associado do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos–USP
Diretor do Centro de Recursos Hídricos e Ecologia Aplicada (CRHEA)
RG 6.181.607–3 – SP

Ricardo Augusto Felicio
Meteorologista, Mestre e Doutor em Climatologia
Professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP)
RG 19.234.631 – SP

Antonio Jaschke Machado
Meteorologista, Mestre e Doutor em Climatologia
Professor do Departamento de Geografia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP)
RG 18.870.313–5 – SP

João Wagner Alencar Castro
Geólogo, Mestre em Sedimentologia e Doutor em Geomorfologia
Professor Adjunto do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Chefe do Departamento de Geologia e Paleontologia do Museu Nacional/UFRJ
RG 105.476.311 – IFP – RJ

Helena Polivanov
Geóloga, Mestra em Geologia de Engenharia e Doutora em Geologia de Engenharia e Ambiental
Professora Associada do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
RG 3.268.520 – IFP – RJ

Gustavo Macedo de Mello Baptista
Geógrafo, Mestre em Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos e Doutor em Geologia
Professor Adjunto do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB)
Autor do livro Aquecimento Global: ciência ou religião? (Hinterlândia, 2009)
RG 1.015.559-SSP–DF

Paulo Cesar Soares
Geólogo, Doutor em Ciências Geológicas e Livre-docente em Estratigrafia
Professor Titular da Universidade Federal do Paraná (UFPR)
RG 8.210.374.0-PR

Gildo Magalhães dos Santos Filho
Engenheiro eletrônico, Doutor em História Social e Livre-docente em História da Ciência e Tecnologia
Professor Associado do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP)
RG 3.561.441 – SP

Paulo Cesar Martins Pereira de Azevedo Branco
Geólogo, Pesquisador em Geociências (B-sênior) do Serviço Geológico do Brasil – CPRM
RG 3.162.673-2 – SSP-RJ

Daniela de Souza Onça
Geógrafa, Mestra e Doutora em Climatologia
Professora da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)
RG 34.260.417–X–SSP–SP

Marcos José de Oliveira
Engenheiro Ambiental, Mestre em Engenharia Ambiental e Climatologia Aplicada
Doutorando em Geociências Aplicadas na Universidade de Brasília (UnB)
RG 34.028.785–8–SSP– SP

Geraldo Luís Saraiva Lino
Geólogo, coeditor do sítio Alerta em Rede
Autor do livro A fraude do aquecimento global: como um fenômeno natural foi convertido numa falsa emergência mundial (Capax Dei, 2009)
RG 3.078.127–2–DIC–RJ

Maria Angélica Barreto Ramos
Geóloga, Pesquisadora em Geociências (Sênior) do Serviço Geológico do Brasil – CPRM
RG 8.453.248-37-SSP-BA

Publicado originalmente no blog “Terrorismo climático”, de Maurício Porto: http://terrorismoclimatico.blogspot.com.br/2012/05/0236-carta-aberta-presidente-dilma.html
. 

7 comentários:

  1. Faz-me lembrar do saudoso eng. agr. Ângelo Paes de Camargo, pesquizador do I.A,C em climatologia, que escreveu com simplicidade e honestidade o artigo publicado em 2005 com o título "A Floresta amazônica e a presença do Homem". A matéria já foi publicada por este blog e merece ser repetida à luz do inédito manifesto científico ora divulgado, cujo impacto é de tirar o fôlego.
    Fernando Penteado Cardoso

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    1. O link para o post citado pelo Dr. Cardoso, publicado em out/2009, é: http://richardjakubaszko.blogspot.com.br/2009/10/floresta-amazonica-e-presenca-do-homem.html
      O interessado em ler esse artigo deve selecionar e copiar o link, e depois colar no browse.

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  2. Richard,

    Sim é hora de recobrar o bom senso, a começar pelo fato de que os dois lados do argumento de mudanças climáticas não podem provar ou desprovar o que não sabem e nem têm dados ou tempo para resolver a complexidade dos sistemas envolvidos ou confiar na ignorância dos experts arrogantes de ambos os lados.

    Dizer que não há evidências físicas da influência humana no clima global é errado [1-6], dizer que não se sabe quantificar o impacto de tal influência pode fazer sentido mas depende do contexto – a influência existe em vários ecosistemas e o bom senso que você prega deveria levar à maior prática do princípio da precaução ou deixaria de ser bom senso pois haveria consequências graves [4].

    Por isso a hipótese “antropogênica” não é um desserviço à ciência, bem como qualquer outra e todas são por necessidade uma simplificação, a não ser que alguem tivesse prova concreta e definitiva, o que é impossível dada a natureza e complexidade dinâmica dos sistemas interrelacionados e suas escalas de tempo. O “problema antropogênico” é muito maior do que se discute e deve envolver formas de regeneração, redução do impacto das mudanças climáticas seja por que origem forem, redução da acidificação dos oceanos e da camada de ozônio, sustentabilidade de ciclos de nitrogênio e fosfato, gestão de água doce nao poluída e agroecologia para maior produtividade da terra agriculturável, biodiversidade e produção distribuída, redução da poluição química, atmosférica com aerosois, chemtrails, distribuição de renda e tecnologia, energia, telecomunicações, educação e saneamento, abandono de tecnologias arriscadas e obsoletas como GMO etc...

    O alarmismo climático é realmente contraproducente mas se quisessemos estar alarmados com algo há assuntos muito mais urgentes como o reator 4 em Fukushima que tem potencial de emitir mais césio que 800 bombas atômicas simultâneas e impactar bilhões de vidas [7-9] ou o metano com efeito estufa muito maior que CO2 [10]. Neste meio tempo, para elevar os níveis de desenvolvimento e progresso da humanidade aos patamares permitidos pela ciência e tecnologia modernas, é preciso inspirar e educar gerações presentes e futuras em técnicas que não apenas protejam mas também, tanto quanto possível, regenerem o nosso ambiente, simultâneamente, como a natureza o faz, daí nasceu o conceito da Economia Azul [11-15].

    (continua)

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  3. Ela visa mudar as regras, acabar com o globalismo destrutivo da elite conspiratória [16], encorajar empreendedorismo local, criar empregos em modelos de negócios robustos que são competitivos tanto financeiramente quanto ambientalmente, inspirados por ecosistemas, ao contrário da economia verde (que requer que empresas invistam mais e consumidores paguem mais e na realidade não são sistemicamente sustentáveis).

    É preciso uma guinada AZUL para o futuro [11], mudando de um conceito obsoleto de ‘core competence’ ainda ensinado em vários MBAs para um conceito futuro de um conjunto de atividades onde o melhor é mais barato, onde capital social é construído distribuidamente e não destruído e onde o objetivo de cada um é satisfazer as necessidades básicas dos outros, como em um ecosistema. É preciso pensar e há muito o que fazer [15, 17-19].

    Dr Gerson Machado

    [1] http://www.bloomberg.com/slideshow/2011-12-12/don-t-panic-earth-s-nine-threats-to-humanity.html
    [2] http://www.skepticalscience.com/
    [3] http://richardjakubaszko.blogspot.co.uk/2011/12/sos-aos-cientistas-pesquisadores.html
    [4] Global Warming in a 10 step Nutshell http://www.greenhealth.org.uk/AGW%20Nutshell.htm
    [5] Can Popper Resolve the Global Warming Debate? 05/08/11 http://www.huffingtonpost.co.uk/richard-lawson/can-popper-resolve-the-gl_b_916842.html
    [6] http://www.skepticalscience.com/David-Evans-All-at-Sea-about-Ocean-Warming-and-Sea-Level-Rise.html
    [7] Fukushima Daiichi: The Truth and the Future 12/May/2012 http://fairewinds.com/content/fukushima-daiichi-truth-and-future
    [8] Fukushima Forever http://blog.imva.info/world-affairs/4495
    [9] Dr Kaku interview on Fukushima 09 May 2012 http://soundcloud.com/flashpoints/flashpoints-daily-newsmag-05-6
    [10] BBC 20 May 2012 Arctic melt releasing ancient methane http://www.bbc.co.uk/news/science-environment-18120093
    [11] The Blue Economy book http://www.paradigm-pubs.com/catalog/detail/BluEco
    [12] The Blue Economy Alliance http://www.blueeconomyalliance.com/benefits_en.php
    [13] The blue economy a new way of designing business http://wattnow.org/898/the-blue-economy-a-new-way-of-designing-business
    [14] BLUE ECONOMY WORLD SUMMIT http://www.blueeconomy.eu/page/worldsummit
    [15] BLUE ECONOMY PROJECTS http://www.blueeconomy.de/m/news/index/
    [16] The Committee of 300 http://coleman300.com/
    [17] Green Energies 100% Renewables by 2050 http://www.i-sis.org.uk/GreenEnergies.php
    [18] Food Futures Now Organic Sustainable Fossil Fuel Free by Mae-Wan Ho Sam Burcher, Lim Li Ching & others http://www.i-sis.org.uk/foodFutures.php
    [19] Amory Lovins: A 50-year plan for energy http://www.ted.com/talks/amory_lovins_a_50_year_plan_for_energy.html

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  4. Caro Gerson:

    Uma resposta adequada aos seus comentários sobre a carta aberta da qual fui um dos signatários requereria um texto maior que a própria. Por isso, limitar-me-ei a dois deles.
    Um, a sua afirmativa de que "é errado" dizer que não há evidências físicas dos impactos humanos na escala global. Como geólogo, reitero: não existe qualquer evidência física observada no mundo real, que permita demonstrar que as variações de temperaturas e níveis do mar dos últimos dois séculos sejam anômalas, em relação às observadas anteriormente, no passado histórico e geológico. Desafio qualquer pessoa, cientista ou leigo, do Brasil ou do exterior, a apresentar uma sequer. As variações naturais observadas nesses parâmetros, nos últimos 20.000 anos, chegam a ser até uma ordem de grandeza superiores às observadas desde o século XIX - ou seja, aos níveis atuais de conhecimento, não há como se distinguirem os alegados impactos humanos dentro dessa faixa de variações. E, na ciência, sem evidências, nenhuma hipótese se sustenta.
    Quanto ao buraco na camada de ozônio, ele também é um fenômeno natural, que já era observado na década de 1920, antes mesmo que os CFCs e outros produtos aos quais o fenômeno foi, posteriormente, atribuído, fossem inventados (em meu livro, "A fraude do aquecimento global", reproduzo dois gráficos de revistas científicas francesas, que demonstram o fenômeno). Popper, mencionado em uma das referências citadas por você, certamente, diria que não é possível se atribuir um fenômeno já existente a uma suposta causa que lhe seja posterior.

    Geraldo Luís Lino

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    1. Geraldo

      O foco da minha resposta não foi discutir detalhes academicamente ou políticamente de nenhum lado mas sim focar no que pode e deve ser feito pragmaticamente, hoje, para prepararmos um futuro mais robusto tendo em vista que não temos e não vamos ter dados ou modelos perfeitos e isso não gerencia mas cria riscos. Sim possivelmente há e houve manipulação de dados dentro de várias organizações internacionais com projetos criados para controle político e interesse financeiro como créditos de carbono, Maurice Strong, UN e banqueiros internacionais [1]. Mas voltemos ao ponto, que é focar em precaução, regeneração e sustentabilidade sem miséria – tudo isso é possível com uma mudança para pensamento sistêmico, agroecologia e foco nos objetivos práticos como citado nas várias referências inclusive economia azul, do que em debates impossíveis.

      Dizer que “aos níveis atuais de conhecimento, não há como se distinguirem os alegados impactos humanos dentro dessa faixa de variações” claramente não é o mesmo que dizer, como no artigo, que não exista ou venha a existir consequência tardia dada a natureza complexa, dinâmica e ainda pouco conhecida dos sistemas – tal afirmativa não provaria nem desprovaria nada especialmente se a elusiva “evidência” não é definida, nem estática ou comparativamente mensurável geologicamente. Há varios pesquisadores estudando modelos antropogênicos/biogênicos do ponto de vista da geologia, não só com relação ao CO2 mas vários outros elementos como por exemplo mercúrio, mostrando acumulação significativa de tais elementos [2] e de calor no caso da terra, a acumulação de calor não parou [3-9].

      Quanto a “não é possível se atribuir um fenômeno já existente a uma suposta causa que lhe seja posterior”, este comentário claramente não é incompatível como o fato de que efeitos posteriores e outros possivelmente ainda nem conhecidos ou divulgados (p. ex HAARP) tenham correlação com qualquer fenômeno natural já preexistente.

      Dr Gerson Machado

      [1] Jesse Ventura's Conspiracy Theory Global Warming http://www.youtube.com/watch?v=pMeULaT9DQM
      [2] http://tel.archives-ouvertes.fr/docs/00/04/82/77/PDF/tel-00009797.pdf Predominant anthropogenic sources and rates of atmospheric mercury accumulation
      [3] The_Earth_is_Warming_Still http://www.skepticalscience.com/Breaking_News_The_Earth_is_Warming_Still_A_LOT.html
      [4] Waste-heat-vs-greenhouse-warming http://www.skepticalscience.com/Waste-heat-vs-greenhouse-warming.html
      [5] Earth's Energy Imbalance and Implications http://www.columbia.edu/~jeh1/mailings/2011/20110415_EnergyImbalancePaper.pdf
      [6] http://www.world-nuclear.org/uploadedImages/org/info/world_electricity_consumption_region.png
      [7] Search For 'Missing Heat' Confirms More Global Warming 'In The Pipeline' http://www.skepticalscience.com/Search-For-Missing-Heat-Confirms-More-Global-Warming-In-The-Pipeline-.html
      [8] http://www.skepticalscience.com/new_research_20_2012.html
      [9] http://www.skepticalscience.com/search.php?Search=AGW&x=0&y=0

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    2. Geraldo
      O foco da minha resposta não foi discutir detalhes academicamente ou politicamente de nenhum lado, mas sim focar no que pode e deve ser feito pragmaticamente, hoje, para prepararmos um futuro mais robusto tendo em vista que não temos e não vamos ter dados ou modelos perfeitos e isso não gerencia, mas cria riscos. Sim, possivelmente há e houve manipulação de dados dentro de várias organizações internacionais com projetos criados para controle político e interesse financeiro como créditos de carbono, Maurice Strong, UN e banqueiros internacionais [1]. Mas voltemos ao ponto, que é focar em precaução, regeneração e sustentabilidade sem miséria – tudo isso é possível com uma mudança para pensamento sistêmico, agroecologia e foco nos objetivos práticos como citado nas várias referências inclusive economia azul, do que em debates impossíveis.
      Dizer que “aos níveis atuais de conhecimento, não há como se distinguirem os alegados impactos humanos dentro dessa faixa de variações” claramente não é o mesmo que dizer, como no artigo, que não exista ou venha a existir consequência tardia dada a natureza complexa, dinâmica e ainda pouco conhecida dos sistemas – tal afirmativa não provaria nem desaprovaria nada, especialmente se a elusiva “evidência” não é definida, nem estática ou comparativamente mensurável geologicamente. Há vários pesquisadores estudando modelos antropogênicos/biogênicos do ponto de vista da geologia, não só com relação ao CO2, mas vários outros elementos como por exemplo mercúrio, mostrando acumulação significativa de tais elementos [2] e de calor no caso da terra, a acumulação de calor não parou [3-9].
      Quanto a “não é possível se atribuir um fenômeno já existente a uma suposta causa que lhe seja posterior”, este comentário claramente não é incompatível como o fato de que efeitos posteriores e outros possivelmente ainda nem conhecidos ou divulgados (p. ex HAARP) tenham correlação com qualquer fenômeno natural já preexistente.
      Dr Gerson Machado

      [1] Jesse Ventura's Conspiracy Theory Global Warming http://www.youtube.com/watch?v=pMeULaT9DQM
      [2] http://tel.archives-ouvertes.fr/docs/00/04/82/77/PDF/tel-00009797.pdf Predominant anthropogenic sources and rates of atmospheric mercury accumulation
      [3] The_Earth_is_Warming_Still http://www.skepticalscience.com/Breaking_News_The_Earth_is_Warming_Still_A_LOT.html
      [4] Waste-heat-vs-greenhouse-warming http://www.skepticalscience.com/Waste-heat-vs-greenhouse-warming.html
      [5] Earth's Energy Imbalance and Implications http://www.columbia.edu/~jeh1/mailings/2011/20110415_EnergyImbalancePaper.pdf
      [6] http://www.world-nuclear.org/uploadedImages/org/info/world_electricity_consumption_region.png
      [7] Search For 'Missing Heat' Confirms More Global Warming 'In The Pipeline' http://www.skepticalscience.com/Search-For-Missing-Heat-Confirms-More-Global-Warming-In-The-Pipeline-.html
      [8] http://www.skepticalscience.com/new_research_20_2012.html
      [9] http://www.skepticalscience.com/search.php?Search=AGW&x=0&y=0

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