domingo, 6 de outubro de 2013

A polêmica da ILPF

Richard Jakubaszko   
Polemizar nos faz crescer, pois aprendemos a conhecer as opiniões contrárias. Podemos medir e comparar ideias diferentes, desde que sejam manifestações honestas e críticas construtivas, que podem contribuir para propósitos meritórios. Assim, espero contribuir através do blog para um debate saudável sobre a ILPF, apresentando, de um lado, a opinião de seus adeptos, que se encontram no vídeo abaixo, e de outro lado a visão crítica, manifestada no texto, abaixo do vídeo.

A minha ótica em relação a ILPF concentra-se em dois pontos: primeiro, o fato de quem faz a ILPS, invariavelmente o agricultor (cerca de 90%), que tem a cultura e tradição do investimento no curto prazo e dispõe de máquinas, enquanto o pecuarista (10%) não tem a cultura do investimento em curto prazo e não tem as máquinas. Nesse caso o ideal seria a parceria entre o dono da terra, que tem pastos degradados e carência de recursos financeiros para investir; junto com o agricultor poderá recuperar o solo, dar melhor produtividade para a produção de carne, eis que o pasto pode ser implantado a baixo custo, geralmente sem uso de fertilizantes, depois de plantar-colher uma lavoura. A conciliação desses interesses culturais, e as dificuldades da implantação do sistema, portanto, seriam o primeiro entrave, ou dificuldade.

Em segundo lugar, a inclusão da Floresta no sistema ILP implica em certeza de que não poderá haver "arrependimento" na implantação, eis que retirar as raízes / tocos exige tempo, em média superior a 5 ou 8 anos, e impossibilita nesse período a continuidade da agricultura naquele espaço. Fora isso tenho convicção de que a ILP (e a ILPF) pode ser a fórmula e o caminho para a recuperação de mais de 90 milhões de hectares de pastagens degradadas e sem perspectivas de solução no curto prazo. Muitos pecuaristas, por causa disso, e para aprender sobre o sistema, preferem implantar apenas a ILP, deixando a "floresta" para depois.

Este blog, desta forma, abre debate sobre o assunto com o vídeo abaixo, e, na sequência, a opinião do mestre Fernando Penteado Cardoso (agora mais conhecido como "R.100" = Rumo aos 100).



ILPF - POR QUE FLORESTA?
Fernando Penteado Cardoso *
Estão na moda os palavreados ambiciosos “lavoura-pecuária-floresta-ILPF” ou “agro-silvo-pastoril”. O que significam ou o que podem significar?
Tudo começou alguns anos atrás com a expressão “integração lavoura pecuária-ILP” que foi definida como a sucessão alternada de atividades agrícolas e pecuárias na mesma área.

Importante ser na mesma área, pois se uma fazenda se dedica a lavouras e a criações em áreas separadas, ela tem essas atividades paralelas, mas não integradas.

A integração acontece quando as duas atividades - agrícola e pecuária - se alternam, se sucedem, se interagem, se integram e se completam em uma mesma área.

Um exemplo de ILP bem sucedido é o do produtor Ake van der Vinne, em Maracajú/MS, onde no verão a sucessão anual é soja>soja>milho>pasto e no inverno pasto>pasto>pasto. Nesse sistema, a cada 4 anos um hectare em rotação produz  em média 120 sc de soja (2 safras), 100 sc de milho  e 1.000 kg de ganho de peso vivo-GPV.

Outra aferição bem sucedida foi relatada pela Granja JAE, Sto. Inácio/PR, onde, por 6 anos consecutivos, foi comprovada a produção anual de 2.000 litros de leite ou de 300 kg de GPV por hectare durante o inverno, no intervalo entre culturas de soja de verão.

Nesses dois exemplos, o sistema assegura ainda um volume satisfatório de fitomassa para o plantio direto subsequente. Nos dois casos, pecuária e lavoura se alternam na mesma área.

De uns anos para cá a Embrapa vem incentivando o plantio de renques de duas a três linhas de eucalipto ou outra espécie arbórea separadas de 25 a 27 m. Nos primeiros 2 anos cultiva-se soja ou outro cereal no intervalo entre os renques. No final do 2º ano semeia-se capim, geralmente uma Brachiaria, iniciando-se então um sistema permanente de pasto sombreado.

Não se trata de uma integração por falta de rotatividade e de alternância. Poderá, quando muito, ser classificada de silvo-pastoril, sem que a lavoura faça parte do sistema.

Os pastos sombreados não constituem novidade. Anos atrás a CMM do grupo Votorantim patrocinou experimentos e observações em Vazante, no NO de Minas Gerais, mas o trabalho foi descontinuado antes de concluído. Outras descrições em Paragominas/PA e no Estado de MS são pouco conclusivas quanto aos resultados anuais de ganho de peso, embora apresentem simulações e estimativas favoráveis.

Nos anos 1990 diversos criadores na região de Dourados/MS iniciaram o plantio de renques de Leucaena ocupando cerca de 50% da área de piquetes em rotação, com sombreamento intenso na área arbustiva rebrotada. Os intervalos entre os renques eram semeados com capim, permitindo que os animais pastoreassem a gramínea e os brotos e folhas da leguminosa. Inicialmente houve grande entusiasmo dos criadores, mas, pouco a pouco o sistema foi relegado, seja por dificuldades de manejo, seja por não compensar economicamente.

A forragem à sombra é menos palatável nas águas, o capim é mais tenro e bem aceito na seca e a faixa lindeira aos bosques é prejudicada pela forte competição até uma largura de 10 a 15 m. Estas observações são de conhecimento geral dos que convivem com o ambiente rural.

Seja pelo sombreamento, seja pela competição por nutrientes e água, a produção de fitomassa forrageira à sombra pode vir a ser limitada, desconhecendo-se pelo momento o GPV anual por unidade de área. Os custos de implantação são, por sua vez, muito variáveis, dependendo de inúmeros fatores locais, inclusive da infestação dos inços e de formigas cortadeiras.

A redução da produção animal é até certo ponto compensada pelo crescimento de fustes com valor comercial para celulose, carvão ou madeira, mas o resultado econômico por hectare entre produção animal e vegetal não foi ainda determinado.

O que deve ficar bem claro é que a integração lavoura/pecuária está bem comprovada e dimensionada, mas ao se introduzir árvores permanentes o sistema torna-se mal conhecido, em que pese o entusiasmo desiderativo dos que o apregoam antes de ter aferições convincentes.

Dias de Campo festivos divulgam as iniciativas ditas agro-silvo-pastoris enquanto satisfazem a curiosidade dos interessados e envaidecem tanto os técnicos promotores, como  os proprietários gratificados.

Vale aqui lembrar o preceito de Lord Kelvin enunciado no século 19: “A menos que você possa medir alguma coisa e descrevê-la com números, você está apenas começando a compreendê-la”.

É admissível a hipótese de que ao final de alguns anos os agropecuaristas cheguem à conclusão de que seria melhor ter pastagem e reflorestamento em separado.

O futuro dirá, seja por problemas operacionais, seja por pragas rogadas pelos vaqueiros em disparada ao cruzar pelos renques arbóreos.

*Eng. Agr. Sênior-ESALQ-USP 1936 - Fundador e ex-presidente da Manah S.A. e da Fundação Agrisus. Produtor rural em Mogi Mirim/SP.


A Integração Lavoura Pecuária e o componente florestal
João Kluthcouski **
A Integração Lavoura Pecuária (ILP), ou sistema agropastoril, já mostrou tantas vantagens que é impossível questionar sua viabilidade: sinergismo entre as atividades de agricultura e pecuária; uso eficiente da área durante o ano todo; melhoria de todas as propriedades do solo; redução de riscos climáticos; aumento da produtividade de grãos; produção do “boi barato e precoce” na safrinha ou na época seca; aumento da matéria orgânica do solo; mitigação da emissão de gases de efeito estufa; redução da necessidade de agrotóxicos; aumento da rentabilidade; entre muitas outras vantagens. Destaca-se a máxima lançada pelo Dr. Fernando Penteado Cardoso: “braquiária é mais do que pasto!”.

Vale lembrar, inclusive, que hoje a ILP, obviamente sob Sistema Plantio Direto, é tida como a única possibilidade viável para se produzir de forma sustentável nos solos arenosos, a maior parte deles atualmente coberta por pastagem degradada e cuja abrangência, em termos de área, é estimada em mais de 90 milhões de hectares no Brasil – cerca de 10 milhões nas regiões Sul e Sudeste, e 30 milhões somente nos Cerrados.

E como a árvore entra nessa história? Engana-se quem pensa que o componente florestal é ruim. A árvore é o símbolo da vida em todos os aspectos: produz riqueza; absorve e até sequestra carbono durante todo o ano; gera sombra e umidade; produz energia, celulose e madeira para diversos fins; protege e dá abrigo a maior parte da fauna silvestre. Além disso, uma árvore plantada pode significar uma árvore nativa a menos a ser derrubada. Quer mais? É possível afirmar que, num futuro próximo, haverá maior demanda por madeira de florestas plantadas para os mais diversos fins.

Aí vem a grande polêmica sobre a tal sigla “ILPF”, que vem de “Integração Lavoura-Pecuária-Floresta” que hoje está sendo grandemente difundida no Brasil. Apesar de tentar abranger todas as modalidades de “integração”, a ILPF acaba sendo entendida como sendo o sistema completo que integra todas as atividades, ou seja, o sistema agrossilvipastoril. Assim, um dos equívocos começa pela própria sigla, pois o leitor, nesse caso o produtor rural, pode entender que a floresta plantada é obrigatória no fabuloso sistema de ILP, e isso não é verdade. Então, é preciso desmistificar esse possível mal entendido.

Floresta plantada não é para todos, mas sim para nichos específicos de produtores rurais, podendo servir para um ou mais objetivos: como quebra-vento; para pequenos produtores de leite; alta demanda por madeira na propriedade; utilização de áreas marginais da propriedade, como locais pedregosos e declives acentuados; entre outros.

O fato ainda mais agravante é que pouco se conhece científica e economicamente sobre o resultado final da tal ILPF: retorno econômico ao longo do tempo; quantificação de provável redução na produção forrageira e culturas graníferas consorciadas com árvores; melhor definição de arranjo espacial das espécies madeireiras; custo da destoca quando pretender-se utilizar a área para outros fins. Afinal de contas, os estudos sobre ILPF são muito recentes no Brasil, e resultados confiáveis são obtidos a médio e longo prazo. Por isso, temos que ter muito cuidado na difusão desse sistema generalizadamente.

Já se sabe, no entanto, que: o sombreamento pode reduzir, na maioria dos casos, o potencial produtivo da pastagem e das culturas graníferas anuais; o bem estar gerado pelo sombreamento pode resultar em melhor desempenho animal, seja para carne ou leite, sem que isso sempre represente maior produtividade por unidade de área; as fileiras bordaduras do eucalipto, por exemplo, só se prestam para a produção de energia; a melhor orientação das fileiras ou renques é no sentido Leste-Oeste; fileiras simples comprometem menos as produtividades das espécies consorciadas e a madeira produzida serve tanto para a produção de energia como de pranchas para serraria. Mas muito mais tem que ser ainda estudado.

É detestável ficar em cima do muro, por isso, duas conclusões podem ser tiradas: a ILP é para todos, e, com certeza, vai se transformar na maior das revoluções verdes no planeta; e a ILPF, desde que atenda a demandas específicas e seja muito bem pensada e planejada, pode se transformar num excelente negócio para muitos empresários rurais, em qualquer tamanho de propriedade.

** O autor é engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa, e especialista na ILPF.
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11 comentários:

  1. Prezado Richard:

    Parabéns por levar essa discussão ao seu blog. Não tenho duvida que a pesquisa sobre a ILPF ou mais precisamente F + LP é a mais importante para o Brasil hoje. Um grande abraço,
    Milton Rego

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  2. Fernando P. Cardoso6 de outubro de 2013 23:46

    .Dificilmente, talvez nunca, o agricultor irá formar pasto sombreado em terra agricultável pelo simples motivo que a produção vegetal dá mais dinheiro que a pecuária. Assim é por todo o mundo, e muito mais onde se pode obter duas safras de cereais de verão, mais um tanto de forragem em um só ano agrícola, como acontece no Brasil. Vice-versa está ocorrendo em grande escala: pastos convertidos em cultura. Outrossim, é quase impossível analisar o assunto tomando 90 mi ha como um só todo em face de extrema diversidade de aptidão da terra e de clima, as distâncias envolvidas e a disponibilidade de gente e de recursos financeiros. Cumpre lembrar que as atividades pecuárias se basearam em pastagens nativas durante séculos e que a produção forrageira nas aberturas da floresta é recente e se explica pelos tocos e troncos remanescentes onde somente a pastagem é factível.

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  3. João P. Castro Menezes7 de outubro de 2013 09:32

    Por que motivo quase tudo em seu blog vira polêmica?
    Que necessidade é essa?
    João P. Castro Menezes

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    1. João,
      é para não compactuar com o pensamento único. Tudo na vida tem dois ou mais lados, até sobre Deus as pessoas têm opiniões diferentes, e eu quero conhecer todas as opiniões, para daí tirar minhas próprias conclusões. Como vc pode perceber, é simples a minha necessidade.
      Pensar não dói, sabia? E não tenho receios de críticas, porque penso, e se o outro tiver razão posso até mudar de opinião, basta me convencer...

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    2. Fernando P. Cardoso7 de outubro de 2013 13:02

      O filme patrocinado pela Fundação BB leva-me a divulgar comentário enviado a um dos divulgadores do ILPF:
      "Muito obrigado pelo material que me enviou. Qualidade de primeiro mundo graças aos recursos financeiros da Fund.BB, certamente previstos em seu estatuto.

      Pena que se esteja desperdiçando tanto tempo e dinheiro com sonhos que irão dar em nada no futuro.

      Fique certo de que lavoura é lavoura, pasto é pasto e silvicultura é silvicultura.

      Cada atividade tem o seu localização ideal, sua tecnologia e seu resultado econômico.

      O que se deve prever também é quanto se vai gastar na destoca do eucalipto para retornar á agricultura imbatível de duas safras de verão na mesma área e no mesmo ano agrícola, passível de acrescentar uma terceira renda forrageira expressa em peso-vivo animal produzido em pastoreio temporário.

      Considero um desperdício esse esforço dos colegas em sistemas imaginosos até agora não comprovados. Já está em tempo de se medir o ganho de peso animal por hectare/ano de pastagem sombreada acrescida do lenho produzido, tendo como testemunha idêntica produção a pleno sol. Quando tiver os dados apreciarei conhece-los.

      A meu ver, esse empenho dos colegas com dinheiro de uma fundação do BB e o valor das atividades dos funcionários públicos, seriam melhor aproveitados se fossem empregados em difundir tecnologias de um Plantio Direto de Qualidade, principalmente que viesse assegurar mais palha na dessecação para as culturas anuais, especialmente nos sistemas de triplo uso dos recursos naturais (sol, chuva e terra) em um mesmo ano agrícola.

      Não mais estarei vivo para assistir com desgosto o desapontamento e arrependimento dos produtores ao reconhecerem o erro dessa utopia, a ILPF. Mas vocês irão constatar com arrependimento quanto tempo e dinheiro foi perdido, além do risco envolvido de descrédito de nossa classe.

      Muito obrigado pelo material que me enviou. Qualidade de primeiro mundo graças aos recursos financeiros da Fund.BB, certamente previstos em seu estatuto.

      Pena que se esteja desperdiçando tanto tempo e dinheiro com sonhos que irão dar em nada no futuro.

      Fique certo de que lavoura é lavoura, pasto é pasto e silvicultura é silvicultura.

      Cada atividade tem o seu localização ideal, sua tecnologia e seu resultado econômico.

      O que se deve prever também é quanto se vai gastar na destoca do eucalipto para retornar á agricultura imbatível de duas safras de verão na mesma área e no mesmo ano agrícola, passível de acrescentar uma terceira renda forrageira expressa em peso-vivo animal produzido em pastoreio temporário.

      Considero um desperdício esse esforço dos colegas em sistemas imaginosos até agora não comprovados. Já está em tempo de se medir o ganho de peso animal por hectare/ano de pastagem sombreada acrescida do lenho produzido, tendo como testemunha idêntica produção a pleno sol. Quando tiver os dados apreciarei conhece-los.

      A meu ver, esse empenho dos colegas com dinheiro de uma fundação do BB e o valor das atividades dos funcionários públicos, seriam melhor aproveitados se fossem empregados em difundir tecnologias de um Plantio Direto de Qualidade, principalmente que viesse assegurar mais palha na dessecação para as culturas anuais, especialmente nos sistemas de triplo uso dos recursos naturais (sol, chuva e terra) em um mesmo ano agrícola.

      Não mais estarei vivo para assistir com desgosto o desapontamento e arrependimento dos produtores ao reconhecerem o erro dessa utopia, a ILPF. Mas vocês irão constatar com arrependimento quanto tempo e dinheiro foi perdido, além do risco envolvido de descrédito de nossa classe."

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  4. O filme patrocinado pela Fundação BB leva-me a divulgar comentário enviado a um dos divulgadores do ILPF:
    "Muito obrigado pelo material que me enviou. Qualidade de primeiro mundo graças aos recursos financeiros da Fund.BB, certamente previstos em seu estatuto.
    Pena que se esteja desperdiçando tanto tempo e dinheiro com sonhos que irão dar em nada no futuro.
    Fique certo de que lavoura é lavoura, pasto é pasto e silvicultura é silvicultura.

    Cada atividade tem o seu localização ideal, sua tecnologia e seu resultado econômico.

    O que se deve prever também é quanto se vai gastar na destoca do eucalipto para retornar á agricultura imbatível de duas safras de verão na mesma área e no mesmo ano agrícola, passível de acrescentar uma terceira renda forrageira expressa em peso-vivo animal produzido em pastoreio temporário.
    Considero um desperdício esse esforço dos colegas em sistemas imaginosos até agora não comprovados. Já está em tempo de se medir o ganho de peso animal por hectare/ano de pastagem sombreada acrescida do lenho produzido, tendo como testemunha idêntica produção a pleno sol. Quando tiver os dados apreciarei conhece-los.

    A meu ver, esse empenho dos colegas com dinheiro de uma fundação do BB e o valor das atividades dos funcionários públicos, seriam melhor aproveitados se fossem empregados em difundir tecnologias de um Plantio Direto de Qualidade, principalmente que viesse assegurar mais palha na dessecação para as culturas anuais, especialmente nos sistemas de triplo uso dos recursos naturais (sol, chuva e terra) em um mesmo ano agrícola.
    Não mais estarei vivo para assistir com desgosto o desapontamento e arrependimento dos produtores ao reconhecerem o erro dessa utopia, a ILPF. Mas vocês irão constatar com arrependimento quanto tempo e dinheiro foi perdido, além do risco envolvido de descrédito de nossa classe.
    Fernando Penteado Cardoso

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  5. Richard,
    vale lembrar o trecho abaixo de Arthur C. Clarke sobre inovacao:
    New ideas pass through three periods:
    • It can’t be done.
    • It probably can be done, but it’s not worth doing.
    • I knew it was a good idea all along.

    Vale tambem rever varios exemplos de integracao que existem pelo mundo afora seja no BR ou no exterior, alguns links abaixo.

    SDS
    Gerson Machado

    http://www.ecocentro.org/

    http://www.geofflawton.com/sq/15449-geoff-lawton

    http://tv.naturalnews.com/v.asp?v=E5120F998378156892BA39C1F9AE5F45#
    2,000 Year Old Food Forest in Morocco with Geoff Lawton

    http://tv.naturalnews.com/v.asp?v=54868552BFF7ABB635A1E356EC6A94DE

    http://tv.naturalnews.com/agriculture.asp

    http://en.wikipedia.org/wiki/Forest_gardening

    http://permaculturenews.org/2013/06/28/geoff-lawtons-zaytuna-farm-video-tour-part-ii/

    http://permacultureprinciples.com/wp-content/uploads/2013/01/37_permaculture_in_japan.pdf

    http://www.cultureofpermaculture.org/blog/links/

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    Respostas
    1. Prezado Gerson:
      Vivemos o eterno conflito entre a lógica e o pensamento desiderativo. Vi a lógica de café moderno a pleno sol na Colômbia e do cacau sem sombreamento em Rondônia. Nunca vi soja, milho, feijão e arroz à sombra e sob a competição do eucalipto. Talvez o milagre desiderativo venha a ocorrer, mas por hora fico com o primeiro período da inovação: “é impossível”. Tenho dúvidas de que as referências citadas provem o contrário em climas tropicais de sol, calor e chuva.

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  6. Leio no Estadão de hoje (E1) a palavra “sonhática”, um adjetivo inexiste nos dicionários. Fez-me lembrar de asmático=qualidade doentia de quem tem asma, como eu mesmo. Acho que o qualificativo se aplica hoje em dia a muitos colegas, por terem a doença do sonho. Espero não apanhar essa moléstia, desde que não perca a recomendação do inesquecível Bourlaug: -Reach for the stars. Although you cannot touch them, if you reach them hard enough, you will find that you get a little “star dust” on you in the process. Tradução livre do sentido por FC: “Sonhe olhando para as estrelas. Embora não possa tocá-las, se você sonhar com intensidade, você verá que alguns desses sonhos se tornarão realidade”.
    Cordial abç
    FC

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  7. Confesso que, de início, me incomodaram um pouco os comentários feitos. Temos sempre a tendência de defender aquilo em que acreditamos antes de racionalizar sobre assunto. Aliás, a tendência do ser humano normalmente é a de filtrar as razões que contrariam nossas crenças e valorizar e racionalizar em cima daquelas que as comprovam.

    Bom, assim, tive que me recompor e me lembrar que, antes de tudo, sou um cientista e que cientistas, devem sempre buscar o caminho contrário, ou seja, deixar a crença de lado e buscar primeiro os dados e depois uma teoria, mesmo que isso implique em "riscos" às nossas crenças.

    Dessa forma, relendo o texto percebi que, de fato, as afirmações feitas tem sim fundamento. Então fui em busca da razão pela qual tais afirmações foram feitas. Descobri que a falha está do lado da ciência...sim da ciência.

    O principal ponto que chamo à atenção é o fato da polêmica girar em torno do sombreamento excessivo do pasto com o tempo, o que, de fato, é verdade. E daí? Acabou a tecnologia? Era tudo mais uma promessa milagrosa e inconsequente?

    Afirmo que não. Está aí o lado fantástico da ciência: acabamos de encontrar mais uma lacuna para investigação.

    É óbvio que com o tempo as árvores crescem e, com o crescimento, aumentam a sombra. A grande sacada é saber, então, quando manejar este componente florestal. Saber o ponto exato onde a sombra começa a prejudicar a produção do sub-bosque e buscar uma solução para isto.

    Cada arranjo de plantio (seja com uma linha, duas ou três) vai demandar um manejo diferenciado, sempre em função tanto do crescimento das árvores e da produção do pasto.

    Neste sentido a Embrapa Gado de Leite, iniciou um projeto, em parceria com produtores rurais familiares e a Emater-MG, no sentido de buscar estas respostas.

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  8. Confesso que, de início, me incomodaram um pouco os comentários feitos. Temos sempre a tendência de defender aquilo em que acreditamos antes de racionalizar sobre assunto. Aliás, a tendência do ser humano normalmente é a de filtrar as razões que contrariam nossas crenças e valorizar e racionalizar em cima daquelas que as comprovam.

    Bom, assim, tive que me recompor e me lembrar que, antes de tudo, sou um cientista e que cientistas, devem sempre buscar o caminho contrário, ou seja, deixar a crença de lado e buscar primeiro os dados e depois uma teoria, mesmo que isso implique em "riscos" às nossas crenças.

    Dessa forma, relendo o texto percebi que, de fato, as afirmações feitas tem sim fundamento. Então fui em busca da razão pela qual tais afirmações foram feitas. Descobri que a falha está do lado da ciência...sim da ciência.

    O principal ponto que chamo à atenção é o fato da polêmica girar em torno do sombreamento excessivo do pasto com o tempo, o que, de fato, é verdade. E daí? Acabou a tecnologia? Era tudo mais uma promessa milagrosa e inconsequente?

    Afirmo que não. Está aí o lado fantástico da ciência: acabamos de encontrar mais uma lacuna para investigação.

    É óbvio que com o tempo as árvores crescem e, com o crescimento, aumentam a sombra. A grande sacada é saber, então, quando manejar este componente florestal. Saber o ponto exato onde a sombra começa a prejudicar a produção do sub-bosque e buscar uma solução para isto.

    Cada arranjo de plantio (seja com uma linha, duas ou três) vai demandar um manejo diferenciado, sempre em função tanto do crescimento das árvores e da produção do pasto.

    Neste sentido a Embrapa Gado de Leite, iniciou um projeto, em parceria com produtores rurais familiares e a Emater-MG, no sentido de buscar estas respostas.

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