quinta-feira, 30 de março de 2017

Para reflexão sobre o manejo e a conservação do solo

Maurício Carvalho de Oliveira *
“As fortes chuvas provocadas pelo El Niño no ano passado e no início deste ano destruíram uma grande parte das estruturas de conservação e contenção da erosão das propriedades. Além disso, os novos equipamentos de produção – plantadeiras, tratores e colheitadeiras – foram fabricados em dimensões e pesos inadequados às necessidades de manejo e conservação de solo e água até então. O Plantio Direto terá que ser retomado para melhorar a eficiência das novas tecnologias e manter a sustentabilidade das produções.” (palavras de Ágide Meneguette, Presidente do Sistema FAEP/SENAR – PR)

Esta é uma situação real e recorrente. O problema, parece-me, foi exposto nesse parágrafo.

É importante, entretanto, refletir sobre o mundo que vai lá fora. No campo mesmo. Onde estarão nossas fragilidades e sugestões para minimizar, controlar o problema da degradação do solo pela erosão e escoamento superficial da água?

– As máquinas são realmente fabricadas em dimensões ou peso inadequados? O parque de máquinas evolui. Máquinas modernas, avançadas (com GPS) e que seduzem os produtores rurais que as compram.

– As rotações de culturas estão inadequadas? Faltam plantas apropriadas? O chamado imediatismo do produtor? Que não opta por uma cultura de cobertura porque precisa de dinheiro para pagar as contas no final do mês.

– O produtor rural vive em uma economia de mercado. Tem que ser competitivo (eficiente e eficaz) para crescer na atividade. Quem fica no mesmo patamar, quebra. O governo, com todas as limitações, disponibiliza crédito diferenciado para o setor, e a sociedade que cubra os rebates de juros ao tesouro.

Que outros aspectos têm impedido o avanço de uma agropecuária mais, digamos, sustentável (nas três pernas)? Onde estarão gargalos e quais estratégias sugeridas para minimizá-los?

Estariam, as recomendações técnicas, corretas? São as máquinas inadequadas que precisam se ajustar à paisagem? O produtor rural é mesmo imediatista?


Parece-me que o discurso agronômico se repete durante o tempo e amassamos barro (sapatear no mesmo local). Por onde avançar? Eis a pergunta.
“Na economia de mercado não há outro meio de adquirir e preservar a riqueza, a não ser fornecendo às massas o que elas querem, da melhor maneira e mais barata possível”
Ludwig von Mises


* o autor é engenheiro agrônomo, Chefe da Divisão de Agricultura Conservacionista do Mapa
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Um comentário:

  1. O agricultor e seus consultores técnicos conhecem bem a fórmula da produção intensiva sustentável em um país tropical. Se não o fazem ou se permitem que o faça, no caso dos colegas Engenheiros Agrônomos consultores técnicos, é pela bandeira da logística, da facilidade, da rentabilidade imediata, da redução da mão de obra e de outros fatores que não levam em conta a importância dessa fina camada que cobre o planeta, que é o solo. Fórmulas são alternativas de produção, seja para grandes áreas onde a monocultura de soja volta a predominar, ou em pequenas áreas, onde o solo fica descoberto a maior parte do ano e, muitas vezes, é agredido com arados, grades, subsoladores, enxadas rotativas. Geralmente sem terraços, com plantio morro abaixo, sem canais para escoamento da água, sem preservação.

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